
Temos que começar a cavar alguma flexibilidade junto com o fim da 6×1.
Por exemplo, na 4×3, 30 horas semanais ficaria 7,5h por dia de trabalho (o que é praticamente 8h).
Mas quem preferir (ou precisar) fazer 30h na 5×2 vai poder trabalhar 6h por dia, o que já é um alívio do caralho, pq tem quem deteste ficar mais 2h a partir de 6h de trabalho. Aí, no futuro, é só fixar 6h diárias pra todo mundo, aí na 4×3 a jornada passa a ser de 24 horas.
Ou seja, diante dos 7 dias da semana, vc sacrifica 1 dia pra conseguir sobreviver, no mínimo.
46 comentários
Quando criaram as férias remuneradas e 13º “todo mundo” falou que o mundo ia acabar. E hoje ninguém abre mão disso. O mesmo vale pra essa nova escala, no fim vai dar tudo certo.
Quem mais reclama é que não quer abrir mão dos seus lucros em cima da exploração dos funcionários. Se você é funcionário e vai contra essa escala, trabalha de home office, ganha mais que a média, e tem tempo pra ficar postando em foruns na internet, não vive na pele a grande merda que é.
Alguns pequenos negócios podem sofrer mais para se adaptarem, mas nada que uma política pública atrelada a essa mudança resolva. Solução tem. Ou só o agro pode ganhar mimos?
Fora que isso não vai acontecer do dia pra noite, a mudança vai ser gradual e todo mundo vai se entender no final.
tô vendo um misto de esperteza e de ingenuidade nessa proposta
TODO MUNDO sabe que isso não vai passar no congresso, um dos piores congressos de todos os tempos, eleito pelo povo trabalhador, inclusive o povo que trabalha 6×1
o resultado prático da campanha: levantar nomes para as eleições de 2026 … isso é tão óbvio
o pessoal que promove as “manifestações” de apoio já estão começando a jogar a responsabilidad nas costas do Lula … cheiro de “não é só pelos 20 centavos” all over again
eu acho que os trabalhadores precisam se organizar e lutar constantementemente por melhorias na relação capital x trabalho … mas sindicatos são vilificados na maior parte do ocidente, tem aquela conotação de trabalhador sujo de graxa ..
se não fosse a luta direta dos trabalhadores, ainda estaríamos tabalhando 7×0 como na Inglaterra da Revolução Industrial
ficar esperando que o capital (que domina a democracia burguesa) se preocupe em melhorar as condições de vida dos trabalhadores é muita ingenuidade
o min. Luís Marinho, que fez alguns comentários nesse sentido (de organização dos trabalhadores), foi praticamente massacrado por causa disso
mas nem tudo é negativo: pelo menos foi criada uma pauta de interesse dos trabalhadores em geral, que por mais inviável que seja, empurra para a direita o ônus de rejeitar
Agora que perceberam que o tema do trabalho é de extrema importância e de grande adesão e entendimento da população em geral, seria um bom momento para começar a se pensar numa Bancada Trabalhista. Temos que aguentar uma bancada da bala, do boi e da bíblia, por que não uma frente de políticos focado nas questões trabalhistas? Eu acho que tem grandes chances de virar uma bancada forte no congresso.
A escala 6×1 é muito utilizada em:
Shoppings;
Hospitais;
Condomínios (edifícios) com porteiro ou serviços de expedição (recebimento de encomendas) ou limpeza;
Lojas populares do Centro de grandes cidades (geralmente posições de Caixa, vendedor, etc);
Supermercados;
Terceirizados de limpeza/serviços gerais.
O impacto “econômico” existe em diferentes formas nos estabelecimentos acima.
Mas o mais importante dessa história toda é que a extinção dessa escala é diretamente relacionada a como queremos uma sociedade mais igual; afinal, ter um dia só de “descanso” é de fato desumano! A pessoa não consegue cuidar de si, muito menos ter lazer ou vida social!
