Esse é um texto fatalista – e traz uma hipótese simplória – mas traz, por boa parte da narrativa, toda a nostalgia daquela web que minha geração viveu em seus primórdios.
Houve um momento em que a Web mantinha “homepages”, exigindo algum conhecimento em HTML e FTP. Em algum instante, ao final dos anos 1990, surgiram os primeiros sistemas de publicação, dando autonomia técnica a qualquer sujeito interessado em escrever.
Incluindo o bom e velho MovableType (eu usei).
Em perspectiva, o que esse tipo de ferramenta trouxe?
Na visão da Amy Hoy, houve uma quebra na conversa aberta, sem data, perene. A ordem cronológica, impregnada pela pressão econômica, deu força ao efêmero.
É aí que o texto dela “quebra” um pouco: há um salto entre a facilidade de postagem, a visão cronológica e a plataformização do conteúdo. Mas a conclusão é boa pro debate.
8 comentáriosThere are no more quirky homepages.
There are no more amateur research librarians.
All thanks to a quirky bit of software produced to alleviate the pain of a tiny subset of a very small audience.
That’s not cool at all.
Lendo aqui eu lembrei do hpg, não sei se teve um similar gringo pra ela mencionar. Pq era automatizado tbm, mas criava webpages em vez de blogs. Lá pra 2003 mais ou menos, se fosse procurar por assuntos específicos em vez de blogs, a probabilidade de cair numa pagina com o layout padrão do hpg era grande.
Até achei uma materia sobre ele procurando agora rs
https://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u5574.shtml
Mas eu achava feio, dava mto mais valor com aqueles feitos a mão.
Eu usei o movable type (quase todos os motores de blogue que vieram depois e que usei tinha um importador para o formato do movable) me senti até velho :-)
Em 2020 eu li sobre #indieweb e comecei um movimento em direção ao conteúdo estático (não necessariamente começando tudo do zero).
Há espaço para uma slow web pessoal, editando html e uma web profissional mais pragmática usando geradores de conteúdo estático.
O ponto principal, abordado no texto, é que pode ser legal voltarmos ao estado nascente da web quando nós estávamos no controle da forma e do (nosso) conteúdo!
Este texto foi uma viagem nostálgica. Me fez lembrar do Geocities, foi nele que tive o primeiro contato com HTML. Realmente fazíamos as páginas assim, tudo não mão.
Eu acho que os blogs a as plataformas trazem uma coisa boa que é a democratização, qualquer um pode facilmente criar um blog. Tem gente até pedindo para que estas coisas sejam facilitadas ainda mais.
Eu acho que hoje temos espaço para as duas coisas. Pode criar tudo na mão, não organizar cronologicamente, mas também pode apenas colocar suas idéias para fora. Mas faça tudo isso num local que você controla, não em uma “rede social” cujo principal interesse é monetizar o conteúdo que você cria.
Talvez eu esteja em minoria, mas acho mais fácil configurar um blog WordPress do zero (criar banco de dados e fazer upload dos arquivos) do que criar um site estático usando Hugo, etc.
Eu concordo com você. Eu uso os dois e acho mais fácil o Wordpress também.
O artigo fala em fazer tudo na mão, criar o html e fazer a navegação entre páginas você mesmo e depois fazer o upload. Isso comparado com fazer o login, clicar criar, digitar o text e depois clicar publicar, é para muitos mais complicado.
não lembro se é exatamente este texto, mas lembro de um punhado de textos similares de circulado alguns anos atrás com essa mesma temática — o que variava era o denunciado pela quebra da web, se antes os blogs ou depois as redes sociais
não acho que os argumentos estejam errados e o fato é que a plataformização realmente quebrou a web aberta
mas
a gente sempre fala disso e não parece haver alternativa viável e sistemática no futuro próximo
o que é curioso é que os jardins digitais são uma espécie de retomada dos sites pessoais amadores e as newsletters tipo substack são uma retomada dos blogues
Existir, ainda existe (o Neocities, por exemplo, é uma abordagem moderna, independente e autossustentável do velho Geocities). O problema é que esse tipo de coisa é soterrada pelas grandes plataformas e, na real, quase ninguém mais se interessa.
É uma ótima reflexão. Certamente não “quebrou” a web, mas realmente, a gente tem a tendência a ir pelo caminho mais fácil e se acostumar com as coisas. Assim que as “redes sociais” chegaram, o blog foi pro buraco também.
Eu tenho pensado em criar um site, no estilo dos antigos, e direto eu fico incomodado em quão difícil é fugir desse modelo cronológico. Mesmo querendo fugir!
Outro exemplo disso é quando a gente fica puto com o Twitter e larga. Aí sai correndo pra procurar algo que seja idêntico ao Twitter, só que sem um merda no comando. Mesmo coisas que são parecidas, mas não idênticas como o Mastodon, acabam incomodando.