Aproveitando a reportagem do Rodrigo, mães, pais e aqueles que pretendem ter filhos, como vocês estão lidando com os pequenos e a tecnologia?
Pergunto porque minha esposa e eu nos preocupamos com o uso de telas e estamos buscando uma creche e depois uma escola onde isso não seja tão presente.
Porém, ficamos impressionados por duas coisas:
- Que muitas escolas possuem kits tecnológicos e coisas do tipo para que as crianças aprendam a programar desde pequenas (!) e nós dois achamos um pouco demais isso;
- Que as escolas que não tem telas são na maioria dos casos caras.
Pensamos em matricular nossa filha em uma escola Waldorf, que também não é barata, e na hora veio a mente reportagens como esta aqui do El País.
Ainda não chegamos a um consenso, então pergunto, como vocês lidam com tudo isso.
4 comentários
Bom, essa questão nunca me preocupou. Meus filhos estão em uma escola particular e lá não são permitidas telas, e apesar de haverem computadores na biblioteca, nunca os vi sendo utilizado. Pela forma que a escoal usa computadores também, eles não tem muita “intimidade” com as coisas :D
Recentemente li o “Fabrica de Cretinos Digitais”, do Michel Desmurget e fiquei de cabelo em pé, mesmo não levando a sério 100% do que ele diz no livro. Aqui infelizmente preciso do google para usar o controle parental e regular o que as crianças tem acesso nos sesus dispositivos. Limitamos os horários de acesso e a quantidade de horas máximas. Infelizmente, para aTV ainda não tenho uma solução assim, então sempre é na base da conversa com eles e os incentivando a fazer outras atividades que não sejam em frente a telas.
Na TV não daria pra usar essas tomadas “inteligentes”?
A escola das minhas filhas aqui no Rio (EDEM) tem um equilíbrio muito bom (eles têm inclusive oficina de robótica). Quando as meninas nasceram (1999 e 2001) as telas eram de TVs, mas elas cresceram junto com os computadores, e uma das coisas que eu fiz foi deixar as duas serem crianças o maior tempo possível – de uma infância basicamente analógica a deixar o cabelo das duas compridos só depois dos seis anos (quando as duas pediram). Usaram muito macacão, andaram descalças, brincaram muito de boneca, quebra-cabeça, brinquedo de madeira, ao ar livre. Escola muito tecnológica normalmente deixa de lado o básico e se concentra num futuro que o cérebro da criança ainda não está preparado para apreender, já que ela não passou por nenhum dos letramentos. Como disse uma pedagogo amigo, com telas você deixa zero pra criança imaginar, pegar, manusear, desenvolver física e mesmo emociomente.
Waldorf é muito legal. Eu criei as duas basicamente dentro dela aplicando os princípios em casa, por não ter $ pra botar as duas numa escola dessas.
Enfim. Sua filha vai ter tempo suficiente pra lidar com telas mais tarde – num mundo que está redescobrindo a importância do analógico e da escrita à mão no desenvolvimento infantil.
Fábio, aqui apostamos na moderação e controle. Algumas coisas estão fora de alcance (YouTube) e outras estão ligadas aos controles de idade (streaming, videogames). Tudo possui tempo restrito e outras atividades são bastante estimuladas (brincar, escrever/desenhar, ler). Explicamos desde sempre como as telas devem ter limites para o próprio desenvolvimento da criança acontecer de maneira saudável. Em viagens, por exemplo, acreditamos que a criança sentir tédio, observar a paisagem e lidar com a angústia e ansiedade de algo subjetivo como a distância de uma outra cidade seja mais saudável do que simplesmente entregar um tablet e aliená-la do que está acontecendo.
Um bom índice é sempre olhar para outras experiências de crianças ao redor (primos, colegas de classe) e estabelecer relações entre o uso de telas e desenvolvimento. Normalmente percebemos que as que utilizam mais cedo e com mais intensidade demoram mais a se integrar e desenvolver habilidades sociais.
Na escola que escolhemos existem essas atividades (robótica, programação), mas que sempre me pareceram mais um atributo de marketing do que algo efetivo. O que sempre ficamos preocupados é com a exposição em redes sociais da criança (fotos, vídeos) feitos pela escola. São raros e procuram preservar a identidade deles.
Creio que o mais difícil é lidar com certa paranóia de alguns pais. Estes desejam controles rígidos sobre a portaria, cercas elétricas e itens que não vejo com bons olhos. O controle de acesso no ano passado foi todo com cartões e impressões digitais. Funcionava de maneira regular na maioria das vezes. Agora pretendem instalar reconhecimento facial. Isto já acendeu alguns alertas para mim, pois cadastrar todo mundo (pais, filhos, avós e quem mais for buscar as crianças) me pareceu um tanto imprudente dado o alto risco de vazamento dessas informações sensíveis.
Quanto às escolas Waldorf, posso dizer que estudei na pré-escola e a experiência foi bastante satisfatória, mas nos longínquos anos 1980. Hoje ficaria bastante em dúvida em colocar meu filho em uma delas, talvez pela dificuldade em se integrar no mundo atual. Pode ser somente uma impressão, mas já pensei várias vezes nisso.