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Desabafo: ler não deveria fazer você parecer mais inteligente

Adoro ler. Parei por uns anos, voltei agora e francamente não sei porque parei. É divertido, é prazeroso, e com uma fila de mais de 30 livros não devo parar tão cedo dessa vez.

Agora eu percebo novamente os comentários na vida: “que bom que você voltou a ler”, “é ótimo que está lendo livros”, e o clássico “eu deveria ler mais” e todo o bla bla blá. Venho aqui nesse site, onde a maioria deve ser mais jovem que eu (beiro 50) e muitos falando “esse ano vou ler mais”.

É 2024!!!

Vocês sabem que tem coisa talvez melhor que ler né? Ler não é sinal de inteligência, ler não é a solução para os seus problemas, você não vai ser uma pessoa melhor que o outro porque lê.

A impressão que tenho é que, como muitas coisas, em 1950 ler era o máximo portanto ler é fenomenal, e a nossa cultura social travou nesse ano.

  • eu aprendi ingles jogando video game (como muitas, muitas pessoas).
  • certamente melhorou muito meu raciocínio lógico jogar (não tenho provas porém)
  • e ninguém sente orgulho de jogar video game

  • filmes valem tanto quanto livros! Cara, lemos 10 livros por ano, ou 15? Ano passado vi mais de 60 filmes. Com essas condições – se eu lesse no ano 60 livros, e todos anos isso, certo que a grande maioria dos livros também seria um lixo! Meu ponto é, faz o mesmo com filme: seleciona alguns incríveis apenas, que mudam sua vida, e você terá com filmes uma experiência única da mesma forma que livros. Exemplo em ponto: nunca chorei lendo um livro (me emocionei de várias formas claro mas nada tão intenso). Vários filmes me trouxeram as lágrimas.

  • filmes porém são “entretenimento passivos e não se comparam com um bom livro”

  • o youtube é o maior divulgador de conhecimento da história humana. Consertei 5 defeitos na minha lava e seca Samsung devido a ele (o 6º defeito, SER SAMSUNG, nunca consegui concertar :/ ). Aprendi Mikrotik, do básico ao avançado e ao “posso iniciar o trabalho em um ISP se desejar” devido a ele. Nunca tinha usado durepox, essa semana peguei dicas e arrumei minha cadeira do PC (segundo problema da cadeira resolvido via youtube). Etc etc etc. De coisas triviais a avançadas, o youtube ENSINA, e em poucos minutos.

  • ninguém tem orgulho de usar youtube.

E, quando eu percebi que não sabia concluir o raciocínio acima nas palavras certas, parti para o chatgpt:

“Enquanto muitos enaltecem os livros como o ápice do conhecimento, é hora de valorizar outras maneiras também. Filmes, jogos e o YouTube oferecem aprendizados valiosos e únicos, não devendo ser menosprezados. É hora de reconhecer que a busca pelo saber não se limita aos livros “

Pois estamos em 2024.

/fim do desabafo.

97 comentários

97 comentários

  1. Adorei a perspectiva, muito bem humorado e honesto. A conclusão com ajuda da IA foi a cereja do bolo.

    Eu tenho também essa coisa de considerar livros superiores, e depois, quando passo vários dias jogando no PC ou assistindo na Netflix, começo a me pergunta se eu realmente não estou perdendo algo com essa teimosia de achar que apenas livros contam. Não me entenda mal, ainda amo ler, e também tô cheio de livros para ler, mas eu leio o dia todo na internet, e isso me satura para ler livros, e quando se trata de adquirir cultura ou se divertir eu recorro a outras coisas.

  2. Concordo com seu ponto de não ser esnobe, mas livros são importantes para além o conhecimento, uma fonte quase única de descoberta para alguns pontos e que seja quase impossível ser especilista em muitos temas sem ler.

    Também creio que esse orgulho também vem de uma cultura do anti-intelectualismo. Sendo que boa parte dos cidadãos médios se sentem diretamente ofendidos por você ler, não comer carne ou não ver exclusivamente filmes de Hollywood dos últimos 15 anos.

  3. As pessoas valorizam oq está distante delas e parece inacessível.

    A graça e charme da leitura está em vc ter disciplina e auto controle suficiente para se manter ali. A leitura tbm traz um processo de mentalização q nenhuma outra das fontes que citou tem. Tbm tem o fato que ler ajuda na elaboração de textos. Essas são coisas que sequer são tão evidentes para quem lê e muito menos para quem não lê.

    Sei lá, inteligência é uma palavra que já perdeu seu sentido (escolher dentre) e como ficou claro no seu relato virou um fim e não mais processo. Assim como as outras artes (dramaturgia=filme, role play=jogos)

  4. Você está correto @Andre, a literatura não deveria estar acima dos demais campos da arte ou da aquisição de conhecimento. Mas esse sentimento de que a literatura é “superior” não é pela função do livro em si, é na verdade uma reminiscência da época em que a alfabetização era um privilégio das elites, então a leitura se torna um marcador de diferenciação entre a elite (que lê) e a plebe (que não sabe ler).

    Novamente, não faz sentido algum mas é a construção histórica do processo e também uma marcação de como a “história oral” (que no fundo é o que assistir um filme, ouvir uma música, jogar vídeo game, para usar os exemplos que você deu, é) é subvalorizada diante da “história escrita” (muitas vezes chamada de “factual” ou “real”).

    1. A palavra é o meio mais preciso para comunicar uma ideia.
      Comunicar = tornar comum.
      No entanto, a imagem consegue consegue uniformizar a ideia do autor/comunicador entre aqueles que recebem a mensagem.
      A palavra escrita e a imagem são duas maneiras diferentes, entre tantas outras, de repassar uma mensagem.
      Essa discussão ocorre há muito em semiótica (palavra que não foi citada em nenhum dos comentários desse post e que, por isso, sugiro aos interessados que pesquisem. Vale muito a pena).

      1. semiótica está longe de ser a melhor maneira de lidar com o mundo da imagem (ao contrário, a maior parte das pessoas adota um esquematismo semiótico exagerado ao lidar com imagens, reduzindo tudo às categorias propostas pelos leitores e comentadores de pierce)

        autores como didi-huberman, por exemplo, não trabalham com semiótica

        1. Veja bem, eu não sustento que a semiótica é a melhor maneira de lidar com o mundo da imagem. Eu referi que a semiótica tem esse tema como objeto de estudo.

