Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

Hoje em dia é possível ter uma vida minimalista (digitalmente falando) ou ficou tão difícil que entrou no campo da utopia?

Não entendam minimalista como aquela pessoa que tem apenas um livro em uma sala vazia preta e branca. Me refiro ao minimalismo digital que considera o uso da internet e os dispositivos conectados a ela.

Temos uma quantidade enorme de aplicativos que são utilizados poucas vezes – mas que um dia serão necessários (como Uber, apps de banco, etc), temos uma quantidade grande de favoritos acumulados no navegador, listas imensas de filmes e séries pra ver mais tarde nas várias plataformas existentes, um conjunto muito grande de artigos para ler, videogames que por si só possuem centenas de títulos espalhados entre lojas…

Como vcs lidam com essa quantidade grande de informações e o que fazem (se é que fazem alguma coisa) para tentar diminuir o barulho e a quantidade de escolhas diariamente?

35 comentários

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  1. Poxa, tua pergunta é muito boa, mas a palavra utopia é muito complicada. É que ela dá a ideia de que o minimalismo é um ponto onde chegar, e assim, bom, ele é inalcansável, frustrante. E isso porque as coisas estão sempre mudando.

    Então, pra mim, ele é mais como um vetor, prática ou princípio de escolha, sabe? Não é uma identidade “sou minimalista”. Quando é assim, começamos a comprar coisas “para pessoas minimalistas” e aí tudo já se perdeu.

    Aí, nesse sentido, eu diria facilmente que independente da velocidade da web, se você dirige suas ações pra uma relação mais minimalista, orgânica ou sloweb com a tecnologia, pronto, a coisa cumprida.

    Nesse sentido, eu acho que minhas listas não me atrapalham, mas me ajudam a fazer uma curadoria do fluxo de coisas que passam pela minha atenção. Uso muito os favoritos do navegador pra isso. Procuro me manter distante dos apps que me causam um sentimento de adicção, principalmente os de vídeos curtos. Esse ano, estou tentando manter um diário no Obsidian e começar a fazer alguma atividade física regular, acho que pode dar bom.

  2. se descontarmos o uso de celular, a maioria das pessoas “normais” já levam uma vida digital “minimalista”

    essas pessoas usam o computador só no serviço, e não em casa
    no máximo, são viciadas em whatsapp, talvez facebook, youtube, tiktok, etc
    desconsiderando isso, não estão preocupadas com podcasts, listas de séries, etc

  3. Eu aboli “quase tudo da web” na minha vida.

    1. Eu não salvo leituras pra depois.
    2. Eu não leio mais notícias nos portais (eu leio o que sai na newsletter do Nexo apenas).
    3. Eu não instalo nenhum aplicativo no telefone que não seja para usar. Se for pra testar, eu crio um lembrete pra apagar e, se eu estiver usando todos os dias, significa que esse aplicativo entrou na minha rotina).
    4. Eu não salvo nada no carrinho de compras.
    5. Eu não tenho lista de nada mais (compras, livros).
    6. Eu só compro jogos em promoção na Steam ou jogos aos quais eu quero muito (Diablo 4, PoE, Persona). Não me preocupo em jogar todos, eu acumulo mesmo, e deixo lá. Vários eu joguei depois de anos.
    7. Eu não faço listas de filmes, séries e livros para ler. Eu escolho o que ler ou assistir na hora que eu vou de fazer isso.

    No final, isso foi tudo uma série de estratégias que meu terapeuta me passou aos poucos. Parar de tentar racionalizar “porque eu faço isso” (não tem como barrar o pensamento em si) e simplesmente fazer porque me é algo que eu gosto (desde que eu esteja em dia com as tarefas que eu criei pro dia [trabalho, casa]).

    Essa busca incessante por minimalismo, pragmatismo, utilitarismo e todos os outros -ismos acaba sendo, por si só, uma forma de FOMO. Eu acho que a gente (pessoas e sociedade) devemos nos preocupar mais com o impacto do que a gente faz do que com o que/como a gente faz.

