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Achei interessante essa elucidação sobre o preço dos livros, principalmente aqui onde costumam tratar pirataria como uma coisa romântica, sem pensar em como ela lesa trabalhadores.
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Achei interessante essa elucidação sobre o preço dos livros, principalmente aqui onde costumam tratar pirataria como uma coisa romântica, sem pensar em como ela lesa trabalhadores.
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Só vou deixar aqui um video-comentário do João Carvalho para falar mais sobre pirataria etc.
PIRATARIA? Do NAPSTER ao RARBG e a LUTA pelo Conhecimento LIVRE ft. Ora Thiago | João Carvalho
Queria voltar a viver em um mundo onde o que alguém como o Felipe Neto fala não é importante. O cara dá pitaco sem embasamento sobre tudo o que é assunto e as pessoas levam a sério. Errado ele não tá, eu também vivo falando besteira por aí. Errado tá quem acha importante.
Sério, gente, o cara fala coisas como “as obras literárias não foram escritas pra adolescentes, então é burrice botar isso como conteúdo nas escolas” ou “tenho 30 e poucos anos e nunca usei o teorema de Pitágoras”. O cara montou um esquema pra fraudar jogo de xadrez online, enganando os adversários e até o professor. E as pessoas falam sobre ele como se o que ele diz fosse importante.
Elio Gaspari já mandou essa mesma asneira, cinco anos atrás.
Aliás, estou vendendo uma porção de livros por 10 reais cada. Ontem mesmo um cara me comprou 8 de uma tacada. Logo posto uma foto da pilha, posso enviar via mercado livre.
Aqui:
https://rafaelmds.medium.com/livros-a-venda-por-r-10-cada-3fee1901000c
Uma dica para livros baratos: https://estantevirtual.com.br . Reúne sebos do Brasil todo. Costumo comprar aquelas edições pockets de aeroporto em inglês, usadas, por preços entre R$ 10 e R$ 25. E para livros novos é um boa alternativa às políticas escrotas da Amazon.
Foda que pro RS normalmente o frete é mais caro do que o livro. E no final, acaba sendo mais barato comprar na Amazon.
Lembro quando entrei numa livraria em Londres, quando fui lá já faz tempo, e vi uma estante pegando toda uma parede comprida, lotada de pequenas edições de bolso muito baratas. E de ver muita gente no metrô e no ônibus lendo esses livrinhos. É uma coisa que não se viu no Brasil até muito pouco tempo atrás, até porque aqui sempre teve um abismo entre os de cima (incluindo a classe média) e os de baixo que não motivava entre os bem formados em geral um pensamento voltado a espalhar formação literária e científica pras classes mais desfavorecidas. Mas, sim, o custo de se editar e imprimir um livro é coisa que faz dele um objeto com acesso difícil pra maioria. Pelo menos quanto ao livro impresso (papel e impressão compondo a parte mais pesada do custo de um livro). Acho que a digitalização do livro contribui pra que ele seja mais difundido além do ambiente tradicional da chamada “alta cultura”. E até por acho que tem um caminho sem volta aí: o livro impresso vai ser cada vez mais um objeto de culto pouco acessível enquanto as edições digitais tendem a se espalhar até ambientes em que os livros sempre foram símbolo de elites.
>Pelo menos quanto ao livro impresso (papel e impressão compondo a parte mais pesada do custo de um livro).
O texto diz claramente que isso não é verdade.
Comentei em cima da minha experiência profissional na área. Não li a matéria porque dei de cara com o paywall da Folha. Vou ver se acho no UOL ou por outra via.
Papel é subsidiado pelo governo. As edições mais cara (quatro cores) são impressas na China.
Além da cadeia produtiva ser muito cara, o sistema hoje de venda é um golpe nas editoras. Normalmente, as livrarias ficam com 65% do preço de capa (esse percentual pode chegar a 70% nas livrarias de aeroporto) trabalhando em consignação. Isso significa que, se no lançamento alguém derrama uma taça de vinho numa pilha com 20 exemplares, a livraria retorna os livros manchados (para o lixo) sem pagar por eles.
