9 comentários

  1. Se o Átila tivesse seguido os critérios citados na matéria, deveria ter recusado já pelo fato de não ser da área dele. Mas o pior foi passar pano para uma empresa que contribui de forma relevante para a crise climática. A própria matéria, apesar de ponderada, traz esse trecho problemático: “embora os vídeos não contestem nem minimizem o papel dos combustíveis fósseis na crise do clima.” – ora, só de dizer que eles são uma “energia vital que impulsiona vidas” dá a entender que são imprescindíveis para nossa sobrevivência. No meu ponto de vista, isso é minimizar seu papel na crise. Se a Shell estivesse fazendo uma transição consistente para energias renováveis, e as peças explicassem isso, vá lá. Mas, pelo contrário, ela anunciou recentemente uma diminuição nesse tipo de investimento (https://www.bloomberglinea.com.br/2023/06/19/petroleiras-recuam-em-projetos-renovaveis-e-alteram-jogo-de-forcas-no-setor/). Então, não tem desculpa. E o exemplo do primeiro ok influenciador citado na matéria mostra que é possível recusar usando critérios.

  2. Tem alguns podcasts de divulgação científica que eu acompanho que são patrocinados pela Insider (como toda internet), e eu não acho que isso compromete o conteúdo deles, já que são programas de Historia. Acho que precisa olhar caso a caso, o patrocínio de empresa de DNA para o canal do Átila já mencionado aqui no fórum, aí sim é bem problemático.

  3. Na minha tosca opinião, divulgação científica e propaganda não se misturam. Se houver mistura há comprometimento. É binário.
    Isso invalida a divulgação? Não, mas coloca sob suspeita e por isso quem se interessa deve variar as fontes.
    O Átila é uma fonte de suspeição, em um dos vídeos ele explica os patrocínios que aceita e menciona uma empresa dessas que fazem genealogia a partir do DNA, algo que é muito questionado. Ele afirma que vai ao, não de, encontro daquilo que ele divulga no canal. Depois dessa parei de vez.

          1. Obrigado por responder. Acho que estou meio traumatizado. Já estava esperando questões eugenicas e envolvimento do CEO com fascismo.

    1. Num mundo ideal, a divulgação científica devia ser bancada pelo Estado, com iniciativas indo além da educação básica e usando os meios de divulgação mais populares, já que é um serviço de utilidade pública. Porém, sendo realista, como é uma atividade que não tem fim de entretenimento, os poucos que se aventuram nesse caminho têm que fazer muito malabarismo pra engajar, e aí quando conseguem finalmente um capital de seguidores, é esperado que vejam nisso um meio de se manter. Aí a gente tem que abrir mão um pouco dos princípios, mas com cautela por causa desses conflitos de interesse. O Átila, como já foi falado, se deixou levar pelos anunciantes e acabou queimando a própria imagem, e várias vezes, como você mencionou. Faltou bom senso e ter uns bons amigos pra dizer, “não faz, vai dar m3rda”.

      1. Pena que o Brasil meio que investe pouco na ciência. Bem, agora com Estados Unidos concorrendo para ser o pior neste sentido, sobra países como a China para provar que ciência é coisa comunitária, paga pelo Estado e não pelo cara bilionário querendo ter a próxima patente para ferrar a vida de muita gente.