19 comentários

  1. Como nós já mergulhamos de cabeça na polêmica aqui, quais são jornais, sítios, blogs, páginas de redes sociais, perfis, etc com recorte temático religioso (ou dialogando com o religioso) que vocês conhecem ? serve qualquer uma também.

    Eu só conheço o blog do leonardo boff ( https://leonardoboff.org/ ), de viés do catolicismo da teologia da libertação (que seria essencialmente socialismo cristão).

    1. Exceto as camadas da sociedade que não assinam a Folha ou não sabem furar o Paywall por meios alternativos. Fora que eu não vi onde estava o Blog de Candomblé, Ateísmo, Islã, Budismo, Religiões Indígenas, umbanda, religiões de matriz africana, Protestantismos Progressistas, espiritistas, etc.

    2. “Todas” é um certo exagero da sua parte. As outras religiões populares no Brasil ficam de fora.

  2. Achei boa a primeira matéria do blog.

    Evangélicos são um grande recorte da população brasileira. Não conheço a Melina, mas li/ouvi boas coisas dela. Um blog bacana com esse enfoque, no maior jornal do país, pode ser bastante positivo para todo mundo.

    1. Muito positivo. Principalmente vendendo isso: “Psicanálise Cristã atua na integração dos princípios da psicanálise com a fé cristã, oferecendo suporte terapêutico a indivíduos que buscam compreender suas emoções, traumas e conflitos à luz dos ensinamentos religiosos.” Os evangélicos LGBT vão adorar.
      Desculpe, não. Acho medonho um jornal como a Folha querer fazer dinheiro ao adoçar e endossar uma religião que, no quadro geral, só representa atraso, preconceito e intolerância.
      Penso o que aconteceria se o Ali Kamel resolvesse criar no Globo um blog Muçulmanos – se seria uma “ótima ideia”.
      Já existe uma imprensa evangélica consolidada no país. Evangélicos controlam 9 dos 50 mais influentes veículos da imprensa no país (e esse dado é velho, de 2018). Acho muita ingenuidade achar que é uma iniciativa boa pra “falar com todas as camadas da população”.

      1. Seu comentário foi na veia, penso o mesmo. É só comércio, não tem nada de pluralismo, e acreditar que algo de bom pode sair disso é ingenuidade.
        Enquanto ficarem, falando tecnicamente, babando ovo em cima dos evangélicos eles nunca vão repensar suas posições. Nem as boas.

      2. É complicado generalizar uma religião com base em suas representações mais populares (isso inclui os meios de comunicação dominados por elas). Toda religião tem seus dogmas; o que se busca não é alterá-los, mas sim estabelecer uma base de tolerância.

        Sustentar um clima de hostilidade, como se todo evangélico fosse atrasado, preconceituoso e intolerante, é contraproducente. No fundo, a maioria de nós só quer viver em paz e é preciso diálogo para estabelecermos as bases para alcançar esse objetivo comum.

        1. Não penso que todo evangélico é atrasado 🤔, mas uma concessão pública não tem que se submeter a grupos. E o blog dos espíritas? E o da umbanda?
          Uma publicação voltada para uma ou outra religião faz sentido dentro destas comunidades. Pluralismo faz-se nivelando por cima e não recorrendo a segmentação.
          A Folha é um empresa e está correndo atrás do lucro, faz parte e não critico este comportamento. Entretanto não posso deixar de ressaltar que é hipócrita e não ajuda em nada a tensão que existe entre evangélicos e não escolhidos.
          O comportamento belicoso parte do meio evangélico, são eles que hostilizam as religiões africanas e a comunidade LGBT. E não é uma questão de “quem começou”, mas foram eles.

          1. A Folha é uma empresa e, sim, à parte a “missão” auto-proclamada, ela busca lucro. (Note que não existe concessão para jornal impresso/digital; concessões são para meios de comunicação que usam o espectro, que é limitado, como rádios e TVs.)

            Seria ótimo blogs de outras religiões, de fato. Há um fator, porém, que se destaca no caso dos evangélicos: é um dos maiores grupos religiosos em número de praticantes no Brasil. Da mesma maneira que… sei lá, o Corinthians tem mais espaço na imprensa esportiva que um time da segunda divisão do campeonato alagoano (por ter mais torcedores, mais tradição, mais investimento, mais tudo), evangélicos também desfrutam de um espaço maior e, justamente por isso, precisam de um olhar mais atento da sociedade. É nesse sentido que achei a iniciativa bem-vinda.

          2. Só vou destacar que para abrir um negócio, qualquer negócio, que seja uma quitanda, o proprietário precisa de uma licença ou algo parecido, a “concessão” que mencionei é nesse sentido.
            O empreendedor precisa de uma licença que um ente público concede para que ele opere o negócio, é por isso que um restaurante não pode recusar o serviço, porque ele tem uma concessão pública e é obrigado a atender o público, todos sem exceção.