Aliado a isso que as posições de trabalho com essa escala geralmente não geram qualquer perspectiva de crescimento tanto financeiro quanto de carreira, já que são operacionais e “de base”: a pessoa se frustra porque se ao menos “compensasse” o ganho financeiro para conseguir alcançar um melhor local de moradia, um carro, etc.
E que mal há em ter alguns destes serviços fechados aos fins de semana – Sábado e Domingo? Menciono especificamente o varejo…
Se é que a extinção dessa escala de fato gerará um dia a menos de trabalho, afinal há mais de 1 turno em um supermercado por exemplo.
Acredito que o grande problema é a forma como algumas empresas – notadamente do varejo, nesses tempos de juros altos – buscam uma forma de compensação para suas possíveis “perdas”. E também isso deve ser colocado em pauta de alguma forma e em algum momento.
O Brasil tem se tornado o País dos rentistas. E empresários com grana que investem no negócio próprio em vez de colocar em alguma forma de renda, tem se tornado cada vez mais raros, e têm migrado para negócios relacionados a finanças para conseguir “girar” e especular com a grana do cliente (vide o Mercado Pago aí cada vez mais presente, ainda que a marca principal seja uma plataforma de vendas, ou o varejo oferecendo empréstimos mil nem que seja em forma do cartão da própria loja…).
Mas a grande resistência vêm do costume de continuar explorando, e ver qualquer ato de humanidade como “privilégio”. É um “ranço” bobo, sem argumento, que tenta buscar na “economia” sua âncora. Ainda que seja uma verdade, ela não deveria sobrepor o claro entendimento de que 1 dia de folga não é cabível! Para além de qualquer argumento, a perversidade do ato de manter 1 pessoa com 1 dia de folga em 7 é em si sem justificativa alguma, é uma questão civilizatória. Ponto.
Já hospitais e condomínios terão um impacto mais direto, já que equacionar as contas desses locais – que oferecem diretamente um “serviço” do profissional – será mais desafiador.
Mas, de novo: se queremos uma sociedade mais igual, passa por reconhecer que, para além da “economia” ou da pretensa questão de produtividade, estamos falando de humanidade. E a ideia central de um contrato social e de se viver em sociedade, é justamente porquê rejeitamos a selva, a barbárie.
Uma sociedade não é um monte de indivíduos se virando como dá. Isso é a exata descrição de uma selva.
Excelentes pontos.
A questão de sermos um “país de rentistas”, creio que na verdade também pode se culpar o modelo atual do capitalismo mundial, que vê acumulo de renda como algo positivo. Imagine que agora na era Trump provavelmente os Estados Unidos vai ter problemas maiores de trabalho, dado que quem está liderando políticamente são justamente rentistas.
Isso me faz pensar que um ponto do porque de pessoas no Brasil ainda votarem mais em “gente de direita” em alguns lugares é justamente porque elas não se veem como pobres e querem ter “direito” de poder ter sua forma de renda. Só pensar que mesmo pessoas de baixa renda fazem dinheiro alugando casas (ou até mesmo barraco em favela). É que aparentemente o AirBnb não pegou muito no Brasil, mas em compensação o que tem de contrato de gaveta por aí… Entraria em uma discussão profunda e um pouco fora da linha deste post, diga-se.
Verdade, é um tema complexo tudo isso.
A verdade é que o discurso da pobreza ser uma falha moral, individual, acertou em cheio nas aspirações do considerado “pobre” e mesmo do “classe média”. A internet está cheia de coaches de último minuto pregando vendas, métodos mentais, promessas mil. E essas pessoas estão também por aí fazendo um “serviço nas bases”, qual seja: ostentando pelos bairros ou vendendo o peixe que comprou do coach com seu vizinho ou colega de trabalho ou colega de bico na fila do fast food esperando a sua entrega estar pronta.