    A(s) pergunta(s) principal(is) pra mim é(são):

    1. Atrapalha ter muitas fontes de notícias? Não use mais.
    2. Atrapalha ter muitas séries/filmes numa lista? Coloque fora a lista.
    3. Atrapalha a sua vida (pessoal, profissional e emocional) acessar site X ou Y? Não acesse. Em último caso, crie um bloqueio no browser. Eu fiz isso com o MdU inclusive durante uma época. Às vezes o problema está na gente e não no local/atividade.

    1. Disse tudo, o minimalismo é interessante quando surge naturalmente, de uma necessidade que se apresenta sem que você precise buscá-la. Obviamente tem os que se interessam pelo conceito ou pela estética minimalista, mas de modo geral eu penso que buscar o minimalismo a qualquer custo nos dias de hoje pode até se tornar uma prisão, ainda que sob a aparência de liberdade; pode ainda indicar uma necessidade de controle, que costuma gerar ansiedades desnecessárias…

    2. Poxa, sim. Minimalismo é uma forma de autorregulação hoje em dia. Facilmente pode ser capturado por um problema de ansiedade ou por um funcionamento mais obsessivo-compulsivo.

      Talvez a saída seja mais abertura pra um imprevisível inclusive fora das telas. Sinto que passamos tanto tempo olhando pra elas que achamos que dá pra resolver todos os problemas ali, naquele quadradinho. E nem sempre…

  4. Eu aposto na curadoria.

    Todas as notícias que leio no dia vem de uma newsletter que seleciona apenas as notícias essenciais, e dentre elas, leio apenas aquelas que considero importantes. Quanto a livros, filmes, mangá, etc. consumo apenas aquilo que é aclamado ou/é consagrada, isso me ajuda a conhecer coisas boas e novas, além de me possibilitar melhores experiências com o que gosto. Então, para saber quais são e onde as encontrar, aposto em influencers reconhecidos no meio, via RSS, e em listas bem avaliadas/comentadas.

  5. Quanto a lista de filme eu comecei a usar para não ter mais que ficar procurando, mas não tenho obrigação nenhuma com elas.
    Tirando os filmes que sei que quero muito ver, sigo listas temáticas no Filmow(sim, Filmow) ou do canal Getro/Refúgio Cult.
    Eu procuro nem saber a sinopse do filme, só vejo de acordo com a temática.

    Lista para ler eu nem faço mais, pois nunca vou ler.

    O que eu faço para consumo de notícias é ter um Inoreader bem básico, com o mínimo possível e abro todo dia, leio o que posso e depois aperto o botão “marcar todos como lido”.

    Tem um livro chamado dieta da informação, talvez você goste.

  6. Eu concordo muito com a ideia minimalista.
    Entretanto, quando se é profissional liberal/autônomo, você precisa estar onde seus clientes estão (ou, ao menos, saber onde eles estão e o que fazem), sob pena de perder para a concorrência.

    Nesse caso, como fazer? Entendo que a solução não é tão simples e gostaria de saber a opinião dos demais. O tema é instigante.
    A ideia de abandonar redes sociais e não ligar para trends fica no discurso, porque as contas continuam chegando no fim do mês, com aumento significativo para quem tem filhos.

  7. Eu comecei a ler aquele livro chamado Minimalismo Digital do Cal Newport e o corno do autor disse que não é adepto de redes sociais. Aí fechei o livro, pois como uma pessoa que não usa/usou redes sociais pode ensinar a se livrar delas?

    Eu vejo a coisa por dois pontos:

    – A questão não é somente a quantidade de tempo em frente a tela, mas a qualidade do que se consome. Olhando direitinho, 90% do que a gente consome como informação é inútil. É o que é tendência, é o que é escolhido/feito por algoritmo. Então, deixei de seguir trends, game of the year, livros do ano, indicados ao Oscar, etc. e vejo/faço o que me interessa. Não tenho mais listas, de forma que me cobro menos a consumir mais.

    – Existem coisas essenciais que não daria para viver sem… tipo aplicativo de banco, Uber, iFood, câmera fotográfica, tocador de música… é o que eu costumo manter no celular. E dá pra viver só com isso. É tipo aquele conceito do Light Phone. Tento adaptar isso para o iPad e para o computador. Uso o essencial.

    1. Comecei a ler outro do Cal Newport, aquele do trabalho focado, e… né, é tipo a Marie Kondo digital — fala obviedades muito mais fáceis no discurso que na prática.

