41 comentários

  1. não li Sapiens porque de maneira geral evito best sellers
    e também porque meio que senti o cheiro da marketagem …

    palpite: talvez nem seja ele quem tenha escrito todo o livro, mas uma equipe de colaboradores/assistentes/empregados/ghost-writers

    agora, como sou de outros tempos :) me lembro do livro do Alvin Toffler, “O Choque do Futuro” … talvez fosse na mesma linha do Sapiens, mas época que li (bem pré-interne) eu gostei bastante

  2. Harari é um charlatão bem pago pra fazer propaganda pra Tecnocracia.

  3. Gente, postagem sem contexto. Parte do pressuposto de que todo mundo sabe a mesma coisa que você. Puxa, odeio ser o cara que chama atençào para isso, mas é importante evitar erstas discussões vazias assim. Se quer opiniões sobre um assunto, coloque contexto sobre o raio do assunto.

    1. Achei também que a/o Gryllandae pesou um pouco no tom (até chamei a atenção no meu primeiro comentário), mas o debate aqui embaixo está muito rico!

  4. Eu sou o tipo de leitor que, quase nunca lê, compra livro do Harari e quando lê, acha o máximo. Chegou até mim pelo Cris Dias, do Boa Noite Internet, Braincast, etc… que fala muito bem dele.

    Acho justo as críticas de quem consegue entender que o que ele escreve é raso e sem evidência científica mas, para pessoas como eu, cuja leitura de um livro é quase um evento raro, o simples fato de reservar um tempo pra se dedicar a um livro (seja ele qual for), não me parece tão ruim assim.

    Eu odeio Tiago Nigro com todas as minhas forças. Mas não julgo aquele indivíduo que gastou 40 reais e trocou algumas horas perdidas numa rede social pra ler “sobre dinheiro”. Como ponto de partida pra pensar em dinheiro, como gastar melhor e investir, na minha opinião, é melhor que stories no instagram.

    1. É melhor não ler nada do que ler coisa ruim.

      1h de doomscroll no TikTok é melhor do que ler um livro do Tiago Nigro, com ctz.

    2. Poxa, Tiago Nigro eu julgo sim 😄

      Harari ainda dá para debater a validade da obra, contrapor o que ele apresenta, analisá-lo sob vários ângulos etc. Ele e outros do tipo deram origem a um livro sensacional, mais honesto e cientificamente apurado, O despertar de tudo, de David Graeber e David Wengrow.

      Já esses influenciadores de finanças… sem chance. O único propósito de livros, lives, da própria atividade deles é tirar dinheiro de inocentes iludidos.

    3. Pela sua lógica, ler um livro sobre como a covid é na verdade uma grande conspiração para fazer as grandes farmacêuticas lucrarem com a implantação de chips até em bebês inocentes tá valendo.

    4. joel, o problema do seu comentário é que ele parte do princípio de que existe uma virtude inerente ao ato de ler (como se ler qualquer coisa fosse melhor que ler nada).

      o exercício da leitura (independente do conteúdo) até é interessante por si só, mas a partir do momento em que a gente insere no ato essa suposta virtude (que não tem evidência nenhuma) partimos pra um moralismo raso e problemático

      prefiro uma pessoa que nunca lê nada a uma pessoa que só lê olavo de carvalho, por exemplo

      1. Entendo e concordo Gabriel. O que eu não entendi mesmo é colocar Tiago Nigro (que eu não gosto) e Harari (que eu sempre gostei do que li), no mesmo balaio do Olavo de Carvalho.

        O que eu quis dizer no meu comentário sobre ler “qualquer coisa” é colocar a pessoa em contato com o assunto, ainda que com o viés do autor, de forma mais densa em forma de leitura. Trazer para o consciente o assunto “dinheiro” lendo um livro do Tiago Nigro PODE (e deveria) despertar interesse no leitor em buscar outros livros de outros autores com outros pontos de vista e confrontar os pontos de vista de autores diferentes e colocar esses pontos na balança com a régua dela (que é diferente da minha).