Ao passo que a esquerda progressista embandeirou-se na agenda identitária e acovardou-se de todas as outras, além de deixar de prestar serviço de base, que foi ocupado não só individualmente pelo bitolado em sucesso pessoal descrito acima, mas também pelas igrejas evangélicas que se afastam da esquerda por posições conservadoras.
Assim, o neoliberalismo e o conservacionismo tomaram a base de formação ideológica das pessoas. Temos o caldo perfeito.
É fácil defender uma mudança quando se é funcionário, mas será que quem defende essa mudança abriria uma empresa e implementaria uma carga horária flexível, pagando salários acima da média? A verdade é que gerar empregos custa caro. É fácil cobrar de quem cria oportunidades de trabalho.
Não acho que o emprego no século XXI possa ser análogo à escravidão, é claro que o pior que temos hoje ainda é muito melhor do que na escravidão.
Agora, que os argumentos usados pra defender um ou outro (donos de escravizados ou capitalistas) são parecidos, nisso eu concordo.
“Não acho que o emprego no século XXI possa ser análogo à escravidão” – existe exatamente uma lei contra “trabalho análogo à escravidão”, com operações do Ministério do Trabalho, Ministério Público, polícia etc. contra essas práticas e uma lista pública com empresas e empresários que foram pegos nessas operações. Trabalhadores são submetidos às piores condições, como comida estragada, retenção de documentos, dívidas abusivas, trabalho doméstico em que a pessoa é mantida encarcerada etc., etc., etc. Dá uma olhadinha em sites como Repórter Brasil pra conferir.
Creio que não a toa há também uma discussão embutida nessa pauta que é a questão salárial e de custos operacionais.
Como já li por aí, “se a pessoa nem consegue pagar um salário direito para seu funcionário, como então ele lida com a empresa?”. Um dos males é tratar empresa como objeto, sendo que na verdade uma empresa é um conjunto de pessoas operando. Não se monta empresa sem dinheiro, e sem também ter uma mínima noção de custos operacionais. Tipo, eu não vou por um carro para trabalhar de aplicativo na rua se eu não sei quanto estou gastando com combustível, custos pessoais e tudo mais.
A ideia de uma escala menor de trabalho também se deve a necessidade de fazer as empresas entenderem que lucro e ganhos vem mais com uma boa operação do que com uma operação non-stop. Se tem por exemplo uma cafeteria que atende bem e tem custos justos ao cliente, ela vai ter ganhos, não importa se ela fica aberta de terça a sábado ou todos os dias. Só calcular o quão justo vai ser trabalhar menos dias e quantos funcionários precisam, incluso os novos funcionários para a nova escala, caso a operação seja diária.
Se falamos de fábricas, deve-se observar demandas também. Grandes fábricas planejam sempre contratações temporárias em época de alta demanda. Se falamos de serviços, deve se observar o tipo de serviço e sua disponibilidade.
Isso também incentiva a mudança da cultura de “horário comercial”. Vagamente me lembro que existiam operações das 8h as 19h antigamente. Hoje noto que boa parte das lojas abrem entre as 9 e 10h e vão até as 17/18h. Isso em grandes metrópoles, pois não duvido que há cidades que tem “horário do almoço” e fecham no período.
Se as oportunidades geradas são sub-empregos com escalas cansativas melhor não gerar mesmo.
quem gera emprego é a demanda, ninguém é capaz de gerar empregos do nada, o empresário não é um ser benevolente que decidiu de boa vontade dar emprego a um pobre coitado.
Se todo o avanço do capital, da tecnologia, etc., até agora não consegue bancar que uma pessoa tenha dois dias de descanso, é melhor que tudo se exploda
Os avanços que menciona permite isso tudo. Só não querem.
Rodrigo, em respeito ao MdU eu vou me comprometer em responder de forma atenciosa ao seu comentário. Mas saiba que esse tipo de comentário pró-patrão é um indício muito explícito da necessidade dos trabalhadores exigirem de forma ainda mais incisiva a ampliação de seus direitos. Seu discurso é profundamente ideológico: é nítido como a retórica neoliberal te contaminou a ponto de estragar completamente sua visão sobre o mundo.
