Achei curioso o tanto de perrengue que o rapaz passou, e com uma distro tida como fácil de usar, o Pop!_OS.
Depois, me perguntei se os problemas não decorrem do notebook dele, de última geração. Talvez o suporte aos componentes no kernel ainda não esteja maduro.
É esse tipo de coisa (acordar e o sistema ter quebrado) um dos meus receios em abandonar o macOS, que sempre funciona — ou ao menos tem funcionado comigo, sem quebras, há 11 anos.
Ele se autodeclara iniciante em Linux. E aí…?
25 comentários
Eu já quebrei quase todas as distros Linux, o Windows (várias vezes) e o macOS (muitas e muitas vezes, mas menos do que os outros dois).
O que ele fez foi entrar em um loop mesmo. Acontece com qualquer SO.
Uso Linux desde 2003. Sou entusiasta. Mas, não tem como negar que tudo é feito pra Windows, no que diz respeito a usuário doméstico. Então, as coisas vão funcionar melhor mesmo nesse sistema proprietário.
Mas, hoje em dia tá infinitamente mais fácil de utilizar do que no começo dos anos 2000.
Eu sempre tive windows com problemas. A melhor versão que usei foi o 10 pro. E ainda com esse windows, vários problemas de design, lentidão, recurso antigo misturado com novo, backup que não funciona, drivers não atualiza direito, problema de ajustamento de resolução, gerenciamento de bateria nem se fala. Modo “sleep” do windows nunca desligou meu computador hahaha.
De for listar aqui tudo que tem problema…
Cada um com seus problemas…
Sei lá, é legal jogar esses vídeos pra bater no linux, reclamar que nunca é o ano do linux e blablabla, mas que sistema operacional não tem uma centena de problemas se pesquisar no youtube? Por alto aqui já vi vários vídeos de uma black screen of death afetando os macs que “simplesmente funcionam”
Só mais um vídeo polêmico pra gerar audiência.
Windows tem sérios problemas de desempenho e espionagem, macos tem sérios problemas de design… Mas falar mal de Linux é o que dá audiência.
E mais uma: vá tomar no cu NVIDIA!
Puts… Mas o pior é que não sei se é só isso quando falamos de Linux.
Usei Linux a maior parte da vida, e é verdade que ele, para uso doméstico, quebra mais fácil e te leva a “becos sem saída” mais vezes. Eu adorava isso, porque me ajudou a aprender muito, mas não nego que o trato com ele tende a ser mais complexo.
O chato dessa discussão é que eu poderia elencar dezenas de exemplos, e alguém ainda poderia, resistentemente, me apresentar dez ou onze problemas do Windows. Nunca sairíamos disso. Ainda assim, isso tudo, para mim, continuaria bastante claro, quase autoevidente.
De todo modo, um exemplo em vão: o empacotamento nativo do Firefox em Snap já me levou a problemas de integração com outras áreas do sistema, como no gerenciamento de arquivos ou no uso de extensões de integração ao Gnome. E não é só sobre Ubuntu e suas estranhezas: o Flatpack nem sempre é bom quando você precisa desse tipo de integração, e algumas coisas simplesmente não funcionam, justamente porque esse empacotamento isola o software.
A meu ver, não dá pra dizer que um usuário, instalando desde a loja de seu sistema operacional, deveria saber a diferença entre Deb, AppImage, Flatpack, Snap, etc. E, se fosse, isso deveria estar em alguma instrução explícita.
Do mesmo modo — segundo exemplo em vão —: anos a fio a integração entre o KDE e o Google e seus serviços esteve quebrada, devido à implementação do oAuth, por parte do Google. Mas a opção continuava lá, intermitentemente falhando. Calendários sincronizavam para exibir, mas não permitiam editar. E-mails conectavam, mas, depois, paravam de sincronizar. É um “beco sem saída” que te leva a um fórum obscuro, se você tiver tempo e disponibilidade, ou de volta ao Windows.
Não acho que o Linux é pior, é claro. Mas acho que depende do que você quer fazer com ele. Pra mim, imaginando um usuário médio, é nítido que ele pode ser mais complexo.
