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Mais um bom motivo para usar Linux (ou não)

Queria compartilhar um relato pessoal meio inusitado por aqui. Há uns 6 meses comprei um notebook da Samsung para usar, principalmente, na faculdade e a primeira coisa que fiz foi desinstalar o Windows 11 de fábrica para colocar Ubuntu, por preferência pessoal mesmo. Passou-se um tempo com o computador funcionando perfeitamente até que, semana passada, estando com a bateria zerada, conectei-o na tomada e vi que a luz de carregamento não acendia e o notebook não ligava de jeito nenhum. Fiz uma pesquisa rápida e descobri que é um problema bem comum em notebooks dessa linha mas, por desencargo de consciência, levei à assistência técnica autorizada, uma vez que o produto ainda estava na garantia de 1 ano (pelo menos era o que eu acreditava). Chegando lá me informaram que, para prestarem manutenção, o aparelho teria que ser formatado por conta da LGPD e que o técnico não poderia ter acesso aos meus arquivos. Até tentei argumentar que não fazia sentido formatar sendo que o problema era na bateria (até me prontifiquei a assinar um termo de compromisso autorizando o técnico a acessar meus dados), mas não teve jeito, eles teriam que apagar tudo e que isso era previsto em lei; ao menos fiquei aliviado porque havia feito backup das notas do Obsidian antes do xabu. Passaram-se uns dias e recebi uma mensagem com o seguinte laudo: “Aparelho com sistema operacional diferente do sistema original de fábrica. Necessário instalação do sistema operacional original de fábrica no valor de R$: 190,00”. Não só me neguei a pagar o valor cobrado como pedi o computador de volta, que me foi devolvido com o problema da bateria resolvido e com meu Ubuntu e meus arquivos intactos 🙂. Claro, perdi a garantia, mas achei menos desgastante do que ter que perder tempo reinstalando tudo o que tinha. No diagnóstico que me deram informaram que “a instalação de outro Sistema Operacional compromete a segurança do aparelho tornando-o suscetível a danos no funcionamento normal do produto”. Não sei até que ponto procede, mas se eu tivesse mantido o Windows 11, provavelmente estaria baixando tudo de novo nesse exato momento 💀.

15 comentários

15 comentários

  1. Cara, que bom que arrumaram a tua bateria. Eles poderiam muito bem complicar e não trocar.

    E atualmente tenho um Thinkpad no qual veio com Windows 11 mas, logo de cara, foi trocado pelo Fedora.
    Para não ter esse problema de um dia ter que levar para a garantia e dizerem que a mudança do SO que causou o problema, o que eu fiz? Criptografei o disco usando TGP Opal 2.0, uma criptografia com base em hardware do próprio SSD. Antes mesmo do SO carregar é necessário colocar a senha, assim não tem como eles saberem qual SO eu estou usando, e como não sou obrigado a passar minha senha…

  2. Surpreso com esse relatório. Já tive notebooks da Samsung que rodaram Debian lindamente e nunca causaram dano no hardware. Não creio que o problema tenha sido o Ubuntu. É aquele negócio, pra não assumir que o equipamento estava com defeito de fabricação, colocaram a culpa no sistema. Chamo isso de falta de transparência.

  3. A Samsung não está errada. O laudo falando de segurança etc etc é bullshit. O que acontece é que ela não pode oferecer suporte a um produto que foi homologado para funcionar com um SO específico. Que bom que resolveram o tema da bateria. Não sei como está hoje, mas meu Mac quando rodava Linux parecia um Opala 6 cilindros – drenava rapidinho a bateria.

    1. Justo. Trouxe o relato mais porque achei inusitado me cobrarem 190 reais para formatar minha máquina (quando eu não queria) e porque foram 100% eficientes em reparar a bateria sem precisar fazer isso xD

      1. Se você tivesse deixado como eles queriam, teriam levado 190 reais só pra justificar a incompetência deles. Ainda bem que não aceitou.