        2. É complicado passar por cima do fato de o Congresso ter uma bancada evangélica com 15 partidos e 93 parlamentares (58% sendo as igrejas Assembleia de Deus, Batista e IURD).

          Não estamos falando de pessoas, estamos falando de poder político. Ter um dos principais jornais do país com um blog dedicados a evangélicos é reconhecer o poder político & econômico dessa religião nas decisões do país. A primeira matéria já fala de “psicanálise cristã” que já é, por si, um show de horrores.

          1. Exatamente! Concordo totalmente.

            Estamos falando de um grupo hegemônico no país, politicamente organizado e com agenda política de ataques concretos a direitos, que estão pulverizados no dia a dia das pessoas, no congresso, na mídia. Podemos ver isso nos dados da ultima votação presidencial. Não sei por que temos que ter esses dedos todos para reconhecermos isso e tratarmos esse fato de acordo com esse cenário.

            Se um evangélico individualmente se sente ofendido deve disputar esse sentido entre os seus, pois é isso que a igreja evangélica representa hoje hegemonicamente (seja ela múltipla de sentidos ou não). Essa coisa de “não vamos generalizar” me parece algo como “nem todo homem”.

            Espaço no maior jornal do país é só mais capital político pra essa agenda.

      3. “endossar uma religião que, no quadro geral, só representa atraso, preconceito e intolerância.”

        Como cristã, o seu comentário me pareceu ele mesmo bastante preconceituoso e intolerante, mas entendo o contexto que pode ter te levado a ter essa visão. Espero que você possa encontrar pessoas e vivenciar situações que te ajudem a mudar sua percepção.

        Em relação à criação de um blog evangélico, não vejo onde está o problema, no sentido de que se trata apenas de um blog. É apenas mais um nicho. Em uma rápida passeada, vi que já existem blogs sob o recorte da maternidade, da astronomia, do cannabis, do café, do surfe etc. Por que seria um problema um blog evangélico? Não seria um tipo de discriminação/intolerância não querer que ele exista?

        O fato em si de um blog evangélico existir não impede a criação de blogs voltados para outras crenças. Pelo contrário, imagino até que estimule o jornal a explorar mais essa área a depender do sucesso inicial deste “piloto”, por assim dizer.

        No mais, sigo muito feliz com a existência de um espaço como o do Órbita na internet. Não só pelo diálogo saudável como pelas ótimas dicas (dificilmente teria tomado conhecimento desse blog fora daqui).

        1. “Como cristã, o seu comentário me pareceu ele mesmo bastante preconceituoso e intolerante”

          Como agnóstica, gostaria de ver pautas que interessam a toda a população brasileira não serem barradas pela chamada “bancada da Bíblia” – a descriminalização do aborto, o casamento homoafetivo regulamentado por lei e o fim da isenção de impostos de igrejas são algumas.

          Gostaria de ver o fim da influência evangélica dentro do Congresso. Entre as pautas da bancada evangélica prioritárias para 2024 estão o Estatuto do Nasciturno (que acaba com o aborto até mesmo nos casos previstos em lei) e o Estatuto da Família (determinando que ela é formada exclusivamente por um homem e uma mulher). Além dessas, temos ainda a regulamentação do homeschooling (o que acaba, na prática, com a proteção de crianças que são abusadas em casa, já que a escola é o principal canal de denúncia) e o fim da retenção na fonte de imposto de renda de doações feitas às igrejas .

          A chamada Frente Parlamentar Evangélica (FPE) hoje tem 129 deputados federais e 17 senadores declaradamente evangélicos, e é apoiada por mais de 220 deputados e 60 senadores. Um exemplo de como ela é daninha é o que fizeram ao PL 2630 (que “institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”): seu andamento foi travado pela bancada evangélica porque, segundo o deputado Eli Borges (PL-TO), ele “destrói a liberdade de pregar o que está escrito na Bíblia” (o que ele não faz, em absoluto).

          Recomendo a leitura: “Bancada Evangélica monitora 9 mil proposições com ‘conteúdo nocivo’/ ‘Pacote’ inclui textos que propõem ‘modificação de hábitos sociais que vão de encontro às nossas bandeiras’, diz presidente da FPE (https://www.terra.com.br/nos/bancada-evangelica-monitora-9-mil-proposicoes-com-conteudo-nocivo,dbe6c46de40a31837f1b0eef96c46093jdrojyyv.html)

          “Embora não apresente uma metodologia para definir os projetos acompanhados, Câmara indica que entram nesse ‘pacote’ iniciativas que contrariem a moral cristã e conservadora. Sabidamente, direitos sexuais e reprodutivos – incluindo o aborto -, direitos de pessoas LGBTQIAPN+ de todas as idades e medidas que afrouxem punições associadas ao consumo de drogas consideradas ilícitas.”

          Então sim, no quadro geral, é uma religião que só representa atraso, preconceito e intolerância.

    1. Eu seguia a Marie no twitter, não sabia que ela trabalhava no UOL. Perfil legal para seguir.