Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

[en] “Mídias sociais” sempre foi uma contradição em termos traduzir robhorning.substack.com

Gosto de tudo que o Rob Horning escreve, mas às vezes ele surpreende e me leva a refletir mais a fundo. Foi o caso deste texto, em que ele argumenta que as redes sociais:

[…] cumpriram seu papel com sucesso, como um álibi para a completa digitalização da experiência, promovendo a ideia de que tudo é informação, tudo pode ser quantificado e que os seres humanos podem se divertir em um sistema que não registra nada qualitativo — do qual a própria “qualidade” foi eliminada.

8 comentários

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  1. O texto carece de uma revisão, mas tem passagens bastante interessantes.

    ‘For “friends” on social media to be profitable for tech companies, they must not be boring to each other, they must not engender a sense of reciprocal duty or obligation […], and they must not encourage each other to do anything other than consume more content on the platform.

    But friends […] are generally boring. They can’t consistently make content that outperforms with professionally made material, or compares favorably with all the content that all the world’s amateurs make available to algorithms.’

    Que bizarro isso. Essas big techs tão tornando as conexões humanas nessas plataformas algo ‘obsoleto’ porque dá mais lucro uma menor exposição ao que o usuário supostamente não quer ver (porque é inconveniente ou tedioso). Não é por acaso que as relações humanas da vida real estão cada vez mais conturbadas e cada vez tem mais gente tomando remédios, indo pra psicólogo, epidemia de solidão bombando, etc.

    ‘As a consequence, people no longer use “social media” to be social but to escape sociality and become more like a robot.
    […]
    isolated people make for more dependable consumers’

    Bem naquela levada de algumas décadas atrás de que pessoas com medo são mais vulneráveis, portanto consomem mais facilmente, né? Antes disso eram ditaduras com exército pra conter movimentos supostamente anti-capitalistas. O capitalismo só vem aprimorando suas táticas, como bem colocou o Huxley naquela reflexão aparentemente atemporal:

    “A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor a sua escravidão”

    1. Seu último parágrafo é o plot de algumas novelas distópicas como “Admirável Mundo Novo”, que representa muito bem este tipo de visão.

      (Só lembrar que o mundo de AMN tem uma admitida e fabricada divisão social – os prórpios humanos meio que se fabricam em si, e a história em si mostra que as pessoas quando saem das bolhas sociais próprias, acabam se distraíndo com o alheio humano. Pobre “Selvagem”, um dos poucos personagens sensatos da história.)

  2. Ando pensando numa coisa: é possível ter algum relacionamento pragmático com essas plataformas?
    Vejo que o Instagram tem funções de LinkedIn para pura fofoca, e considero a idéia de manter um perfil público (meu está desativado há um tempo) para ser identificado socialmente. O que pesa é o papo de que de poço envenenado nunca se tira água, mas andar como ermitão parece ainda menos prudente.

    1. Também estou buscando um relacionamento mais pragmático com o Instagram. No meu caso, tenho uma conta ativa, e estou procurando “ajustar” o meu perfil lá para isso (ou pelo menos, tentando). Embora todo o aplicativo em si vai tentar te desestimular a fazer isso, e te entregar o máximo de conteúdo possível, mesmo que você não queira.

      Por exemplo, a timeline padrão (a página inicial aonde você navega pelos posts) nunca vai ter os últimos posts, sempre vai ser posts ordenados pelo “algoritmo” baseado na “relevância”, e sempre incluindo publicidade e posts de contas que você não segue.

      Acho que a ideia é tentar seguir o mínimo de perfis possíveis, e nunca consumir o conteúdo sugerido, seja timeline, reels ou explorar. Sobre a timeline, ainda é possível selecionar a opção “Últimos posts” ou “Favoritos”, então dá pra ter algum controle.

    2. Talvez dê, mas não é algo fácil porque vai contra os interesses da plataforma.

      O Instagram tem uma funcionalidade que ilustra bem essa contradição. Nas configurações, é possível desativar os conteúdos sugeridos (de perfis que você não segue), mas a opção só é válida por 30 dias. Em outras palavras, você tem que se lembrar e voltar às configurações a cada 30 dias para reativar o bloqueio. Sem surpresa, essa opção fica enterrada em um labirinto de menus.

      É aí que uma regulação bem feita poderia virar a balança a nosso favor. Por exemplo, uma regra que obrigasse as plataformas a deixarem essa opção, de receber conteúdo sem recomendações algorítmicas, ativa permanentemente.

      1. Não sabia disso! Que surreal!

        É tudo muito escandaloso e não consigo entender por que, depois de tanto tempo, órgãos supostamente mais rigorosos, como a União Europeia, não pararam pra regulamentar um mínimo que seja. Todas as medidas que vejo vindo desses órgãos fiscalizadores é em função de fatores econômicos, no máximo alguma coisinha quando atinge crianças. É frustrante demais :(

    3. Eu aceitei que não consigo ter um relacionamento saudável com as redes sociais, por isso não tenho cadastro em nenhuma. Whatsapp já está sendo um custo controlar.

      E tenho pensando seriamente em bloquear, a nível de roteador, as redes sociais que são abertas (estou falando de você, reddit).

      (Hoje, eu entendo os viciados e me solidarizo, qualquer que seja o vício.)

    4. Realisticamente falando não é possível. Pensa bem: são bilhões de dólares injetados ao longo de mais de 15 anos, com aprimoramento literalmente diário da tecnologia, que é desenvolvida por equipes de engenheiros, psicólogos, marketeiros, neurologistas, etc. Nosso cérebro simplesmente foi hackeado. O indivíduo tem zero poder diante dessa guerra.

      Atualmente, a única forma de fugir desse caos todo é não tendo nenhuma rede social. Eu não tenho e sinto zero falta. Na realidade, vejo o alívio que é na minha vida e como me sinto mais em paz. A mudança na nossa mente ao deixar essas merdas é algo extremamente evidente quando acontece com a gente mesmo (em contraste com notícias ou relatos de terceiros). Acho que, no mínimo, vale como experimento por uns 2 ou 3 meses — ninguém vai sofrer tentando, tirando casos bem específicos de quem é autônomo e precisa se promover através dessas plataformas.