Agora respondendo:
Sabe por que trabalhadores não abrem empresas? Porque eles não podem, ué. Vivemos em um mundo de concentração cada vez mais monopolista dos meios de produção e aos trabalhadores só resta vender sua força de trabalho — a ponto de serem obrigados a vendê-la por migalhas, tal é a violência da desigualdade de acesso ao capital.
Empresário não gera emprego. Capitalista não gera trabalho. Sabe por que empresário contrata os outros? Para roubar a mais-valia do trabalho deles. E ele faz isso por que detém o privilégio de possuir o monopólio dos meios de produção, roubado dos trabalhadores. Então antes de defender patrão, por favor, avalie muito bem o quanto você não está defendendo um bandido.
Oportunidades de trabalho não são construção individual de empreendedores, mas elaborações coletivas e sociais. Esse lixo de retórica neoliberal que contamina seu discurso faz querer crer que o mundo muda em função de atitudes individuais, mas as transformações são sempre coletivas — e justamente porque coletivas, a individualização do suposto mérito do empreendedor só o torna ainda mais asqueroso.
Existe uma forma de zerar o custo de gerar emprego. Chama escravidão. Se você gosta tanto da jornada 6×1, melhor adotar logo a 7×0 como nos tempos áureos da escravidão.
Independente disso tudo, todo ser humano tem direito ao ócio e ao descanso. Defender jornada 6×1 não é defender racionalidade econômica nenhuma, é defender a violação de direitos humanos básicos. E quem faz isso não passa de um fascista de merda.
Gabriel, achei seu comentário muito lúcido e apropriado para o debate. Entretanto frases coléricas como “Lugar de empresário devia ser na guilhotina, não no debate público” não contribuem com a troca de ideias. Sei que você não está se referindo ao pequeno empreendedor (que muitas vezes nem funcionários tem), mas sim aos grandes que efetivamente exploram as pessoas. Porém, muitas vezes, quem as lê, não consegue ter essa percepção e acabará discordando de todo o seu discurso, apenas por se sentirem atacados nessa parte. Infelizmente temos muitos vendedores de bolo de pote, motoristas de aplicativo e camelôs de estação de trem etc, que se enxergam empresários.
Acho que o ponto aqui é o óbvio: o ambulante não é empresário. A vendedora de bolo de pote também não. O dono da loja de consertos de eletrônicos talvez, mas isso se ele tiver mais de 5 pessoas à serviço dele. O que define a pessoa “ser empresário” é mais se ela tem uma grande estrutura por trás. A pessoa pode ter uma empresa mas opera como profissional liberal – como jornalistas e advogados. Empresa – O CNPJ – é formalidade só para pagar impostos.
Eu mesmo trabalho por conta mas não me vejo empresário. Nem se eu tivesse MEI eu me consideraria empresário, pois de qualquer forma estou a serviço de alguém, estaria como “profissional liberal”.
Se a pessoa se vê como empresário, isso mostra mais os problemas de nossa educação e cultura. Dias atrás escutei uma conversa entre camelôs em um trem. E era sobre fugir ou ser amigo de guardas, os melhores produtos para vender (geralmente doces e salgadinhos vendem rápido), serem pegos em flagrantes, etc… Eles não planejam tudo pois contam com um misto de sorte – tanto de vender quanto de não serem pegos – e de esforço – eles hoje se veem como uma cultura, como um grupo coeso e que se defende da sociedade.
Fico me perguntando no dia que eles descobrirem que quem ganha mais que eles são os guardas amigos que cobram propina ou o empresário da loja de doce próximo da estação que vende a caixa de doces.
Nessa pauta aí até agora todo mundo que vi falando mal da PEC não trabalha e possivelmente nunca trabalhou em 6×1, ou seja, gente de classe média que trabalha em escritório não querendo perder a conveniência de achar comércios sempre abertos quando lhe apetece e também não sendo capaz de se por no lugar de outro trabalhador e ver como uma escala dessa é desgastante. Esse tipo de escala de trabalho já devia ter acabado há muito tempo, e só existe por causa da imensa massa de trabalhadores sem opção que tem que aceitar as vagas que aparecem.