  5. Não concordo. Apesar de eu ser um leigo no campo da neurociência, penso que as diversas formas nas quais se pode consumir uma informação estimulam o cérebro de diferentes maneiras. Por exemplo, você pode consumir uma história lendo o seu livro ou assistindo ao seu filme. De certa forma, ler é uma forma ativa de consumo do conteúdo, onde se deve manter foco e concentração diferentes de quando se assiste a um filme, além de possibilitar explorar de forma mais profunda a capacidade criativa da mente. Enfim, não sou especialista, apenas trago uma visão contrária para reflexão.

    1. assistir a um filme ou apreciar uma obra de arte é tão (ou mais) ativo do que ler um livro

  6. Concordo na parte de não deixar que a literatura seja vista como algo elitista. Como já comentaram, as pesquisas mais recentes e o perfil de visitantes de bibliotecas ou universitários derrubam essa imagem. Além do que, é contraproducente para a ampliação da leitura. Já ouvi o escritor José Falero falar algo nessa linha em entrevistas, de como quando começou a ler e escrever isso não era muito bem visto pelas pessoas próximas a ele; o Xico Sá também comentou algo nessa linha sobre como a literatura é mal vista no ambiente do futebol, o que é uma imensa bobagem: https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/08/26/xico-sa-a-falta-futebol-goleiro-entrevista-podcast-socrates-romance.htm (inclusive recomendo tanto o livro A Falta, do Xico, que rendeu a entrevista, quanto o Os Supridores, do Falero, ambos totalmente distantes dessa imagem de literatura como algo elitista). Mas discordo na comparação da literatura com outras mídias, como videogame e youtube, no sentido destas terem gerado conhecimentos práticos. Ora, literatura é obra de arte, não precisa levar a um conhecimento prático e imediato. Para isso temos manuais de instruções e livros didáticos, por exemplo. Você também pode passar horas jogando só pelo prazer ou ver vídeos no youtube para passar o tempo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

      1. Po, se me permite discordar, queria dizer que discordo da parte dos jogos no entendimento de que exemplos específicos, como Gris (que joguei e, aliás, achei bem bacana), mostram um potencial. Acho que vai além e considero, sim, jogos como uma forma de arte.

        (E não to fazendo esse texto pra dizer que uma visão é mais válida que a outra, só queria deixar um posicionamento aqui).

        Acho que o ponto de discordância aqui seja do que é arte, até porque imagino que não seja um conceito assim tão unânime. Mas considero (e não acho que essa seja a definição definitiva) dois pontos relevantes e meio que ligados:

        Primeiro considero como arte aquilo que permite a expressão de um povo ou de um indivíduo, seja do ponto de vista emocional, cultural ou histórico. E sei que isso talvez seja muito abrangente, afinal tudo produzido em uma sociedade carrega um pouco daquela cultura (mesmo que seja apenas estético, já diz sobre aquele grupo), mas não acho que isso seja um problema.

        Um segundo ponto (que ajuda um pouco a delimitar melhor o primeiro) é como a arte se relaciona com quem a consome. Uma pessoa que cria um filme/livro/quadro usa certos inputs para a obra criada reproduzir sentimentos específicos. Um exemplo bem banal é como paletas de cores em filmes são usadas para criar sentimentos específicos.

        Tem um último ponto que também relevante: essa distinção não tem a ver com a qualidade do produto final. Pra comparação, acho que todo filme é sim uma expressão de arte. Por isso acho que jogos, de maneira ampla, são obras de arte.

      2. Exato; quis dizer que devemos esperar coisas diferentes de arte/entretenimento para além do utilitarismo de aprender uma nova língua ou a consertar a máquina de lavar.

  7. Parabéns pelo desabafo! Há um tempo pensava a mesma coisa, só não tinha externalizado ainda. Vindo de alguém que faz faculdade de humanas que tem o tempo todo recomendações de leituras ditas “obrigatórias”, você se sente imerso numa rede inesgotável de informações da qual você deve fazer parte pra se sentir mais inteligente. Quando na verdade…

  8. Tô gostando das palavras que estou lendo.

    Estou sem vontade de escrever longamente para defender um ponto. De todo modo, olho pra trás e vejo que muito da minha capacidade de estudar e aprender mais (mesmo com vídeos) veio do acúmulo de leitura (tanto de quantidade quanto de qualidade).

    Até para que se faça a defesa dessas outras formas de expressão a linguagem é determinante. E os melhores vídeos são aqueles feitos por quem usa bem a palavra – e isso passa por leitura de texto.

    Isso dito, o youtube é sem dúvida o paraíso para os pequenos consertos domésticos. Me tornei um verdadeiro “marido de aluguel” com os vídeos. Claro que usando ublock origin e selecionando bem os vídeos que realmente resolvem o problema (boa parte faz gambiarra e diz “resolveu meu problema, espero que resolva o seu tb”).

    Agora, sobre qualidade, como vocês lidam com textos que conhecidos ou amigos te mandam, e vc percebe como ruins?

    Digo isso porque dia desses li um tópico num fórum da empresa em que trabalho, e os colegas tavam mostrando ou livros publicados na amazon, ou poemas, ou crônicas… E achei tão ruim. Não sou nenhum escritor nem nada, embora eu tenha alguma habilidade em reconhecer bons autores, com aquela simplicidade autêntica de quem não precisa emular, ou exibir. Enfim, fui lendo, e vendo, mas evito dar opinião, pra não ser o chatão. E não sou ninguém na fila do pão, também. Fico lembrando das cartas do Fernando Sabino com o Mário de Andrade, e aquela sinceridade entre autores, mas ali são dois monstros…

  9. Mas por que você sentiu necessidade desse desabafo? Parece que você vê valor na leitura, mas por não conseguir ler tanto quanto a sociedade pressiona para ler acha que está perdendo algo?

