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E aí? Pluribus é tudo isso mesmo? youtu.be

Eu acho que não.
É boa? Com certeza, muito boa, mas acho que o hype está muito mais ligado aos comentaristas do que ao público. Claro, sempre é assim.
Mas vejo uma necessidade de explicar que incomoda, como se eu não tivesse inteligência para entender. E não é só com esta série que isso acontece, mas com Pluribus estou começando a me sentir burro. Mas não sou.
Na real acho que o povo que comenta e critica nas redes está descolado da realidade. Vejo mais gente jogando o tigrinho e se divertindo do gente viciada destruindo a vida, tem muito mais gente desligando o celular do que colado no intagram. A internet não está morta por conta das IAs escrevendo umas para as outras, mas porque os poucos (será mesmo?) que contribuem não estão tirando a cara das telas e olhando a realidade.
Mas é só minha opinião.

49 comentários

49 comentários

  1. Eu gostei bastante da série, gostei dela ser lenta e me permitir entender bem o desenrolar da história com a fotografia sempre impecável do Vince Gilligan, mas concordo com quem diz que ela não traz nada de essencialmente novo — nem acho que precise, na verdade.

    E eu entendo essa “necessidade” das pessoas de explicarem a série porque eu percebi que ela não é tão monotemática e permite, por ora, ser explicada de muitas formas diferentes. Dá pra vê-la com um prisma antissocialista (embora eu não ache que esse seja o ponto da série); dá pra ver como um grande ensaio sobre empatia — colocando em choque uma consciência coletiva ultraempática e uma pessoa difícil em luto que, se pudesse, explodia o mundo inteiro. Existem também metáforas sobre IA, linchamentos virtuais e outros comportamentos de manada, a civilidade funcionando tanto como ferramenta de socialização quanto de controle coletivo de mentes e corpos, e muitos ganchos diferentes que a série deixou pra quem quiser pescar, o que é legal e até irônico para uma série que toma como ferramenta de narrativa uma consciência única e geral.

  2. Eu gostei muito de Pluribus, de verdade. Senti como uma lufada de ar entre as séries. Ela é um pouco mais arriscada, sustenta os silêncios, deixa boas perguntas sem resposta, e é isso…

    De fundo, me incomodou o fato dela parecer muito uma crítica ao socialismo feita à moda antiga: apontando pra ideia de que o socialismo torna todos iguais e que o individualismo e o mercado são inerentes ao humano. Argumento antigo, ultrapassado, até, mas que faz tudo na série parecer claro como água.

    Retirando isso, tentar lê-la de outras maneiras deixa tudo mais interessante.

    1. as metáforas em geral são bem escrachadas e literais, mas ainda há espaço para algumas nuances

      em vários momentos havia críticas bastante explícitas mais ao mundo da democracia liberal capitalista do que propriamente a uma qualquer caricatura de socialismo (embora isso também exista)

      naquela reunião da carol com os demais “não infectados” a câmera faz questão de colocá-la como a salvadora branca estadunidense, com o brasão dos EUA logo atrás dela enquanto ela fala sobre salvar o mundo para quem obviamente não quer ser salvo

      depois, quando ela pede para restaurar o supermercado de comida orgânica dela toda a retórica está em manter a “autonomia” individual dela frente aos demais: novamente, a câmera faz questão de apontar a multidão de gente que tem que trabalhar para garantir essa suposta autonomia individual

      tudo bem explícito, inclusive

      1. Isso… Só destacaria que eu li o enquadramento na bandeira dos USA como uma crítica, já que ela ativamente expulsou dali aqueles que não eram falantes do inglês – e isso exclui, portanto, o Manoussos. Me parece uma piadinha discreta do roteiro sobre a arrogância do país.

  3. Como um fã de Star Trek, nenhuma das premissas da série me impressionou. Todas as discussões sobre “Hive Mind”: Coletivismo vs. Individualismo, inerentemente Bom ou Mau etc., já foram exaustivamente tratadas pelas séries e filmes. Ah, no primeiro episódio, logo antes da assimilação global, a própria protagonista faz uma referência a tudo ser “um episódio ruim de Star Trek” e por conta disso fui assistir Pluribus pelo padrão estético que a série prometeu entregar.

    Ela é linda, isso é inegável. Não esperei nenhuma discussão aprofundada ou revelação de mistérios justamente por esse assunto de mente de colmeia ser tão recorrente que dispensa explicações, porém, não dispensa sensações e vivências, que é o que a série traz.

