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IA não é de todo o mal t.me

O link manda para um post no Telegram em que conto em detalhes como criei um botão que executa uma função específica para meu uso. No caso, foi a “limpeza” do nome de um arquivo, a remoção dos caracteres especiais. É algo bem específico para meu uso, pois meu CRM só aceita subir arquivos com os nomes “limpos”.

Mas o “X” da questão é: não devemos usar IA nem para coisas que nos beneficiam? Vejo na bolha de tecnologia uma repulsa à IA generativa, como se tudo que saísse dali fosse muito ruim, e não acho que seja assim. Penso que dá para usar IA e ainda assim ser crítico às empresas. O uso que expliquei no link é algo extremamente útil e deveria ser acessível a todos.

Eu jamais conseguiria resolver esse problema sem ajuda da IA; não sei nem o que é JavaScript, quanto mais criar uma função em código que executasse uma ação que, mesmo que simples, exige um conhecimento técnico razoável em uma área que não é do meu interesse.

Tenho estudado bastante sobre engenharia de prompt e como melhorar os processos do meu dia a dia usando IA generativa. Não quero ficar como os fotógrafos que “negaram” a fotografia digital, porque o filme era melhor, e depois ficaram para trás.

A pergunta que faço é: você usa IA para resolver problemas simples (talvez complexos também) do seu dia a dia, ou acha que não há necessidade em usar e prefere ficar à margem de toda essa “moda”?

27 comentários

27 comentários

  1. Uma coisa que penso sobre a tal “Inteligência Artificial” é a seguinte:

    Uma coisa é criar um mecanismo, nesse caso seria um sistema eletrônico para tentar achar respostas baseadas em padrões, para por exemplo usar justamente nos clássicos “buscar a cura do câncer” ou “a solução para algum problema coletivo”. Isso me fez pensar: alugém aí se lembra dos antigos projetos de “processamento coletivo” que existiram para a busca do câncer ou até de extraterrestres?
    Outra é criar um mecanismo que tenta emular uma atividade humana, mas só sirva para isso e para vender esta emulação. Entremos em um dilema aí.

    Estamos em um “mundo” recheado de trabalhos como criar relatórios, monitorar atividades alheias, criar informações (escritas, desenhadas, faladas) para repassar a terceiros. Atividades estas que geralmente são humanas. Mas que agora tenta-se emular tais.

    Monitorar atividade de certa forma é fácil. Hoje existem tecnologias de rastreio, veícular, de rosto e fisionomia (ainda que falho). A tecnologia empregada é resultado de anos de estudos e formas. E hoje é vendido como “IA”, o que na verdade é apenas um sistema refinado (ou nem tanto quando falamos de biometrias) para identificação e monitoria.

    Artes em um todo – textos, desenhos, animações… isso tudo se cria com “criatividade”. A pergunta que se faz é: IA é criativa? Ela consegue imaginar? Porque se a gente observar, IA apenas monta algo baseado em conceitos programados no mesmo.

    Me lembro que uma das primeiras IAs (que até era chamada como LLM mesmo ou outro nome), acho que era uma da Microsoft, que uma vez pedi para ele fazer uma montagem de um Neymar em uma nota de dólar. E saiu uma imagem engraçada que nem me lembro se salvei nos meus arquivos. Acho que foi uma das poucas vezes que usei algo assim, a outra foi o Rave.DJ, um site que você pegava links do YouTube e/ou Spotify e colocava para fazer uma playlist continua ou até um simples mashup de músicas. Coisas bobas, diga-se.

    Dito isso, dado a situação atual, penso assim: Se for usar IA, tenha em mente tudo – seja moral, pessoal, relevante ao seu trabalho – para quando for fazer algo ter a consciência de que aquilo não está fazendo um mal a terceiro e está auxiliando você e a quem mais precisa deste trabalho.

    Como diz o Cesar Scapella:

    Parece que o “eticamente contraditório” é uns dos ingredientes para o sucesso de uma tecnologia, pelo menos é o que diz a história.

    1. “alugém aí se lembra dos antigos projetos de “processamento coletivo” que existiram para a busca do câncer ou até de extraterrestres?”