    Uma coisa que aprendi no jornalismo e estudando ciências sociais é que quase tudo é texto. O filme só nasceu por causa do roteiro. O vídeo no youtube antes precisa ser um texto (pelo menos os melhores). Jogos nascem absolutamente de um planejamento textual.

    No Ocidente entendemos a realidade primordialmente pelo texto. Não quer dizer que outras formas não sejam importantes ou tenham seu valor, mas texto é como a ciência: uma das melhores invenções da humanidade e deve sempre ser supervalorizada e cultivada.

    1. Leio um monte e gosto. Apenas escuto eventualmente algo como “que bom que vc gosta de ler” e, ao invés de achar isso um elogio ou ignorar, me questiono “porque diabos isso é bom, se não sabem o que eu leio e ler não me faz superior a nada, pois é simplesmente um hobby”.

      Acho essa valorização burra.
      E, até eu mesmo porém em reflexo, antes de raciocinar, também penso melhor de quem simplesmente “Lê livros”.
      Não deixa de ser burra.
      :/

      1. Superioridade realmente é besteira. Mas parabenizar alguém por ler acho super válido. É sempre bom, mesmo que a pessoa esteja lendo os dark romance da vida. A leitura estimula o cérebro de formas diferentes de outras mídias, como já falaram aqui.

        1. Leitura é uma forma de entretenimento, como o André disse: ninguém é parabenizado por consultar o Youtube ou assistir Netflix, nem os filmes cabeça.

    2. putz, essa visão do texto cultural é SUPER problemática

      até se pode usar a ideia de que tudo é texto ampliando muito o sentido de texto — mas com essa analogia o conceito explicita os seus problemas

      o que MENOS importa num filme é o roteiro — o roteiro é um instrumento de produção, mas a experiência da apreciação do audiovisual atravessa completamente o roteiro

      filmes são antes de tudo imagens e sons em movimento e é essa sensação plástica e estética o fundamental

      é o rodopio de Corisco no Deus e o Diabo

      é a aquela dança frenética na Terra em Transe

      é aquele corte fora de lugar na edição de Acossado

      isso é cinema, não tem nada a ver com roteiro — e isso envolve códigos estéticos e problemas de linguagem que vão muito além da palavra e da leitura

      1. Já vi você falando sobre roteiro não ser tão importante, mas não consegui compreender esse ponto. Um filme com efeitos visuais e de som impecáveis, como os filmes de super herói da Marvel, mas com roteiros de medíocres para ruins, não seria o mesmo que ler Olavo de Carvalho?

        Eu entendo que o cinema, através do audiovisual é capaz de despertar sensações diferentes das que temos lendo um livro. O apelo visual e sonoro é maior, de fato. Mas não é o roteiro que faz você gostar ou não do filme? Não seria o roteiro que faz você refletir sobre o filme e transpor aquilo pra sua vida (quando cabe, é lógico)?

        Filmes de herói, por exemplo, são super bem produzidos, com os maiores orçamentos do cinema, mas não desperta nenhum interesse em mim, pois acho as histórias fracas, sem apelo, rasas e que não fazem pensar.

        Obs.: é uma dúvida real

        1. O roteiro é apenas um aspecto da experiência audiovisual, acho. Para ficar no exemplo dado, imagino que existam pessoas que curtem os filmes da Marvel por causa dos efeitos, para verem seus heróis favoritos na tela, em carne e osso, somente para curtir.

          Se roteiro fosse tão imprescindível, acho que sobraria um punhado de filmes de ação “assistíveis” e talvez o conceito de “blockbuster” não existisse.

        2. uma coisa é o roteiro entendido como o documento escrito para guiar a produção de um filme — um elemento importante de bastidores, mas não mais que isso, já que a obra que se apresenta para nós é aquela que foi filmada, não a escrita (até porque é CINEMA, não é LITERATURA! o mesmo vale para o teatro)

          outra coisa é o “roteiro” vulgarmente entendido como a trama ou a sucessão de acontecimentos de um filme: é este “roteiro” que estou apontando como algo superestimado pelas pessoas. É ele que menos importa, porque um filme é composto por imagens e sons em movimento, não por uma “história”. Cinema é cor, é edição, é som, é o conjunto dessa experiência plástica audiovisual que NADA tem a ver com a experiência da leitura de uma obra literária. São esses os aspectos de experimentação da linguagem cinematográfica (cor, ritmo, som, cortes, edição, montagem, etc), não a história ou a trama (aliás, para os bons diretores a trama é apenas um pretexto para poder brincar com esses elementos audiovisuais).

          veja o caso recente de Aftersun, pra gente não ter que voltar aos clássicos: a gente mal fica sabendo de fato dos detalhes daquela história, mas a experiência audiovisual é maravilhosa.

          você deu o exemplo da marvel: os filmes da marvel são justamente aqueles que tentam o tempo todo dar destaque à trama e não à experiência cinematográfica. É o OPOSTO do que estou falando.

          se as pessoas assistem a filmes só pela “história”, então é melhor ler a sinopse na Wikipédia em vez de ver o filme, porque elas vão perder o que é exclusivo do cinema: uma experiência plástica de imagem e som em movimento.

          1. Agora consegui entender teu ponto. Mas penso diferente. Ainda sobre a Marvel, as histórias (em minha opinião) são medíocres, previsíveis, e muito pobres. O que os filmes tem de “melhor” são a parte que cabe ao cinema, imagem e som. Esses aspectos eu julgo importantes, mas o que me faz gostar de um filme e o que me faz refletir e querer ver novamente é a história mesmo.

  10. Concordo com você, suspeito que o motivo dessa crença pode ter a ver com a tendência ilusória do senso comum em confundir erudição (quantidade) com inteligência (qualidade).

    É claro que a leitura de textos é importante e quem pode ler com seus próprios olhos, físicos ou da mente, amplia realmente seu repertório linguístico e horizonte sociocultural (além das angústias, rs).

    Mas, essa modalidade de leitura (recente em nossa história) não é a única forma de apreender o mundo (às pessoas cegas e neuro divergentes, só restam escutar os textos, já povos de tradição oral escolhem deliberadamente fazer uso da memória…), pois, como bem sabemos, há tanto os eruditos incapazes de reconhecer a realidade concreta quanto pessoas iletradas que resolvem bem seus problemas reais, porque, em resumo, ler muito, quantidade, não garante o salto para a qualidade.

