Recentemente descobri o site Library of Babel, onde é possível visualizar todas as combinações possíveis de caracteres (até 3,200), permitindo que encontremos qualquer frase que já dissemos ou venhamos a dizer ou mesmo conceber, o que nos faz questionar até onde vai nosso livre-arbítrio.
Por exemplo, entrem no link acima e usem os dados a seguir para verem algo sobre o MdU:
Hex name:
20yiw58rbj8n5gxtti2ef40ivp67rwu6qdk70d3iqbhozlad88j1kw6p7ox0lo2bcqwebck6glgf5ge1p7fe1cmav3oqqipfmb3jyauyvsk6yvz441ex7ta8b4dzokg97y0owiesvp9saysri0i1nhijlxe8pabxcfc4iw1en1vq5w9j2pd67zrp7bhv6vskvo73qoli3c68jji4agoxh8dlzid10acdvap6w23nz1dfgq1zlc56t5bavhn0f9hs6a7pr9wslg45ot3asi4jhbnkxbtrfiur49j7zo4vmazcvkxmfjiq3ctyk0rcxaui5r4in1uyw8ep9njr9t1rgbvf1er4ylnhhfm0mfx6gfqoxvh7ms5kv2j4rqaamp46k045bk4kjbt8wer3cue3dajb1ord1x1xdjrcfu7t4oezz6uz46zpi47v44sz7ka2fx5ki74k9y2ah83sjok5krlc4s9n83hu0ud23ym4lyl0fbhq28roez47fyw9oildcatvhaewkg0voh4rvm5qgcxmsuip5898pi5nt4t9jcpfzci9gqhsg27nmhynumcfwg04fhprnsw5wrnyco6i78h5ugaequuwfsxsu8g24w9qnvqyv8e2fmuvfk38nb2hata1e2sfmlepc7iozfxh8fjletkmwuutznkc8vvispm0zh39suapplw1uxea4icdpljg6phsessw1pwrhczoouu9033pdwxgoblemeo4dl3uwu2pxhgbqj5csmyurd3ma06laeqaik4ji377krx41j3gx494jzbwc40onakghsups39tj9jn37jt515xqtc8ngymz6agn621am7zzgsimfzcja1t24a5kdtz6ldkow6oocgd4yd8dqj80o97wdk2eovhep0cwmfinykp4vjqrtmbcd5mi68dvfmcjswccl9x3mggj03hzu2wt477akaxhjbk1l08pkxxgtq4gson8dxerpytxaymbdz79pbc62rrwmth0cgktc50qpa058iitjj0232h9d0kqcp75vev4og66lhmfs6cjdea75y2j2hrb9jn2fv8d6k39p65kxhye13iyul1zn1gbh3wfiadfv4kq1t3icbwhnad64n4s885fp9vzneq1x3meyltjh527v7lw2f7uifkb6tz1g4nb0ad6m6bcq7omq1y3zg1f6fmhif2nf3lmmpnqg7c9i7uzp6m70ddzjgaiuyf2dnlpajyr778372wpjdntcnypdasip75x8i7iodnp031hxzov1im5733gj402yfc9c121w8cct1f4oj58a48s02v3qi6eefp1qrsbpyesm97dqys6efkqd6q4e865a6spvgqimec7ip120100h9r9rdul6s34j8xhpn5l4h17vk1tl2gvn4n2naraifhruc1b2mb9x56uj5k06j3lv9xn5herlbdt4vgm57l3a2b7uvy3tgdz4bceaonip8xlt9omd4yrz9qawi7up1z9jmzcp1whew5dz1kuesapmywpybvw1qcph6ecwsvdridtyfb5ltkp94c0jcqe0m19yq02ujqbz3qoon7msca3q2be1hebflm21jcon9tqq1k0fehy7aj6fio5xj5j43h2b0gzbs8n3bo43l2zyjqjxmgstb43mez2mbpctn0e39qzm323vrltcesawzwool2lew451tcc50amy54ilavrn87hnbv09wyvuq9mgvwixhqmi