      O Jaron Lanier escreveu um livro só sobre como se livrar das redes sociais e ele nunca teve uma. Apesar do bode com o Cal Newport, acho que há um conhecimento/valor nessa abordagem que pode ser útil a quem está nessas plataformas.

      1. Sem dúvidas há um valor, sobretudo o que ele fala do uso consciente/intencional da tecnologia. Eu terminei vendo alguns vídeos e artigos dele depois. Vou ler esse do Jaron Lanier, não conhecia!

    2. Os livros do Cal Newport podiam ser resumidos em um capítulo. O cara começa a contar um monte de histórias só para encher linguiça. No segundo capítulo você começa a se perguntar se vale a pena continuar.

      Tem algumas ideias boas ali, mas talvez valha muito mais a pena ver um resumo do livro em um vídeo no YouTube do que ler o livro para pegar as ideias principais, kkkk. Na verdade, acho que isso vale para 99% dos livros de autoajuda.

  8. A verdade é que 90% ou mais do que consumimos online não precisamos…

    Estou reduzindo o tempo em mídias sociais (jogo eletrônico, já não jogo mesmo).

    Tenha uma carro ou moto velha e pronto, nunca mais terá tédio :-)

    Ou comece uma rotina ao ar livre (bicicleta, correr, caminhar, etc)

    Uma tv-box (alternativa) resolve o problema de filmes/séries :-/

  9. É mais fácil pra mim ser minimalista no digital do que AFK. Ao longo dos anos estou cada vez mais distante de redes sociais, apps, hypes etc. Agora, no mundo físico só aumentam os livros e os vinis, o que a cada mudança é sempre um desafio. Além de 2 cachorros, 4 gatos e 1 bebê etc.

        1. Ah, obrigado, João!

          A história é a seguinte: eu tenho, desde 1999, o Café Impresso. Só que ano passado finalmente (e com algum atraso!) me dei conta que nada mais é impresso – que tudo agora é… nas nuvens. E por incrivel que pareça, a marca estava livre no registro.br. Pronto – assim nasceu a criança. Comecei do zero com um layout novo. Mas o velho Café Impresso segue lá, um velho senhor que fará 25 anos em abril.

        2. E o seu é o Identidade Natural, não é isso? Mas cadê vc lá? Não achei nenhuma apresentação… Gostei muito do layout e da logo! Vou ler com calma depois…

          1. Adorei a ideia! O Café Impresso era um diário que você imprimia? Tipo um blog, só que físico?

            Quanto o Identidade, acho que o blog todo é a apresentação da minha pessoa. Tem conversa com amigos (o exemplo da entrevista que fiz com o Barry Leitch, compositor de Top Gear para Super Nintendo), dicas para resolver problemas chatos no PC e geralmente coisas envolvendo design ou música (meu trabalho). O logo (uma digital em forma de folha) foi um amigo que fez, pra representar a naturalidade da identidade de cada um. Inclusive a mãe de um amigo que me fez ter essa ideia. Ela vende salgados (os melhores da região) e uma vez me disse que poderia passar a receita, só que quando eu fizesse, ficaria pior ou melhor, mas nunca igual. Comecei a trabalhar essa ideia aliada ao meu gosto por blogs de 2007~2010 e ai surgiu o Identidade Natural.

          2. Não, eu não imprimia. Mas eu publiquei uma crônica semanal num jornal do Rio chamado Tribuna da Imprensa durante dez anos, e usava o site como veículo de interação com os leitores e arquivo das crônicas semanais publicadas e outros textos que publicava ao longo da semana.
            Legal a história que inspirou a logo!
            Vou entrar em contato com vc lá pelo seu blog!

  10. Basta vc se desligar, ninguém precisa ver todas as séries e filmes, nem consultar todas as redes sociais, no palpitar em todos os fórum, só faça aquilo que for preciso. Não ceda à pressão digital.
    Um celular é tudo que qualquer um precisa para ter acesso às facilidades que a internet proporciona, todo resto é puro consumismo.
    Talvez um PS5 🤔

  11. Dar, dá. Só que, no nosso caso, teríamos que nos acostumar a um modo de vida radicalmente diferente. Acho válido dar alguns passos nesse sentido, mas não sei se conseguiria dar um salto enorme e virar minha vida do avesso para me livrar desse “peso”.

