A web, uma tecnologia tão fascinante e acessível, poderia ser tão mais agradável de usar e acessível não fosse os excessos do JavaScript, frameworks complexos e outras tecnologias cujo ganho é marginal, quando não, negativo.
Uns anos atrás começaram uma ~corrente de exibir o site do Manual nos piores dispositivos possíveis — Eee PC, navegador do Kindle, smart TVs… Na época, fiquei desproporcionalmente feliz com aquelas fotos. Sei que este não é um site para todo mundo, mas é um site capaz de (ou que se esforça para) receber todo mundo que queira visitá-lo.
15 comentários
Um texto muito interessante. Às vezes as pessoas se esquecem que nem todos tem um bom PC ou celular à sua disposição, e ter um site (principalmente essenciais) que pode ser acessado em qualquer dispositivo e em qualquer conexão é algo que os devs deveriam pensar.
Tantas coisas podem ser simplificadas, mas tem pessoas que adoram complicar o máximo possível.
É aquilo que eu sempre digo, “menos é mais”.
A propósito, Ghedin, olhs como fica o site do Manual do Usuário, através do frogfind, uma engine de busca para micros clássicos:
http://frogfind.com/read.php?a=https://manualdousuario.net/
Se abrir o MdU via frogfind num Mac clássico ou num Apple IIgs é assim que aparecerá. Legal, não?
Anos atrás uma equipe me deu passe livre para desenvolver uma aplicação de registro de atendimentos que fosse bem ágil. No frontend não pensei 2x, implementei de uma maneira bem bonita usando mais HTML e CSS rodando bem nos navegadores, telas bem objetivas, com Jquery mas sem outras firulas até porque eu é que ia dar manutenção e o prazo era curto.
Resultado: Na empresa teve premiação de pessoas que se destacaram naquele ano e a equipe da aplicação que desenvolvi votou em mim. O prêmio foi um voucher de restaurante que pude levar minha família, fiquei muito feliz pela indicação e pelo prêmio.
Nesse início de 2025 desligaram o servidor dessa aplicação, o ciclo de vida foi encerrado, cumpriu seu dever no tempo que estava ativo.
Massa cara! =D
Pena não ter tido a versão 2.0.
Sei que não é exatamente a mesma coisa, mas me fez pensar no uso das tecnologias leves em saúde mental.
Às vezes o excesso de intervenções, protocolos, triagens… oculta a possibilidade de uma boa escuta e de um bom acolhimento. E essas são intervenções mais sustentáveis e menos iatrogênicas pra boa parte dos casos. (Várias histórias me vêm à mente, pelo menos).
Cara, nada me tira da cabeça que se a sociedade fosse mais unida e as pessoas conseguissem se abrir e acolher melhor umas as outras, 50% dos problemas que temos hoje não existiriam e não precisaríamos dessa montanha de remédios que temos hoje (e que na minha opinião não são tratamento para doença alguma, mas sim apenas uma maneira de tentar encaixar o indivíduo nessa sociedade disfuncional).
Isso que você diz faz sentido. Inclusive isso é, de certa forma, o que apontam as pesquisas em saúde mental.
Ainda que socialmente tenha se tornado uma ideia comum e que seja tomada como certeza pelas pessoas, a concepção de que o desequilíbrio químico é causa das doenças mentais é só uma hipótese – e uma que não tem envelhecido muito bem. Há alguma correlação entre questões químicas e doenças mentais, é verdade, mas não parece haver nada que aponte nitidamente para uma relação de causalidade na maior parte dos casos. Alguns problemas mentais têm base química, neurológica e/ou genética muito bem conhecidas, mas são síndromes de reconhecimento mais fácil, e tenho quase certeza que você não está pensando nelas.
Digo, os medicamentos funcionam, estranhamente. É o que apontam os ensaios clínicos. Mas muitos regulam esses níveis químicos já na primeira semana, enquanto a melhoria dos sintomas só vêm meses depois. Ou seja, muitas vezes se sabe pouco sobre seus reais mecanismos de ação.
Agora, mais do que a ideia de trauma, se tem visto um protagonismo muito grande do estresse crônico nos quadros de depressão e síndrome do pânico. Quer dizer, um desgaste que vai acabando com a saúde aos poucos, em vez de um único ou principal evento marcante. Daí tua afirmação faz muito sentido. Será que não estamos intervindo errado? Será que não estamos cultivando um contexto tóxico e medicando as pessoas para suportá-lo, em vez tentar propô-las uma vida melhor? Daí já viu: o contexto continua produzindo o adoecimento e as pílulas que o amenizam pioram ainda mais a saúde física, porque estão repletas de efeitos colaterais.
A gente acaba vendo isso aparecer nos serviços de saúde o tempo todo. É como se um discurso tivesse enraizado fundo no imaginário coletivo, e mesmo com a psicoterapia as pessoas esperam que algo mágico, um “conselho-pílula” que seja generalizável vá resolver sua tristeza ou frustração. Mas, na maior parte do tempo, é preciso alguma mudança no contexto para promover alguma forma de saúde, e isso é muito mais singular, muito mais trabalhoso…
A empresa em que trabalho tem uma política de desenvolver os sites internos apenas em um framework ultra escroto da PTC, e é impossível eu solicitar para fazer um site simples em HTML básico. Resultado: projetos de sites de infraestrutura interna duram anos em vez de semanas e meses.
mas …
atualmente, para sites de prestação de serviços, provavelmente é mais importante ter um bom aplicativo de celular
Discordo.
E se eu estiver sem o celular? Uma boa página na web que lide bem que diversos tipos de telas é o melhor. Abrange todo mundo.
O que é estranho, não? Uma aplicação web é mais fácil e rápido de fazer, mais fácil de dar manutenção e muito mais acessível. A desvantagem (e acho que é isso que motiva todo mundo a lançar apps) é a dificuldade em gerar recorrência/fidelização. O app está sempre ali, na tua cara; um site, não, e mesmo com PWAs e coisas do tipo, tem o atrito de “instalá-lo”, um processo diferente do de apps nativos (via lojas) e que deve ser uma barreira intransponível para muita gente (ou mesmo um conceito alienígena).
é fácil levar um celular por aí do que um notebook 😁
mesmo o texto no link não faz muito sentido
hoje praticamente todo mundo tem um celular
não acredito que a garota em questão não tivesse um celular
como os celulares de hoje são grandes, é até possível usar o browser, especialmente se for feito em HTML puro
além disso, como eu disse, praticamente todos os sites de serviço possuem um aplicativo para celular … por exemplo, os serviços do governo brasileiro para a população estão todos (ou quase todos) disponíveis no celular
É como você disse: um bom site é mais ágil e disponível que um app. O duro é fazer um bom site, a começar por torná-lo responsivo.
Falando do ganho negativo, eu lembro de quando o pessoal metia o pau em usar os FrontPage da vida, pq sujava o código. Hoje em dia, usam frameworks de MB de tamanho, para usar uma função mínima…kkk