Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

[en] Dois anos sem emprego traduzir shilin.ca

Relato interessante de uma pessoa vivendo em um país considerado desenvolvido.

Engraçado que quando a gente não tem uma renda fixa (emprego tradicional), busca outras coisas para ocupar a mente. Está acontecendo comigo algo parecido nesses três meses sem emprego. Até já pensei em empreender, mas já desisti. rs

12 comentários

12 comentários

  1. De alguém sem CLT há alguns anos (e só passa perrengue): só consegue vive “sem CLT” hoje quem tem algum talento bom o suficiente para ter um ganho que garanta o mínimo de conforto para si – o que no final é literalmente o texto do cara falando sobre isso, pois o “emprego” dele no caso é seu trabalho na criação de produtos digitais.

    E isso significa também equalizar fatores como: se a pessoa tem casa própria (o do relato tem uma alugada em “co-living”), se a pessoa tem gastos diversos com hobbies, custos secundários (gastos familiares, auxlio a terceiros, etc..), se ela tem gastos de saúde (o que em outros países significa literalmente acabar com parte do orçamento só com isso), custos de mobilidade (se usa carro, transporte público, bicicleta, etc…) dentre outros.

    Acho que no final as pessoas julgam – tal como a Keli põe no comentário – pois nem todo mundo tem estes talentos ou consegue transformar o talento em renda. Pode soar como inveja, mas na verdade ao menos no Brasil, o ponto é que as pessoas sentem-se injustiçadas pois só quem “tem cabeça” e trabalha com ar codicionado ganha mais, enquanto quem se expõe ao sol e a outras dificuldades ganha bem menos. As vezes penso se no final há uma segregação que poucos falam sobre por tabu – no caso a questão do “saber”.

    Mas voltando aos trilhos, a realidade do texto é no Canadá. Não sei exatamente de como é o mercado de trabalho por lá. Se por em um contexto brasileiro, a pessoa do texto seria visto como “morador de bairro de classe média alta”, e para muitos é visto como “rico”, mesmo que ele não ganhe tanto. Há também este contexto de as pessoas imaginarem um estereótipo e “carimbar” uma visão equivocada da mesma.

    O custo de vida no Brasil em metrópoles é alto de certa forma, o que obriga uma pessoa muitas vezes a procurar casas em cidades periféricas. Eu mesmo se um dia eu sair da condição atual que estou, provavelmente teria que ir mais ao fundo na periferia onde resido.

    Uma coisa sobre “empreender”: este termo hoje meio que se banalizou. Se você tem conhecimento e consegue trabalhar por conta, basicamente isso já é o tal “empreendedorismo”. O resto é consequencia de seu talento e relação com o trabalho. O ponto – e esse é um problema que EU tenho – é mais lidar com a parte de relações sociais, pois isso é criar e cuidar de uma carteira de clientes, pois eles que vão ser seu ganha pão daqui em diante. Nessa parte sou péssimo pois brigo fácil com clientes. Perdi um monte nos últimos anos inclusive por questões políticas até.

  2. Oi Tiago! Obrigada por compartilhar esse tema aqui e o post. Acho que a autoavaliação é o primeiro passo para todo mundo, já o segundo é, além de fazer uma reserva financeira, também é fazer uma reserva emocional. Digo isso porque, como foi relatado aqui, temos um certo sentimento de culpa por não estar no modelo de empregabilidade tradicional, seja CLT, seja empreendendo. Se você simplesmente não “faz nada” ou mesmo faz algo que sai dos padrões, você é julgado. Isso ocorre inclusive quando conseguimos nos aposentar: ou você prossegue trabalhando para aumentar seu sustento (ou é arrimo da família) ou se enche de tantas atividades que o termo descansar é quase proibitivo. A sociedade não está preparada para o desemprego, para o empreendedorismo e até mesmo para o sossego. E cada um sabe a sua realidade e como lidar com ela. Essa que é a grande verdade. Te desejo boa sorte em sua jornada, já deu certo!

  3. Acho que é um tema pesado e o autor levou numa boa (aparentemente). Acho que é como o autor mostrou, tem um lado intangível que é difícil quantificar no desemprego, como a saúde mental, relações interpessoais e nosso bem estar.

    Só o que posso dizer é: façam reserva de emergência (6-12 meses) e se der quitem uma casa básica ou, ainda, não tenham vergonha de voltar para a casa dos pais se necessário (e possível) nesse tipo de situação.