Quando houve o lançamento de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, Paulo Rocco adotou uma estratégia diferente (os livreiros ficaram pra morrer, mas tiveram que engolir porque era Harry Potter & época de Natal): em vez de o livro já sair da editora com o preço final (editora + consignação), eles saíram com um preço mínimo (fixo) e “vocês que ponham o valor que quiserem” – o que ninguém quer fazer, porque é mais fácil jogar a culpa dos preços nas editoras.
Esse preço fixo voltou à discussão em 2018, e Elio Gaspari (como Felipe Neto fez agora) escreveu um altamente equivocado artigo chamado “Os livreiros querem tungar os leitores” (https://leiaisso.net/dmtfg/).
A melhor resposta mostrando como equivocada é essa imagem de que editor quer “tungar o leitor” está em “Os vários equívocos de Elio Gaspari”, pelo Haroldo Ceravolo Sereza (https://mobile.publishnews.com.br/materias/2018/11/19/os-varios-equivocos-de-elio-gaspari).
O texto diz isso se você separar o processo de produção do livro entre ‘Impressão’ e ‘Resto do processo’ mas se você tratar os processos de maneira individualizada como deve ser, a impressão é sim a parte mais cara.
O custo de impressão é 15% no exemplo dado. Não é a impressão que torna o livro caro, ao contrário do que dizia o comentário a quem respondi. O que torna caro é o tanto de profissionais envolvidos (e que normalmente já ganham mal, não dá para cortar preço aí).
Tradutor ganha 50 centavos por lauda (quando ganha bem).
Enquanto isso os donos das editoras tem carrões AMG, viajam pra Alemanha em períodos sabáticos de 6 meses enquanto cortam empregos de diagramação, revisão e leitura de prova. Terceirizam a maioria dos processos pra agências argentinas (e não paga impostos) e alguns (olá IPM da LPM) subsidiam a editora do filho.
A impressão é uma das etapas mais baratas. A Record imprime horrores, porque o custo é hora/máquina, e literalmente ela não pára – quando não está imprimindo livros da editora, está fazendo isso pra outras. E as obras que sairiam caras (os livros 4 cores) são impressos na China e importadas.
O papel é subsidiado, e como o tamanho dos livros é padronizado (14×18 e 16×23) não precisa fazer máscara de corte especial (nos livros sem orelhas as aparas servem pra fazer marcadores, usados para divulgar o livro).
Você faz tomada de preço pra gráfica (quando não tem a sua própria) mas não dá pra fazer isso com tradutor e preparador de original, por exemplo (eu sei, trabalho no e para o mercado editorial desde 1999).
Paulo, eu faço tradução (R$ 40/R$ 30/R$ 25 a lauda) e preparação de originais/revisão (R$ 10/R$ 9/R$ 7 a lauda) – editoras diferentes, preços diferentes. Editoras não têm CLT pra tradutor, preparador e revisor desde os anos 2000.
Eu não sei onde que tradutor ganha R$ 0,50 a lauda, mas não é no Brasil, COM CERTEZA. Você anda muito, mas muito mal informado, desculpe dizer.
Dos custos, a única coisa que o editor não paga na cadeia produtiva de um livro digital é a impressão, que hoje ou é feita na gráfica própria (a Record é mestra nisso – a Cameron produzia um volume gigantesco de páginas por jornada, mas fazia com que a pontuação sumisss na segunda reimpressão) ou imprime na China (alíquota zero de importação; esse último caso é para edições especiais, coloridas). O resto – compra do título, direitos autorais, tradução, duas revisões, diagramação, capista etc – é igual.
E há outros quesitos a considerar: livro digital precisa ser lido num dispositivo, e as bibliotecas não os oferecem, nem as maioria das escolas. Livros digitais não agregam memória afetiva, não comportam dedicatória, não são deixados de herança. Então desculpe, mas dificilmente livro digital vai dominar o mercado, a não ser em nichos, como livros técnicos e para ensino superior.