8l41vfv7khi1k5htfuhzli7m15o4pnrcetw7zc7wlu3tnknv61jcqs57iodnvcqj5robdn03dwbiucwqzskg5gvairvjghzelz3lpol1vwz3ua5jxc05f3vov8h160ssxfxx384q4vn3qpmkwt7whqp36l7huhgtdaroh360t3xjrbtoy22690e7ihnyjz2e9u375o3iua5wophesdfy1dg0l30np4r017dxu0bq9d8lytfpysnol9r5fmg9tf59euvbnx2hbomsmo1yduh09jmhong2lafolzigovc40lftpaebi1fx0hiryt8geco5t0p1ce9iyftas91kct6mhab9m1vg5f9hv4tq8jz6nyrifyazvymsjhmmaf3em2nlti6flsh0tedx23zqkol7iu7ucoyxkg30qj3nd6u9ous13peomzt1kwgkrgvf8f8nm7e47wcoiywwe9s3kbavgtk4vjucv5v1m0ntjq0pyazvz3sh280n4jxisewic62zrxkpm8jj5669feu1wjsxlrr5h05chde6zuppjl34ztkh566dgvcqlyxnl7hfmby00urxnlgbvjoqv4f6l8idy4sglxadoeqeqyzyp6wlkjwmg3vcabr3s3vj6i7dbw4r2akm4cnhgupdigccbhzq0kg0eh04ivnukf3aec7l1npxj5fgnbt1qy0458g0ylb5xztyb1xiq6nmzqs7q3gagerazimww0g58t7bs5efok6a8bgra83fu352d8hitx1fh8k840ny8hup73iss57ahezxhg5r1gyi234fckjxnijaroyt2ukcjl45tsyagt0uhpauvx96le0l8fm2j7a9sgpr88isigjoz0l08bvd8hi8zpai4wy6jud7hpcgtjjtxoewaivi66gyviwgkp9bj7yl1frdh78qxos72ja1i3qcsj4p1xqnasj6vaj2sdgkll7exv220786vft0znr82clcgecwn237920fy7rnk3j3i4qq2g5120ygkocddze32qwucfkd33q4vxagy7v2xcf3rt3phgp5tnry5v86r6swvprsa1ftpp4h4vmmr5d9p6r7lokwt3g7sl9yr4g00bly3a23uefrocogr4ocujjkh0ov951l6ipzqfenp3j9kgepui9dnta4ji00ujupy5jax0gaem0g0oczklnqldrtc8so32t4tbagizz64wi06kk4tuokkk47dhg67jwpviy4pa4pq7nwmk2ijtprd87q0k9wvb4mhajz6dfqje8xcklnh38313t51ajw2a9p4rwykozqe50pznh06fi29v3tntpzdqluuwl055fghqw2lodi26qhk1vdytcai37ky3xkfpux4k4tzm6k18satvwpiz869ydhtbf3h58ad9dk9h3agcymi3h9efgw5rnt8rr9cxee2eax5pvx7nmsz3upwkjkuff988zvybv25on2c63yb1fam47ev2hu0jb9sdylg1o5ui4nno5xpvr0
wall: 2
shelf: 5
volume: 19
page: 30
Se frases já nos perturbam, o que dizer de pixels? Sim, a mesma lógica se aplica: https://babelia.libraryofbabel.info/imagesearch.html
Agora imaginem que todas as relações sexuais que vocês já tiveram e vão ter já estão documentadas nesse site, ainda que elas jamais tenham sido capturadas por câmeras reais — a câmera virtual pode estar em literalmente qualquer lugar. Ah, e o ritual após a sua morte também já está lá, seja enterro, cremação ou o que for. É ou não é perturbador?
18 comentários
Eu acho que eu sou muito burro e também muito cético.
Mas isso não é… matemática?