    1. essas dicas são essenciais, pois dá estabilidade até encontrar uma nova fonte de renda.

      eu estou pecando na parte de fazer uma reserva, o que pretendo fazer é 12 meses sem mexer na minha qualidade de vida, mas a parte da casa está quase resolvida, pois já está financiada, só falta pagar tudo, rs

  4. Estou numa situação bem parecida kk, trabalhava no que hoje os jovens chamam de “CLT Premium”, trabalho relativamente fácil ganhando acima da média nacional, mas a chama do empreendedorismo surgiu em mim em 2021, infelizmente não me mexi pra aprender nada nem ter hobbies e fui demitido em janeiro de 2023. Como a chama estava ardente logo no primeiro dia desempregado fiz anúncios no Facebook e OLX pra fazer frete com minha caminhonete, no mesmo dia já consegui levantar uma grana. Fiquei somente um mês fazendo isso, chegava exausto em casa sem disposição pra estudar (descer móveis de apartamentos todos os dias é exaustivo kk), mas ao menos eu fazia meu horário e podia escolher quais trabalhos pegar.
    Eu tinha uma boa reserva de dinheiro e fiz um trato comigo mesmo: estudar freneticamente pra começar a ter alguma renda online o quanto antes, mas sem um norte acabei me perdendo. Eu não conhecia nenhum desses termos tão falados hoje: PLR, marketing digital, trafego pago, funil de vendas, etc. Fiz diversos cursos com “Mentorias” e “Milionario” no nome, e conclui que tinha que deixar minha moral de lado pois a maioria só te ensina a aplicar golpe nas pessoas fazendo landpages com assuntos que você não entende, então decidi ir para o caminho mais difícil: me tornar bom em alguma coisa e a partir disso começar a oferecer serviços online.
    Mas tive que me descobrir primeiro, nunca tinha passado meses somente comigo e foram excelentes pra ver como eu agia e como faltava a disciplina em mim. Apesar de ter levantado uma grana fazendo fretes, algumas vezes a memória de trabalhar em baixo do ar condicionado com salário garantido me atormentava, provavelmente tive uma pré disposição pra depressão por um momento pois em muitos dias só ficava no YouTube passando varios canais e deixando o tempo escorrer.
    Esse ano de 2024 eu nem vi passar, fiz diversos cursos mas acabei pecando na parte mais importante: a ação. Não agi pra procurar clientes e nem fiquei tão bom a ponto de poder oferecer serviços com qualidade e isso me frustra (pode ser apenas perfeccionismo, mas saber que não vou entregar o trabalho com a qualidade que considero ideal não faz eu conseguir me mexer). Fazer frete comparado com isso é muito mais fácil, praticamente não pensa e só faz as coisas no automático, sendo um dinheiro mais tranquilo na minha concepção, mas aí entra o pensamento que já foram dois anos disso e que se eu tivesse só feito frete desde janeiro/2023 hoje ja teria um nome conhecido nesse meio, clientes estabelecidos e teria uma renda já garantida por conta disso.
    Enfim o dinheiro está acabando, o objetivo agora é ter essa disciplina que me faltou nesse ano e começar a prestar bons serviços. No “pior” dos casos volto a fazer frete, mas não penso atualmente a voltar mais pra CLT, empregos como o que eu tinha são poucos e ter 2 anos de lacuna no currículo não agrada nenhum RH, então eu sei que fazendo fretes eu consigo chegar a ganhar mais do que no emprego que eu tinha.
    Minha dica pro pessoal é: tenham hobbies se possivel que consiga de alguma forma monetizar no futuro, crie disciplina e se conheça o máximo possível para que possa tomar as melhores decisões caso passem por um momento como este.

    1. Eu tenho amigos que partiram pro Uber… É pouco, mas ao menos é uma renda…como você falou: não precisa pensar muito.

      Aliás, se você quiser investir em fretes busca uma maneira de virar uma pequena transportadora, conseguir algum cliente fixo que demande entregas diarias ou semanais.

      1. Boa, até por questões tributárias é melhor atuar como PJ.

    2. @Aquiles,
      O seu comentário foi muito pertinente para mim, também me vejo (de uma maneira ou outra) atrelado a essa realidade descrita em seu relato acima, são pontos reais advindos por quem empiricamente passa por isso na pele.

    3. gostei do seu relato, só não concordo com a parte do final, que fala pra usar hobbies como fonte de renda, pra mim um hobby não precisa virar renda, msm que vc seja bom naquilo.

      e estou na msm de ter um negócio, sempre falo que vou abrir meu escritório de contabilidade, mas nunca vou além de falar isso, pois tenho medo de não conseguir cliente (mesmo sendo a princípio um trabalho paralelo) e acabo não indo pra frente, então acabo só fazendo declaração de IR e ajudando um MEI ou outro.

      1. Não sei se entendi certo, mas “hobbies que monetizam” pode ser por exemplo alguma atividade que possa envolver compra e venda de colecionáveis, ou entender de fotografia ou artes o suficiente para eventualmente poder fazer bicos ou vender produtos relacionados (uma pintura, uma fotografia, etc…) .

        Não creio que ele esteja falando “transforme seu momento de lazer em lucro” (apesar de concordar também que a forma escrita dá esta deixa), mas sim “aproveite seu talento e itens em algum ganho”.

  5. Acho que na verdade tudo o que a gente quer (pelo menos eu quero) é ocupar a mente com coisas que não são chamadas de “trabalho” rs

    1. mas isso é com qualquer pessoa

      tem dezenas de coisas que eu gostaria de fazer, mas não faço 1% delas por fala de tempo por causa do trabalho ou por coisas relacionadas ao trabalho (deslocamento, estudos, noites mal dormidas)…

      aí quando chega o sábado dá pra fazer uma coisa ou outra, pq se vc se ocupar nos dois dias, quando chega na segunda vc está mais cansado.