    Inclusive, observando todo o conjunto da obra, tenho uma impressão fortíssima que a série se encaixa em uma grande metáfora para o luto da perda de um ente querido. Todas as impressões que a Carol retira da mente de colmeia, e as atitudes também, estão muito de acordo com as fases de luto. Do princípio ao episódio final.

    Dito isso, esperei uma trama voltada pra complexidades internas e construção de personagens, que houve com a Carol, mas deixou a desejar com o Manousos, por exemplo, que é completamente bidimensional. Pra não ser injusto com o paraguaio, acho que ele pode servir como uma boa metáfora para aqueles que resistem em usar “inteligências artificiais”, que resistem estupidamente a usarem uma tecnologia porque ela “facilitou demais” e focam no trabalho árduo, dificuldade e escassez como métrica pra avaliar o que é bom ou não de conquistar.

    1. Diferente de você, eu já adorei o Manousos kk

      Pra mim, tem um grande desenvolvimento dele ao longo daquele episódio silencioso, em que ele sai mundo afora atrás da Carol.

      Reparo muito como ele parece um santo católico (aquele que deveria ter morrido, mas, ainda assim, segue vivo), e de como ele relembra a todo o tempo o pecado da mente colmeia: ter roubado a alma das pessoas.

      Essa é a única ação para a qual eles não pediram permissão nenhuma, e considerar isso muda radicalmente a leitura de todo o resto. A Carol, por exemplo, precisa se apegar à figura individual de Zosia para esquecer o que ela é de fato – ou poderia, afinal, falar e viver com qualquer indivíduo

  4. Sim, é muito boa! :)

    Você está criticando a série em si ou está focando mais no hype ao redor dela?

  5. Muita gente aqui reclama da lentidão da série, e isso é o que gosto. Ter tempo para apreciar o que é exibido. É uma série relaxante para mim.
    E sou meio tapado, não vejo todo esse subtexto que jogam na série. Na boa, torço contra a Carol, em um mundo onde uma espécie se impõe e matas as outras, nada melhor que uma mente coletiva que só quer que todos sejam felizes.

    1. também acho um mimimi gigantesco essa gritaria contra a suposta lentidão da séria (e ela está LONGE de ser lenta)

      os últimos episódios, aliás, são acelerados demais

  6. O incômodo que a série me causa, é dissonância entre o potencial dramático e o que é entregue de fato. Essa temporada poderia ser resumida em 1h30 de filme.
    E a ideia base veio de um episódio de Rick & Morty! XD

    1. aquelas cenas em que a carol liga o telefone e tem que escutar aquela gravação insuportável inteira durante vários minutos até poder falar alguma coisa são maravilhosas

      num filme de 1h30min não daria pra colocar tantas cenas assim

  7. Assisti e gostei.
    Acho que poderia ter sido mais curta, tipo 4 episodios. Senti enrolação. Teve episódios de puro “nada”.
    Mas, a exemplo de Ruptura, meu sentimento é que vão me enrolar por anos até explicar o que realmente aconteceu. Aí, vao me entregar um final bem ruim e que responde muito pouco todas as dúvidas que a série levantou.
    A exemplo de ruptura, não verei uma segunda temporada de Pluribus.

    1. mas a série não tem que explicar coisa nenhuma

      a graça de assistir a uma peça de audiovisual é apreciá-la enquanto audiovisual (as cores, o ritmo, os cortes, a edição, etc). É uma experiência plástica em meio a diversas camadas de significado.

      se for assim, você nunca vai gostar de twin peaks (que é a melhor série que a TV estadunidense já produziu)

      como dizia susan sontag: menos hermenêutica, mais erótica

      1. Eu concordo com você sobre a questão artística e reconheço sua razão nisso. De repente o formato não é para mim, que já prefiro o começo, meio e fim da narrativa mais definido. Sobre não explicitar tudo, por mim tudo bem, gosto que cada um tenha sua percepção e seja tocado de uma forma diferente.

        Mas você também sabe que a intenção final dessas produções é fazer dinheiro. E o sentimento que eu tenho é que eles arrastam as coisas enquanto aquilo dá dinheiro. Diferentemente de uma obra fechada, os produtores tentam espremer aquilo até quando der. Vem um novo plot, novas dúvidas, e aquilo vai eternamente. Por isso, muitas séries começam bem, e tem aquela barriga gigante cheia de filler, perdendo a qualidade.

        A minha insatisfação vem muito disso. Por isso mencionei que gostei da série, mas não pretendo continuar vendo. A não ser quando ela realmente chegar ao fim e eu poder vê-la como uma obra com começo, meio e fim.

