7 comentários

  1. Eu tenho um pouco de rixa com o Nicolelis por causa dos relatos do Sidarta Ribeiro sobre o autoritarismo dele no Instituto do Cérebro da UFRN e porque ele me bloqueou no twitter na copa de 2014 por falar que ele não tinha a menor noção sobre política de futebol e tava falando besteira, mas não consigo deixar de reconhecer que o cara é um gênio. Excelente entrevista.

  2. Acho que agora que a poeira está caindo o que descobrimos é que falar não é uma habilidade exclusiva que nos faz humanos. Podemos ensinar maquinas a falar (e jogar xadrez). Apenas isso.
    Não existe IA. E nunca vai existir.

    1. Depende também do que chamamos de “fala”, e os mais entusiasmados vêm confundindo os conceitos há tempos — não sei se por ignorância ou má-fé.

      Ensinar máquinas a cuspir textos probabilisticamente possíveis é apenas análogo, mas não igual, a falar como nós humanos fazemos. O output pode ser parecido, porém aquilo gera o output difere fundamentalmente.

      Por isso, concordo com você que não existe inteligência artificial. Talvez um dia exista.

      1. “Cuspir textos probabilisticamente possíveis” é uma forma muito negativa de ver: o assistente não vai me surpreender com uma ideia original, mas quando eu querer saber algo ele responde. Com textos que, para minha mente de macaco, simplesmente são iguais a humano e me da a informação que desejo (se um dia arrumarmos as alucinações)

        Na verdade é muito complexo, e enquanto que eu não veja como inteligente e acho que jamais verei… penso que meu critério de inteligente é com bias: macacos falam com a gente (quando treinados) usando gestos. Porém nunca nenhum macaco iniciou uma conversa, nunca desejou saber nada sobre os humanos, sempre somos nós quem inicia a conversação. Isso é o mesmo com AI, mas macaco é inteligente…

        1. Na verdade, é uma forma realista de ver, pois o sentimento otimista da maioria das pessoas faz com que elas acreditem que as IAs são mais capazes do que realmente são.

          A alucinação não é a exceção, é o efeito colateral de saber apenas cuspir sentenças probabilisticamente possíveis.

          O seu critério de inteligência faz sentido pra mim. O meu é parecido: pelo menos no que diz respeito a inteligência verbal, tanto IAs quanto primatas não humanos não possuem o que chamei de “aquilo que gera o output”, que é a capacidade humana para linguagem.

          É possível que IAs, macacos e humanos expressem uma sentença como “o menino chutou a bola” usando língua de sinais ou algo equivalente; porém, o que os distingue é o que gera a frase:

          1. Macacos encadeiam itens lexicais;
          2. IAs geram itens lexicais com base em critérios estatísticos;
          3. Humanos utilizam o que o Chomsky chama de Gramática Universal (UG) para gerar estruturas sintáticas e expressá-las usando sons ou gestos.

          Mesmo output, três formas diferentes de geração. Duas são burras. Por isso concordo com você que, em seu estado atual, as IAs não são inteligentes.

          1. Mas dos três níveis de IA, a gente não conseguiu nem chegar ao segundo. Que a IA é burra já se sabe há muito tempo – ela tem o deep learning mas carece do deep understanding.