    Essa áurea em torno do ato da leitura de textos me parece mais uma limitação excludente de nossas outras possibilidades de leituras…

    Sobre este tema, gosto do livro “Como um romance” de Daniel Pennac (baseado em sua experiência de professor), porque na parte sobre os 10 direitos imprescritíveis do leitor, o primeiro é justamente, o direito de não ler, rs!

  11. existem dois tipos de pessoas, as idiotas e as idiotas que leem – abujamra

    1. Clarice Lispector disse que pode substituir “leem” por qualquer outra atividade. 😁:D

  12. Eu te entendo até certo ponto. Não da pra curtir um entretenimento sem ter um fiscal dizendo que “versão física é melhor”. Kkkkk

    Eu também aprendi e consertei muita coisa com tutorial. Poxa, vivemos na melhor época da humanidade, basta deixar que cada um absorva informação como achar melhor.

  13. Pior é quem acha que livro é sinônimo de alta cultura. Acho que nunca foi de fato. E hoje é menos ainda, pois é assustadora a invasão de títulos no ruins mercado editorial , muitos deles escritos por “influencers”.

  14. Carl Sagan — que, entre diversos feitos, participou da redação da primeira mensagem espacial endereçada a possíveis alienígenas — disse o seguinte sobre livros:
    “Que coisa surpreendente é um livro… uma olhada nele e você está dentro da mente de outra pessoa, talvez alguém morto há milhares de anos. Atravessando milênios, um autor está falando clara e silenciosamente dentro de sua cabeça, diretamente para você.
    A escrita é talvez a maior das invenções humanas, unindo pessoas que nunca se conheceram, cidadãs de épocas distantes. Livros quebram as algemas do tempo. Um livro é a prova de que seres humanos são capazes de fazer mágica.”
    No episódio 11, “A Persistência da Memória”, de Cosmos.”

    1. Eu penso muito isso na verdade, mas em outra forma. Legal saber o que Aristoteles pensava, mas eu queria saber o que UMA PESSOA NORMAL pensava. Ver um video normal da vida sem graça dessa pessoa, um tik tok.

      Ou imagina VER o dia a dia da idade média, as torturas o horror que era o normal deles. Grandes eventos… uma batalha de gladiadores, ou messias e pessoas contra Roma sendo crucificadas publicamente. Uma obra de Shakespeare!
      Livros e histórias são rasos demais no contexto de tudo que passamos. O flautista que encantava ratos é baseado em uma coisa que pode ter sim ocorrido em um vilarejo, uma lenda com base real…. foi? O que ocorreu? Como diabos ficou o vilarejo quando perdeu as crianças, se é que ocorreu? Não temos relatos certos porém, é tudo chuta que deve ser. O simples fato de termos 2 sonos de 4 horas se descobriu recentemente que era o NORMAL, e apenas com a revolução industrial que mudou.
      CARA!! NÃO SABEMOS NEM COMO DORMIAMOS A 200 ANOS ATRAS!!!

      Em 1000 anos, em 2000 anos, tudo isso será possível.

      1. Acho improvável que tiktoks e youtubes estejam preservados daqui a mil anos. Mesmo partindo da incerta premissa de que a civilização seguirá intacta, sem grandes perdas de infra. Não tem registro completo nem de 20 anos atrás. (Mas por enquanto ainda há registros “arqueológicos” fragmentados, como esse de comunidades do Orkut! https://web.archive.org/web/20160807121200/http://orkut.google.com/ 😄️ )
        Lembro de um projeto de uma enciclopédia sobre conhecimentos humanos essenciais para durar milênios, para o caso de mega-colapsos. Na hora de decidir pela mídia mais garantida (de que seria acessível em um mundo sem as garantias atuais), o time escolheu livros físicos.

        1. Sim no passado reclamei disso também por aqui eu acho. Estamos perdendo grandes blocos de história da nossa sociedade, e poucos dão bola.
          Mas ALGO fica, e mesmo que seja pouco, melhor que absolutamente nada será.

  15. Eu acho que você parte de uma base lógica falha. Você não faria absolutamente nada disso do que diz fazer se não fosse a leitura (incluindo saber ler). O letramento nas crianças é feito através de livros. Sem livros, não haveria boa parte dos scripts hoje sendo filmados (e sim, filmes são entretenimento passivo. Compare a exuberante descrição de Lolita com a imagem dela em todos os filmes – que são falhas, já que Lolita tinha 12 anos). Ler obriga você a fazer construções mentais – filmes não fazem isso, já que apresentam tudo visualmente. Essa, aliás, é uma das razões de livros infantis serem ricamente ilustrados e livros para adultos, não. E a profundidade/universo de livros x a de filmes é facilmente comprovado: é só ver como muitos filmes precisam ser “reescritos” – porque senão, o trabalho seria apenas escrever diálogos onde não há nenhum. É sempre preciso “adaptar”. E a imaginação de cada um tem papel importante porque reproduz o que você é, em essência – ou ninguém daria chilique quando Hermione foi representada no teatro como sendo negra (a descrição dela nos livros não diz absolutamente nada sobre a cor da pele dela).
    “A vida segundo Garp” é um excelente exemplo. Há um acontecimento absolutamente trágico no livro que passa completamente desapercebido por todo mundo – e quando ele é revelado, o pensamento maior é “Como eu não percebi isso, como pude ser tão mesquinho e cruel ao simplesmente ignorar essa pessoa?” Eu duvido que você já sentiu isso vendo um filme – a adaptação desse acontecido para o cinema, aliás, deu imensas voltas, e não teve o impacto da passagem do livro.
    Então sim, ler continua sendo a base da nossa civilização – até mesmo povos que não tem escrita têm sua história e sua linguagem registradas hoje por outros povos que escrevem livros.

    1. Não estou dizendo para sermos analfabetos, claro que ler é importante. Mas é tudo isso o ato de ler livros? O que acho errado é justamente o que coloquei.

