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“Cultura não deveria existir apenas para quem pode pagar” pcgamer.com

Desenvolvedor de Ultrakill diz que não há problema em piratear seu jogo se você não tiver dinheiro sobrando: ‘A cultura não deveria existir apenas para quem pode pagar’

Muito boa a abordagem do desenvolvedor e isso vai acabar atraindo ainda mais compradores para esse jogo.

14 comentários

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  1. O Dave Oshry, que faz parte dessa geração de desenvolvimento semi-indie, sempre defendou isso. Darkwood tem uma abordagem parecida (agora não me lembro quem desenvolve) a ponto do próprio criador distribuir via Pirate Bay o jogo.

    Enfim, lendo os comentários, fica claro que o problema não é a pirataria, é o capitalismo (o mesmo vale pra IA, carros, redes sociais etc). Mas parece que o sistema simplesmente se encrustrou na nossa sociedade atual que sequer conseguimos, como corpo social, imaginar outra dinâmica entre as pessoas.

  2. Lacração que só leva o debate na direção errada.
    A pirataria existe, e sempre existirá, como válvula de escape. O sistema reprime por força legal e moral. Se fosse uma forma lícita de distribuição de conteúdo, duvido que o Ultrakill fizesse uma defesa tão entusiasmada.
    Entre outras coisas, é preciso discutir os preços dos games, as margens de lucro das editoras e o porque das pessoas não conseguirem pagar.

  3. Eu tenho uma teoria que a pirataria é que mostrou a viabilidade de todo o lance de distribuição digital e streaming.

  4. Enquanto ciência, o critério da antropologia pra delimitar seu campo de estudo é ‘criar cultura’, ou seja, o ser humano é um bicho que cria cultura. Isso nos seria, portanto, natural.

    Mas, no capitalismo, tudo tende a virar uma mercadoria. Isso é inevitável.

    Então é óbvio que cultura não deveria existir apenas pra quem pode pagar, mas virou uma mercadoria. Como a água. Ou o trabalho. Como qualquer outra coisa.

  5. Concordo muito. O triste é ver gente que pode pagar pirateando. :/

      1. Escritores que vivem de escrever e que veem seus livros pirateados acham triste. Idem desenhistas que encontram nas grandes redes camisetas com estampas de sua autoria, fotógrafos que acham fotos suas em linhas de cadernos etc. E não estou falando dos Paulo Coelho da vida – esse, inclusive, acha graça e tem uma gigantesca coleção de livros dele publicados sem permissão.

        1. Julia, provavelmente a galera que pirateia não iria comprar da mesma maneira, ou seja, o autor não receberia nada. (Aliás, já recebe uma miséria comparado ao que a editora recebe). A maioria faz pirataria só por que gosta de coisas grátis e não precisa ficar justificando moralidade.

          1. Você mesmo já respondeu: “A maioria faz pirataria só por que gosta de coisas grátis e não precisa ficar justificando moralidade.”

        2. Mas aí você misturou coisas. Uma coisa é uma pessoa piratear um livro (ebook), outra é um desenhista ter sua ilustração pirateada pela Renner e vendida no país todo sem pagar nenhum tostão por isso. São coisas muito diferentes.

          A pirataria que se fala na matéria e nos posts do X é a mesma coisa que fazíamos quando emprestávamos livros uns pros outros. Ou quando o pessoal tirava xerox na faculdade de livros inteiros. O dinheiro é escasso e as pessoas querem consumir mas não pode por conta de uma barreira artificial.

          O próprio desenvolvedor, que não é nenhum Paulo Coelho, fala sobre isso:

          Even the more business-minded people around can recognise that if you pirate a game, then enjoy it, spread word about it and get someone else to buy it, that’s at worst an equal trade, at best an additional sale that wouldn’t have happened if you hadn’t pirated it.

          Indo mais além, esse pequeno vídeo esplica essa questão de forma mais clara: https://video.twimg.com/ext_tw_video/1725969266753564672/pu/vid/avc1/720×1280/qjv1RVKcXx2t6Mrx.mp4

          1. A frase escolhida para esse tópico é “Cultura não deveria existir apenas para quem pode pagar”, com que eu concordo. Muita gente PODE pagar e escolhe não fazê-lo – seja para filmes, jogos, livros, ilustrações, músicas. Escolher o que convém na discussão porque “o dinheiro é escasso e as pessoas querem consumir mas não pode (sic) por conta de uma barreira artificial” (a barreira artificial seria o dinheiro que o produtor de cultura merecidamente deve receber porque, afinal de contas, esse é o ofício dele?) é esquecer que quem produz cultura depende dela para sobreviver.
            Vou falar do meu segmento: é fácil xingar a Companhia das Letras porque o livro custa R$ 120, esquecendo que quem escreveu o dito vai receber 5% do valor de capa (e sofrer o desconto do adiantamento). A livraria fica com até 65% do valor do livro (sim, o erro está aí). Do restante vai sair o pagamento de tradutores, revisores, capistas, diagramadores, pesquisadores, gráfica, estoque etc.
            A meu ver, defender pirataria é, na maioria das vezes, simplesmente ignorar que o dinheiro que está ‘pagando” por ela está saindo do bolso de quem criou a cultura, não o intermediário. Esse tem infinitas maneiras de escapar dela – no caso das editoras, vendas para o PNLD é uma delas.

            Então desculpe, continuo achando pirataria errado. É tipo as vantagens que o cartão de crédito te dá: não é a operadora que paga por elas.

          2. @ Júlia

            Você mesma respondeu a questão central: o problema é o capitalismo (que transforma tudo em mercadoria e jogar trabalhador contra trabalhador).