      Tipo aqueles descansos de tela que você baixava e ele utilizava seu processamento enquanto o PC estava ocioso??? :D

  2. pra mim, até agora, não consigo enxergar um motivo sequer pra não gostar de IA, sinceramente.

    montar uma POC/MVP aqui no trampo nunca foi tão rápido, acabo focando no que realmente importa: arquitetura e regras de negócio, em geral.

    que evolua cada vez mais :)

    1. Excelente essa entrevista com a Giselle. Não tinha pensando ainda sob essa perspectiva, usar a IA para trazer uma perspectiva diferente da eurocentrista da história.

  3. “O meu boicote à IA generativa é pra eu me sentir bem comigo mesmo e não acho que vá fazer a menor diferença. Pra mim, a solução precisa ser coletiva.” Mauricio

    A cada dia eu desgosto mais da área de TI e nem imaginei que isso seria possível…

  4. Queria poder aproveitar melhor nos meus trabalhos, porém…
    1) no trabalho principal, a natureza das atividades se beneficia muito mais de uma simples automação em Excel que do uso de IA;
    2) no trabalho secundário já tentei usar, mas ela simplesmente não é confiável, resume as coisas com omissões de trechos relevantes, deixa de analisar documentos inteiros e inclui informações erradas, o que é inadmissível para uma área em que precisão/exatidão é primordial.
    No fim das contas acabo usando bastante até, mas só para coisas pessoais com menor importância, onde eventuais erros são toleráveis. Uso muito em complemento ao Google, pois alguns tipos de consultas são muito mais práticas de serem respondidas por meio de um ChatGPT da vida que por meio da tradicional busca na web.

    1. Acho que tô na mesma também. O melhor uso que encontrei foi para dúvidas muito específicas, que não valeria a pena ler textos inteiros para entender, e que pedir para o Copilot checar ali rapidinho e indicar um link é mais prático.

  5. Cara, se entrar na pilha no que as pessoas comentam sobre, ñ vai usar nada.

    O que eu penso é que existe o discurso de que as IAs vão substituir tudo, que ñ precisa-se entender o que você está fazendo com as ferramentas. Isso que vejo como problema.

  6. O fato de uma tecnologia foi desenvolvida de forma desgraçadamente anti-ética não significa, de forma alguma, que ela não possa ser útil.

    As melhores críticas à IA, me parecem, vêm em função de seu emprego estrutural. Por exemplo, “o que acontece se criarmos softwares com IA” (para simplificar, digamos que sem um revisor humano). E o resultado, ao que me parece, são falhas de segurança, problemas de código, etc.

    Se fizermos isso para “Escrever um romance”, “Criar uma logomarca”, “Escrever um artigo científico”, “Fazer uma compra”, esbarramos em problemas advindos de sua imprecisão, que são um problemão em larga escala.

    “Tá, mas isso não é o que eu fiz ou pretendo fazer”. E isso é verdade, ela é bem útil para usos como o seu, mas as LLMs mais famosas têm um altíssimo custo, que tem sido tamponado pelo capital especulativo. Para o bem e para o mal, o negócio é que não sabemos, ninguém sabe, o que a IA será nesse plano mais amplo. Como ela vai obter lucro real, ou quais regulações lhe serão impostas, por exemplo, pode mudar significativamente a sua natureza como produto final.

    Meu chute é que ainda tem muita coisa pra vir do código aberto, e que talvez não seja mesmo algo tão centralizado, afinal.

    Não é inútil, mas também não é uma panaceia. E eu queria muito defender que a IA é, na verdade, um quadro bastante incompleto, que não dá pra abraçar e nem expulsar completamente.

  7. Eu também entendo que existem razões éticas pra sentir uma certa repulsa de IA, mas cá pra nós — isso vai ser totalmente esquecido em pouco anos.

    Nossa civilização tem uma enorme capacidade pra assimilar invenções que fazem mal pra um monte de gente e pra natureza: automóvel, plástico, comida hiper-processada, redes sociais algoritmizadas, fast-food, casino online, smartphones, só pra citar uma lista bem resumida 😂.

    Parece que o “eticamente contraditório” é uns dos ingredientes para o sucesso de uma tecnologia, pelo menos é o que diz a história.

    Eu não invalido o sentimento de repulsa de alguns colegas aqui, pelo contrário, repulsa é bom sinal de que temos um bom senso moral e ético. Mas alerto para o perigo de deixar essa repulsa limitar seu uso de tecnologias.

