Na minha adolescência joguei muito Spellfire, mas sempre fiquei curioso para entender porque Magic fez tanto mais sucesso. Na semana passada, comprei um Starter Kit, criei minha conta no Arena e comecei a estudar o jogo.
Dicas para um iniciante?
15 comentários
Acho que eu me empolguei nas dicas para iniciante falando de arquétipos de jogadores, né? Foi mal.
Passando o tutorial básico, acho que alguns conceitos podem ajudar a ganhar mais partidas:
Conheça a estratégia do seu deck. Existem 3 tipos básicos de deck: agressivo (“aggro”), controle (“control”) e combo. Eles funcionam mais ou menos como pedra papel e tesoura: agro tende a vencer control, que tende a vencer combo, que tende a vencer agro. A estratégia agressiva é auto-explicativa, geralmente são decks de cartas com custo baixo que tentam “curvar” (ver abaixo) e bater. Controle geralmente é associado a responder as ameaças do oponente (anular, matar, exilar, devolver para mão, virar etc). Finalmente combo fica esperando sair uma combinação de cartas que faz ganhar o jogo do nada. É claro que isso são arquétipos, na prática os decks podem ter um pouco de cada coisa. E tem os sub-arquétipos (tempo, ramp, midrange), que vão se comportar com um dos arquétipos básicos dependendo de que estratégia está do outro lado da mesa. Por exemplo, midrange se comporta como agro contra control e combo, e como control contra agro. Enfim, divago.
Curva de mana. O recurso do magic é a mana, que vai escalando conforme os turnos passam. É fundamental montar seu deck e jogar de forma a gastar o máximo de mana disponível todo turno. Um bom deck agro, por exemplo, quer baixar turno 1 criatura de custo 1, turno 2 criatura de custo 2 ou duas mágicas de custo 1, e assim por diante.
Quem é o agressor? (“who is the beatdown?”). Toda partida tem uma pessoa que toma iniciativa e outra que está na defensiva. Isso é especialmente relevante para iniciantes, pois muitas vezes é um duelo de decks agro, arquétipo favorito de quem está começando. Geralmente quem começa (on the play) tem vantagem sobre quem joga depois (on the draw) e quem veio com a “mão curvada” (turno 1 mágica de custo 1, turno 2 mágica de custo 2, t3 magica de c3). E isso pode virar ao longo do jogo. Identificar se vc precisa ser mais proativo ou mais defensivo é chave para vencer.
Vantagem de carta (card advantage). O outro recurso do magic é o número de cartas na mão de cada um. É um jogo de cartas, no fim das contas. Trocas justas são trocas de uma carta por uma carta (1 para 1). Se você precisar de duas ou três cartas para derrubar uma, isso é uma troca desvantajosa para você. Há várias cartas no magic atual que são 2 em 1 por construção. Por exemplo, uma criatura que cria uma ficha quando entra em jogo. Um subtema dentro desse é a vantagem de mana: é eficiente responder uma mágica de custo 5 com uma mágica de custo 2. Lembre-se disso na hora do combate, por exemplo: se o oponente ataca com uma criatura de custo 5 e você pode defender e matar a criatura dele com uma de custo 3, isso é vantajoso para você.
Fora isso, Magic tem muitos formatos. Eu diria para jogar o padrão mesmo no Arena, ir treinando e conhecendo as estratégias dos oponentes mais prevalentes (metagame) e ajustando o seu deck de acordo com a estratégia que mais te agrada.
Boas partidas!
Lu ficaria orgulhosa de tanto termo em inglês que eu usei…
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Oi Guilherme, acho que você como estudioso vai gostar de saber de algumas coisas sobre o próprio desenho e evolução do jogo que eu acho que contribuem para o sucesso e a longevidade do Magic.
O Magic tem toda uma teoria de arquétipos de jogadores que precisam ser contemplados a cada coleção. O próprio chefe de design do jogo descreveu eles brevemente nesse artigo:
https://magic.wizards.com/en/news/making-magic/timmy-johnny-and-spike-2013-12-03
São eles
– Timmy: quer fazer jogadas grandiosas e atropelar os oponentes. Ele não se importa em perder alguns jogos, contando que as vitórias dele sejam divertidas e grandiosas.
