Neste momento de popularização das IAs generativas que imitam bem a maneira com que seres humanos escrevem, dar sentido a essa forma de expressão é bem importante:
Não será mais suficiente publicar em blogs para apenas “colocar conteúdo pra fora”. O importante será o que sempre foi importante para um ótimo post: expressar sua impressão única e inimitável.
Ele busca um paralelo com o advento da fotografia, que da noite para o dia tornou a pintura realista obsoleta. No Mastodon, Baldur Bjarnason respondeu dizendo que, embora os pintores da época tenham encontrado uma saída no impressionismo, a fotografia dizimou uma “indústria” estável e que sustentava muitos pintores de menor expressão, ou seja, não aconteceu sem perdas significativas. Isso também aconteceu com a transição do cinema mudo para o falado, que colocou na rua muitos músicos que ganhavam a vida tocando nas sessões.
3 comentários
Lembrei do https://palavrasdemagno.wordpress.com/
agora, em outro comentário, falando especificamente sobre o tema da postagem:
uma coisa que gostava na época de ouro dos blogues era de encontrar justamente essas impressões pessoais de pessoas que eu não conhecia e nem viria a conhecer a respeito de assuntos os mais aleatórios possíveis.
a aceleração das redes sociais meio que matou essa expressão de impressões — sem falar na lógica de likes, engajamento e criação de conteúdos.
a questão é: nesse nosso mundo de smartphones, será que conseguimos voltar a este cenário? não se trata simplesmente de voltar ao blogue, mas voltar ao ritmo do blogue (mais lento, mais espaçado, etc)
desviando um pouco: é uma boa analogia sobretudo para o mercado criativo: artistas “de verdade” — artistas ligados ao mundo da arte — continuarão a existir e muitos deles vão se apropriar de ferramentas de inteligência artificial em seus processos criativos (até porque muitos já têm feito isso há décadas)
a questão (como foi o caso da fotografia) são os trabalhadores criativos (não os artistas): ilustradores, desenhistas, gente que trabalha com pintura digital, etc — esses serão fatalmente substituídos pela IA, porque seus trabalhos sempre foram algoritmizados.