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Entenda o que está por trás da enxurrada de anúncios do “jogo do tigrinho” nas redes sem paywall www1.folha.uol.com.br

Reportagem bem completa sobre o ~fenômeno do jogo do tigrinho. Em resumo, mais um esquema fraudulento derivado da abertura do Brasil aos jogos de azar/“bets”.

12 comentários

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  1. Ao contrário do colega abaixo, sou contra um estado que permite que um líder de família queime as economias em jogos de azar. Deveríamos ser melhores que isso.

    1. Sou igual o Tim Maia, do PLG, partido do liberou geral. Se proibir tudo que pode prejudicar algum néscio, vai sobrar quase nada. Pra mim isto é um pensamento reacionário demais. Se você for esticar a corda, se tiver uma pessoa qualquer que deixe de trabalhar e passa aperto por causa daqui do órbita vai ter que proibir também. Minha família foi MUITO prejudicada por bebida, mas nem por isso quero que se proíbam as pessoas de beber, apenas cuido da minha parte de não beber.

      1. Mas o órbita tem uma função, beber tem uma função. Bet não tem função nenhuma na sociedade

      2. Você fala que sua familia foi prejudicada pela bebida. A minha também, diga-se.

        Mas aí que nasce as políticas de proibição, restrição e controle. Pois serve para evitar que as pessoas tenham mais problemas (e gastos, inclusive com custos sociais aos governos) em relação a vícios. Tem pessoas que tem dificuldade psicológica para superar vícios. Não a toa nestas horas a “mão do Estado” ajuda mais controlando sobre.

        Isso serve para qualquer vício, diga-se. Drogas (incluso alcool), vicios de computador, vício de jogos de azar.

        Existem questões sobre senso cognitivo, e o ideal é que quem tem entende melhor respeite os outros ao invés de usar a “superioridade intelectual” para denegrir ou fazer mal ao outro.

        Se tu cria um software que consegue “capturar a mente” da pessoa e ganhar dinheiro com isso deixando a pessoa dura, isso, não por mal, não é diferente de um traficante de drogas ou produtor de bebidas alcóolicas. Estão ganhando dinheiro com o vício do outro, com o mal do outro. (Uma sugestão: assista o desenho “OddTáxi”. Tem uma parte que lida justamente com alguém viciado em jogos online deste tipo, e o destino dessa pessoa…)

        Comparar com este site, a propósito, é meio esquisito. Existem pessoas que são viciadas em comentar online (não só neste site), mas para isso, aí volta a questão do vício geral e da “mão do Estado”. Dependendo do site, o responsável pode investigar e sugerir ao comentarista viciado a procura por um apoio psicológico (a mão do Estado ajudando a corrigir vícios.). Este site em si não foi feito para desenvolver vício em seu acesso. No entanto há pessoas que tem vício em participar online de sites, seja em comentários ou outros espaços.

        Quando o Estado não atua no controle dos vícios ou faz tal controle de forma mais “restritiva” (no caso das drogas, a proibição legal e o uso de força polícial), geramos novos problemas sociais. No caso do “jogo do tigrinho”, seria o problema das dívidas – ao invés da pessoa pagar as contas para sobreviver, fica em um “loop” pensando que uma hora vai ganhar uma bolada no jogo. Lembrando que jogos digitais deste tipo tem mecanismos psicológicos para poder fazer a pessoa ficar presa no mesmo (“a casa sempre ganha”).

        A proibição das drogas entorpecentes caí em uma vala um pouco similar, no entanto, a diferença das drogas para o vício nos jogos é o tipo de satisfação ou enfoque psicológico. Drogas entorpecentes fazem as pessoas “se desligarem” do mundo. Jogos de azar deixam a pessoa meio ligada no mundo pois ela pensa que o jogo vai sanar os problemas econômicos dela.

        Claro que neste caso defendo não a “liberação plena das drogas”, sou adepto que seja criada leis que responsabilizem produtores de entorpecentes (e não os usuários) por problemas ligados aos mesmos – e isso vale ao alcool também. Ao mesmo tempo que se crie mecanismos legais para combate aos vícios e readaptação de viciados à sociedade. Venda controlada é melhor que proibição de venda – no final quem controla a venda é o que chamamos de “crime organizado”, o mesmo que quer por os “jogos do tigrinho, da cobra e do bicho” para rodar aqui no país… afinal, assim se lava o dinheiro oriundo do crime, caso legalizado.

      3. O que você está propondo, Alexandre, não impede a regulação.

        Tabaco, por exemplo, é um negócio que as consequências são caríssimas, tanto a nível pessoal, como comunitário, quanto pro Estado. O consumo é liberado, porém regulado: acima de 18 anos pode comprar e consumir como quiser, se estiver em espaços coletivos tem que ser aberto. Gosto de chamar essa proposta de “pode, desde que…”

        Aproximando o paralelo com os jogos de azar, desde 2011 é proibido fazer publicidade de cigarro. Pode fumar e pode vender, tranquilo, mas se fizer propaganda, créu!

