9 comentários

  1. quando eu trabalhava no governo do brasil, davam plano top microsoft pra tipo umas 40 mil pessoas. nem 1% sabia que tinha acesso a 1tb de armazenamento na nuvem e 5 contas office365. isso fora serviços microsoft absolutamente desnecessários que estavam no contrato (powerbi, sharepoint e umas frescuras caras que ninguém usava). mas o boleto no fim do mês chegava cobrando tudo isso do erário. na época eu era ingênuo e cheguei a questionar a presidência e o setor de t.i., a resposta foi mais ou menos que “microsoft é empresa líder em tecnologia mundial e seus serviços foram contratados legalmente pelo tribunal mediante contratação transparente e pública”. não é pra amadores não…

  2. Sua crítica equivale regulação a algum tipo de repulsa, de antagonismo, o que não é o caso. Regular significa impor regras para a atuação em um segmento. Quero dizer que não existe contradição ou paradoxo entre querer regular essas empresas e ter parcerias com elas.

    No mais, o maior alvo dos esforços para regular redes sociais no Brasil é a Meta, e o cortejo do Haddad foca em empresas de infraestrutura de nuvem, segundo a nota — Nvidia, Amazon (AWS) e Google.

    1. Entendo o seu ponto, mas, perdõe-me o meu francês, ainda acho uma merda. Precisamos de políticas que incentivem a soberania das nossas infraestruturas de TI. É preciso incentivar que se construam data centers brasileiros, operados internamente, rodando software nosso, não aumentar nossa dependência das Big Techs. Aqui tem gente capacitada, e o hardware é o mesmo em ambos os casos, precisa de investimento. Em governos anteriores do PT se criaram diversas iniciativas nesse sentido, como uso de software livre e open source em repartições e serviços públicos (como a própria urna eletrônica). Depois que entrou o governo Temer, teve uma guinada em 180 graus e nunca se comprou tanta licença de software proprietário. De lá pra cá perdeu-se a vergonha de abraçar a Big Tech. Na pandemia big tech nadou de braçada e hoje tudo quanto é lugar (escola, posto de saúde, justiça, etc etc etc) usando google microsoft e amazon pra tudo. Durante os governos de Temer e Bolsonaro é compreensível, mas Lula 3 continuar nessa toada eu acho um belíssimo cocô.

      1. sinceramente me parece um tanto anacrônica essa rejeição absoluta à big tech. como você falou, após a pandemia ficou evidente que essas empresas assumiram papel preponderante nas telecomunicações mundiais, e não me parece que o Brasil tenha o papel de remar contra a maré. é claro que incentivos a software livre são sempre bem vindos, mas temos que lidar com o contexto fático do momento e aceitar que essas empresas se infiltraram na vida de cidadãos e instituições e, pelo que tudo indica, estão aí pra ficar. as ferramentas de um governo comprometido com o povo perante esse cenário são instrumentos regulatórios firmes e responsivos, aptos a fiscalizar as atividades da big tech e a impor limites às atuações dessas empresas. um governo fechado ao diálogo com a big tech me pareceria ter uma atitude bastante incompatível com o momento presente

        1. Respeitosamente discordo. Dizer que as empresas “assumiram papel preponderante” é naturalizar uma série de escolhas políticas que são deliberadas. Essas empresas receberam muito dinheiro de investidores para chegarem do tamanho que estão, o que deu a elas liberdade para operar anos em prejuízo até inventarem uma forma exploratória de lucro. Da mesma forma, investir em infraestrutura nacional e soberana é uma escolha política. Em termos de soberania, os EUA não se incomodam com a big tech pois estão todas sob sua jurisdição, de forma que esses dados estão todos lá. A tentativa de bloqueio do Tik Tok por lá me dá uma base de como eles agiriam se alguém decidisse utilizar sistemas estrangeiros para armazenar dados estadunidenses.

          O mundo descobriu muito atrasado que a economia de dados inventada por essas empresas causa prejuízos. Concordo que elas criaram um padrão, e hoje em dia as pessoas estão acostumadas com ele, mas eu discordo que uma simples regulação resolva . As regulações tem um limite do que podem fazer. O fato da big tech ter tido um papel crucial na eleição do novo/velho presidente dá uma ideia do poder que elas acumularam através dos lucros desse modelo de negócio. Estamos muito atrasados, mas temos gente capacitada em que se pode investir para se criar infraestruturas locais e sistemas de tecnologia que atendam as demandas do país.

      2. Ah, eu não entrei no mérito da iniciativa do governo. Só apontei que não há contradição e entre cortejá-las e querer regulá-las, como o diabovelho sugeriu no post.

        1. Existe sim. Estas empresas não vão se instalar, o que equivale a “dar dinheiro”, em países onde haja uma regulamentação forte.
          A sinalização que o governo dá é de que não vai haver mais regulamentação além do que já existe, nada. Se as empresas realmente vierem para o Brasil podemos dar adeus a qualquer esperança de regulação.

          1. Ah, sei não… talvez eu esteja sendo ingênuo, mas acho que essas coisas não são tão mutuamente excludentes assim, não. Além de serem mercados distintos (plataformas sociais e infraestrutura), essa é uma iniciativa do governo, enquanto a regulação pode partir do Legislativo, como foi a tentativa fracassada do PL das “fake news”.

            Acredito que exista um ponto de equilíbrio, porque não dá para cortar relações com essas empresas, já tão enraizadas no dia a dia da população, de uma hora para outra.

          2. Aos dois (Juarez e Ghedin), meio que tendo mais a concordar com o Juarez, pois por mais que hoje “estamos reféns” das big techs, ao mesmo tempo o ideal era que governo (ou ao menos parte da população especializada em tech e que tem cabeça política para lidar com isso) fizesse iniciativas para um sistema digital robusto e seguro. Poderíamos ter data centers brasileiros, mas energia de certa forma é cara aqui, mesmo sendo de matrizes “renováveis”.

            Sempre me lembro na minha juventude que o que mais se martelou nos últimos 20 anos foi a ideia de “menos regulação possível” para o digital. E fomos nesta toada até hoje. Ao menos no Brasil, podemos até ter leis razoáveis, mas não temos tanta mão de obra boa e dedicada a aplicar leis e seguranças digitais. E toda vez que tentava se iniciar uma conversa sobre justamente a regulação digital, vinha uma revoada de comentários ao contrário.

            Em uma condição ideal, o Brasil já teria sido uma boa potência em data centers, mas não temos tanta mão de obra dedicada e as “melhores cabeças” acabam saíndo do mercado nacional, obviamente.

            Como dito, houve até tentativas razoáveis com o “software livre / open source”, mas não fomos maduros no momento para saber como aplica-los.

            Pelo que li por cima, a ideia do Haddad é que as bigtechs venham com seus data centers, mas SIGAM AS REGRAS (energia sustentável como solar, eólica ou “carbono zero” por exemplo). Só que na prática sabemos que no Brasil galera seguir regra muitas vezes é mais fácil ver a conta bancária do fiscal aumentar por um presentinho da empresa fiscalizada…