17 comentários

  1. O pessoal necessita entender que o Bluesky nasceu com uma proposta “X”, mas seus atuais usuários usam a plataforma para disseminar um lado “Y” de maneira ostensiva e boçal. Eu curto a rede, mas sem conferir os exageros da extrema-esquerda que, a rigor, se infiltrou tão massivamente a ponto de ocupar quase todos os feeds do Bluesky. Engraçado que, dias atrás, antes de Dorsey noticiar seu desligamento das operações do Bluesky, eu lancei um post por lá indagando o porquê dele não mais frequentar este projeto que ele mesmo injetou milhões de dólares para alavancá-lo e, por um sopro de coincidência, pouco tempo após eu escrever o meu post li na web sobre a decisão da saída de Dorsey.

  2. Se o Dorsey tá fora já me alivia. Ele é só um musk com menos dinheiro e menos falta de escrúpulos, talvez muito talvez.

  3. O Bluesky, hoje, é uma cópia Xwitter. O Mastodon é uma tentativa de ser um Xwitter melhorado. Acredito que cada rede social é única e com prazo de validade. O ICQ não substituiu o mIRC. O chat do Terra não substituiu o ICQ. O Messenger não substituiu o chat do Terra. O Skype não subistituiu o Messenger. O Orkut não substituiu o Messenger. O Facebook não substituiu o Orkut. Parei por aqui. Cada rede social teve o seu momento, seus 15 min de fama. As que se seguiram depois encontraram o seu público mas não a migração desse público total de uma para à outra.

  4. Sempre a tal liberdade de expressão como alvo para que esses “defensores” valide o propagação de ódio e tudo mais bizarro.

    Dorsey, como bilionário, deveria voltar para a para o ano sabático, ou melhor, anos.

    1. Acho reducionista trazer a coisa pro discurso de ódio apenas – ou pras ideias que não me agradam. O próprio Snowden é um defensor do Nostr, mencionado na matéria, por exemplo.

      Os absurdos contra Assange, Chelsea Manning e Snowden, todos ocorreram durante o governo Obama – um democrata negro.

      O que cada um considera discurso de ódio, e suas respectivas definições, não vão deixar de existir por conta de moderação. Se nem o holocausto e todo peso histórico que ele possui conseguiu impedir pessoas de aderirem ao nazismo quase um século depois, certamente não serão as redes sociais que vão mudar isso. E essas pessoas vão continuar se reunindo e discutindo online, de uma forma ou de outra.

      Por isso eu tendo a pensar que o lance é realmente deixar a coisa correr solta.

      Você só combate uma ideia com argumentos (e bons argumentos) e não simplesmente banindo essas pessoas, porque isso acaba por funcionar mais como validador do que balisador moral.

      Discutir ideias abjetas com respeito porém de forma incisiva, pra mim, é o único jeito de fazer alguém perceber o absurdo que ela acredita.

      E em última instância, é preciso aceitar que nem todos vão pensar como a gente gostaria, e pessoas vão talvez continuar acreditando em coisas absurdas mesmo existindo bons argumentos. As coisas ruins da humanidade não surgiram ontem. É infantil e utópico achar que a rede social perfeita será populada apenas de quem é alinhado com o que eu acredito. O mundo é muito maior e mais complexo que o nosso umbigo.

      1. A realidade é que quem espalha discurso de ódio não está nem aí para a verdade e muito menos para debater com bons argumentos. O resultado de deixar correr solto é o Twitter de hoje que tem usuário postando barbárie todos os dias, assediando pessoas e nada acontece

        1. Não necessariamente. Embora discorde do Jack Dorsey em muitas coisas, acho que a desilusão dele com o Bluesky é justificada: era para ser um protocolo, virou uma alternativa ao Twitter. Eles ainda trabalham no protocolo, mas ter uma aplicação flagship, que tem mais destaque aos olhos do público, diminui muito o impacto que o protocolo AT poderia ter.

          Talvez a gente morda a língua no futuro, mas parece que o destino do Bluesky é ser… mais um Twitter que calha de usar um protocolo aberto. Por que o Twitter, por exemplo, adotaria o protocolo AT nessas circunstâncias?

          O risco a que o Eduardo se refere é super válido. Moderação de conteúdo pelas plataformas deveria ser restrita a poucas situações muito bem definidas e possíveis de serem executadas. “Mentir” não cabe nisso, porque embora mentiras possam ser objetivas, elas também podem ser subjetivas, sutis, ter uma série de características que dificultam a execução de uma regra “contra mentiras”. Corre-se o risco de criarmos um Ministério da Verdade, só que pior porque gerido por uma empresa estrangeira.

          Agora, tenho comigo que um pressuposto para que esse arranjo defendido pelo Dorsey seja válido é que a plataforma ou o protocolo não tenha o monopólio do algoritmo. Ou oferece o produto sem algoritmo de recomendação, ou permita que os usuários usem seus próprios algoritmos. Porque aí a empresa tem poder editorial sobre o conteúdo — e passa a ser solidariamente responsável por ele. Mesmo caso com anúncios: se recebe dinheiro e tem poder de veto, tem que ser responsável. (Infelizmente esse trecho, que constava no finado PL das fake news, foi retirado por lobby das grandes plataformas.)

