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IA nos transformará em microrganismos que não conversam porque não precisam

Não hoje, porque pra muitos parece exagero.

Mas entre 5 e 20 anos, a IA estará muito mais evoluída do que é hoje, atingindo a população de tantas formas possíveis que talvez percamos toda nossa humanidade.

Arte e criatividade vai ficar cada vez mais de lado por N motivos.
Comunicação será tão ágil que iremos parecer robôs.
Robôs farão parte do nosso cotidiano a ponto de ganhar direitos e interagir como pessoas, similar a polemica de pets.

Alguns artigos que leiam comentam “empregos que a IA não irá substituir”, na minha opinião isso nem faz sentido. Em alguns anos, farão trabalho de humanos melhor que humanos, com corpo humanoide. Realmente não terão nada pra substituir, apenas escolher.

Pra não alongar o texto, queria saber a opinião de vocês.

18 comentários

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  1. No livro O Sol Desvelado, Asimov narra um planeta chamado Solaria, habitado por poucos humanos e milhares de robôs. E o que chama atenção é justamente a dessocialização entre os humanos. Ele explica que apesar de sermos “animais sociais” só fazemos isso porque temos necessidades de sobrevivência em comum, mas que com os robôs suprindo a maioria, o que se vê é uma necessidade de não ter mais contato com outros. Quem gostar de ficção e ciência vale a pena.

    1. Até hoje só li um livro dele, “O Fim da Eternidade”, que gostei, mas achei ultracomplexo, achei difícil me localizar em vários momentos. Esse “O Sol Desvelado” você acha que é mais acessível?

  2. Hoje ainda operamos as máquinas de braços robóticos nas grandes indústrias, mas logo logo essa função de operação de máquina, quanto a máquina operando sozinha a partir do conceito daquilo que se quer criar, será realidade.

  3. Achei interessante você ter posto dessa forma de que seremos transformados em microrganismos que não interagem, porque se você para pra analisar, é justamente isso que as tecnologias digitais vêm fazendo: elas intermediam as interações sociais que antes só eram possíveis através do contato entre pelo menos duas pessoas. Exemplo: antes você precisava ligar para um hotel e falar com um recepcionista para fazer uma reserva, pedir informações no posto de gasolina para chegar em certos lugares, ligar para chamar um táxi, etc. Agora estamos numa fase em que quase você pode atravessar meio mundo sem precisa falar com ninguém, o que durante muito tempo foi visto como algo maravilhoso, mas agora ficou claro que isso deu enorme poder a todas as plataformas que realizam essa intermediação, e nesse processo rasgou um tecido social que era importante para nossa sanidade como seres comunitários. A IA tende a acelerar ainda mais esse processo, e por isso a discussão sobre esses efeitos precisa estar nas conversas de todo mundo. O perigo é tudo acontecer tão depressa e não dar tempo de nos adaptarmos e criarmos formas de resistência. Já tem uma ressaca do uso excessivo de telas, suscitando finalmente a proibição de dispositivos em escolas, e acho que a sociedade vai progredir, mesmo que lentamente, no sentido de limitar o estrago que as tecnologias têm causado. O uso da IA precisa entrar junto nessas discussões para que exista mais controle e regulação. Mas entendo sua preocupação, pois em momentos a sensação é de estarmos apenas remendando rachaduras numa barragem com band-aid. Talvez teremos movimentos neoluditas?

    1. Eu tava pensando aqui sobre o “estamos numa fase em que quase você pode atravessar meio mundo sem precisa falar com ninguém”.

      A automatização em si fez isso nos anos 70/80. Pode se comprar comida pronta bastando por dinheiro em uma máquina. Pagar o ônibus também.

      Geralmente a automatização é feita pois não se confia tanto nos humanos, pois tais podem desviar valores de uma cobrança por exemplo, ou “não atender conforme as regras”. A IA, seguindo essa lógica, é uma “automatização de comportamento.” A gente acaba tendo comportamento pausterizado para evitar surpresas. Não que uma IA não seja capaz disso (de ser corrompida e fazer algo prejudicial à operação), pois uma programação mal feita significa que quem gerou a IA vai gerar uma condição prejudicial aos usuários dela.

      Apesar de sermos seres comunitários, ao mesmo tempo as comunidades acabam sofrendo com conflitos internos. E quem tem conhecimento para tentar minimizar tais conflitos não consegue. Pessoas acabam com traumas devido a comportamentos que fazem um mal a terceiro. Isso porque as gerações mais jovens também crsceram com adultos falando que “o ser humano não presta”, seja um familiar, seja a mídia nas redes.

      Me pergunto como corrigir comportamentos para as pessoas terem mais confiança entre seus pares, mas aí fica-se em um dilema se tal pensamento é eugênico.