        Alinhando com seu exemplo, birita pode propaganda – apesar de não ser fã de autorregulamentação, cabe o exemplo – mas não pode mostrar ato de consumir, não pode mostrar fazendo “glub glub, aaaah!”. Pra facilitar você cuidar da sua parte de não beber, não vão te dar mais um estímulo que dê vontade de tomar uma cervejinha.

        Da mesma forma que ninguém tá me impedindo de fumar, Alexandre, dá pra também não impedir ninguém de jogar, conforme o liberou geral que cê propôs, mas arregaçar legal quem fizer propaganda de jogo.

        1. Concordo com o fato de impedir propaganda, mas proibir nunca foi a solução, vide lei seca, war on drugs e quetais. Regulamentação sim, é o mais importante.
          Fora também que o próprio governo já vende um esquema análogo, ainda nessa sanha arrecadatória, o futuro que tem é legalizar pra poder cobrar imposto em cima.
          E sobre lavagem de dinheiro, não se usa algo assim pra lavar dinheiro. O que o pessoal mais usa ou são terceiros, ou abrem aquelas empresas que você não entende como sobrevive pra esquentar a grana.

          1. Ghedin, eu trabalho com isso. Facçoes envolvem-se com bets, majoritariamente, como nova forma de ganhar dinheiro, não para lavar dinheiro, por não ser tão eficaz neste quesito.
            Quem tá dirigindo embriagado deve ser responsabilizado pelos seus atos. Proibir as coisas só torna mais rentoso pra quem comercializa o proibido e não resolve problema nenhum. O que resolve são outras coisas como conscientização da conduta, por exemplo.

          2. “Facçoes envolvem-se com bets, majoritariamente, como nova forma de ganhar dinheiro, não para lavar dinheiro, por não ser tão eficaz neste quesito.” Só que só o fato de criar uma bet já é a lavagem de dinheiro, dado que o dinheiro é oriundo do crime. O resto é “lucro ‘limpo'”. Isso enquanto não houver regulação plena, claro. Não a toa o jogo bicho ainda existe e é tolerado. Como é uma “contravenção” (nas normas, algo de menor monta, porém posso estar falando besteira), bicheiros não são punidos com prisão de forma fácil. São presos mais quando mandam assasinar alguém ou são pegos enquanto pagam propina.

            Eu tava lendo um texto jornalístico (não sei se era no UOL, Pública ou no ICL, perdi o favorito) sobre a questão da ocupação do crime organizado em cima das empresas de ônibus em São Paulo, e uma frase que me veio a mente é tipo “o ponto não é nem exatamente se vai lucrar muito, mas sim o quanto de ‘dinheiro limpo’ vai render”. Para o crime, se há uma forma de “lavar dinheiro” (ou melhor, dar uma origem legal) a uma verba oridunda de crime, para eles é uma forma de lucro/ganho. Afinal, o crime já perde bastante dinheiro pagando as propinas e corrupções necessárias para poder agir no submundo. Só ver a notícia recente do juíz que foi investigado porque descobriram que um posto do lado do juizado dele servia como forma para “lavar dinheiro” de ganhos de causas compradas. Um especialista em segurança pode falar melhor que nós dois.

            “Quem tá dirigindo embriagado deve ser responsabilizado pelos seus atos.” Já existe lei para isso, mas há também restrições extras para evitar ações escusas. Essa me lembrou que teoricamente existe uma lei que proíbe a venda de bebidas alcóolicas nas beiras de rodovias. Não sei como anda, mas virou “lei morta”, dado que o que tem muito hoje é conveniência de posto vendendo bebidas alcóolicas (acho que só grandes restaurantes não vendem, tanto que não se vê em paradas de caminhoneiro e de ônibus).

      4. […] nem por isso quero que se proíbam as pessoas de beber, apenas cuido da minha parte de não beber.

        Alguém dirigindo embriagado pode te atropelar, e é por isso que proíbe-se dirigir alcoolizado. Mesmo que o bêbado bata num poste e machuque somente a ele, os custos do evento afetam a todos — reparar os danos ao poste e fiação, prestar o atendimento inicial ao acidentado, cuidar da sua recuperação.

        É ingênua a ideia do “vou fazer o meu e cada um que cuide de si”. O homem não é uma ilha blablabá.

  2. Eu sou extremamente favorável de separar gente imbecil do seu dinheiro, seja com tigrinho, seja com bets, seja com NFT ou qualquer outra tramóia…kkkk