Quanto mais tempo passo fora de qualquer rede social, sem ser constantemente bombardeada com a linguagem e os maneirismos digitais inerentes a elas, mais percebo como é estranho detectar esse tipo de linguagem em outras pessoas fora dessas timelines e feeds.
Esse post me deixou pensativo.
Concordei muito quando lembrei da maneira como as pessoas tendem a se expressarem no X/Twitter — o humor autodepreciativo, os memes e tudo mais — e, depois, fiquei em dúvida se vale para outros locais (bem) menores, como… o Órbita.
Acho que as características demográficas de quem frequenta o Órbita são mais homogêneas (gênero, por exemplo), o que talvez gere a identificação que a autora argumenta existir em grupos menores que compartilham características comuns.
Vocês observam isso?
2 comentários
Acho que, na minha visão, o órbita teria uma linguagem mais “long form” – respostas mais longas que a maioria das redes sociais. De certa forma aqui o tom é mais cordial? Talvez seja algum viés de confirmação.
Devem haver mais trejeitos.
De fato, essas respostas logas existem, e também a obrigação da cordialidade, porém não se difere muito do Reddit. Existe a mesma falta de respeito e consideração pelo outro, a mesma incapacidade de diálogo real – há exposição de teses e argumentos, mas é rara a possibilidade de síntese. Me chama muito a atenção a falta de respeito, que é regra em interações online, com a capa de cordialidade que o site impõe pelas regras e pela moderação. É pensar “olha esse filho duma puta falando burrice” e responder “caríssimo, tendo a discordar, já que nunca na história houve tanta desconexão com a materialidade”. Eu acho curioso e engraçado de ver. Me lembra o divertido decoro do congresso: “vá tomar nu cu, vossa excelência”
O viés dessa observação vem do meu desgosto com interações online. Sou neurodivergente e interagir através de telas e teclados é muito mais confortável que pessoalmente. Essa facilidade vem porque é uma substituição do interlocutor por um objeto sob meu controle. Se eu não gostar de como esse objeto se comporta, eu posso agredi-lo porque é meu. Consigo ver esse comportamento se repetir praticamente em todo lugar. Sabendo disso, eu evito interagir com desconhecidos online, principalmente se já estou com aquela ideia do “filho da puta falando burrice”.