      Livro não me ensinou inglês, foi mesmo video game. Claro, anos depois a internet deu mais um passo importante, e hoje eu domino devido a ela. Aprender a ouvir e falar, cruzes, sem filmes e séries eu jamais teria capacidade.

      Livros trazem grande conhecimento, absolutamente!, bem como a serie O Planeta Terra da BBC.
      “Como eu não percebi isso” é uma sensação ótima de se ter em Clube da Luta.
      Impacto, certamente, foi o final do LaLa Land.

      ADORO LER, sou fan de carteirinha dos 6 livros de Duna (que teve apenas 6 livros!!!). E ao mesmo tempo… QUE VENHA ENCONTRO COM RAMA!!! (o filme que espero a 15 ou 20 anos, desde que o Morgan Freeman comprou os direitos).
      Existem formas de arte que, no meio de Marvel e Fifa Soccer, não são devidamente reconhecidas como deveriam.

      E tem o ponto que o livro parece ser o melhor remédio de todos sempre, e é a única coisa que importa – https://www.unisinos.br/noticias/por-que-o-brasileiro-le-tao-pouco/

    2. julia, finalmente (e com todo o respeito do mundo) consigo parar para responder seu comentário — que é profundamente preconceituoso e logocêntrico (beirando inclusive o colonialismo e o racismo)

      da mesma forma que a leitura é ativa, a apreciação de obras de arte, o ato de assistir a um filme ou peça de teatro ou qualquer coisa parecida TAMBÉM o são, mas lidam com códigos estéticos e linguagens distintas. A visão está longe de ser passiva — ao contrário, é dos sentidos mais ativos que temos, embora a maioria das pessoas o tome como um dado e não como uma construção histórica e cultural. Apreciar uma obra de arte significa ir e vir, caminhar pela obra, navegar pelos seus elementos, variar entre a simultaneidade do fenômeno visual e a assincronia da apreciação de elementos distintos. É lidar com linguagens não lineares (MUITO mais sofisticadas que as escritas, aliás). Assistir a um filme envolve lidar com estímulos múltiplos na construção dos sentidos (muitas vezes de forma muito mais complexa do que a eventual literalidade da palavra escrita). Não reconhecer isso é aderir acriticamente à usual ditadura da palavra sobre a imagem que é própria da sociedade ocidental e moderna.
      Você não está acostumada a ver bons filmes, né? Porque insiste em avaliá-los da maneira como você avalia romances ou outras formas de literatura tradicional. Filmes são experiências plásticas audiovisuais — é como ter a oportunidade de experimentar uma cena de um Kandinsky ou um Pollock em movimento. Isso é em grande medida intraduzível em palavras e envolve linguagens e conhecimentos não verbais — linguagens e conhecimentos que a escola tradicional, por meio do letramento, insiste em menosprezar.

      As experimentações audiovisuais de um Man Ray, de um Buñuel, etc, podem ser traduzidas em palavras?

      Você está sendo EXTREMAMENTE preconceituosa com as sociedades ágrafas. Elas não são ágrafas porque são “menos desenvolvidas”, mas porque elas não querem — porque lidam com outras linguagens melhores. É nossa soberba ocidental e moderna que nos faz tentar registrar suas histórias em palavras.

      PS: e você insiste em achar que um filme deve ser a expressão fiel de um livro — o que é uma grande bobagem. Quando um livro é traduzido para um filme, a fidelidade de trama é o que menos importa. Parece ser, inclusive, o problema dessa próxima adaptação de Grande sertão: em vez de tentarem traduzir as cores, a prosódia, os sons e as formas presentes naquela obra-prima, limitam-se a tentar adaptar os personagens e suas histórias (um erro tanto literário quanto cinematográfico).

      1. Desculpe, mas seu comentário é tão equivocado e tem tanta coisa que eu não disse ou expressei que só me resta rir do “racismo”, do “preconceito” e de outras coisas que você me impingiu sem ao menos me conhecer ou aos quase 40 anos em que eu estudo linguagem, comunicação e correlatos – não só estudo como TRABALHO com isso.
        Boa sorte na sua cruzada.

        1. pelo visto são 40 anos sem saber lidar com imagens, limitando-se ao mundo da palavra

          desculpe, mas carteirada é o pior tipo de argumento de autoridade que existe

          1. Gente, vamos manter a urbanidade. Estamos comentando em um blog de tecnologia, não em um congresso científico. Podemos discordar sem sermos hostis uns com os outros, certo?

          2. Não é carteirada, é a realidade. Você está falando do que não sabe, e aí qualquer argumento que não caiba na sua visão é “carteirada”. Mas, como eu disse, boa sorte na sua cruzada.

          3. @julia, me desculpe, mas você não consegue debater sem ofender.

            Por tudo o que você escreveu quem não sabe nada a respeito do mundo da imagem é você. Sou doutorando e a imagem é elemento fundamental da minha pesquisa: esse tipo de ofensa que você promove é completamente desnecessária. Passar bem.

  16. Pra mim, tudo é questão de equilíbrio.

    Como na alimentação, de tudo um pouco e com qualidade, não tem erro.

  17. Adoro ler (sou praticamente viciado) e também adoro assistir filmes e vídeos variados e ouvir podcasts. Não quero viver sem nenhum deles e quando penso em compará-los é só mesmo pela necessidade de qual vou consumir quando eu tenho um tempo livre.

    Mas deixando os podcasts de lado que não é o assunto aqui uma comparação mais significativa acontece quando assisto filmes que são (ou pretendem ser) a versão cinematográfica de um livro e aí decepção profunda é pouco para descrever o que senti ao assistir esses filmes. Os exemplos que me lembro agora são Jurassic Park, Duna, It. A diferença entre os filmes e os livros me parece análoga à diferença entre oceanos e mares. Mesmo com o meu histórico de decepção continuo assistindo ao filmes baseados em livros nem que seja pra ver o que antes apenas tinha imaginado. Outra coisa que ajuda é pensar que o filme é um conteúdo próprio, sem qualquer relação com o livro.