Para evitar a ambiguidade, é bom deixar claro que falo “usuário médio” justamente porque não é aquele tio que vai se dar por satisfeito abrindo o browser. É o usuário que vai além disso, mas que, entretanto, não é técnico. O negócio com o Linux é justamente o fato de que essa curva de aprendizado, para quem não quer estudar o sistema, mas usá-lo como ferramenta, é nitidamente mais íngrime.
macOS não funcionava (não sei se já funciona) com telas ultra-wide. Linux e Windows funcionam muito bem elas faz uns 15 anos. Quase tudo da Apple funciona se você não fuça muito e não sai do script.
Mas daó pode-se argumentar que todo o sistema funciona no caminho verde. No final é uma questão do que você quer usar e o que aceita perder (trade-off)
Dá um nervoso ver a galera batendo a cabeça por tanto tempo com coisas relativamente simples (depois que você entende como funciona, claro).
Essa coisa de achar que mudar de distro vai resolver os problemas é um dos grandes atrasos na jornada Linux. Não importa muito a distro, exceto se você quiser algo bastante específico ou quiser algo 100% plug and play pra tua máquina. O que mais importa é entender a causa dos problemas. Linux no fundo é só o kernel e uma coleção de pacotes instalados em cima. Coisas que o usuário pode mudar em qualquer distro.
No caso dele, provavelmente o kernel era antigo, assim como os pacotes críticos de driver de vídeo. Então a primeira coisa seria atualizar o kernel pra versão mais recente. Depois os pacotes críticos.
E eu removeria todo esse caos de power-profile-daemon porque isso é um atraso dos infernos. O lance pra economizar bateria é mesmo o TLP, ponto final. Na minha distro eliminei o power-profile-daemon, e pra gerenciar o perfil de energia da CPU criei um programinha estupidamente simples em PyGTK que simplesmente chama uma linha de comando de acordo com o que o usuário quiser — não tem pra que complicar isso.
Com relação a ter duas placas de vídeo, isso realmente é chatinho. Eu usaria a placa integrada o tempo inteiro pra basicamente tudo, e faria chamadas específicas pros programas que precisam da GPU dedicada, como o Steam e o editor de vídeo. Pra ser sincero, nem sei como outros sistemas operacionais lidam com isso.
No mais, CachyOS é um grande engodo. Não pela distro em si, que é OK. Mas pela propaganda que eles fazem de que é a distro mais rápida e eficiente, quando na realidade não é bem isso, como é possível ver em testes mais recentes: https://www.phoronix.com/review/cachyos-ubuntu-2510-f43/2 . Uma coisa que é preciso entender (e nisso o Phoronix costuma falhar) é que a versão dos pacotes críticos pode fazer muita diferença na performance, e não porque a distro é mágica. Ademais, pra maioria dos usuário ganhar 6% de performance é absolutamente irrelevante.
só do usuário precisar ir atrás de descobrir como fazer o sistema suspender quando fechar a tampa já está errado, não importa se é simples ou não de resolver.
Concordo que não é o ideal. Mas sejamos justos: que sistema operacional se propõe a dar suporte a todos os hardwares existentes e ainda assim funcionar out of the box?
O MacOS não é assim, claramente, vide que o hardware é fechado, bem específico. O mesmo ocorre com o iOS e o Android (muita gente não sabe, mas o Android feito pelo Google é só a base, e cada fabricante se encarrega de colocar os drivers pra funcionar).
Sobra então o Windows, que, embora realmente tenha a pretensão de atender a hardwares genéricos, convenhamos, está longe de ser plug and play no mundo de hoje. Enquanto no Linux boa parte do hardware simplesmente é detectado automaticamente, no Windows o usuário precisa baixar drivers cada mais bloated e sofrer as possíveis consequências. Fora a frequência com que updates quebram tudo — sai notícia praticamente toda semana!
Isso não deveria ser descartado. A pessoa precisa ter um computador para rodar o sistema operacional. Aí, na hora de escolher entre um que rode Linux bem (o que já é uma tarefa desgraçada), sob o risco de se deparar com problemas diversos, e um Mac, que ele liga e funciona e nunca dá problema… por que alguém (que tenha condições de pagar por um Mac) optaria pelo PC com Linux?
> por que alguém (que tenha condições de pagar por um Mac) optaria pelo PC com Linux?
Bem, vai depender do seu propósito com o computador.
Se for para jogar, o MacOS não parece uma opção razoável.
Se for pra ter mais flexibilidade e oferta no cardápio de software, também não é uma boa opção.