      Com a tal “IA”, não se tem essa desculpa pois a desculpa é que “máquinas são assim”.

      Detalhe: nem falo isso defendendo IA, pelo contrário, IA é fruto de mentes que pensam que as regras que criam serão absolutas.

      Mas sim se perguntando como nos deixamos falhar como humanos gerando conflitos entre os pares.

  4. Li em algum lugar que a gente tá em constante melhora, ainda que por vezes essa taxa quase empate com os novos problemas que surgem. Sempre que surge alguma reflexão do tipo, é bom lembrar de que a gente tá ficando velho e começando a usar aquela frase dos ainda mais velhos, de que “no meu isso e aquilo era melhor”. Não era melhor, o nome disso é nostalgia.
    Hoje a gente discute o uso saudável da tecnologia e lá na frente a discussão vai continuar necessária.
    Belchior tinha razão, ainda somos os mesmos.

  5. IA não vai evoluir tanto assim não. As pessoas esperam que a evolução seja sempre exponencial mas a verdade é que já chegamos muito próximo ao limite da tecnologia. Só ver que não teve nenhum novo salto já tem um tempinho.
    Não, o novo modelo 4556.25z não é infinitamente superior ao anterior, por mais que o marketing da OpenAI e alguns deslumbrados defendam

  6. Seu texto me lembrou a série Human.
    Eu já comentei aqui sobre, acho esse tom de estamos acabados muito alarmista, acho que é mais marketing e tal.
    Agora, tem pontos de mutação na história da humanidade e estamos vivendo um de uma maneira nunca registrada antes, pra medir o impacto, só a próxima geração
    O q eu penso é na galera rica investindo em bunker e imortalidade. Façam bom proveito, pessoal!

  7. Arte e criatividade não vão ficar cada vez mais de lado. Continuaremos fazendo, usando e não usando IA generativa. Arte é uma expressão nossa que não vai sumir porque tem uma tecnologia nova. Já estamos na era da reprodutibilidade técnica do Walter Benjamin. IA generativa é só mais uma ferramenta que reforça isso.

    O que pode acontecer é uma ainda maior pasteurização de produtos culturais, mas novamente isso já existe e IA só vai reforçar.

    A grande cagada que essa onda nova pode trazer é na nossa relação com o trabalho. Se a IA aumenta nossa produtividade, isso não aparecer em terminar as tarefas mais cedo pra ter mais tempo livre. Terminaremos mais cedo pra trabalharmos mais, pra entregarmos mais. Quando não, um motivo pra te pagar menos, porque como uma pessoa entrega mais trabalho no mesmo tempo com IA, posso contratar menos gente, daí mais pessoas sem trabalho aceitando receber menos pra poder sobreviver.
    Mas vou soar repetitivo: isso não é novo, já acontece. Tecnologias já apareceram e provocaram esse mesmo processo.

    A única ferramenta que temos é regulação. Não pode correr solto. Tenho esperança porque minha categoria está razoavelmente organizada, estamos bem adiantados em Brasília e temos algum poder de mobilização pra fazer barulho de quem consome o que a gente produz.

    1. Antes de mais nada, todo comentário é válido. Não sei em que ramo você trabalho, mas eu vejo o que a IA está sendo capaz, trabalho todo dia com ela seja pra me ajudar seja pra analisar. Sou desenvolvedor, e minha preocupação não é com minha profissão, é como ela vai transformar nossa interação na sociedade.

      O (canalha) Elon Musk previu isso há muitos anos, “a IA pode machucar as pessoas de uma forma que nenhuma outra tecnologia conseguiria”.

      Eu não sou vidente, mas basta meditar um pouco numa fórmula: robos humanoides + energia solar + IA superiores ao raciocínio humano + máquinas desenvolvendo código sobre o próprio código + seres humanos completamente dependentes de internet + elemento x (aquele que ninguém previu mas acontece sempre)

      Enfim… ao longo de vários meses já tentei ser otimista, mas sempre meus argumentos caem…

      1. Calma, nao entre em pânico. Ainda não estamos nem perto do pico da curva de adoção de AI… Ela ainda demanda muita energia, é muito cara. Todo mundo tá investindo, mas ainda tá longe de ser rentável.

        Elon musk não previu nada, ele é um canalha, um arrogante.

  8. Eu acho que não… As gerações mais novas já estarão num mundo saturado pela IA e vão buscar coisas mais orgânicas novamente…
    Não é a toa que faz poucos dias que falávamos sobre a volta de câmeras compactas por que não geram fotos “excessivamente perfeitas”

  9. Concordo contigo.

    E analisando com a minha cabeça de agora (pode ser que eu mude de ideia com o tempo, normal), ainda bem que nós morremos. Não gostaria de viver em um lugar assim.