        1. Esse negócio de espichar as séries é um incomodo para mim. Tanto que pouco assisto e quando assisto não me importo de deixar de assistir.

          E essas janelas de lançamentos de anos! Sem chance.

          1. Também acho um grande incômodo essa janela.

            A série Imperatriz que tem um hiato de 2 anos entre uma temporada. Não é um tempo longo, mas já ajuda a perder bastante o interesse.

            O formato antigo, de uma temporada por ano pra mim é o que faz mais sentido.

      2. Pra mim não dá. Lembro de American Gods, linda, cheia de efeitos, visual, cores, luz, sons… Mas uma série horrível, arrastada, com mudanças do livro que não fazem sentido.

        1. Fora que, quando a história é boa, ela nem precisa ser visualmente tão impactante.

          1. então pra que fazer audiovisual se visualmente não é bom?

            isso não faz sentido, o que menos importa é a trama

      3. A série não tem que explicar nada. E por isso não assisto. É uma via de mão dupla.

          1. Oi Gabriel! Não consegui te responder no comentário acima, te respondo por aqui então. Mano, na minha visão o audiovisual é uma ferramenta, não um fim em si, se o visual é impecável mas a trama é vazia, você tem um quadro bonito, mas que não te move. Gosto de pensar que o cinema nasceu da narrativa, na minha opinião o visual deve servir à história e não o contrário

          2. Talvez a gente possa concordar que existem muitas maneiras de apreciar o audiovisual (pelo roteiro, pela estética, pelo som) e, em igual medida, muitas maneiras de abordar o meio (diretores experimentais, comerciais, clássicos). O que é certo, mesmo, é que não existe maneira certa ou errada de assistir a filmes e séries. Essa é a graça da coisa.

  8. não vi esse vídeo linkado, passei os olhos e senti que o sujeito só está falando platitudes. É isso mesmo?

    com relação à série:

    gostei bastante, mas concordo que é um pouco superestimada. Também concordo que muita gente está se esforçando demais para tentar “explicá-la” — sobretudo levando em conta que a série tem metáforas ultraliterais e basicamente as fica esfregando na sua cara o tempo todo. Povo se acha descobrindo a roda discutindo essas metáforas bem bobinhas.

    o que realmente me agradou na série foi o ritmo lento: acho que isso faz falta na TV hollywoodiana. E o que me desagradou nos últimos episódios foi justamente a tentativa de acelerar demais a narrativa.

    1. Sim, o cara descobriu o sentido da série 🤷🏾.
      Mas vai explicar que focinho de porco não é tomada e que cada pode interpretar como quiser.
      Até o canal Central Pandora, que respeito muito, soltou um vídeo com o título “Você está vendo Pluribus errado”. É bait, o vídeo é só mais uma interpretação, mas precisa se render a esse artifício?

    2. Mas você não acha que esse ritmo lento as vezes esconde um monte de nada? Talvez seja eu que venho de uma concepção de que, em teledramaturgia, tudo que aparece deve ter um sentido para o desenvolvimento da narrativa. E nessa série me pareceu ter muita enrolação sem sentido.

      1. a gente assiste a um filme ou a uma séria pra passar por uma experiência audiovisual

        cinema ruim ou tv ruim em geral está preocupado exclusivamente com o desenvolvimento da narrativa: ignora o potencial estético audiovisual que as cenas apresentam

        não que pluribus seja realmente super boa, mas ela avança um pouco nessa direção

        como assim não tem nada? numa boa cena tudo está lá

  9. Acompanhei semanalmente e… que série terrível, os dois primeiros episódios eu gostei. No episódio 5 eu até passei pano onde muita gente já estava reclamando que estava sem plot, mas depois eu tive que concordar.

    O último episódio elevou um pouco, teve conflito de visões entre ela e o paraguaio que se mostrou ser um protagonista 1000 vezes melhor, mas pra mim já deu, 3 episódios realmente uteis com algum desenvolvimento (os dois primeiros e o último) os outros 6 foram pra gastar tempo e encher linguiça, não respeito quem desrespeita meu tempo desse jeito, não vou acompanhar o resto.

    1. gente, calma

      o que menos importa numa peça de audiovisual é a trama

      a graça da série está em apreciar os amarelos, azuis, vermelhos. Aquelas cenas em que ela liga o telefone e sofre tendo de ouvir a gravação até o fim pra que consiga começar a falar. A graça da série está justamente na apreciação desse ritmo lento e no contraste desse ritmo lento com a neurose da protagonista.

      achei que os últimos episódios foram péssimos justamente por acelerarem demais.