  8. Esse trecho que você disse sobre comparar a adoção (e alguma recusa) do sistema digital entre quem trabalhava com o sistema analógico me deixou pensando. Especificamente, se adotar a fotografia com IA não seria abandonar seus meio de produção e depender de uma empresa grande para isso.

    1. Quando chegou o 3D na publicidade se criou o mesmo alarmismo, que a fotografia iria acabar e tudo iria virar 3D. No final das contas o 3D hoje é usado mais como referência para produzir a fotografia em si (tudo tem exceção).

      Não acredito que a fotografia vai acabar por conta da IA, mas deve virar um serviço mais de nicho, para quem realmente precise de algo mais orgânico. A “lojinha da esquina”, não vai contratar um fotógrafo, vai sair muito caro, melhor fazer com IA.

      No meu caso, passei a estudar sobre IA com mais intensidade já pensando nesse futuro. Se não for a fotografia, vai ser o vídeo, vai ser outra coisa. Mas é muito provável que saber usar IA vai ser um requisito fundamental para boa parte dos trabalhos que envolvem o uso de um computador. Quero estar pronto.

      Não quero, de forma alguma, ficar como os amigos fotógrafos que negaram a fotografia digital 20 anos atrás e, hoje, com seus 50 e tantos anos, ficam aos domingos na porta das igrejas esperando alguém que vai batizar o filho para comprar fotografias avulsas por 20 reais.

  9. Tirando aqui no manual, a bolha de tecnologia é a que mais abraçou IA sem nenhuma ressalva ou pensamento crítico.

    Eu, pessoalmente, vejo como algo com muito hype e nas mãos de poucas empresas. (sei que tem como rodar modelos locais, mas pra isso precisa de hardware parrudo e pouquíssimas pessoas estão fazendo isso)
    Quando essas empresas decidirem que tá bom de seduzir o usuário e começarem a aumentar o preço dia sim dia também…

    Por fim, acredito que você conseguiria resolver seu problema com um pouco de estudo, provavelmente em menos tempo do que levou aprendendo “engenharia de prompt”

    1. Um adendo: eu até uso IA, apesar do meu pessimismo. Ela passa pela minha cabeça como possível solução só quando já esgotei todas as outras alternativas, que são mais rápidas e com taxa de acerto maior.
      No trabalho, meus colegas programadores não estão nem raciocinando, qualquer errinho já colam no chatgpt em vez de tentar entender porque o erro aconteceu em primeiro lugar

    2. Por fim, acredito que você conseguiria resolver seu problema com um pouco de estudo, provavelmente em menos tempo do que levou aprendendo “engenharia de prompt”

      De forma alguma. Veja no link que deixei no post, veja a quantidade de códigos. Como um simples fotógrafo, que não entende nada de programação vai criar isso do nada? É impossível! Eu fiz isso em alguns minutos usando IA. E esse é apenas um de dezenas, talvez centenas de exemplos que faço no meu dia a dia.

      1. Desculpe me intrometer, mas o João disse “provavelmente em menos tempo do que levou aprendendo “engenharia de prompt””.
        Você montou seus códigos em alguns minutos usando a IA, mas para conseguir essa eficiência no uso dela, passou um bom tempo antes estudando a tal da “engenharia de prompt”, é disso que ele está falando :-)

        1. Eu entendi o que ele falou, e não é nem de longe comparável o tempo de se fazer um prompt para realizar uma tarefa com o tempo de aprender uma linguagem de programação. Até porque, um bom prompt a própria IA te ajuda a fazer, se você pedir. Ninguém precisa se “formar” engenheiro de prompt pra fazer bom uso de IA.

  10. Como os colegas apontaram nos comentários, também não enxergo essa repulsa com a IA em si. Acredito que se fizermos algum levantamento, boa parte da base de usuários aqui do Manual mesmo deve utilizar IA de alguma forma na vida também. É uma ótima ferramenta para, como você apontou, agilizar processos e descomplicar tarefas “chatas”.

    O que vejo de fato, em espaços de discussões mais críticas sobre tecnologia, são questionamentos válidos relacionados a aspectos éticos do uso de IA (precarização do trabalho humano, direitos autorais, etc) e toda essa ladainha quase messiânica que as grandes empresas de IA assumiram no marketing dos protudos.

  11. Pois é, tb como comentado abaixo, não vejo essa repulsa. Vejo críticas qto ao marketing de chamar de inteligência artificial (o que concordo) e preocupações quanto ao uso de artes autorais (o que acho bem válido).