  5. Concordo e discordo da galera. Acho que não dá para ser 8 ou 80. Mas, de fato, o Harari tem muitos problemas. O que mais me chama a atenção e, talvez seja um dos motivos dessa confusão toda em torno dele, seja o patamar que o livro e ele foi alçado. Vi pessoas comentando ser um dos melhores livros escritos, obra prima etc. Não sei até que ponto isso é marketing, review paga ou opinião sincera de quem leu. Porém, como bem sabemos, de tempos em tempos alguém/algum livro alcança grande popularidade e isso tem um certo preço. No caso do Harari é expor todos os problemas que a obra dele tem.

    Um problema claro me relação ao Sapiens também é a dificuldade de algumas pessoas perceberem/entenderem (porque não é totalmente claro no livro) o ponto central dele. O Harari não quer estudar de fato a história da humanidade, ele quer passar a visão de mundo que ele tem através do livro (e de toda a sua obra), usando esse tema como guia. Acho esse o maior problema. Ele não é um autor de livros de história, é um autor de livros de opinião que usam a história para tentar envelopar a visão de mundo que ele tem.

    Dois pontos que me incomodam muito no Sapiens, com mais força, são a linearidade e a forma como ele trabalha a bibliografia. Nessa última, ele tem uma abordagem meio displicente. Me parece que ele só pega o que interessa para corroborar com a própria opinião. Nitidamente ele não faz um estudo aprofundado do que ele leu.

    Querendo ou não, um dos fatores que popularizou o Harari foi a escrita fluida dele. Você pode não gostar, eu mesmo não gosto, do que ele escreveu mas, temos que admitir, que ele escreve bem. A escrita é fluida e você vai lendo sem perceber, isso foi um fator importante na popularização dele. Por isso ele alcançou um público tão grande. É um livro fácil de ler. E ele trás uma visão de mundo que é parecida com a de muitas pessoas, logo muitos sentem identificação com o que ele fala. Óbvio que, pensando em termos de pesquisa ou acadêmicos o livro não se sustenta em muitos aspectos.

    Eu comentei em uma discussão uns tempo atrás aqui sobre o Sapiens e, ainda acho que, se a pessoa ler alguma coisa do Harari e conseguiu refletir de forma mais crítica, o livro já serviu para alguma coisa. Eu entendo todas as críticas, não estou defendendo nem de longe o livro. Só que ele foi capaz de despertar as pessoas para alguns temas. Os problemas da obra dele não deixaram de existir por conta disso. Como já disse, não acho que dá pra ser tudo 8 ou 80. Tem muito livro ruim por aí, mal escrito e por aí vai… A obra do Harari, se entendermos que é muito mais opinião que pesquisa/estudo, acho que dá pra aceitar melhor.

    Um autor que eu gosto e é muito criticado também é o Buyng-Chul Han. Muita gente fala que ele só aborda o óbvio, porém, para muitos o que ele fala pode não ser o óbvio. E ele ainda trás reflexões bem interessantes. Porém, ao contrário do Harari, o Han não usa uma linguagem mais acessível. E ainda assim tem muita gente da filosofia que desse o sarrafo nele.

    1. “Um problema claro me relação ao Sapiens também é a dificuldade de algumas pessoas perceberem/entenderem (porque não é totalmente claro no livro) o ponto central dele. O Harari não quer estudar de fato a história da humanidade, ele quer passar a visão de mundo que ele tem através do livro (e de toda a sua obra), usando esse tema como guia. Acho esse o maior problema. Ele não é um autor de livros de história, é um autor de livros de opinião que usam a história para tentar envelopar a visão de mundo que ele tem.”
      Irretocável. Acho que é bem isso mesmo. Todo mundo tem o direito de dar a própria opinião não importando quão ruim ela seja. O problema é confudirem a opinião desse senhor com produção de conhecimento séria.

      1. Mas isso é absurdamente nocivo para as pessoas. É como a Pasternak falando sobre psicanálise sem saber o que é e usando uma terminologia/arcabouço emprestado de outras ciência pra justificar as conclusões dela.

