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É uma moda entre a comunidade Dev falar mal da universidade?

Não sou desenvolvedor, nunca busquei aprender programação. Recentemente, o YouTube tem me mostrado mais e mais conteúdos sobre e para desenvolvedores. Tudo iniciou com consumo sobre desenvolvimento de jogos, e logo a plataforma passou a me mostrar entrevistas com trabalhadores dk ramos e desafios. Uma coisa me chamou muita atenção, a questão da fala recorrente de que o conhecimento oferecido pelas universidades é em grande parte datado e além do que os trabalhos exigem. Vídeos de aulas de calculo com desdém do narrador e o pior de tudo: desafios dados a profissionais que vão buscar no Google o que é uma equação de segundo grau e até uma raiz quadrada.
Não sou nenhum grande matemático, mas cálculo para mim é algo que todos aqueles que concluíram o ensino médio devem ser capazes de ao menos vislumbrar. Assim como os conteúdos correlatos das outras disciplinas do currículo.
Ao que se deve tal movimento (se é que pode assim ser chamado) contra a formação acadêmica para desenvolvedores de software?

11 comentários

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  1. Estou na área desde 2012 (quando entrei na faculdade, Ciência da Computação) e atuo profissionalmente desde 2015 (ainda durante o curso). Desde aquela época já havia um desdém com a formação superior para programadores. Os motivos são vários, desde uma visão errada do que é um curso superior e o objetivo dele, até uma visão torta, idealizada de “heróis da programação” que ficaram bilionários sem ter concluído uma faculdade (Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg…).

    Como mencionado em outro comentário, para as tarefas básicas do dia a dia, que atendam clientes pequenos, o conhecimento fornecido num bootcamp ou curso online são mais do que suficiente. Esses cursos são mais atualizados, sempre acompanham as últimas tendências da tecnologia.

    Muita gente não entende que um curso universitário, especialmente Ciência da Computação, não é para ensinar uma linguagem de programação ou framework específico, mas para ensinar a base e os fundamentos da computação (algoritmos, arquitetura de computadores, matemática discreta, algebra linear etc). Esses fundamentos são muitas vezes vistos como algo “antigo” e “defasado”. Entretanto, é essa base diferencia um “programador de CRUD” (sistemas básicos, praticamente uma planilha de excel glorificada), de um programador que faz um buscador revolucionário (como foi o Google no inicio), ou uma rede social utilizada por bilhões de pessoas mensalmente, um serviço de stream que transmite terabytes de dados todos os dias.

    1. Eu entrei na Ciência da Computação em 2008 numa faculdade beem teórica e larguei em 2011. Hoje trabalho com marketing em empresas de tecnologia.

      A reclamação de que o curso era teórico demais, que não focava em linguagens de programação atuais, e que não focava no mercado era constante na época e imagino que fosse já há muito tempo.
      Um dos motivos das reclamações é que normalmente os estagiários das faculdades particulares, que focavam no mercado e em linguagens do momento, estavam mais prontos.

      Mas nenhum colega meu da época hoje segue pensando que o que aprendeu de teórico foi desperdício, muito menos que os alunos dessas faculdades mais práticas tenham vantagem competitiva hoje (ou mesmo um ou dois anos depois de formados, no mercado). A verdade é que uma formação teórica sólida de prepara muito melhor pro mercado no longo prazo do que uma formação prática, mas leva um tempinho pra gente pegar, e esse “atraso” do início frustra.

      Sobre os “heróis da programação”, eu acho que as pessoas (dos dois lados: tanto as que sobrevalorizam quanto os que criticam esses heróis do vale do silício) confundem formação universitária com diploma.
      De novo me usando como exemplo, eu não me formei, mas cursei mais de 70% de um curso superior e mais de 99% de outro. Não acho que se eu tivesse o diploma de qualquer um desses cursos eu teria muito mais sucesso profissional do que tive, mas é evidente que eu só tive algum sucesso porque tive uns 10 anos de formação superior. O diploma seria uma boa indicação dessa formação que eu tive, mas acredito que com 10 anos de mercado, hoje não preciso mais de um pedaço de papel que prove isso.