    2. Na verdade, está errada. É vício do produto, de acordo com o CDC. Aí, para não ter responsabilidade sobre isso, o fornecedor tem que provar que foi o próprio consumidor que foi culpado pelo dano.
      No caso do OP, o laudo (única prova que a Samsung tem) não é específico (só diz que “pode” ser relacionado à modificação feita pelo consumidor, não dá uma certeza), é bem genérico. Então deveriam ter reparado o produto sem cobrança nenhuma.

  4. O compliance do suporte técnico está de parabéns. Funcionou como deveria – apesar de não resolver o problema do cliente.

    Por essas e outras (incompatibilidade de drivers), ao comprar notebook, eu só considero aqueles que sejam oferecidos em versões linux de fábrica.

  5. Você me lembrou de quando eu comprei briga com a HP…

    Comprei um notebook HP. Veio com Windows, acho que o 7. Recusei o sistema operacional, instalei Linux (não lembro qual, acho que foi o Fedora) e fui ao PROCON reclamar que eu não queria o Windows, mas fui obrigado a comprá-lo também, sendo que eu não iria usar – e não usei.

    Bem, a coisa escalou, virou notícia no Linux in Brazil (br-linux.org), várias pessoas reclamaram com a HP… No final das contas, eles me contactaram e compraram o notebook de volta.

    Conversei com a Dell, se eu podia comprar um notebook sem Windows. Disseram que não, mas eu podia recusar a licença e solicitar o estorno do valor. Assim fiz, e deu certo: Comprei o notebook Dell (q ficou comigo por 3 anos), instalei Ubuntu e recebi o valor da licença do Windows de volta – na época, uns R$ 150.

    No Thinkpad atual (q está comigo há + de 4 anos), veio o Windows 10, q eu clonei e guardei. Coloquei Debian e assim está até hj (11, depois 12 e agora o Debian 13).

    Dá vontade de mandar o notebook pra eles sem o SSD. Pronto, não precisa mexer nos dados! Ah, povo chato.

    1. Não fazia ideia de que era possível pedir estorno do valor da licença, mas eu tenho tanto pavor de ir atrás dessas dores de cabeça que prefiro deixar quieto haha. A propósito, seu Curso em Vídeo de Linux com o Guanabara foi fundamental para que eu tomasse a decisão de sair do Windows :)

      1. É possível conseguir o estorno do valor da licença quando você compra diretamente com o fabricante. Depois desse Dell, foi outro Dell (que eu comprei numa loja), um System76 (veio de fábrica com Linux) e o atual Thinkpad (que eu comprei numa loja online). Acabei não brigando pelos valores das licenças, mesmo porque acabei usando a licença do 2o Dell quando eu o vendi.

        Em tempo, é muito bom saber que aqueles vídeos que eu fiz com o Gustavo foram úteis para alguns, como você. Muito bom saber disso, Artur!

        Como professor, fico contente em saber que fui bem sucedido em pregar a palavra do software livre, já que alguns se converteram ao bom caminho, hehehe!

        Mas fique tranquilo, não peço ofertas em dinheiro. 😉

    2. Caraca, eu lembro do seu caso! Não sei se li na época do ocorrido, ou depois (teve uma época que pesquisei esse assunto, pois a Fastshop / Asus me fizeram essa venda casada de laptop com Windows; eu pretendia levar a juizado de pequenas causas, mas acabei desistindo por preguiça).

      1. Puxa, alguém além de mim lembra dessa história, viva!

        O meu 2o Dell foi adquirido na Fast Shop, e como eles compraram o notebook com tudo da Dell (hardware + software), não consegui o estorno do Windows. Acabou sendo útil, pois eu fiquei tão irritado com aquele notebook que acabei vendendo-o pouco tempo depois – e foi com o Windows de fábrica junto.

        No caso do Thinkpad, ele foi adquirido junto a uma empresa que vende para empresas, mas eu nem quis arrumar briga: O preço estava bom, mais barato do que a Lenovo praticava para professores e estudantes: O modelo que eu adquiri (T495) tinha sido descontinuado recentemente, sobrando os T14, que eram mais caros. Aí o preço era menor, vinha com processador Ryzen (AMD)… O Windows 10 dele está guardado lá em casa. Quando eu vender, ele volta.