Se eu te dou 3200 caracteres e tu cria todas as combinanções possíveis com esses 3200 caracteres então de alguma forma ou de outra qualquer coisa que eu escrever vai estar lá.
Enveloparam isso tudo em uma aura mística e o assunto se tornou sobre livre arbítrio?
Mais uma vez perdoem a ignorância, estou aqui para aprender.
Parece uma parte da “História Sem Fim”, quando o… esqueci o nome do protagonista. Bom, ele perde parte da memória e vê alguns macacos jogando dados com letras, tentando formar frases para lembrar qualquer coisa, pois eles também tinham perdido a memória.
Nossa, isso me lembrou um assunto que me deparei faz um tempo e que me deixou literalmente impressionado e curioso, já ouviram falar de uma técnica chamada gematria? Ela é utilizada por cabalistas para descobrir possíveis códigos dentro da Torá, é inacreditável, sério… Por mais cético que eu seja, eu cheguei a ver códigos com níveis de detalhes impressionantes, como nome + data + localização de alguns acontecimentos históricos que ocorreram, isso em um livro com mais de 2 mil anos. Eu fiquei curioso com essa questão do hebraico ter essa capacidade de não somente ser usado para a escrita mas também servir como sistema numérico, o que permite ocultar informações em pequenos trechos de textos.
Para quem tem curiosidade, eu recomendo assistir esse doc antigo sobre os tais “códigos da bíblia”, e detalhe, todos os códigos podem ser verificados por meio de um software de análise (existem vários), então o experimento pode ser feito em um computador comum, eu mesmo fiz durante minhas pesquisas e encontrei exatamente os mesmos códigos descritos por alguns cabalistas.
Sou religioso? De jeito nenhum! Acredito em um ser divino? Não! Mas eu quero saber como essas pessoas conseguiram fazer isso que eu vi, que tecnologia usaram.
https://www.youtube.com/watch?v=Sn6YgG7Y51k
não por acaso borges também era fascinado pela cabala e pelos escritos judaicos
o conto “a morte e a bússola” lida diretamente com isso no que parece ser, em princípio, uma típica história policial
Eu sinceramente fico desconcertado com o que vi e pude realizar experimentos confirmando os mesmos códigos que cabalistas decodificaram, o mais incrível é que esses códigos só aparecem em locais específicos nos textos, matematicamente curioso o fato de estarem sempre baseados em saltos equidistantes entre os temas pesquisados, eu não sei como isso é possível, talvez esteja além da minha capacidade de entendimento do tema, mas é incrível.
então, se eu entendi bem, na minha opinião, há uma limitação clara nessa abordagem: a linguagem. a gente até poderia dizer que todas as descrições possíveis das coisas considerando determinadas convenções linguísticas estão aí, mas tem muito mais no mundo né? e no fim das contas, ainda que o universo de possibilidades seja limitado, a ordem de grandeza dele é tamanha que imagino que pra capacidade da nossa cognição é simplesmente infinito. sei lá, não me perturba muito kkkk como disse o ghedin, se aí nesse site tiver escrito todas as formas que alguém pode morrer, até formas que ainda não existem, bem ele vai acertar como eu vou morrer em algum lugar da biblioteca né kkkk (faz tempo que li o conto, vou reler)
Não vi o site ainda (tô na rua), mas lendo os comentários me lembrei de um aforismo que carrego:
Não existe nada original no Universo.
No sentido de que tudo o que existe e ainda será criado está contido neste Universo e ‘chegou’ ‘depois’ de tudo o que já existia.
