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Experiências com sistemas *BSD

Vocês têm alguma? Com NetBSD, FreeBSD, OpenBSD…? Quando leio posts como este, fico com vontade de testar um (ou uns), apesar do receio de não conseguir passar da instalação. A exemplo do autor, as características (ou “filosofia”) do NetBSD, por exemplo, ecoa em mim. Queria ouvir experiências de quem já se aventurou ou até usa um sabor de BSD no dia a dia.

10 comentários

10 comentários

  1. Pessoalmente, gosto muito do FreeBSD, mas devo dizer que meu conforto em usá-lo ainda hoje se deve ao contato desde o final da década de 90, após migrar do Slackware (mesma vibe de configurações manuais). Naquele tempo, a instalação de programas era menos intuitiva, via ports/compilação manual, mas havia uma maior compatibilidade de hardware. Hoje, me parece o inverso, está mais fácil usar, desde que ele reconheça bem alguns dispositivos (webcam o mais problemático). De qualquer forma, tenho a sensação que ele aproveita melhor o hardware que reconhece.

  2. *BSDs em servidores sempre terão seu lugar especial. O FreeBSD, por exemplo, é o SO base que o Netflix usa para seu sistema de entrega de conteúdo de streaming devido ao excelente desempenho de sua network stack (mais aqui: https://freebsdfoundation.org/netflix-case-study/)

    *BSDs em desktops geralmente são um pouco mais lentos (especialmente o OpenBSD). São sistemas operacionais desenvolvidos por desenvolvedores para desenvolvedores. A compatibilidade com hardware de desktop também é bem limitada, porém usar um sistema *BSD é bastante interessante. Muitas coisas não funcionam de primeira e é necessário aplicar diversas configurações até conseguir ter um desktop mínimo e funcional.

    Por aqui eu já usei por muito tempo o FreeBSD em desktop. Gostava bastante pois é possível personalizar muitas coisas na instalação/configuração do sistema. O custo é o tempo para fazer tudo funcionar do jeito que se deseja.
    Hoje eu uso Debian Linux 12 e OpenBSD 7.5 em dualboot num desktop AMD Ryzen 5 4600G/32GB RAM e GPU AMD Radeon RX580 (vou enviar minhas mesas em breve). É um hardware um pouco mais antigo e tudo funciona out of the box (não precisei lidar com compilação de drivers para nada).
    Falando especificamente sobre o OpenBSD em desktop, é necessário seguir alguns passos obrigatórios para ter tudo mais ou menos funcional: lidar com limites de paginação de memória, configurações específicas para ssd/nvme, configurações específicas de permissionamento de acesso a certos diretórios a partir do navegador, acesso a webcam e microfone, escolha de um desktop environment que lhe agrade e que seja usável. Por default, o desktop environment do OpenBSD é o fvwm. É muito customizável, muito rápido, porém vem com o mínimo para executar aplicações em modo gráfico. É possível usar KDE Plasma , Gnome ou qualquer outro desktop environment, porém dependendo do quão complexo for o ambiente, a lentidão fica bem aparente.

    Usar o OpenBSD traz uma certa nostalgia de quando eu comecei a usar o Linux (lá em 1999 com Conectiva Linux 3). Envolve um pouco de pesquisa e experimentação e é ótimo quando se percebe que o sistema está rodando bem, com desempenho razoável (nunca será rápido como o Linux), e com muita estabilidade.
    Uma das coisas que mais me chama atenção em sistemas BSD, especialmente no OpenBSD, é que é muito fácil manter o sistema depois que tudo está pronto. Atualizar o SO e os firmwares dos hardwares é bastante tranquilo. E fazer upgrade do SO para uma versão mais recente é mais tranquilo ainda. Eu recomendo a experiência. Parte dos softwares que eu uso são aplicações web e parte são aplicações abertas já disponíveis para Linux (LibreOffice, Xournal++, keepassxc, Firefox, VLC, neovim, dentre outros). Quanto a isto, bastou instalar os softwares usando o pkg_add (similar ao apt) ou ports (igualmente simples, porém o aplicativo é baixado e compilado na instalação). Devices de segurança como a Yubikey também funcionam out of the box. Basta usar da forma que for necessário (para logar no SO, ou como 2fa em coisas da web).
    Ah, antes de terminar: não é possível executar streamings como Netflix, Prime Video, Max ou similares no OpenBSD. Porém o YouTube rola de boa!!

    Caso opte por experimentar o OpenBSD, eu sugiro que dê uma olhada nos blogs abaixo:

    https://www.tumfatig.net/
    https://mizik.eu/blog/
    https://www.coreystephan.com/openbsd-thinkpad/
    https://x61.ar/log/2024/05/06052024135732-openbsd_desktop.html

  3. gente, o macOS rigorosamente é um BSD, certo?

    significativo demais para pensar como a empresa mais monopolista do mundo usa software com essas origens

    1. Segundo a Wikipédia, o núcleo dos sistemas da Apple, chamado Darwin, é baseado no 4.4BSD-Lite2 e FreeBSD. Embora o macOS seja um Unix puro-sangue (POSIX-compliant), não sei se dá para categorizá-lo como um *BSD se considerarmos que uma característica comum e importante deles é terem o código-fonte aberto — o que, nos é óbvio, o do macOS/iOS não é.

  4. São muito espartanos para uma boa experiência no desktop, é como usar um linux antigo ou mais limitado. Onde brilham mesmo é em servidores.

    1. Por curiosidade, eles tem alguma vantagem específica para servidores, ou “brilham” é mais no sentido de terem performance geral boa?

      1. Não sei dizer o motivo, minha experiência com BSDs é mínima. Lembro de ler alguma vez que alguma tecnicalidade da licença os tornam mais atraentes que linuxes em alguns casos

      2. Posso estar falando besteira, mas não tem um lance de que os *BSD são “sistemas completos”, ou seja, em vez de serem um grande LEGO com partes distintas grudadas (como é o caso do GNU/Linux), são sistemas feitos de cabo a rabo pelos mesmos desenvolvedores?

        1. Dei uma pesquisada e parece que é isso mesmo, essa é uma das principais diferenças. Algum dia vou experimentar um “distro-hop” pro BSD