    Mas no fim das contas, não me importa muito se ler é “melhor” que assistir filmes, se ler é “idolatrado” ou não, se assistir YouTube é mal visto ou não. Antigamente eu me importava muito mais com o que os outros pensavam, mas agora não me interessa mais em convencer ninguém de nada. Cada tem os seus valores e preferências e vida que segue…

    1. um filme como O iluminado é zilhões de vezes mais sofisticado que o livro original

      filme é filme, livro é livro

      1. Mesmo para Blade Runner. O livro até é meio fraco.
        As mídias são diferentes. Tem de saber adaptar.

        Duna (filme) é incrível pois souberam, Duna (livro) possivelmente é infilmável se for idêntico (parece complexo demais colocarem um ghola no filme, por exemplo…). E existem alguns evidentemente infilmáveis onde insistir é burrice, (Fundação e Enders Game….)

  18. Ler (e escrever) exercitam uma estrutura fundamental que é a que usamos para pensar e se comunicar: a linguagem. Talvez ela seja considerada superior a outras formas de aprendizado porque, por exemplo, por mais que alguém tenha uma cognição visual e espacial excelente, sem uma linguagem verbal para organizar e estruturar isso, o poder de comunicação e pensamento perde em termos de língua estruturada. Sem isso, mesmo as outras formas de comunicação ficam prejudicadas.

    1. calma lá: há muito de logocentrismo no seu comentário

      não subestime linguagens não verbais

      1. São línguas, não linguagens: têm gramática, registro (formal/informal), economia (um conjunto finito de itens produz uma quantidade infinita de enunciados etc.)

  19. A leitura faz parte do seu desenvolvimento cognitivo, por isso devemos ler os clássicos na escola, mesmo que a maioria dos não-educadores acho isso errado e espere que o professor/a de literatura dê alguma relacionada com “alta fantasia” para um público infanto-juvenil.

    Ademais, em termos de absorção de conhecimento, as pessoas o fazem de maneira diversa. Algumas por imagens, outras por texto, outras escrevendo. Existem pesquisas sobre isso, muitas. Aprendizagem é um processo individual e não é normatizado, cada um tem um tipo de aprendizagem que dialoga com a sua inteligência (não no sentido de escala de inteligência, mas no sentido de inteligência múltiplas). As teorias pedagócicas mais modernas recaem no que se chama de “zona proximal”, que é, basicamente ensinar os outros, e este seria o melhor modo de se aprender de todos. Então, se você quer aprender, ensine. Por isso tantos vídeos no YouTube de pessoas ensinando coisas.

    Ler é um ato ativo que interfere na sua capacidade de comunicação escrita também, quanto mais você lê mais você absorve vocabulário e consegue se comunicar de maneira mais ordenada e estruturada. Organizar e estrururar um raciocinio é algo que a maioria das pessoas não consegue fazer, por isso temos tantos texto ininteligíveis na internet.

    Finalmente, o ponto central, a qualidade (supostamente) do que se lê. Eu tenho uma escala de qualidade, que vai dos clássicos brasileiros como Grande Sertões: Veredas, Água Viva, Hora da Estrela, Rosa do Povo, Caminhando na Chuva, Contos Gaúchescos, Os Sertões, Lavoura Arcaica, Torto Arado, Avesso da Pelo, Casa de Despejo entre outros, passando pelos clássicos internacionais como Kafka, Dostoievski, Jack London, Flaubert e assim vai longe a lista. Esses clássicos eu considero essenciais na formação do ser humano de forma geral, alguns livros de não-ficção, como Raízes do Brasil, Formação Econômica do Brasil, Casa Grande e Senzala, Balas de Washington, O Estado Empreendedor, Luta de Classes na Alemanha, Programa de Gotha, O Capital, Mascaras Negras e alguns outros, eu considero essenciais para a formação da empatia das pessoas, principalmente nós sulamericanos.

    Alguns filmes vão te trazer essa mesma perspectiva, assim como documentários e séries. Mas é muito mais complexo você atingir a mesma profundida do assunto quando se tem uma peça de mídia pensada para televisão – que vai concorrer com filmes de ação, aventura, doramas, sitcons e outras coisas.

    Por outro lado, livros de fantasia (que eu adoro) como Senhor dos Anéis e os Brandon Sanderson, são livros essencialmente de entretenimento. Eles servem para vender vários exemplares (trilogias, quadrilogias, decalogias) e te manter um consumidor daquela mídia e daquela série. Eles não são menos importantes do que os outros, eles são diferentes. Entretenimento é ESSENCIAL para a gente. Ócio, entretenimento, desncaso. Tudo isso é essencial para que ocorra uma melhoria na nossa vida profissional e pessoal e, principalmente, para que nos mantenhamos com a capacidade crítica em ordem. Esses livros são os que os filmes de ação e terror são para o streaming (entretenimento mais básico).

    Enfim, leitura, vídeo-games e televisão (streaming) são complementares na formação da sua capacidade cognitiva e na sua capacidade de entender o mundo. Cada um de um modo. E todas essas obras irão moldar como você se comporta e como você reage ao mundo a sua volta.

    Quem lê bastante, normalmente escreve e se comunica melhor.

  20. Vou desconsiderar a parte de elitismo e etc. já são um consenso.

    A leitura é uma atividade que você realiza ativamente, é necessário que muitas vezes você produza as imagens na sua mente para que a leitura faça sentido, vide “O Senhor dos Anéis” citado. Ao ler o livro você tem que produzir toda aquela descrição na sua mente, em filmes por exemplo isso vem pronto, é outra experiencia.

    Outra coisa, ler nos dá condições de escrever melhor. Só o fato de termos dificuldade em escrever aqui já mostra que precisamos, sim ler mais. Ver filmes e ouvir coisas não melhora essa capacidade. E mesmo para fazer um filme é preciso escrever um roteiro e esse ser lido.

    Eu pessoalmente fiquei um tempão aqui reescrevendo as coisas para tentar dar o sentido que queria e não sei se consegui.

    1. pedro, apenas cuidado com a armadilha de considerar a linguagem verbal superior às demais formas de expressão estética (especialmente a visual)

      eu diria que, inclusive, é exatamente o contrário

      o letramento escolar faz com que as pessoas simplesmente não consigam lidar com imagens

      1. Não falei em letramento escolar e não estou colocando hierarquias. Estou apenas citando modos de produção.

        1. O OP não quer debater e não está disposto à mudar de posição. Esse post já nasceu decretado e o OP vai contrapor com o signo do preconceito ou visão estreita qualquer oposição. Debates já não são bons, mas esse post é pior ainda.