– Johnny: é o criativo, ele gosta de fazer jogadas únicas, encontrar combos que ninguém descobriu. Ele fica mais tempo testando e ajustando seus decks no detalhe do que jogando. Da mesma forma que o Timmy, ele valoriza mais a qualidade das vitórias do que a quantidade o taxa de vitórias
– Spike: é o jogador competitivo. Ele vai copiar na internet o deck que tem a melhor taxa de vitórias e treinar para jogar muito bem com aquela estratégia nos torneios. Para ele, o importante é a consistência, ganhar a maioria das partidas e ser campeão.
Depois eles acrescentaram e atualizaram esse esquema com mais dois arquétipos, que eu conheço menos: Vorthos, o colecionador, que gosta mais da história, da arte das cartas e da história do jogo (pode não parecer, mas tem uma história rolando há décadas no magic, com tramas e personagens que se repetem – como Chandra, Jace etc) e a Mel, que gosta da interação da história com as a jogabilidade, gosta de jogar com decks tribais com sinergia (anjos, elfos, goblins etc).
Sobre essas histórias do desenho do Magic da antiga, recomendo o canal do Elba no Youtube, chama Fazendo Nerdice. Ele tem vídeos excelentes, embora muito longos.
Acho que entender qual o seu arquétipo pode te ajudar a saber que tipo de caminho de iniciante você quer mais seguir.
Fala, Vitor, muito interessante essa classificação por arquétipo. Acho que posso ter uma ideia de qual deles se aproxima do meu estilo após jogar mais. Por enquanto eu estou na fase de perder – preciso ainda entender o básico e estratégias. Seguindo o canal que você indicou, obrigado!
Acho que vale entender também o tipo de abordagem e quanto ela pode custar financeiramente.
Achei interessante que dá pra ser feliz com cerca de 100 dólares, mas dá pra gastar muito mais do que isso dependendo do formato.
https://boardgames.stackexchange.com/questions/4041/how-much-would-it-cost-to-get-started-with-magic-the-gathering
Quando comentei que queria aprender alguns amigos citaram o aspecto financeiro entre os primeiros pontos. Minha ideia não é virar especulador de carta. É hobby.
Depois de anos e anos de Yugioh, também resolvi dar chance ao Magic. Acho que comprei o mesmo Starter pack, aquele com 2 decks. Ainda sofro jogando. Ahaha. O canal Umotivo, como já citado, é bem bom.
Estamos no mesmo nível, então, Marcio. Se quiser jogar no Arena, me manda seu username que te adiciono.
Há séculos, o baralho tem desempenhado um papel intrigante na tapeçaria da história, começando sua jornada nas cortes reais da China e se aventurando através das Rotas da Seda. Daí, suas cartas embarcaram em navios mercantes árabes, sendo levadas para a Europa, onde ganharam faces e naipes que conhecemos hoje. Este modesto conjunto de cartas, inicialmente um passatempo aristocrático, transformou-se em uma narrativa visual única, influenciando jogos, tarô e até mesmo a forma como entendemos a sorte e o acaso. Com essa rica linhagem, o baralho não é apenas um conjunto de cartas, mas sim um testemunho silencioso da interconexão cultural ao longo dos séculos. Muito bem Bonitinho, nesse momento você deve estar pensando? Esse não é um comentário do Órbita? Get out of this trap, my dude! Um beijo, Lu. ;)
=’D
Hahahaha! Maravilhoso!
Rapaz, ouvintes do Tecnocracia me enchem de orgulho
Canal umotivo no youtube tem vários vídeos com dicas e tutoriais
muito bom, já comecei a seguir. ontem achei um canal em inglês bem bom chamado Tolarian Community College.
o Professor, do Tolarian Community College é de longe a maior referência do mundo Magic e recomendo demais, ele é extremamente didático e carismático.
No Brasil tem o André do Umotivo e o Elba, do Fazendo Nerdice.