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Equipamentos próprios para executar trabalhos nos dias atuais

Estou no mercado de comunicação empresarial desde 2008 e, hoje, meu foco é em produções audiovisuais para empresas. Não vivi os tempos áureos da “alta publicidade” brasileira, que ocorreram nos anos 90 e no início dos anos 2000. Mas, ao longo da minha trajetória, conheci muita gente que participou dessa época. A chamada “alta publicidade” era um nicho de acesso praticamente impossível – só era possível entrar conhecendo alguém do meio – e ainda era necessário morar no eixo Rio-São Paulo.

Mas vamos lá. O que quero compartilhar aqui é a mudança na forma de se trabalhar em produções publicitárias (de acordo com os relatos que ouço e leio de colegas mais antigos). Explico:

Na época áurea da publicidade, os profissionais não precisavam ter equipamentos próprios. Os orçamentos eram altos, e os valores pagos também. Tudo o que era necessário para a produção era fornecido pela contratante ou alugado. Isso mudou com o tempo. Um diretor de fotografia nos anos 90 e início dos anos 2000 sequer precisava ter uma câmera. Hoje, é necessário ter câmeras (no plural), lentes, acessórios e uma variedade de equipamentos de iluminação – caso contrário, não se consegue fechar produções.

Logicamente, em produções maiores e de grande porte, ainda se aluga muito equipamento. Mas, como a publicidade se “horizontalizou” um pouco de lá para cá, o curioso é que, hoje, se ganha menos do que antigamente. E o diretor de fotografia, o cinegrafista, o logger, o operador de áudio – de modo geral, qualquer profissional da área – precisa ter todo o aparato para executar a tarefa. Aparato esse que, muitas vezes, custa mais do que um apartamento.

Não é uma reclamação. Eu adoro trabalhar nessa área. Adoro ter equipamentos que facilitam meu dia a dia e não depender de empréstimos ou de aluguel (até porque nem toda cidade tem opções para alugar). Mas é, no mínimo, curioso. Se você conhece alguém que trabalhou com publicidade no passado, pergunte se ela tinha todo o equipamento necessário para executar a campanha ou se a empresa fornecia ou alugava.

Vocês veem algo semelhante em outras áreas? Fiquem à vontade para comentar, discordar ou perguntar mais alguma coisa.

2 comentários

2 comentários

  1. Penso que este fenômeno se deve mais ao barateamento dos equipamentos do que qualquer outra coisa. Um profissional, ou produtora, com equipamento próprio, qualquer área, é muito mais ágil que aquele que precisa alugar.
    Além do barateamento houve também uma miniaturização das coisas, é possível – não recomendável ainda – filmar com qualidade quase profissional com um celular, na década de 90 era preciso uma kombi para carregar só os filmes.
    Na minha opinião esta demanda por equipamento próprio talvez seja mais dos contratados, por independência, do que dos contratantes.
    Também há o fator segmentação, na década de 90 o anunciantes colocava o comercial, meio que, torcendo para acertar o público alvo. Anunciava para milhões para acertar alguns milhares. Hoje, o anúncio é certeiro, e por isso mais barato. Nem fazem mais sentido aquelas superproduções com música do Tim Maia e direção do Walter Salles.

    1. Essa questão da miniaturização é um fato. E nem falo do celular, mas das próprias câmeras e acessórios, que ficaram muito menores e mais poderosos. O fator independência também pesa bastante. É horrível querer fazer algo e depender de alguém para isso.

      Mas atribuo essa necessidade de ter equipamentos próprios, principalmente, à horizontalização da publicidade. Hoje, não são apenas as grandes empresas que podem produzir peças, fotografias e vídeos. Esse aumento da demanda pressionou a indústria a miniaturizar e baratear os equipamentos e, consequentemente, as produções, fazendo com que os profissionais se adaptassem a trabalhos menores, tornando mais vantajoso ter seu próprio equipamento do que alugá-lo.

      O ponto negativo disso é que, até mesmo as empresas de grande porte – aquelas que realmente podem investir e pagar por grandes produções – querem cortar custos ao máximo e “fazer sangrar” os profissionais da ponta. Antigamente, ou você podia produzir algo ou simplesmente não podia.