          1. Tudo bem se o OP não quiser mudar de opinião. Esse pode ser um resultado do debate aqui embaixo, mas não é o objetivo do Órbita. Quando um post é publicado, o espaço para debates se materializa. Enquanto houver comentários saindo e o respeito for mantido, o debate segue solto.

          2. Muitas vezes apenas o acompanhamentos de outros argumentos já vale o dialogo.

            Temos essa ideia de achar que o debate não pode ocorrer apenas pelo debate e troca de ideias, essa é a melhor parte.

      2. Mas gente, onde que letramento na infância faz com que as pessoas “não consigam lidar com imagens”???? Existem diversos tipos de letramento, o linguístico é apenas um deles e ele não “acaba” com nenhum outro.

        1. julia, o seu próprio comentário lá em cima (profundamente preconceituoso e logocêntrico) é a maior prova disso: você demonstra não saber lidar minimamente com o mundo da imagem ao aderir acriticamente à ditadura da palavra

          mais tarde volto para argumentar, agora não consigo

          1. Seguindo aqui pra acompanhar a argumentação. Entendi que eu só posso discutir a influência da linguagem na construção do conhecimento e das relações sociais a partir do logocentrismo, da teoria da desconstrução (coloquei Jacques Derrida no meu backlog pra entender melhor).

            De toda forma, se é pra entrar em uma questão mais profunda, posso aceitar que a visão do Derrida coexiste com outras, incluindo Debord, onde a mediação das relações com ênfase no espetáculo e mercantilização, também estimulam a centralidade e influência por meio de imagens, o que também pode funcionar como, digamos assim, “mecanismo de dominação”.

          2. @Andre, não consigo elaborar agora, mas sobre o Debord: é justamente porque somos uma sociedade letrada e logocêntrica que o espetáculo se torna instrumento de dominação por meio da manipulação de imagens tomadas de forma passiva. Superar o espetáculo envolve justamente produzir outras imagens (e SABER produzir outras imagens, o que a maior parte das pessoas não sabe — e este não saber é reiterado pela escolarização logocêntrica).

          3. Mas onde que existe “ditadura da linguagem”????? Desculpe, mas você está profundamente perdido, principalmente quando mistura “linguagem” com palavra escrita (cujo ensino é, basicamente, é a preparação do cérebro para a comunicação em geral). Recomendo um melhor embasamento teórico que fuja um pouco do “logocentrismo” (porque até agora é só esse o argumento que apareceu) e um pouco mais de Umberto Eco, que tem um trabalho maravilhoso sobre o assunto (já que você desprezou Bakhtin por ser “limitado”).

          4. @julia eu nunca falei em ditadura da linguagem

            falei em ditadura da palavra — e ela fica explícita naquele seu comentário problemático lá em cima

            é o típico comentário de alguém que não sabe lidar com a imagem e coloca a palavra acima de tudo

  21. achei meio exagerado esse desabafo

    todo mundo sabe que o importante não é ler, mas o que se lê: sujeito que só lê olavo de carvalho não me parece alguém muito interessante de se conhecer, por exemplo

    1. Se fosse teria uma propaganda (“post patrocinado”) a cada 3 respostas 🤣

    2. Daqui a pouco alguém abre o post sobre “amizades de baixa manutenção”

  22. Acho que muita gente fala em ler mais ou coloca isso como objetivo porque é muito fácil de perder o hábito da leitura, frente a outros meios de entretenimento / conhecimento. Concordo que leitura não deveria ser uma atividade “idolatrada”. Não é necessariamente melhor nem pior que outros meios, mas a ausência total de leitura pode ser ruim, e tem sido a norma em muitos casos.

  23. Chorei lendo olhai os lírios do campo. Baita livro!
    E este é um baita post desabafo.

  24. Fala, André!

    Feliz ano novo, antes de mais nada.

    Acho que entendi a alma do que você disse. Ler não deveria ser um fator para inferiorizar quem quer que seja. Nisso concordamos!

    Mas vejo vários problemas no teu desabafo (que talvez me escapem na discussão por eu estar em movimento agora).

    Em primeiro lugar, as comparações feitas por você, sob o meu ponto de vista, são feitas sobre atividades incomparáveis.

    Ler é habilidade essencial para a sobrevivência – é o desenvolvimento da linguagem (nosso ser-no-mundo) – para uma forma mais perene do que a transmissão oral (em conjunto, obviamente, com a escrita). Daí que a comparação com jogar e assistir já me parece um tanto desprovida de cabimento (por exemplo, cinema é uma arte essencialmente surgida no século XX, enquanto basta pensarmos na literatura da época Alexandrina para enxergarmos como são fenômenos incomparáveis).

    Uma coisa me incomodou um tanto no teu texto: tua experiência pessoal quanto ao YouTube, jogos e afins não pode significar universalidade, entende? Que bom que você teve experiências positivas, mas a natureza dessas atividades (?) é variável (alguém nega a influência negativa de um videogame para uma criança em idade pré-escolar?; alguém nega a influência negativa do YouTube para a profusão de teorias da conspiração latentes?).

    Agora, ler literatura é capaz, sim, de ser solução de problemas individuais que enfrentamos na vida. Ler, por si só, não basta. É preciso ter em conta a qualidade, sim, do que se lê. Temos, assim, contato com a diversidade cultural do mundo de uma forma inimaginavelmente fácil. Temos contato com vidas diferentes da nossa, criamos repertório, empatia, vivemos múltiplas vidas no tempo de uma só. Precisamos estar aberto a isso e desenvolver senso crítico para as escolhas (como você parece ter para o YouTube, por exemplo).

    Em resumo, o simples ato de ler como segmentação da sociedade é elitista (e de certa forma até um tanto burro), mas a literatura é capaz, sim, de melhorar como vivemos como indivíduos e como vivemos em sociedade.

    Já fica a indicação do Infinito num Junco, da Irene Vallejo.

    Espero ter conseguido contribuir com o debate.

    Abração!

