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[en] “SimCity” não é um modelo de realidade. É um brinquedo libertário sem paywall traduzir wired.com

Topei com esse texto e lembrei-me na hora de um post da Daniela pedindo por “jogos simuladores de cidades não carrocêntricos”. É uma boa leitura complementar.

9 comentários

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  1. Excelente texto. Me lembrou uma apresentação (SimCity and SimCrises) que aborda basicamente a mesma temática. Algumas informações até se repetem, mas nessa é colocado mais detalhes de como a gameplay do jogo, consciente ou não, direciona o jogador para um lado ideológico, ao ponto de afirmar que o “Sim” do jogo cabe melhor como abreviação de “Simulacro” do que simulação.

    Nos comentários aqui alguém apontou que nem mesmo o Wright considerava o jogo um simulador. Eu concordo, mas a propaganda do jogo foi feita em cima dessa ideia. A apresentação inclui imagens de marketing que ressaltavam o quão realista era o jogo. Nesse caso acho que o problema existe. Ainda que não tenha sido idealizado dessa maneira, ele foi consumido dessa maneira. E o problema está muito em como as pessoas vêm SimCity como um simulador, podendo expandir as ideias lá como de fato conselhos urbanísticos.

    Também achei interessante que Forrester tenha advogado a favor do zoneamento urbano. Pra alguém que vê o livre mercado como uma solução, me parece contraditório pedir que o estado regule o que pode existir em qual espaço. E isso até faz sentido como inspiração de Sim City, que se baseia quase que 100% no zoneamento, sendo impossível fazer uma cidade que misture os usos, como gostaria Jane Jacobs, por exemplo.

  2. Esse é um bom caso de criações que furaram as intenções iniciais e foram apropriadas por discursos e ideais duvidosas, nesses casos não acho legal culpar as obras pelo que causaram. Gosto muito de ‘tropa de elite’, mesmo que tenha reacendido discursos de ódio e criminalização da pobreza

      1. O Thiago é ótimo concordo com a opnião dele, mas não curto o binarismo que as pessoas usam pra “cancelar obras”, é meio infantil a proposta ver essas obras com discurso ultraliberais, só pela repercussão negativa, eu odeio jogos de construção como esses mas da pra enxergar eles por outros contextos também, da pra ser um pouco por parte das pessoas em ao mesmo tempo olhar pra simcity como um jogo legal, também olhar pra ele como uma construção de utopia neoliberal

  3. Spoiler: Super Mario não representa o dia a dia de um encanador.

    1. Hahahaha, tampouco ele se apresenta como um simulador de encanador, né? SimCity está no próprio nome (algo como “simulador de cidades”).

      1. Acredito que SimCity nunca se propôs a ser um “simulador” propriamente dito, visto que ele sempre pendeu pro lado cômico, como com a possibilidade de alienígenas atacarem a cidade, conselheiros engraçadinhos e obsessão por lhamas.

        Acho que a estão pensando e dando valor demais num brinquedo, libertário que seja, que não tem lançamentos a pelo menos 10 anos.

        1. O próprio Will Wright achava isso, que era um brinquedo descompromissado e se surpreendeu quando se deparou com urbanistas e políticos usando SimCity para finalidades sérias. A matéria aborda esse choque, como Wright acabou tendo que se dobrar ao uso didático dos seus simuladores e a influência do jogo para além do lúdico — um desdobramento que acentua a importância das influências na construção do conceito do jogo.

          1. Perfeito, ghedin! Galera subestima demais a influência de certas mídias