Se for pra ter acesso a sistemas de código aberto, também não.
Se for pra atingir performance máxima através de overclock, também não.
Se for pra ter suporte a mais periféricos de terceiros, também não.
Se for pra montar um servidor parrudo, também não.
Se for pra ter melhor manutenbilidade e possibilidade de expansão, também não (olha que surreal o que é preciso fazer pra trocar a bateria da BIOS desse Mac Pro: https://www.ifixit.com/Guide/Mac+Pro+Late+2013+CMOS+Battery+Replacement/21216).
E os exemplos seguem. Os laptops são particularmente limitados.
Toda essa lista é tangencial ao que pessoas comuns esperam de um computador: que ele apenas funcione, sem surpresas. Quando digo “pessoas comuns”, refiro-me a quem usa para navegar na web, ler e responder e-mails, escrever, fazer planilhas, editar fotos, vídeos e áudio.
(E o lance da oferta de software é questionável. Tenho experiência nos três sistemas principais e acho os apps do macOS melhores que a média.)
Respeito sua preferência pelo ecossistema da Apple, claro. Mas reduzir o mercado de gamers pra PC a algo tangencial é um pouco forçado, vai. E seria forçado mesmo antes do Steam Deck e demais portáveis — nenhum deles rodando sistema da Apple.
Fora o posicionamento político de sustentar sistema fechado de empresa do Vale do Silício quando há alternativas descentralizadas e de código aberto. Isso pra mim é o principal, e confesso que me espanta que você, com o esclarecimento político e social que tem, ainda ceda a uma empresa tóxica desse naipe.
Esse tipo de usuário que você descreve está em quase plenitude bem atendido com qualquer sistema operacional, não somente o Linux. O caso do vídeo acima, embora não seja uma exceção raríssima, é de certa forma cherry picking, até porque o sujeito claramente não é um usuário básico padrão, a começar pelo hardware que ele comprou. Pra esmagadora maioria dos computadores, tu instala uma distro qualquer e já tá ali o básico pra navegar na internet, sem nem sequer precisar instalar nada — quando muito o browser de sua preferência. O problema costuma acontecer com os usuários intermediários e que já vêm de outro ecossistema, pois esses normalmente têm demandas específicas e expectativas rígidas — e tanto faz de qual sistema vêm e pra qual vão; a problemática é a mesma.
Mas estou positivo, pois a Microsoft está destruindo o resto de reputação que tinha com o Windows, e a Apple não vai vencer os benefícios da comunidade open source. O resultado está aí: uma avalanche de gente mostrando nos últimos anos suas jornadas de migração pro Linux. Incluindo, inclusive, instituições como a União Europeia. O bom senso parece que vai prevalecer, ao menos nesse âmbito. Eu diria, inclusive, que no mercado de smartphones a Apple só tem alguma chance se os EUA mantiverem protecionismo, pois os chineses já mostraram que fazem algo melhor e por menos.
Esse caminho é o complicado para 99% das pessoas, fulalas. (Para mim, também seria; não sei programar.) E em relação ao tlp, como ele comenta no vídeo, [a System76 desaconselha seu uso no Pop!_OS](https://support.system76.com/articles/battery/#tools-we-do-not-recommend).
Calma, eu desenvolvo uma distro para que os usuários não tenham que ter trabalho. E essa é a missão de toda distro, em teoria. O programinha que eu fiz é extremamente trivial de usar: só tem um drop down com os perfis de CPU (powersave ou performance), e no momento que o usuário clica já é automaticamente aplicado (tem um help explicando). Requer zero conhecimento de programação.
Sim, o TLP não funciona em conjunto com outros gerenciadores de energia, como o power-profiles-daemon e o feito pela System76. Pra instalar um, é necessário antes desinstalar o outro. O TLP inclusive acusa se tiver redundância e se recusa a rodar. Aliás, as últimas versões dele já se integram com a interface nativa do KDE, COSMIC e GNOME, então é realmente trivial configurar.
Pra mim o único calcanhar de aquiles é ele depender do Perl. Cheguei a sugerir se livrar do Perl e migrar tudo pra bash, mas o dev admitiu a mesma preguiça que eu de fazer essa migração, hehehe! São poucas linhas de código, mas é algo chatinho. Se não fosse por isso, minha distro teria o TLP instalado por padrão, pois o TLP não só é o que melhor reduz o consumo, como faz isso sem comprometer a performance (ao contrários dos demais gerenciadores aqui mencionados).