    1. Ler, por si só, não basta. É preciso ter em conta a qualidade, sim, do que se lê.
      Sim. Mas o mesmo pode ser dito de filmes, youtube e video games. Porém esses generalizamos como burro.

      Em resumo, o simples ato de ler como segmentação da sociedade é elitista (e de certa forma até um tanto burro)
      E é isso que me deixa pouco irritado.

      E penso que isso atrapalha.
      Fatos como esse de “elitismo” e ” ter em conta a qualidade” fizeram que eu “aprendi” a ler apenas após meus 18 anos. Ler era elitista, justamente, e o colégio me enfiava livros podres goela abaixo que simplesmente me mostraram que “ler é uma merda”. Meus pais não liam, minha vó lia “novelas de veia” (uns livros estranhos acho que eram romances, modinha de velhas na época), portanto meu universo era isso.
      Aos 18 anos que li o primeiro livro por conta (Senho dos Aneis, apenas porque eu jogava D&D) e deste ponto fui partindo, centenas de livros desde então.

      1. Talvez essa imagem da leitura como elitista, ou algo que precise ser exaltado/estimulado, se deva à própria natureza da atividade — mais difícil e menos acessível que o cinema ou a TV, por exemplo. Não surpreende que a leitura seja menos popular, até mesmo entre quem tem condições financeiras e teve boa educação formal.

        Faz sentido?

        1. O problema que vejo é que estamos em 2024.
          Quantos sabem piratear filme e séries? Pois muitos que assistem o fazem dessa forma, e não percebem nada de errado nisso. Então, piratear livros é infinitamente mais simples (um site basta e tem muita, muita coisa – como se fosse um ARQUIVO na casa da ANA), até pelo tamanho do livro.

          Claro, a maioria não tem kindle… mas de qualquer forma, não é isso que atrapalha.
          Culturalmente julgamos livro como algo mais chato, mais elitizado, mais cansativo, o que for. Acho que isso desincentiva muitos de iniciar, e sem pegar o costume depois de mais velho vamos ficando mais resistentes a coisas assim.

          1. Não sei se mais chato, mas o livro é — eu acho, pelo menos — um ~investimento muito maior. De tempo, de atenção, de disposição. Mesmo comparado a uma série, que demanda tanto ou mais tempo, é uma pegada bem diferente. Como o André Marmota disse ali embaixo, a leitura não é passiva, como um filme ou série bobo podem ser. (Mesmo um livro bobo demanda foco e atenção.)

            Antes de qualquer outra coisa, ler é hábito.

      2. Eu colocaria mil ressalvas sobre esse ponto de ler ser uma coisa elitista. Eu frequento biblioteca pública no centro de São Paulo e posso te falar que quem está lá no dia dia, frequentando mesmo, é a classe popular. Não tem elite ali. Lembro também que entrei em Ciências Sociais na PUC de 2005 a 2008, auge do PROUNI, e eu sou branco, classe média, estudante de escola privada, com pais leitores. Na minha sala a maioria era da periferia, juventude negra de bairros periféricos, oriundos da escola pública. Fiquei assustado com a bagagem cultural e carga de leitura que eles chegaram. Passei anos ali calado e só ouvindo e aprendendo porque minha trajetória pessoal de leitura era ridícula perto da galera. As pessoas da elite que conheço na micro realidade que vivo, a maioria sequer tem livro em casa, inclusive amigos que estudaram na mesma escola que eu. Enfim, não consigo afirmar leitura como algo elitista, não. Tem sim um perfil acadêmico branco construído historicamente, mas até esse perfil já está mudando nas universidades públicas do país. E com todo respeito, viva a leitura, uma atividade tão transformadora que deveria ser cultivada em todos os cantos. Não precisamos vincular leitura a inteligencia (embora ela tenha esse potencial) mas a uma experiência transformadora, que amplia sua visão de mundo. A leitura agrega todas as outras experiências. Abraços.

          1. Sim, faltam políticas públicas voltadas para leitura, bibliotecas, etc. Tem muito a se fazer nesse sentido, inclusive tornar os livros mais baratos e acessíveis. Mas o desejo e o hábito de ler existe para a maioria dos brasileiros. A leitura não é uma prática elitista. O desejo popular pela leitura é existente e muitas pessoas da classe popular buscam suas alternativas para praticar a leitura. Deixo um link aqui também sobre essa questão.

            https://blog.nubank.com.br/leitura-e-renda-brasil/

  25. Idolatramos muito o ato de ler, quando deveríamos focar no que está sendo lido. Afinal posso ler a coleção olavo de carvalho e aí seria melhor não ter lido nada

  26. Meus cinco centavos, também em forma de desabafo.

    Leitura, num ambiente que te permite fazer isso, exige que você converse com as linhas diante dos seus olhos. É como se você, sem perceber, estivesse “trocando ideias” com as palavras.

    A mensagem que está na sua frente exige interpretação. É um convite permanente para uma anotação no canto da página – ou em outro lugar, pra quem tem apego ao livro (eu tenho, não me julguem).

    Ler não é uma atividade passiva.

    Agora, um vídeo produzido para você não pular em cinco segundos, com alguma edição e tamanho reduzido, que insiste em “vem badalar o meu sininho pra você saber quando eu vou tem mandar meu próximo pacote pronto pra você consumir” é, sim, uma forma de fazer sua interpretação ficar quieta e se divertir.

    É o “entretenimento passivo” do seu desabafo com uma camada extra de “quem precisa de senso crítico se a interpretação já vem pronta?”.

    Nada me tira da cabeça que o empacotamento abundante de opiniões prontas pra serem absorvidas sem critério (vocês vão ler expressões como “snack content” e “firehosing” por aí) estão destruindo a nossa capacidade de conversar.

    Ou, em último caso, faz com que muita gente desista de puxar papo com aquele amigo de outrora que, nos últimos anos, interditou qualquer debate sobre convívio social.

    E eu não tenho ideia sobre como sair dessa arapuca. O esforço em dizer “vem ler mais” ainda não supera os milhões de vídeos virais roteirizados por chatgpt.

    1. Duas horas depois que postei aqui e alguns comentários nesse post reforçam meu ponto de vista.