Eu trabalho na jornada 4.5 x 2.5 (saímos meio dia às sextas-feiras) e é maravilhoso, melhora muito as possibilidades de lazer, descanso, de consumo e de fazer coisas do dia a dia de maneira mais tranquila (quem acha que esse tempo livre em dia de semana é só pra churrasco está muito enganado, é o horário oficial de ir em cartório, dentista, médico…)
Na minha opinião, o Brasil não está preparado nem para discutir 6:1. Hoje, aqui isso não se aplica. A maioria da população nem sequer recebe salários dignos. Diminuir a quantidade de tempo de serviço fará com que as pessoas optem por ter mais de um trabalho para poder aumentar a renda familiar. Qualidade de vida é a última preocupação de quem precisa levar comida para casa, infelizmente.
Amigo, é uma questão de interesse até da classe política, pelos menos aquela que está percebendo a realidade. Estamos com uma taxa de desemprego baixa se pegamos uma fotografia dos últimos 10 anos, no entanto a insatisfação é grande, justamente pelas condições de trabalho. Eleição americana mostrou que índices econômicos nao geram ganho eleitoral. Não adianta comemorar taxa de desemprego se milhões estão insatisfeitos com a rotina desgastante. O projeto não é porra louca, tem fundamento e não é de hoje que a esquerda defende redução da jornada com a manutenção do salário.
A pauta desconcertou a extrema direita, mas ela ainda pode capitalizar ao argumentar que é uma pauta porra louca e sem sentido, sem base, sem estudos da esquerda, que está aí para enganar o povão. Acabei de ver o Bolsonaro se posicionando sobre ela adotando exatamente essa linha. Eles sentiram, porque se alimentam de pautas culturais. Quando se trata de pautas que aumentam a qualidade de vida do trabalhador, eles precisam desqualificar. Agora, uma coisa que aprendi. Só colo em manifestação que tiver partidos e sindicatos. Qualquer coisa que caminhe para movimentos apartidarios, tô fora.
De acordo. Se criarem escala 4×3 o pessoal com certeza vai arrumar outro emprego informar para completar os 3 dias de folga.
Mas essa é a questão. A 6×1 não contribui, e, inclusive, atrapalha, a qualidade de vida do trabalhador. O Brasil “tem” que estar pronto pra discutir isso – e ouvindo as pessoas na rua, acho que está.
Estamos em situação de pleno emprego, ou quase, o que também faz desse um bom momento pra negociar melhorias.
O que me preocupa é que todo mundo tá falando sobre redução da jornada de trabalho, mas ninguém comenta sobre não reduzir os salários.
Tenho um receio enorme de condicionarem a aprovação da pauta à inclusão de algum jabuti que autoriza o empregador a reduzir o salário proporcionalmente à redução de jornada só pra engavetar o projeto de vez.
Quem tá puxando a pauta já tratou disso e isso é fundamental.
Isso está sendo discutido, e é essencial.
A imensa maioria de quem trabalha 6 x 1 já recebe o mínimo da categoria ou salário mínimo. Não tem como baixar ainda mais.
Essa discussão não é sobre escala de trabalho, mas sim sobre a intankabilidade de se morar nas Grandes Cidades (como São Paulo), onde você fica espremido dentro de um ônibus/metrô/trem por no mínimo duas horas por dia. É sobre isso.
A escala 6×1 é ruim pra quem mora em cidade pequena também, por favor parem de tentar fazer tudo ser sobre cidade grande
A solução pra isso não é diminuir a escala, mas sim colocar as pessoas mais perto de onde os empregos delas ficam.
Ou seja: Um Plano Diretor que adense as pessoas no centro e nos melhores bairros e que também traga empregos para onde as pessoas moram.