        Qualquer obra que se proponha a discutir sobre algo deve passar por escrutínio. Não é uma obra de ficção, e sendo assim, deve ter o mínimo de coerência e aderência com o que se tem de factual. O que não é o caso.

          1. Sim sim … ainda bem.

            Eu estava mais na ideia de que devemos contemporizar a leitura dessas obras por se tratarem de obras “de divulgação”. É o mesmo que ocorre com o Pirula e outros divulgares cientificos/YouTubers. É salutar que esses conteúdos passem por escrutinio público e que sejam questionados. Não digo uma avaliação acadêmica, longe disso, mas um questionamento no que cada conteúdo defende, quem financia, como financia, qual a ideologia por trás, entre outros pontos.

            Obras não existem no vácuo, seja de qual tipo for, então elas não podem viver no éter universal sem serem observadas e questionadas.

  6. também detesto

    harari é um dos nomes populares mais recentes numa longa tradição de autores notáveis por biologizar o máximo possível a história e a vida social

  7. Teve um monte de autor de “ciência” que surgiu nos últimos 10 anos. Não sei se isso era tão comum antes de rolar os canais no YouTube de divulgação cientifica, ao menos não me lembro de ter tanto “intelectual” com visão abobada do mundo escrevendo livro.

    O mais antigo que eu me lembro é do Frekonomics, que tinha um monte de extrapolação e explicação rasa sobre comportamento se baseando em teoria dos jogos e economia. Quando você lia por cima, fazia muito sentido. Quando você parava pra se questionar, via que era basicamente racismo, etarismo, elitismo e imperialismo.

    Depois veio uma grande leva de autores falando de estatística e, teoricamente, explicando o mundo com aproximações gaussianas (era sempre essa). Depois veio a onda de explicar as pessoas com Pareto. Depois veio a onda do “jornalismo de dados” que servia pra justificar o capitalismo liberal com base em dados.

    A última onda, parece, e de professores/intelectuais que se debruçam sobre temas assim e lançam livros rasos para se ler nas viagens. O Clóvis de Barros tem alguns assim. O Cortella idem. E não estou dizendo que eles são rasos como o Harari, até porque eu não tenho como avaliar isso na filosofia; mas estou dizendo que parece ser uma onda editorial (assim como as biografia e os livros de crimes reais) que está criando diversos autores sem conteúdo e que, teoricamente, falam um monte de senso comum sem embasamento mas como se fossem cientistas. O Harari é isso, um cara que escreve bem (e os enganadores sempre são bons comunicadores) que destila imperialismo, neoliberalismo e teorias que tangenciam o que temos de pior na espécie humana.

  8. Eu gostava de Sapiens, e só recentemente soube dessa treta de que ele não era tão confiável assim. Confesso que ainda não vi exatamente quais as pataquadas que ele deu, mas deu pra ter uma ideia pelos comentários rs

    1. Estou na mesma situação, Tais. Li os livros dele e gostei, mas, depois de alguns debates e de ler/ouvir outros estudiosos sobre os temas, passei a questionar o que o Harari expõe nas obras. Sigo na posição de observadora pra tentar entender esse rolê todo hahahah

  9. falei pra uns amigos esses dias e tuitei hoje depois de ver o post: o Harari é o filho do dono da Gol do mundo da História.

    como outros disseram abaixo: a leitura do Harari faz sentido se você não manja nada do que está sendo dito. discordo do Ghedin no que ele diz que “tirando os deslizes é uma leitura agradável”, pode até ser uma leitura agradável, mas se tirar os deslizes, não sobra o livro. são extrapolações absurdas, acientifiicas, nada rigorosas e que querem colocar ordem em uma evolução e uma história que não tem ordem, não tem linearidade, é um pensamento bastante eurocentrico, absolutamente colonial de olhar a realidade. que bom que os “deslizes” que ele deu recentemente fizeram mais pessoas olhar pra ele com desconfiança.