    Acho q existe uma crítica que eu acho extremamente conservadora e acho que qdo olharmos para trás vai ser tipo a galera temendo que a tv ia matar o rádio hahah

  12. Não vejo essa repulsa na bolha de tecnologia. Eu e todos os devs que eu conheço usam o copilot por exemplo. O que eu vejo é a crítica em cima do hype, como se fosse resolver todos os problemas.

    1. Eu vejo demais, inclusive aqui nos comentários do MdU. Eu também tenho minhas críticas, principalmente com a forma que elas roubam o conteúdo para serem treinadas e com a questão dos artistas, mas, ainda assim, no meu caso, não dá para não usar: são muitos benefícios. A quantidade de tempo que ganhei e os processos otimizados com IA, na minha realidade, é absurda.

      1. Você diagnosticou os sintomas, mas não a doença: o dilema ético passa pelo fato de que, embora úteis ao indivíduo, isso só é possível quando danos a terceiros (artistas, programadores etc.) são assimilados, abstraídos e, por fim, ignorados.

        Tem gente que não se sente confortável com esse arranjo, por mais útil que uma IA seja.

        1. Nesse caso você vê a IA como uma doença? (não entendi a analogia)
          De toda forma, eu acho que negar a utilidade ou deixar de aproveitar os benefícios pode ser ainda mais danoso, já que essa tecnologia não vai regredir, a tendência é só se expandir.

          O que acredito é que temos de cobrar regulamentações e, principalmente, compensações para quem teve seu material utilizado em treinamento. Só quem tem força para fazer isso são os governos, e governos só agem por pressão popular.

          1. Os sintomas:
            “tenho minhas críticas”;
            “a forma que elas roubam o conteúdo para serem treinadas e com a questão dos artistas”;
            “não dá para não usar”

            A doença:
            “embora úteis ao indivíduo”
            Para dizer que não dá pra não usar,
            “isso só é possível quando danos a terceiros (…) são assimilados, abstraídos e (…) ignorados
            você até pode refletir um cadinho, mas vai ignorar que causa danos a alguém”

            A doença não se chama IA. Chama-se individualismo. Eu posso até me compadecer, entender uma pessoa roubada por essas empresas, mas não dá pra não usar. Eu posso saber bem do consumo energético que gera um problema climático dessas empresas de IA, mas não dá pra não usar. Eu posso concordar que IA serve pra acelerar processos de trabalho, mas que invés de ter mais tempo livre, vamos ter de entregar mais trabalho no mesmo tempo, mas não dá pra não usar. Estou consciente dos problemas, mas que se danem.

            Importante reforçar, klinsmann, que a crítica não é a você, mas da onde vem o discurso. Eu uso tecnologias que já exploraram, ou que estão agora mesmo ferrando com alguém. Todo mundo usa. Você não é um cuzão por dizer que não dá pra não usar. Cuzão é o atual processo histórico que obriga nós todos a ignorar o mal que outros sofrem, a sermos individualistas.

            Particularmente, eu não acredito que o esforço individual vá mudar alguma coisa (afinal seria combater a doença injetando mais carga viral). O meu boicote à IA generativa é pra eu me sentir bem comigo mesmo e não acho que vá fazer a menor diferença. Pra mim, a solução precisa ser coletiva. Tenho esperanças: artistas e representantes estão (estamos) indo praticamente toda semana a Brasília pra participar de projetos de lei de regulamentação.

          2. Outra analogia, acho que mais fácil: analisar a situação pelo benefício individual é o mesmo que ver só a árvore, e não a floresta. Em termos diretos, o dilema ético que tanto debatemos aqui extrapola o indivíduo. É uma questão social/coletiva.

          3. @Mauricio, pensando dessa forma, deveríamos boicotar tudo, ir morar em uma floresta e viver da caça e da agricultura. Qual a tecnologia que não é danosa? Quando não ao ser humano, à natureza, aos animais, não tem como escapar disso. O que devemos fazer como coletivo é cobrar regulamentação, cobrar de quem pode fazer algo para minimizar os impactos negativos da tecnologia, mas o que já foi desenvolvido não vai ser enterrado, pelo contrário, só tende a aumentar ainda mais. Eu vejo um certo elitismo na sua fala e na do Rodrigo.