          1. Meu ponto foi sobre o “deixar correr solto”. Não tô por dentro do drama do bluesky, se era pra ser um protocolo ou não, mas isso é ortogonal ao “deve moderar ou não”, não acha?

          2. Em partes, sim. O que talvez precise de um debate maior é o “o que” moderar. Como disse, acho que devem ser pouquíssimas situações em que as plataformas sejam obrigadas a moderar, como incitação à violência (parte do discurso de ódio, no caso). E essa obrigação deve ser imposta por lei. Quanto menos subjetividade nessas definições, mais fácil implementá-las.

            Aliás, sobre o comentário do Eduardo, discordo deste trecho:

            Discutir ideias abjetas com respeito porém de forma incisiva, pra mim, é o único jeito de fazer alguém perceber o absurdo que ela acredita.

            Em muitos casos, relegar ao ostracismo é o melhor remédio contra gente má-intencionada (e ainda faz bem para a mente 😌).

          3. Sobre essa ideia de ser apenas um algoritmo, o Paul “Frazee”, que desenvolve o BlueSky, falou longamento sobre nessa thread: https://bsky.app/profile/pfrazee.com/post/3ks3ixl7l6q2u

            É interessante a visão dele, principalmente porque ele já participou de diversos projetos que tinham essa visão de protocolo. É muito bonito, mas, precisamos ser um pouco mais práticos ao olhar ao redor e ver que, na maioria das vezes, essas iniciativa livres morrem por falta de usuário e/ou pulverização de plataformas. Basta ver as iniciativas do Mastodon, Matrix ou mesmo o DAT (e os milhares de protocolos para uma web p2p).

            A frase do PF ilustra bem isso:

            You need an actual product, and actual product-thinking, to drive development.

            Eu tô nessa estrada faz 20 anos, pelo menos, e sei que sem um produto centralizados a web não anda. A gente precisa é de mais controle sobre as empresas e não de mais protocolos.

          4. @ Paulo GPD

            Dadas as circunstâncias, bem provável que focar em produto tenha sido a única forma do Bluesky sobreviver. Nem estou fazendo juízo de valor sobre as decisões tomadas; é mais uma constatação do resultado prático de todos os eventos desde o início de 2022. O fracasso do Bluesky enquanto protocolo é fruto de força maior.

          5. @ Rodrigo Ghedin

            Eu acho que fracasso do BlueSky como protocolo era “jogo jogado”. Hoje em dia vai ser muito dificil de conseguir emplacar algo assim porque as pessoas estão presas, muradas, numa bolha, ou qualquer termos que seja apropriado. Esses usuários que massificam a internet não vão sair das garras dos bilionários de modo ogânico, vai ser preciso uma ruptura muito grande (e mesmo assim, tenho minhas dúvidas) pra criar um movimento desse tipo.

            E não estou falando se ser criada outra rede social, isso pode acontecer a qualquer momento, a questão é que, mesmo que seja criada, ela vai ser atrelada à uma Big Tech e vai ser fechada, com anúncios e um aplicativo espião.

            Tempios sombrios? Com ctz.

          6. @ Paulo GPD

            Eu ainda tenho fé no ActivityPub. Deu origem a uma rede social já viável por si só (Mastodon), a vários pequenos projetos alternativos e tem a promessa da Meta colocar o Threads com seus +100 milhões de usuários no meio.

      2. Por isso eu tendo a pensar que o lance é realmente deixar a coisa correr solta.

        Quando pessoas morrem por esse tipo de “deixar correr solta” é um problema.

        Tem que existir regulamentação desses meios, assim como controle do que é postado.

      3. Você só combate uma ideia com argumentos (e bons argumentos) e não simplesmente banindo essas pessoas, porque isso acaba por funcionar mais como validador do que balisador moral.

        Eu poderia usar o argumento do “Paradoxo da Tolerância (de Popper)”, mas ele é um pouco simplista para este caso. Nos tempos atuais, dado que políticos e influenciadores descobriram o poder da palavra e de formas de entrar na consciência social, muitas vezes a melhor forma de combater uma ideia é de fato fazendo de tudo para elimina-la. Até porque combater uma idéia “só com argumentos” ignora que uma idéia pode virar algo material. Só ver como nos últimos anos foram gerados as guerras: muitas vezes com discursos pró-guerra, tentando angariar soldados para as frentes de batalha, seja com discórdia entre povos, seja por puro preconceito e colonialismo.

        Se uma “idéia” nasce de forma a “matar” a humanidade, argumentos não vão acabar com esta ideia. Neste caso “matar” (sentido figurado, deixando bem claro) a ideia antes de sua propagação é a melhor forma de combater uma ideia nociva.

        E de fato, seu último parágrafo está certo: ninguém vai concordar com todo mundo. Mas ao menos uma coisa é certa: a busca em uma democracia é de consenso para sobrevivência, mesmo com discordância. Se as pessoas convivem sem discordar tanto, já é um grande avanço. O problema é quando estamos em situações de caos social. Uma sociedade que construiu uma cultura colaborativa sempre vai se ajudar e evitar grandes conflitos (a própria situação recente das cheias no RS mostra como é).

        1. Complementando: o que muitas vezes algumas correntes políticas fazem (a extrema-direita inclusa) é justamente tentar “matar a ideia do socialismo”.