O site 12ft.io, popular ferramenta que permitia burlar paywalls de sites de notícias simulando ser um rastreador de buscas, foi retirado do ar após uma ação da News/Media Alliance, organização que representa cerca de 2.000 veículos de imprensa como The New York Times e The Guardian. A associação classificou o serviço como ilegal e afirmou que continuará combatendo plataformas similares. Segundo o Tecnoblog, esse movimento integra a luta de empresas de mídia para garantir a sustentabilidade do jornalismo diante de tecnologias que minam suas receitas, além de refletir tensões mais amplas envolvendo copyright e uso não autorizado de conteúdo jornalístico por empresas de inteligência artificial.
9 comentáriosBluesky, Mastodon, Telegram e RSS
O modelo de paywall, embora tenha sido a alternativa de financiamento encontrada por diversos veículos de mídia, é fundamentalmente contrário à dinâmica social em que a pessoa lê algo, acha relevante e compartilha com as pessoas que acha que se interessariam por aquilo. A conversa sobre a notícia entre amigos, familiares, conhecidos, colegas de trabalho, etc., algo natural e que existia no mundo analógico, antes da digitalização, deixa de existir no mundo dos paywalls. Em vez disso, o que prospera na conversa e nos compartilhamentos são as fake news, que são de fácil acesso.
O modelo de paywall tende a reduzir a parcela da população que tem acesso a informações verificadas e confiáveis a um número ínfimo e irrelevante. Enquanto que a desinformação prospera e se propaga cada vez mais.
Eu mesmo, quando vejo que algum link tem paywall, nem abro, nem compartilho. Simplesmente ignoro.
Eu acho bem irônico isso, porque as empresas colocam essa parede de pagamento porosa sabendo que é fácil de burlar. Se quisessem acabar mesmo com isso, era só fazer uma parede dura e “mandar” pro Google somente o título e a linha fina.
Pra mim, isso é uma medida pra a aliança mostrar que está fazendo alguma coisa, até porque, acredito eu, as empresas devem colocar as visualizações das páginas realizadas por meio desses burladores em seus relatórios para os anunciantes.
Parece que temos um novo jogo de “gato e rato” surgindo em breve. Tiram um site do ar, vai surgir outros.
Eu usei por um tempo, funcionava bem, até que um dia parou de funcionar em vários sites.
Pesquisando encontrei este https://archive.ph/ que também burla paywall. Pode demorar um pouco em alguns sites mas funciona.
Eu uso este tipo de serviço, mas não consigo ser contra as empresas de mídia, a conta de luz chega para todo mundo!
O problema não é a conta de luz, é o salário do patrão.
O ideal mesmo seria que o jornalismo tivesse um valor pago de formas “neutras” (ou seja, paga para que a informação não venha com um viés de pagamento). Mas não tem como, a gente aprende que notícia vem com algum viés, querendo ou não. E o ideal é que a população ajude o jornalismo a se manter para a população também tenha a informação certa para SE manter – só que a população não tem tanta condição (eu incluso). Dilemas em cima de dilemas.
Temos que é agradecer aos mantenedores – sejam doadores, assinantes ou até mesmo a galera que paga publicidade ao Manual / Órbita, senão nem estaríamos aqui.
Quanto a “grande mídia”, complicado. Sem ela, não teríamos parte dos bons jornalistas hoje; ao mesmo tempo que parte destes bons jornalistas estão hoje tentando por si só fazer matérias sem depender das mídias grandes. Complicado.
(E isso já foi discutido tempos atrás por aqui).
A Internet instituiu uma cultura de gratuidade, especialmente nos primeiros anos da sua popularização, quando quase nada era cobrado, que até hoje ecoa. Certas pessoas acham que acesso à informação profissional é um direito natural delas.
Só que tipo, pegue por exemplo a “tv aberta”. Ela é gratuita no Brasil e em alguns países. Em outros se paga um “imposto” que é revertido a TV estatal. Rádios também são gratuitos – mesma regra do imposto em alguns outros países.
Creio que o modelo da “gratuidade” se deu também porque se esperava muito que a publicidade cobrisse os custos, tal como a TV aberta e o rádio. Acho que não se esperou a monstruosidade que a comunicação digital virou.