    1. Pra mim hoje seria um incômodo viver sem aplicativos de banco e whatsapp. Por exemplo, acabo de fazer as compras da semana, super, quitanda e feira, em minutos e sem sair de casa. Também não viveria mais sem meus processadores de texto, meu canal do YT, meus sites. Ah, meus livros digitais da Z Library. A facilidade de ouvir uma música. Ou um filme no Stremio.
      A fase de “perder tempo com isso” é só uma fase mesmo – da vida.

  12. Vou falar um pouco da minha experiência pessoal. Eu evito ao máximo usar o “feed” das redes sociais. Só uso a função listas do twitter e o feed “seguindo” do instagram, desse modo tenho um feed finito. Com relação a entretenimento, simplesmente parei de fazer listas. Se alguma coisa for realmente interessante pra você, você vai lembrar. Se não lembrar, esquece e segue a vida. Depois de excluir as listas da minha vida, só consumo uma coisa por vez, um livro, uma série, um jogo. Quando termino ai eu penso um pouco e escolho a próxima opção dentro das disponíveis. Também diminuí o consumo de “análises/reviews” ou hard news de cultura pop. Já fui de escutar uns 4 podcasts sobre vídeo games e sempre ficava com essa sensação de estar perdendo algo sensacional.

    Não cheguei a essa conclusão por uma iluminação divina, eu simplesmente VIREI PAI e quando você vira pai, quanto mais tempo livre você tem, menos tempo livre você tem rsrs… A vida muda drasticamente do dia pra noite e as sei lá 6h livres que eu tinha no dia simplesmente sumiram. Precisei fazer esse exercício pra usar melhor o pouco tempo livre que sobra. Hoje em dia eu praticamente só vejo séries com minha esposa, então sempre chegamos a um consenso de qual vamos ver, adeus séries modinhas do momento. Prefiro passar o tempo com minha esposa do que ver a próxima série da Marvel. E quando tenho um tempo sozinho uso pra jogar algo que chamou minha atenção, se o jogo é bom fico meses no mesmo. Fui terminar o Cyberpunk 2077 dia desses, acho que o último lançamento que eu joguei foi o Elden Ring, devo ter ficado nele uns 5 meses.

    Outra coisa que fiz foi cancelar as várias plataformas de streaming. Fiquei só com duas. Se o conteúdo não tiver nelas, simplesmente não assisto.

    Enfim, eu meio que fui forçado a fazer essa ladainha toda ai, mas em retrospecto acho que serve como exemplo caso queira ativamente diminuir a quantidade de escolhas.

    1. A única coisa que mantive na rotina foi a leitura. Sempre leio um pouco assim que acordo tomando um cafezinho e antes de dormir.

    2. Belo relato. Acho que você aprimorou esse lado mais essencialista com a chegada do filho. A ideia de consumir uma coisa por vez faz muito sentido mesmo.

    3. Estou prestes a me tornar pai e me vi em você, meu amigo.

  13. Eu não consigo, mas minha mãe consegue viver sem celular, nunca usou computador, e a única coisa mais “avançada” que ela sabe usar é o microondas.

    Ela consegue isso passando o dia vendo SBT e fazendo crochê.

    1. Ela consegue isso passando o dia vendo SBT e fazendo crochê.

      isso fala tudo.
      Vamos trocar tudo que temos pelo o que? O que pretende fazer TODOS OS SANTOS DIAS para entretenimento, sem online hoje?
      Claro, podemos ler livros, montar puzzles. E… (que mais eu fazia quando era criança?)…. e viver meio alienado na sociedade?

      Simples no meu ver: opte por não usar nenhuma rede social, e a podridão online diminui a níveis toleráveis. Feito isso, tu ta “livre” para fazer qualquer coisa.
      Jogo console algumas vezes por semana, leio quase todos os dias. Mato tempo com coisas triviais entre “gambiarras na casa” e cortar grama, cozinhar escutando musica…
      Realmente não entendo a ideia de por que forçar mudança.
      Vivo online 24/7.

    2. Bom pra ela, se a faz feliz, mas a parte de ver sbt eu prefiro as redes sociais mesmo porque pelo menos tenho algum controle, ainda que mínimo, sobre as postagens que vejo (bloqueando perfis a rodo, por exemplo)