  2. Faz uns muitos anos que existe um desdém pela formação acadêmica em geral… ou vocês se esqueceram dos discípulos do “professor” olavo?

    Como o comentário abaixo apontou, essa lenda de “self made man” é só mais uma asneira importada dos USA… Essa galera ignora que famosas ‘empresas de garagem’ eram negócios caseiros, mas ainda dispunham de muito recurso financeiro.

    E quem acha que um mero curso técnico não vale a pena não entende que pode fazer toda a diferença entre ser auxiliar de indústria ou limpar banheiro.

  3. Para fazer CRUD, escrever código legível e atender a demanda atual. Um curso universitário de fato não é necessário.
    Obviamente que entre o conhecimento livre nessa área existem bons materiais (The Odin Project, Freecodecamp…) e escolas excelentes (42…) assim como péssimos materiais e escolas.
    No dia dia, se precisar de aprofundar em algum conhecimento matemático, a abundância de material também é grande. Não há necessidade de entrar em álgebra linear, teoria dos jogos, cálculo diferencial e integral e afins…
    O desdém, é só babaquice mesmo.

  4. Eu acho que é moda o pessoal que vende curso falar que não precisa de universidade.

  5. não sou da área e portanto tudo o que vou falar não é sequer hipótese, é puro chute mesmo, mas tenho a impressão de que:

    trata-se de uma cultura fortemente marcada pelo ethos liberal e pela influência da chamada “ideologia californiana”, bastante individualista e calcada no mito do self-made man. Isso faz com que facilmente se difundam nesses círculos discursos recheados de uma retórica de “jornada pessoal” fortemente pragmática e acelerada. A universidade — enquanto empreendimento coletivo e com aparência de engessada e lenta — parece uma “perda de tempo”, sobretudo quando tais discursos se valem de figuras referenciais do mundo da tecnologia que adoravam dizer que nunca concluíram a faculdade (ou simplesmente desistiram dela), como steve jobs ou bill gates. Curiosamente, figuras fortemente ligadas ao universo acadêmico como dennis ritchie, ken thompson, andrew tannenbaum, richard stallman e outros são ignorados nessas narrativas.
    os cursos de ciência da computação são PROFUNDAMENTE teóricos. Estão longe de serem cursos técnicos: eles são voltados a formar cientistas, não necessariamente profissionais da computação. Daí as muitas disciplinas de fundamentação matemática e lógica — que, na opinião desse povo pragmático, parecem perda de tempo. Além disso, são de fato cursos que vão ensinar linguagens de programação talvez já consideradas obsoletas, mas necessárias para uma discussão acadêmica do assunto.
    BAIT. No mundo das redes sociais, chama muito a atenção conteúdos como “não perca quatro anos da sua vida, faça um curso de seis meses e já comece a ganhar 10k” ou coisa do tipo.

    1. (os parágrafos estavam numerados e isso acabou se perdendo, mas acho que dá pra ter uma ideia dos três pontos que sugeri: 1. ideologia / 2. ciência vs. técnica / 3. bait)

    2. Apareceu pra mim um vídeo do teclas sobre essa ideologia californiana, verei depois.

  6. O curso que vou começar tem projetos de integração semestrais, tava vendo os que já foram realizados e tem muita coisa interessante que fizeram para o bem público, como controle de inventário de farmácia pública, análise de dados sobre necessidades da população… Acho que até falta mais iniciativas nesse campo.

  7. Eu não acho legal falar mal dos cursos de tecnologia das universidades. O fato é que a tecnologia muda muito rápido o tempo todo e o conteúdo das universidades é mais focado na formação da base, na lógica que é comum na área de desenvolvimento ao invés da linguagem de programação da moda.