Entrevista legal com uma artista que trabalhava com tecnologia e fez uma transição de carreira para a jardinagem.
5 comentáriosBluesky, Mastodon, Telegram e RSS
Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS
Entrevista legal com uma artista que trabalhava com tecnologia e fez uma transição de carreira para a jardinagem.
5 comentários
Então, eu passei por algo parecido.
Me formei em Análise de Sistemas e passei num concurso público para área de TI, contrato CLT. Lá fiquei 4,5 anos até que enchi o saco e saí. Não estava contente com a minha vida, me sentia triste e não via sentido no que fazia. Na época, estava numa fase de transição em tudo. Comecei a me alimentar direito, a praticar exercícios físicos (ciclismo, natação e academia) e queria mudar de vida, ter um trabalho de verdade. Viver, ter experiências novas, sair da frente de um computador.
Ao sair, a primeira coisa que eu fiz foi viajar para Paraty, umas férias de 10 dias. Tinha um sonho de trabalhar com o Amyr Klink, era simplesmente fascinado pelo cara. Tentei conversar com ele, entrei em contato com a secretária dele (muito atenciosa ela, sério), mas infelizmente ele não estaria em Paraty na época na qual eu estaria. Deixei meu currículo, mas nada…
Voltei para minha cidade e tirei 4 meses sabáticos. Em maio, consegui um emprego numa cooperativa de agricultores orgânicos. Continuei meio que na área de TI, e por ser uma cooperativa pequena, qualquer coisa relacionada ao assunto era comigo, desde o suporte até a instalação do sistema novo. Mas minha principal razão de estar lá era por a contabilidade fiscal em dia. Eram anos de atraso, tive que aprender muita coisa nova. Foi bem legal. Além disso, ainda tive contato com muita gente que nunca pensei que teria, como agricultores ex-integrantes do MST. Foi uma lição de vida, incrível ter trabalhado lá.
1 ano e meio depois resolvi mudar tudo novamente. Com meu irmão, resolvemos abrir uma marcenaria. Queria uma vida mais livre, com menos gente me cobrando horário para entrar e sair do trabalho, queria passar mais tempo com meu cachorro, queria por meu corpo para funcionar. Repetindo o que eu sempre digo: nós, antes de humanos, somos bichos, temos que nos movimentar, e muito. Foi uma fase muito boa na minha vida, fui muito, muito feliz naquele lugar. Fizemos trabalhos belíssimos, coisas que até hoje eu me orgulho MUITO de ter feito. Tocamos o negócio por 6 anos, mas a pandemia nos pegou de jeito. Meu irmão teve que buscar outro emprego e eu fiquei fazendo o pouco de trabalho que aparecia. Nisso, algumas coisas começaram a me incomodar, e comecei a pensar em voltar para minha área de formação.
Aí vocês perguntam, o que me incomodava tanto? Na verdade é que eu não conseguia ver um crescimento para mim. Eu gostava de fazer as coisas em madeira, construir os móveis, porém não conseguia me ver passando a vida inteira tendo que correr atrás de clientes, não conseguia me ver tendo 50 anos e fazendo isso de forma “forçada”, para sobreviver. E outra, eu sempre amei software livre, queria fazer algo nisso.
Em 2022, resolvi fazer outro concurso e passei. Dessa vez era regime estatuário, mas o local era o mesmo, a universidade federal da minha cidade. Caí exatamente onde eu queria ter caído, no setor de redes. Lá faço de tudo, desde a gerência total da rede da universidade e de outras instituições que usam nossa infra até mesmo passando cabo de rede para instalação de APs. E é isso que eu gosto! Não quero passar a vida sentado numa cadeira, quero poder um dia fazer isso e no outro ter que tomar um banho de chuva fazendo trabalho em campo. Quero conhecer pessoas novas, ajudar estudantes e professores a fazerem o que devem fazer. Atualmente temos jornada de trabalho híbrida, 50% presencial e 50% de casa, e isso é a perfeição para mim.
Confesso que a marcenaria ainda meche mexe muito comigo, tem vezes que eu ainda me pego pensando nos tempos que eu ficava lá, trabalhando no meio do pó, com meu cachorro o dia todo na minha volta. Sinto muita saudade, mas por sorte isso ainda não acabou. Meu irmão vou e assumiu o trabalho, e eu sei que sempre que eu quiser, e puder, eu posso voltar a fazer isso que eu amo.
É bizarro esse sentimento, eu consigo amar as duas coisas. Na verdade as 3 coisas, meu emprego atual, a marcenaria e o ciclismo, coisas que não me deixam ficar parado, sentado na frente de um PC vendo a vida passar lá fora.
Muito boa a história da Cortney de romper essa barreira e, literalmente, “crescer por dentro”, como ela mesma disse. Isso mostra que é possível se sustentar sem estar totalmente online, porém infelizmente não é para tod mundo. Digo isso porque transição de carreira requer planejamento, decisões, escolhas, enfim, uma série de fatores que, num mundo capitalista e desigual nos impõe. A rotina de uma pessoa da periferia não é igual a de uma que vive num bairro nobre. As oportunidades não são as mesmas. Pergunte a um empreendedor da periferia, que só tem um fim de semana por ano pra ir pra praia e um executivo que decidiu “fazer um sabático”. A vida é linda, dependendo do ponto de vista. Excelente post!
Uma descrição que eu gosto muito: “Pessoa que adora computadores/internet, mas que acredita que a humanidade estaria melhor sem eles”
Que experiência legal de ler.
Uma pessoa que cansou de ficar horas em frente a um computador e fazendo um trabalho que não é tão significativo abre os olhos para um estilo de vida mais simples e com muito mais significado que o anterior. Senti vontade de fazer o mesmo kkkk
(Lembrei do engenheiro da microsoft que foi demitido e virou criador de gansos)
seria legal abrirmos aqui uma discussão de quem fez algo parecido, gostaria de ler o relato do pessoal, inclusive tem um cara que comentou aqui no órbita que era engenheiro agrônomo (acho) e vendeu o que tinha, comprou um terreno num interior e virou cafeicultor,eu particularmente tenho muito interesse em ler as motivações dele e como foi a mudança
eu tenho um salário que dá viver de forma ok, nada de luxos e ótimos benefícios na empresa, mas isso me custa muito, ainda mais tempo, minha semana é muito corrida, praticamente sem tempo pra respirar e relaxar :(