  10. literatura de aeroporto para “tudólogos” ou pra advogados que dizem que gostam de ler, sergio moro passaria menos vergonha naquela entrevista com o bial se tivesse citado um livro dele como ultima leitura

  11. Uma das coisas que eu ainda lembro da leitura do Homo Deus é ele dizendo logo no começo que o mundo atual é melhor, entre outros motivos, porque tinha muita guerra antes e hoje a paz prevalece no mundo. Uma lida rápida no noticiário internacional mostra que não é bem assim. E olha que ele mora em Israel… Também diz que tinha muito mais doenças antes do que hoje, quando o próprio planeta agora vai ficando mais e mais insalubre. Tem coisas muito interessantes nos textos dele, mas no geral a impressão é desses best-sellers turbinados pelo marketing dos grandes grupos editoriais, e de um discurso em linha com o que anda em voga na mídia.

  12. Calma, gente. O Harari tem uns deslizes factuais graves, mas se estiver ciente deles, é uma leitura bem agradável. Sei lá, eu gostei do Sapiens e do Homo Deus (embora tenha lido ambos faz uns bons anos e antes dele ser questionado).

  13. E nem adianta me pedir pra elaborar porque a única coisa que tenho pra falar é: se você acha aquilo inteligente, te falta leitura básica sobre os temas em questão

    1. Pois eu vou pedir gentilmente pra você desenvolver! Ainda não atingi o estágio de leitura que possa indicar o caminho da verdade e da iluminação. :)

      Sem julgamentos, mas em algum momento eu gostei mais de Sapiens. Recentemente, descobri Graeber e Wengrow (O Despertar de Tudo, está no meu backlog eterno de leituras). Vi entrevistas de um deles descendo o sarrafo no Harari, se não me engano, por conta de um discurso linear, pautado na agricultura como ponto da virada na evolução humana, ao passo que outros autores mundo afora identificaram sociedades complexas ignoradas por essa visão “eurocêntrica”, digamos. Faz sentido?

      1. Em ciência, tudo se baseia em evidências. É como uma cascata de conhecimentos, que nasce no trabalho da arqueologia. O problema fundamental no trabalho do Harari é que ele, como historiador, extrapola afirmações que não tem absolutamente nenhuma evidência, e isso traz reflexos ao mundo atual.
        Um exemplo: ele diz que existe uma divisão, dentro do desenvolvimento humano, entre sociedades “pré-agrícolas” e agrícolas, e põe caça e coleta como um estágio anterior à agricultura. Os grupos que vivem dessas duas atividades são “mais atrasadas” sob o ponto de vista de desenvolvimento social. Eles seriam primitivos, selvagens (Harari compara a organização social desses grupos à de chimpanzés e bonobos) e teriam “baixa complexidade social”.
        Essa descrição cabe para populações indígenas brasileiras, por exemplo. Por isso essas e outras afirmações dele são fortemente rejeitadas e eticamente não só abjetas como perigosas.
        Não sei se você segue um canal no Instagram chamado “Nunca vi 1 cientista”. As duas mostram vídeos que, sem você entender do assunto, fazem o maior sentido. Aí elas mostram o embasamento científico daquilo que está sendo falado – e você vê que é zero. Esse é o caso do Harari. O que ele fala faz sentido, mas não é suportado por evidências arqueológicas.

        1. Julia, uma das minhas proposições para 2024 é tomar um café com você.

        2. Não o sigo o canal do “Nunca vi 1 cientista”, mas já vi alguns vídeos. Você lembra algum exemplo de onde elas extrapolaram umas conclusões sem embasamento assim? Fiquei curioso, acho que quase nunca tenho um olhar crítico pra esses youtubers “científicos” tipo o Átila Iamarino ou o Iberê Thenório, a não ser que falem de algo claramente político.

          1. Então; é justamente o contrário. Elas pegam vídeos em que a pessoa afirma um monte de abobrinhas que fazem todo o sentido (ou seja, extrapolam conclusões sem nenhum embasamento), destrincham à luz das pesquisas e, na descrição dos vídeos, botam os nomes das ditas pra quem quiser pesquisar mais.