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Fato ou fake: Sensação térmica de 70°C no Brasil climatempo.com.br

Muitos jornais, dos dois lados do espectro político, do ICL à CNN Brasil, deram essa barrigada (ou… fake?) no início da semana 😕

8 comentários

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  1. Vivendo e aprendendo: TIL que o cálculo da sensação térmica envolve a umidade do ar. (Agora só falta eu entender a lógica da probabilidade de chuva, hahaha).

    1. Não vou lembrar onde vi, pois faz tempo, mas envolve a área da previsão e saber disso meio que… expandiu minha mente — “50% de chances de chover em São Paulo” não significa que há 50% de chances de chover na cidade inteira, então às vezes essa precisão acerta e dou a sorte (ou o azar) de estar numa região em que não choveu.

      É tão óbvio que me senti meio idiota de nunca ter pensado nisso, hahaha!

    2. eu não trabalho com isso, então estou completamente desatualizado, mas sempre me lembro das aulas de conforto térmico da faculdade:

      a sensação térmica é multifatorial, mas depende principalmente de três parâmetros: temperatura de bulbo seco (aquela que o aplicativo de previsão do tempo indica no momento e também aquela que a gente vê nos termômetros nas ruas), umidade e velocidade do ar.

      existe uma carta psicométrica que ajuda a encontrar a sensação térmica provável cruzando esses três fatores

      o que é interessante disso (e algo que normalmente a imprensa não entende) é que em diferentes locais as estratégias para enfrentar o cruzamento desses fatores é distinto. Em um clima quente e seco, o aumento da umidade ajuda a amenizar o calor (daí a arquitetura do deserto ou mesmo do verão do sul da europa tradicionalmente apresentar chafarizes em pátios internos pra aumentar a umidade do microclima local). Mas em climas quentes e (muito) úmidos, como na amazônia, o aumento da umidade piora a sensação térmica, já que a saturação de água no ambiente prejudica a evaporação do suor e a gente passa a se sentir cozinhando (literalmente). O mesmo com o vento: o aumento da velocidade do ar reduz a sensação térmica, mas quando a temperatura passa de um certo limite, o vento apenas ajuda a aumentar a sensação de calor (como dentro de uma air fryer).

      isso é interessante porque em um clima quente e úmido como o brasileiro, as melhores estratégias de atenuação do calor em edifícios envolvem sombrear fachadas e aumentar a ventilação interna — que é exatamente o oposto do que a arquitetura corporativa tem feito. Não por acaso, trata-se justamente da estratégia usada pela arquitetura vernacular, caracterizada por varandas e grandes beirais de telhado sombreando as fachadas e aberturas com mecanismos como o muxarabi para manter a ventilação.

      1. Gabriel, acho que nunca falei, mas gosto muito dos seus comentários. Eu sempre fico remoendo alguns assuntos depois de te ler e aprendo algum conceito novo.

        Inclusive, TIL sobre muxarabi. :D