Você trabalha em qual mercado editoria pra pagarem DUAS revisões?
Trabalhei 11 anos como tradutor e a leitura de prova e a primeira revisão eram feitas por mim, tudo no mesmo “pacote de preço” e sendo pago por agências da Argentina, Uruguai e Irlanda (principalmente porque as agências brasileiras exigem emissão de NF e tradução não consta no SIMPLES e não pode (ou podia) ser MEI).
Capista a maioria usa gravuras de domínio público.
Pra ter todo o processo que você falou só as obras MUITO grandes (como Harry Potter ou algum famoso sazonal como 50 tons ou Crepusculo).
BTW, coloquei lá em cima, o preço que se paga pro tradutor literário do par ENPT é 50 centavos por lauda, o que inclui leitura de prova e segunda revisão. A primeira revisão era feita por outro tradutor e o preço era 25 centavos por lauda.
Isso em 2019/2020.
Tradução técnica paga mais.
Isso aqui:
é mentira. Me mostre UMA editora que paga esse preço. Uma agência. Se assim fosse, NUNCA teria deixado de ser tradutor.
Bertrand Brasil pagava 30 reais. A Companhia das Letras paga 40, como vemos no artigo.
Estamos falando de lauda. Você sabe o que é uma lauda?
Eu não sei que universo é esse em que você foi tradutor (se foi pra agência, aí é outra história – nunca trabalhei pra uma), mas as editoras pagam tradução, preparação de originais e segunda revisão para três pessoas diferentes. O último trabalho que eu fiz foi preparação de originais para a Intrínseca e eles pagam R$ 9 a lauda.
Mea culpa coloquei o preço da lauda pensando no preço da palavra, que é o padrão pra tradução das agências. QUem trabalha direto pra editora são raros (e muira vezes conhecidos e sem formação na área) e é caro ser tradutor assim, porque como eu já disse, precisa emitir NF/NFe pra esse tipo de serviço aqui no Brasil e, até onde eu trabalhei com isso (2011 até 2019/2021) não podia ser MEI e nem SIMPLES.
@Michel
Não existe padrão na lauda, cada empresa/agência tem uma quantidade de toques pra calcular uma lauda. Pelo SINTRA é 1250. A literária, se não me engano, era 2100.
Fazendo a conta, normalmente dá para arredondar uma lauda por 500 palavras (tradução é normalmente paga por palavra pela agência, e existem três tipos de palavras: novas, fuzzy matches (~50% de match com a MT) e 100% (que são palavras repetidas). Cada uma tem um preço. Novas, por exemplo, na TBO de Buenos Aires (agência que a Cia das Letras usa) paga R$0.06, fuzzy R$0.04 e 100% R$0.02/R$0.01). Talvez, e eu estou sendo absurdamente amigo das editoras, elas paguem esse preço pra agência de tradução.
Mas vamos pegar o exemplo da matéria: R$40 uma lauda e aproximar por 500 palavras por lauda. Isso dá R$0.08 por palavra (considerando o preço de uma palavra “nova” sempre).
Para destacar:
@Julia
Por R$9 a lauda, imaginando 500 palavras por lauda, te dá um custo de 0.01(.8) por palavra. Mais ou menos o que eu disse que que era.
É bom frisar para ambos que a imensa maioria das editoras (Cia da Letras, Rocco, Record e técnicas) usam agências pra tradução. Não duvido que a editora paghue R$40 por lauda pra agência, mas o que chega no tradutor é normalmente R$22/R$25 por lauda. Mas é bom frisar de novo, não se trabalha com lauda na tradução, e sim com palavras (porque os softwares de CAT como o XMT, memoQ e Trados usam o peso por palavra).
