Deixando aqui uma abordagem do Nicholas Carr que acredito ser útil para uma melhor relação com a internet comercial e as redes sociais.
Do que entendi, se a crítica que costumeiramente fazemos é ao algoritmo, às BigTechs, à manipulação das redes sociais, estamos fazendo uma crítica necessária, porém incompleta.
Precisamos aprender a criticar de forma sincera o próprio desejo humano, nós mesmos, pois segundo a perspectiva dele, somos mais criadores do que vítimas nesse processo.
Achei interessante, porém ainda não sei se concordo cem por cento. Embora eu já perceba que em alguns momentos observar mais o meu desejo, olhando para ele de forma crítica de verdade, encarando aquele meu eu que muitas vezes me incomoda, se torna mais útil do que ficar indignado (essa indignação também é justa, claro) do quanto determinada plataforma ou algoritmo me dominou em tal circunstância.
Enfim, perspectivas mais amplas são sempre importantes.
4 comentários
Não concordo não, tá eximindo a culpa das big techs e jogando no indivíduo, por mais que ele tente suavizar isso chamando de crítica incompleta em vez de inválida.
Poxa, é óbvio que as bigtechs com milhões disponíveis e seus algoritmos projetados justamente para atiçar nossos anseios vão ter sucesso em capitalizar nossos desejos: é o ganha pão delas.
Aí o autor quer que a gente critique uma característica humana porque ela é o alvo dessas empresas?
Acho que ele quer que a gente perceba essa dimensão pessoal do desejo humano na nossa relação com as BigTechs, para junto com a crítica ao modus operandi dessa indústria, sermos menos refém ou mais livres.
Por exemplo, minha relação com uma determinada plataforma de uma BigTech.
Em parte existe um algoritmo e uma arquitetura da plataforma que me prende nela, em parte existe uma dependência social (se o cotidiano de milhões é organizado por ali, é provável que eu também irei usar ela com frequência), em parte eu desejo usar ela, ficar horas nela por diversos motivos (utilidade, conveniência, prazer, construção de identidade, sensação de pertencimento, etc).
Essa última dimensão que ele alerta para termos consciência. Acho um complemento importante se queremos ter mais independência.
Essa parte aqui também achei muito boa (usei tradutor).
“Como a tecnologia é um repositório do desejo humano, uma crítica completa de qualquer máquina precisa ser também uma crítica do desejo humano”
Boa parte do dia fiquei pensando nisso aí rs