      1. ok. mas se ele não gostou então está tudo bem também! afinal pode ser que ele não seja o público alvo da série.

        e tudo bem que twin peaks é excelente, mas também está tudo bem se muita gente achar um lixo.

        ainda bem que as pessoas podem ter gostos diferentes para artes.

      2. Discordo de você nessa. Entendo a série como uma peça de teledramaturgia, e enquanto isso tudo importa (cor, edição, fotografia) isso tudo existe para carregar a trama, desenvolver uma narrativa. Nesse aspecto pra mim a trama é a coisa mais importante.

        1. E ok! Concordo plenamente com você!

          E tá tudo bem se algumas pessoas acham isso menos relevante do que o roteiro.

          Esse é meu ponto.

        2. Pra tentar ilustrar com meu ramo…

          Não existe música ruim. O que chamamos de ruim é apenas música da qual não somos o público alvo.

          E no fim é como outro colega mencionou, é tudo questão de mercado. O cara vendeu a ideia de série dele. Em outro tópico aí está uma excelente discussão sobre avatar… Apesar de roteiro preguiçoso e reciclado é apenas um produto.

        3. a trama é o que menos importa, ela é meramente um pretexto: a graça do audiovisual está na imagem em movimento acompanhada de som. A trama é pretexto pra produzir cenas plasticamente interessantes.

          se o que importasse fosse a trama, bastava ler a sinopse na wikipédia

  10. Abandonei no meio não exatamente pela lentidão, mas pela enrolação que senti, tipo demorar mais que o necessário só para dar o número de episódios, ou seja, encher linguiça. Mas ouvi falar que o final da temporada era bom, então voltei. E achei bom mesmo.

  11. Eu “fiz backup” aqui dos episódios pra ver oportunamente, porque alguém me recomendou assistir. Está na fila.
    Esses dias ouvindo um podcast aleatório sobre um tema não relacionado, algum episódio do escafandro, alguém mencionou uma cena de um livro que quando ouvi a premissa parecia muito com a da série, até achei que a série fosse inspirada nesse livro. Comecei a ler o livro ontem.
    Fim da infância de Arthur C. Clarke. Uns aliens chegam na terra e em algum momento impõem uma consciência coletiva aos humanos. Achei bem parecido com a premissa da série de consciência coletiva (não vi a série ainda).

      1. Livro Ótimo. Série escabrosa e “terrivelmente cristã”.

  12. Os primeiros episódios são lentos, mas melhora. Vale a pensa assistir até o final da temporada.

  13. Larguei depois do terceiro episódio. Gosto muito de Breaking Bad e tenho zero problema com filme/série “lento”. Pluribus é lenta e chata.

    1. Eu adoro séries consideradas lentas, mas com essa tive esse problema também. Ser lenta é diferente de ser parada.
      O pior é que quando reclamo disso me acusam de ser “geração tiktok”

  14. Não acompanho e não tenho intenção, mas entendi o que você quer dizer.

    Faz algumas semanas que uma atriz deu entrevista e falou sobre como as séries são feitas para pessoas que estão usando o celular enquanto assistem. Por isso o enredo fica sendo explicado constantemente. Isso não é novo, é claro, mas agravou-se severamente com esse câncer de Instagram e tiktok.

  15. Eu não entendi o ponto do seu texto

    A série não é boa pq tem gente viciada em tigrinho na vida real? Pq um YouTuber explicou? Eu só vi você trazer elementos de fora da série pra falar dela

    Eu consumo zero de conteúdos sobre séries na internet e achei ótima. Talvez te faça bem parar de ficar vendo esses vídeos explicados também, já que como você disse, não precisa deles

    1. Não vejo as explicações, mas os títulos pulam nas telas. O que já é incômodo.
      Usei a série só como pretexto para comentar que os comentaristas da vida não estão vivendo na realidade. Existe uma realidade paralela que só existe na internet e muita gente acha que é real.
      Uma realidade onde milhões de pessoas morrem jogando, outros milhares deixam o leite ferver porque estão vendo vídeos curtos e mais alguns bilhões fazendo comentários ofensivos no facebook.
      Falei da série porque foi o que me veio a mente, gente explicando o que não precisa ser explicado, como se os usuários fossem estúpidos. A série é boa suficiente para nos dar camadas que permitem que cada um interprete se aprofunde quanto quiser e/ou puder.
      Não são necessárias explicações, ao contrário do que pensam, as pessoas não são tão burras.
      É como o paralamas do sucesso disse “a vida não é filme e vc não entendeu”.