A despeito de uma autocrítica que os desenvolvedores podem se fazer a respeito do estado da indústria, todos os incentivos do mercado lutam contra a ideia de um software rápido e otimizado.
2 comentáriosBluesky, Mastodon, Telegram e RSS
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A despeito de uma autocrítica que os desenvolvedores podem se fazer a respeito do estado da indústria, todos os incentivos do mercado lutam contra a ideia de um software rápido e otimizado.
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Bacana o artigo. Esse tema é quente e eu mesmo já escrevi sobre o assunto (https://medium.com/@fulalas/how-bullshit-has-dominated-the-tech-industry-bc63257f2a91), embora com uma abordagem mais anti-sistema do que anti-usuário.
É bastante tentador acreditar no que ele fala no parágrafo onde narra o processo de um software hipotético que vai falhando iteração após iteração. Só que ele dá a entender que esse tipo de software pequeno que luta pra se pagar é a regra, quando na realidade os softwares de qualidade duvidosa que temos hoje são feitos em grande parte por corporações gigantescas que simplesmente lideram o ranking de maiores empresas do planeta (Microsoft, Google, Apple, Meta), ou mesmo empresas que faturam muitos milhões, como estúdios de jogos triplo A, entre outros exemplos.
O problema de o software hoje ser tão ruim em termos de performance e até estabilidade é exclusivamente por conta de um sistema faminto por lucro. Não é um acidente que os melhores softwares nessa categoria são quase todos de código aberto, normalmente fora dessa ganância capitalista.
É também equivocado o que ele diz sobre os softwares serem otimizados na década de 90 porque do contrário eles simplesmente não rodariam. Os softwares daquela época poderiam ser lentos proporcionalmente ao hardware da época, mas não era o caso! Eles eram rápidos mesmo rodando no hardware que havia disponível, o que prova que havia, sim, um compromisso mínimo com a qualidade do software — talvez porque o capitalismo ainda não tivesse enxergado o potencial massivo de lucro que poderia vir do software, ao menos não na escala que temos hoje.
E, como desenvolvedor, afirmo que também é frágil o argumento de que hoje desenvolvemos software em muito menos tempo do que antigamente. Quem já trabalhou com programação pra web antes de existir frameworks e compara com essa loucura que é hoje, percebe com clareza que o que ocorre é justamente o contrário: o nível de ineficiência no desenvolvimento de aplicações web é ASTRONOMÔMICO. Dias e dias, às vezes semanas, para fazer coisas extremamente triviais que se usássemos HTML/JavaScript puros seriam feitas em poucas horas. Quando algum bug surge usando esses frameworks, a depuração basicamente não faz sentido porque o flow do código contém tantas indireções e assincronias que a maioria dos programadores acaba printando ‘passou aqui’ ou coisa do tipo. É realmente muito estúpido e contra-produtivo. O popular framework React é provavelmente a pior linguagem de programação já inventada, e nada me surpreende ter sido feita pelo Facebook, que é outro lixo em termos de software.
Outro erro é quando ele diz que a linguagem de programação Rust traz a performance do C com a facilidade de desenvolvimento de linguagens modernas de alto nível. O Rust é qualquer coisa menos amigável em termos de sintaxe, e muito mais se assemelha ao C do que a linguagens modernas como Python ou C#.
Excelente artigo! As linguagens de programação hoje em dia oferecem tantos frameworks e blackbox features que prometem “facilitar” a vida do desenvolvedor. Essa tal facilidade é prometida ao custo de cada vez mais recursos de hardware. Um exemplo, é esses frameworks javascript que para funcionarem é necessário baixar toda a internet. Tudo em nome da produtividade.