Por exemplo, pega uma criação humana que você considera a mais original de todas, sem qualquer ligação aparente com o que já existia até sua criação, e vai perceber que tudo o que ela é pode ser sabido/reconhecido/percebido na sua relação com tudo o que veio antes, se não pela semelhança, pela negação.
o conto do borges que deu origem ao experimento é interessante por afirmar categoricamente que a biblioteca de babel não é infinita (já que se definem alguns limites para a forma como os livros são randomicamente produzidos).
acho que a graça do conto está aí: há uma combinação finita de elementos de composição e de linguagem no universo que faz com que em algum lugar desse universo gigantesco talvez exista uma combinação de átomos e moléculas exatamente igual a cada um de nós fazendo exatamente as mesmas coisas
mas o conto também tem sua graça pelo que não pode ser materializado: ele faz descrições um tanto ambíguas do formato das paredes e dos corredores que torna até hoje o exercício de desenhá-la bastante desafiador
curiosidade: acho que quando descobri esse site uns anos atrás eu trouxe para comentar no falecido post livre :)
Usei esses dados e achei só uns caracteres aleatórios, o que deveria ter visto?
Opa, agora reparei umas palavras no meio dos caracteres aleatórios. Como chegou ness e em específico?
É só usar a busca: https://libraryofbabel.info/search.html
Não entendi muito bem o conceito. Do pouco que (acho que) entendi, com tempo e criatividade suficientes (tendendo ao infinito?) seria possível “prever” todas as situações. O que não chega a ser uma “previsão” se a cada acerto você tem infinitos erros… não?
É tipo aqueles perfis do Twitter que antigamente “previam” o resultado de jogos de futebol: antes da partida, o camarada postava todos os possíveis, aí depois do apito final apagava os errados e deixava só o certo, hehe.
Sim, é isso mesmo. Como ele contém todas as possibilidades possíveis, está literalmente tudo lá: passado, presente e futuro — bem, é um pouco mais sofisticado do que isso, mas prefiro deixar a explicação pro Michael do Vsauce (já marcado no ponto): https://youtu.be/GDrBIKOR01c?t=1029)
Eu achei muito perturbador pensar que alguém zapeando de bobeira o site pode encontrar fatos bizarros que nunca vieram a público, ou nem sequer aconteceram ainda. É como se as nossas vidas fossem bem limitadas e, de certa forma, previsíveis. Me lembrou um pouco aquela minissérie Devs, do Alex Garland.
Você se esqueceu dos eventos que jamais aconteceram e que são impossíveis de acontecer, o que “polui” a amostragem e torna a coisa toda só curiosa, nada perturbadora… não? Talvez em algum lugar desse site conste que “Rodrigo Ghedin nasceu no [qualquer outro país que não o Brasil]”, um evento que não aconteceu e não acontecerá, considerando que o Rodrigo Ghedin a que se refere sou eu.
Acho que o objetivo principal desse site é realmente o “mindf*ck”, uma implementação do conceito que, como o Gabriel comentou, vem de um conto. Aliás, nada melhor que o Michael do canal Vsauce para esse tipo de coisa né?
Eu gosto de pensar no site como uma representação visual, talvez mais palpável, da relação entre entropia o surgimento de estruturas complexas, ou até ‘interessantes’: tudo que existe no Universo é uma combinação de uma quantidade de partículas que, apesar de colossal, ainda é finita. A grande (muito grande) maioria dessas combinações não gera nada relevante, nenhuma estrutura de interesse para nós, da mesma forma de que a vasta maioria das páginas dos livros da Biblioteca de Babel é um monte de letras sem sentido.
A primeira vez que vi isso, a ideia realmente demora para ser digerida, porque o número de combinações possíveis é grande demais pra mente realmente entender, mas nós podemos, com algum esforço, aceitar que alguns ‘infinitos’ cabem dentro de um espaço finito.
Viajei um pouco aqui, mas a graça é essa mesma haha. Agora, como instrumento de previsão, é completamente inútil, porque a Biblioteca não dá nenhuma informação sobre o que é real, só sobre o que é possível.
Não sabia do conto. Parece o roteiro de Rick & Morty.
Rick e Morty é bem pesado nesse tema lançando possibilidades bem prováveis que deixa a gente se sentindo muito estranho rsrsrs.