~~
Minhas obvervações sobre o texto é que ele dá um monte de dados sem provas, cospe um monte de números que ninguém tem como apurar e no final usa esse custo pra criar uma ideia de que é por isso que um livro tem que ter um preço de capa de mais de R$80. É mais ou menos a mesma retórica do empresário que diz que não paga mais aos funcionários porque precisa arcar com direitos trabalhistas. Se for feita uma matéria mais profunda sobre isso, com dados comprovados e com a origem desses dados, eu passo a crer, até lá, vale a minha experiência anedótica de tradutor em conjunto com a dos meus colegas (que deram boas risadas dos preços que dizem ser pagos ali).
E para aqueles do mercado editorial que dizem que conseguem esses valores: paulo@paulogpd.net (espero que dê pra repassar o email aqui Ghedin, se não, apaga só o email por favor). Entrem em contato, por favor, tenho mais de 11 anos de experiência com tradução, consultoria linguistica, revisão; formado em Letras pela UFRGS e premiado em 2012 com meu trabalho sobre estudos do léxico e tradução automática. Eu nunca cheguei nesses preços e gostaria de ter a oportunidade :)
Eu trabalhei há cerca de dez anos e havia um preparador e dois revisores.
O valor era cerca de R$30 por lauda de 2100 caracteres, o que já era muito baixo, um dos motivos (não o único) pelos quais eu trabalho com tradução técnica.
Se você trabalha como tradutor ganhando menos que entregador do Ifood tem algo errado aí.
Me ensina então cara, porque eu trabalho desde 2011 com isso e nunca bateu nem perto desses preços. Meus colegas de faculdade a mesma coisa. Não se ganha menos que eu entregador de iFood porque a maioria trabalha muito (+12h por dia) e isso dá uma renda boa (acima de R$7k), sem nenhum direito, claro.
Lattes
Vou dar dados reais deste livro:
https://www.amazon.com.br/canto-das-sereias-Val-McDermid/dp/852861901X
118.666 palavras
710352 caracteres
338,26 laudas
Logo, 351 palavras por lauda.
40/351=0,11 por palavra (o que é muito ruim comparado com tradução técnica).
Me deram três meses para traduzir.
(Eu não ganhei 40 porque foi há uma década quase).
Tem quem diga que faz 20 laudas por dia de trabalho. Eu ficava satisfeito com 7 ou 8.
Não havia agência alguma nem nota fiscal. É cessão de direitos de tradução, o que era feito como pessoa física.
Não sei o que mudou. Imagino que nada, fora os valores.
Não duvido dos seus números, só pedi pra me inidicar/ensinar pra esses trabalhos porque eu nunca consegui. E nenhum dos novos tradutores (formados de 2016 em diante) consegue também. Alguns colegas q traduziram FR>PR conseguiam valores mais altos. A LPM pagou 4500 pra um amigo meu traduzir o “Jack Kerouac e Allen Ginsberg: as Cartas” (valor fechado), por exemplo, em 2013.
Aliás, é interessante você falar que R$0.11 é muito ruim pra tradução técnica, sendo que eu sou tradutor técnico (trabalhei par a Richers, TBO, CTA, ex-Synthesys e Round Table) e nenhuma pagava mais de R$0.10 por palavra. Na Rishers inclusive era óleo e gás (principalmente para plataformas e acessso offshore da Petrobrás).
Se tiver como indicar/ensinar o caminho das pedras, agradeço muito.
—
Todas as editoras brasileiras pediram NF/NFe e nenhuma me deu a opçÃo de cessão de direitos.
A preparação de originais não é a tradução, e o valor de R$ 9 é pela preparação. E não, são poucas as editoras que trabalham com agências – se é que elas fazem isso. Quando o livro é grande, a tradução é dividida entre dois ou três profissionais. Eu trabalhei na Rocco e na Bertrand, hoje presto serviço pra meia dúzia de editoras (as últimas foram Record e Intrínseca) e NUNCA se usou agência – até porque o contato direto entre o editor responsável pelo livro e o tradutor/preparador/revisor é essencial. Trabalhei na LTC e ela também nunca usou tradutor de agência para seus livros técnicos.