Puxando da lista de links do Ghedin, trago essa notícia pro Órbita.
O que vocês acham?
A princípio me parece algo que terá uma imensa resistência das big techs, esse é o ponto mais óbvio, mas em seguida, parece uma cartada muito interessante, que é mexer no tópico sensível que é a exposição das crianças e adolescentes à Internet e surfar nos diversos problemas que tem sido expostos, inclusive na grande mídia.
Também parece uma iniciativa que pode servir de exemplo para outros países. Imaginem a possibilidade de haver um consórcio global nesse sentido? Não sei se já existe algo do tipo em outros locais.
Espero, no fim das contas, que o governo realmente esteja se assessorando com bons especialistas na área. A ver os próximos passos.
14 comentários
ainda acho checagem de idade muito pouco, penso que todo acesso à internet deveria ser validado com uma espécie de cadastro, e passível de rastreio via ordem judicial, algo como o “sigilo bancário”
Eu reconheço e defendo a importância de se discutir essa temática e, inclusive, que envolva aspectos para além da exposição de cirandas e adolescentes a essas redes. A internet como um todo, do modo como funciona atualmente é muito nociva e perigosa mas ela ainda é um espaço que permite que vozes antes sem lugar de fala possam se organizar, expressar e lutar. E minha preocupação é neste ponto. Começa com uma checagem de idade, depois CPF por acesso (como dito em um comentário abaixo) e daí para vigilância estatal, perseguição política e correlatos é um pequeno passo. É um debate delicado mas necessário. Quais possíveis soluções eu e vocês, pessoas comuns e leitoras do MdU conseguem imaginar para esse dilema? Começando por mim, confesso que no momento não consigo imaginar algo que posso conciliar “internet segura” e “liberdade de expressão”. Mas não aquela distorcida e defendia por certos grupos conservadores mas uma liberdade ética que permita que minorias e oprimidos tenham espaços para se organizarem sem medo de serem perseguidos e que ao mesmo tempo puna aqueles que abusam dessa liberdade para cometerem crimes contra a dignidade humana.
Existem grupos online que se dedicam voluntariamente a pensar nestas coisas. Safenet se não me engano é uma delas. Tem os grupos anti-fascistas que monitoram redes e buscam projetos (se não me engano um destes grupos foi o que ajudou na operação da história do evento da Lady Gaga).
Talvez modelos de “grupos abertos e voluntários remunerados”, que sirvam como “policiais” online mas não tenham uma “metodologia policial comum” seja uma linha. O interessante é que antes de tudo tenha um padrão de atendimento humanizado, ou seja, entenda que a violência gerada é um sintoma, não uma causa ou fim. E precisa se combater a causa da violência, não só o sintoma.
Tá aí uma ideia bacana. Nos resta acreditar que aqueles responsáveis por legislar chegam a uma conclusão próxima. É difícil esperar decisões razoáveis vindo desse grupo.
Eu já havia ouvida falar de grupos tipo o Safenet mas não cheguei a me aprofundar para entender como funciona, seus princípios e tals. Depois vou pesquisar.
Agradeço pelas ponderações.
Polícia que não seja a estatal é milícia, não?
Já existem organizações não governamentais que participam do debate público, analisam casos, redes e empresas, tecem críticas… participam. E são super úteis! Dar poder de polícia acho um caminho equivocado (e perigoso). É tudo muito lindo até o momento em que a “polícia” começa a divergir do que achamos legal. O que, a julgar pela história, tende a acontecer cedo ou tarde.
Isso, obrigado por lembrar disso e admito meu erro por ignorar que polícial não estatal = milícia. (Ou policial que abusa do poder = fascismo).
O ponto é justamente achar um limiar onde começa um serviço de segurança, onde tal termina e onde começa os abusos. É bem complicado e depende muito do caráter de quem opera isso, ideologia, cultura, etc…
De qualquer forma o que precisamos agora é de monitoria também, que é a parte mais complicada. Educação perdemos o bonde, mas espero que se corrija quando finalmente escolhermos melhores políticos e tudo mais… mas aí a conversa vai bem além…
Em tempos: parece que a questão do TikTok puxado durante a reunião do Xi Jin Pin deu resultado, o TikTok entrou em contato com o governo esperando uma conversa. Se isso resultar em algo melhor, será um ganho enorme.
É a velha ideia de “por CPF” no acesso. De fato, isso até gera o fim do anonimato. Mas bem, do jeito que a cada dia que passa tá difícil usar o online, é um passo necessário…
Outra: melhor já cuidar agora da criançada para evitar um futuro educacional pior do que ficar batendo cabeça por mais anos… Tirar o celular aparentemente já ajudou um pouco, mas tem trocendas outras coisas para fazer e ajudar (como valorizar professores e escolas por exemplo).
Sinceramente? O canal de denuncia é bom, mas é muito pouco quando toda a plataforma é de um nazista (Xitter). Não dá pra ficar tentando regular bilionário estadunidense, deveríamos ter uma internet soberana, com apps e sites brasileiros
O que eu queria mesmo ver é uma auditoria de inscritos e visualizações.
Não é possível um influenciador ter 50 milhões de seguidores, é um quarto da população. Alguém acredita que este número é real?
Um vídeo ter 130 milhões de visualizações é outra coisa que não engulo! Metade da população?
O pior é que tem jornalista sério repetindo esses números sem questionar,
Juarez, eu também pensava muito nisso!! Principalmente com o instagram. Mas aí quando você pára pra pensar em contas de fã-clubes, contas que os donos perderam acesso e as contas fakes, faz um pouco mais de sentido esses dados.
Porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto… Eu também acredito que os números são um pouco inflados.
Longe de mim querer defender big tech. Mas isso vai dar mto errado. Igual o lance de checagem que lugares conservadores querem fazer com a turma da pupunha.
Parte dos pais decidirem o que, quando e como o filho vai acessar. Pelo menos com minha filha, a gente faz assim. Agora querer entregar pra terceiros a educação da criança, sempre vai dar errado.
Não é “entregar para terceiros”, e lembrando que o Estado em si já tem premissa de manutenção de educação à toda a população (de todas as idades).
Mas sim criar normas nas quais se VOCÊ ou qualquer outra pessoa ver algo, você tem um canal seguro de denúncia, investigação e ação. Você é uma pessoa, mas tem N tipos de pessoas, com diferentes graus de instrução.
E há um passo bem diferente entre os conservadores (que querem limitar APENAS para o que “eles” querem direcionar a visão) neste caso. É a diferença entre você deixar uma porta fechada e uma porta meio aberta com cheiro de morango puxando criança para dentro.
Implacando ou não, é uma iniciativa importante. Pode integrar um começo de enfrentamento ao latifúndio das big techs que vem acontecendo pelo mundo. Mas, por falar em latifúndio, e essa história do Haddad de oferecer incentivos à Meta e companhia pra implantarem data centers por aqui e virem fazer a festa? O que esse governo quer e o que não quer afinal?
A justiça mandar apreender esses dados só rola se os dados estiverem no Brasil.