Acho que o hardware dele é muito atual e isso pode pesar um pouco. Mas o Pop OS também esta testando muitas tecnologias que ao meu ver são muito atuais também. Como o novo cosmic e o wayland.
Eu sigo no meu linux mint extremamente estável e no X11 já que não me dei muito bem com o wayland ainda.
Voltei ao Linux ano passado quando comprei um laptop Dell e descobri que o Win 11 nem permite iniciar sem ter Internet e criar uma conta…
Gota d’água pra mim.
Alguns perrengues no shell são quase garantidos, Rodrigo, se a pessoa quer ter algum nível de controle no sistema, mas não é o fim do mundo…. só ter cuidado pra não depender de softwares e hardwares que possuem pouco suporte nesse sistema, NVidia é melhor exemplo.
Esses perrengues diminuem com o tempo assim que você vai resolvendo os problemas basicos do sistema.
Boa notícia também é que IA ajuda muito no entendimento e solução de tudo, te dando até comandos no shell prontinhos pra executar. Os dias de perder tempo em foruns ou lendo documentações acabaram.
IA será uma compania inseparável se você entrar nessa jornada.
Sofrendo um pouco aqui pois fui atualizar o pop_os para a versão nova com o cosmic e deu ruim (chuto que são justamente os drivers nvidia). Estou com preguiça de procurar uma solução e provável que eu instale do zero de novo.
Por enquanto usando a outra participação o nobara.
Usei Linux por 25 anos no desktop. Felizmente não uso mais e espero nunca mais usar.
Mas Linux é isso aí: do nada vc tem um problema e precisa ficar caçando comandos em fóruns.
NVidia.
Tenho uma 1650 Super e uso Fedora. Ano passado (ou talvez foi em 2024, não lembro) tive um dia sem som no monitor via displayport por causa duma atualização.
Reverti pro kernel anterior (o fedora te mostra essa opção no boot) e voltou. No dia seguinte veio outra atualização corrigindo. Foi a única vez que deu ruim.
Hoje, o grande cocô na área de tecnologia é a Nvidia. Seja não disponibilizando drivers de código aberto como intel e amd, seja a putaria no mercado de ia, ou até o aumento absurdo de preços que a própria vem puxando desde antes dessa história de ia. Se fosse fazer um upgrade ou comprar um laptop x86, certamente iria de GPU amd ou intel, mesmo se fosse pra usar windows. Inclusive considerando videogames.
No seu lugar, Rodrigo, podendo escolher, não trocaria. Tá funcionando e é gostoso de usar. Apple tem suas escrotidões, mas ainda não chega nem perto do que a microsoft tem feito. Além disso, a duração da bateria dos macbooks sempre foi o que mais me chamou atenção (e a razão por qual eu tive um). O que a apple faz no gerenciamento de energia de todos os seus aparelhos é muito impressionante. Tenho a impressão de que ainda há margem pra melhorar no macos, considerando como duravam os macs x86.
Um grande problema de compatibilidade é justamente NVIDIA… Empresa dos infernos!
Infelizmente ele não é o público alvo para usar Linux.
Uma opção para evitar o receio do sistema quebrar é usar uma distribuição imutável como o Fedora Silverblue. já oito meses que uso uma distro imutável chamada GNOME OS. Ela não é recomendada para uso diário pois ainda está em pré lançamento, mas por ser imutável facilita reverter caso uma atualização quebre o sistema
Ainda é (e acho que sempre será) necessário avaliar a compatibilidade do hardware com Linux.
Acho que definitivamente não ajudou ele ter um dispositivo tão novo com uma 5090 infelizmente.
Um ponto que ele fala sobre Flatpak, para quem já conhece e mexe vai saber melhor, mas quem nunca mexeu, de fato é meio chato você só não entender que a depender do modo da instalação de seu app pode modificar o auxilio até de AI (vi que ele usou bastante).
Para uma pessoa que vai viver só de abrir navegador e fazer o básico, não deve sofrer, mas user com hardware bleeding edge + jogos + conexão bluetooth de dispositivos pouco conhecidos, vai encontrar problemas de fato.