Desenvolvedor de Ultrakill diz que não há problema em piratear seu jogo se você não tiver dinheiro sobrando: ‘A cultura não deveria existir apenas para quem pode pagar’
Muito boa a abordagem do desenvolvedor e isso vai acabar atraindo ainda mais compradores para esse jogo.
14 comentários
O Dave Oshry, que faz parte dessa geração de desenvolvimento semi-indie, sempre defendou isso. Darkwood tem uma abordagem parecida (agora não me lembro quem desenvolve) a ponto do próprio criador distribuir via Pirate Bay o jogo.
Enfim, lendo os comentários, fica claro que o problema não é a pirataria, é o capitalismo (o mesmo vale pra IA, carros, redes sociais etc). Mas parece que o sistema simplesmente se encrustrou na nossa sociedade atual que sequer conseguimos, como corpo social, imaginar outra dinâmica entre as pessoas.
Lacração que só leva o debate na direção errada.
A pirataria existe, e sempre existirá, como válvula de escape. O sistema reprime por força legal e moral. Se fosse uma forma lícita de distribuição de conteúdo, duvido que o Ultrakill fizesse uma defesa tão entusiasmada.
Entre outras coisas, é preciso discutir os preços dos games, as margens de lucro das editoras e o porque das pessoas não conseguirem pagar.
Eu tenho uma teoria que a pirataria é que mostrou a viabilidade de todo o lance de distribuição digital e streaming.
Enquanto ciência, o critério da antropologia pra delimitar seu campo de estudo é ‘criar cultura’, ou seja, o ser humano é um bicho que cria cultura. Isso nos seria, portanto, natural.
Mas, no capitalismo, tudo tende a virar uma mercadoria. Isso é inevitável.
Então é óbvio que cultura não deveria existir apenas pra quem pode pagar, mas virou uma mercadoria. Como a água. Ou o trabalho. Como qualquer outra coisa.
Concordo muito. O triste é ver gente que pode pagar pirateando. :/
Ah, mas veja bem…
“veja bem” sempre cola, rs.
triste é existir gente rica enquanto a maioria passa fome
o que há de triste nisso?
Escritores que vivem de escrever e que veem seus livros pirateados acham triste. Idem desenhistas que encontram nas grandes redes camisetas com estampas de sua autoria, fotógrafos que acham fotos suas em linhas de cadernos etc. E não estou falando dos Paulo Coelho da vida – esse, inclusive, acha graça e tem uma gigantesca coleção de livros dele publicados sem permissão.
Julia, provavelmente a galera que pirateia não iria comprar da mesma maneira, ou seja, o autor não receberia nada. (Aliás, já recebe uma miséria comparado ao que a editora recebe). A maioria faz pirataria só por que gosta de coisas grátis e não precisa ficar justificando moralidade.
Você mesmo já respondeu: “A maioria faz pirataria só por que gosta de coisas grátis e não precisa ficar justificando moralidade.”
Mas aí você misturou coisas. Uma coisa é uma pessoa piratear um livro (ebook), outra é um desenhista ter sua ilustração pirateada pela Renner e vendida no país todo sem pagar nenhum tostão por isso. São coisas muito diferentes.
A pirataria que se fala na matéria e nos posts do X é a mesma coisa que fazíamos quando emprestávamos livros uns pros outros. Ou quando o pessoal tirava xerox na faculdade de livros inteiros. O dinheiro é escasso e as pessoas querem consumir mas não pode por conta de uma barreira artificial.
O próprio desenvolvedor, que não é nenhum Paulo Coelho, fala sobre isso:
Indo mais além, esse pequeno vídeo esplica essa questão de forma mais clara: https://video.twimg.com/ext_tw_video/1725969266753564672/pu/vid/avc1/720×1280/qjv1RVKcXx2t6Mrx.mp4
A frase escolhida para esse tópico é “Cultura não deveria existir apenas para quem pode pagar”, com que eu concordo. Muita gente PODE pagar e escolhe não fazê-lo – seja para filmes, jogos, livros, ilustrações, músicas. Escolher o que convém na discussão porque “o dinheiro é escasso e as pessoas querem consumir mas não pode (sic) por conta de uma barreira artificial” (a barreira artificial seria o dinheiro que o produtor de cultura merecidamente deve receber porque, afinal de contas, esse é o ofício dele?) é esquecer que quem produz cultura depende dela para sobreviver.
Vou falar do meu segmento: é fácil xingar a Companhia das Letras porque o livro custa R$ 120, esquecendo que quem escreveu o dito vai receber 5% do valor de capa (e sofrer o desconto do adiantamento). A livraria fica com até 65% do valor do livro (sim, o erro está aí). Do restante vai sair o pagamento de tradutores, revisores, capistas, diagramadores, pesquisadores, gráfica, estoque etc.
A meu ver, defender pirataria é, na maioria das vezes, simplesmente ignorar que o dinheiro que está ‘pagando” por ela está saindo do bolso de quem criou a cultura, não o intermediário. Esse tem infinitas maneiras de escapar dela – no caso das editoras, vendas para o PNLD é uma delas.
Então desculpe, continuo achando pirataria errado. É tipo as vantagens que o cartão de crédito te dá: não é a operadora que paga por elas.
@ Júlia
Você mesma respondeu a questão central: o problema é o capitalismo (que transforma tudo em mercadoria e jogar trabalhador contra trabalhador).