Com isso, se você mora a uns 20 minutos de onde você trabalha, mesmo a escala 6×1 não é tão ruim assim.
Essa discussão é muito mais sobre infraestrutura, transporte e plano diretor do que escala de trabalho. Até porque, diminuir a escala de trabalho não muda o fato de que a infraestrutura das cidades brasileiras são ruins, da pequena até as grandes.
É, é ruim sim. Ficar 2h pra chegar no trabalho é apenas a cereja em cima do bolo podre que é só ter um único dia de descanso a cada semana. Descanso esse que pode cair em dia útil e fazer com que o trabalhador em nada possa aproveitar. Em algumas áreas é um domingo somente a cada 7 semanas. Eu nunca trabalhei nessa escala, mas basta perguntar a qualquer um que esteja nela. É bem ruim sim.
Escala 6×1 é ruim até se for home office
Concordo com todos os pontos que você trouxe, mas sejamos práticos: mudar a escala de trabalho me parece algo muito mais praticável do que realocar milhões e milhões de pessoas para locais mais próximos do trabalho. Fora que isso só resolveria temporariamente o problema, já que ao trocar de emprego, quem garante que o próximo também será perto de casa?
Cara, um plano diretor vai resolver esse problema daqui 50, 100 anos. As pessoas precisam de uma solução já.
Não tem como cara, imagina uma pessoa ter que se mudar toda vez que muda de trabalho. Vocês precisam ter mais empatia com a vida de cada um. Nem todos tem o previlegio que nós temos.
Infraestrutura e planejamento é muito importante também. As cidades funcionam mais pra escoar mercadoria do que pra viver.
Mas não é só isso. É simplesmente desumano só ter um dia de folga na semana. Não entendo como se normaliza uma situação dessas. É uma questão humanitária.
A o que? Intankabilidade? Que isso?
😂
Não tankei também
Já falei a muito tempo mas nao gostaram de ouvir… caiam na real.
6×1 é insano e isso tem de acabar, esse foco e apenas foco tem de ser seguido. Se pararem de sonhar com 36h semanas o normal, pois “tem na europa e tem de ter no brasil”, tem uma chance em 1000 de conseguir.
40 horas semanais, para a realidade brasileira, seria incrível e isso apenas já nao será fáicil. Mas por favor foquem nisso, e quem sabe vai.
Isso me atinge hoje tão diretamente, mas a 15 anos atras quando eu trabalhava em comercio pensamentos suicidas diários era padrão de vida, até eu finalmente trocar comercio para QUALQUER COISA 5X2 e estou vivo desde então.
Mas não é uma boa “pedir mais” pra ter margem de barganha?
Exatamente isso.
Nesse caso, deu certo porque a proposta teve uma adesão bem alta entre a população. Mas sendo projeto de iniciativa parlamentar, a ideia de pedir a mais para negociar nem sempre funciona justamente porque precisa de um mínimo de assinaturas para tramitar.
A pauta tem tido forte adesão popular. É clara, simples, justa, de fácil entendimento, toca a vida de milhões e combate a exploração e alienação do trabalho assalariado. Eu acho que é disso que a esquerda no país precisa, encantar as pessoas, ter um horizonte mais ousado, faze-las sonhar. Torço para que gere mobilização popular e a gente consiga pressionar pelas 36h.
Não vejo como coisas excludentes. Precisamos cobrar os dois. Um provavelmente é viável mais no curto prazo enquanto o outro médio ou longo prazo. O projeto não deve ser sobre algo, mas sobre tudo.
Cara… Muitas vezes na clínica chegam casos de depressão cronificada, síndrome do pânico e somatizações de todo tipo sendo “tratadas” com psicotrópicos fortíssimos, mas que já na primeira escuta fica claro que se trata de uma questão de modo de vida (ou de modo sobrevivência).
A discussão sobre a 6×1 e sobre a dignidade do trabalhador é a melhor discussão que esse país pode ter.