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Como recuperar o amor pelas coisas?

Oi, pessoal!

Essa aparição aqui é uma espécie de desabafo/pauta pra conversa

Quando eu entrei na faculdade, lá em 2016, tinha o sonho de ser professor universitário. Nesse meio tempo, fiz graduação, mestrado e agora estou no meio do doutorado. No ano passado fui convocado em um concurso pra ser professor em uma universidade do meu estado – o que foi, basicamente, alcançar meu sonho.

A questão é que eu me desencantei pelo doc, me sentindo distante da pesquisa e estando há meses sem conseguir mexer na tese, com ansiedade só de pensar na possibilidade de interagir com o arquivo.

Somado a isso, no ano passado, perdi 4 familiares muito próximos, o que me tirou do rumo.

Como vocês fazem pra retomar o interesse/amor por algo quando aquilo não faz mais sentido?

19 comentários

19 comentários

  1. Vinicius, lamento que esteja tão pesado e espero que vc encontre denovo um momento de achar que a vida pode ser generosa

    Isso de qdo a gente alcança algo rolar tooooda uma revisão na nossa cabeça é ok, é comum (não quero usar normal sabe) torço pra que vc encontre paz na escolha que vier a fazer mas, calma, pelo que vc disse vc está passando por um luto, estranho seria se vc não estivesse triste e desencantado.

    Vc está fragilizado pelo luto eu acho, então cuidado aí com a classe médica psiquiatria tá… Vá com uma pessoa amiga se for caso (nem sempre é um código do DSM) é só a vida mesmo e ok ficar triste por perdas e mudanças intensas

  2. Vinicius, obrigado pelo relato e de coração deixo meus sentimentos pelos seus familiares.

    Eu não consigo pensar numa resposta sobre a sua dúvida e fico pensando se isso é possível. Como vou conseguir ter amor/interesse por algo que não faz mais sentido?

    Não sei se você tem algum profissional que te acompanhe, psicólogo, terapeuta, com certeza eles são mais capacitados que eu pra te ajudar nessa reflexão, mas eu talvez tentasse encontrar sentido nesse algo, se não encontrar, provavelmente tentaria buscar outro caminho (é o que estou fazendo numa transição de carreira que estou buscando).
    Estou sendo um pouco vago na resposta porque é um pouco difícil oferecer tentar oferecer opções sem entender mais seu contexto, privilégios ou falta deles, mas o que me ajudou nessa decisão sobre a transição foi refletir sobre o benefício que eu gostaria de levar para as pessoas.
    Se a gente tem dúvida sobre o benefício daquilo que a gente faz, fica muito difícil a gente se manter motivado a continuar.
    É claro que eu falo isso do meu pedestal de privilégios, e tentando ao máximo não cair no discurso do faça o que você ama, que na minha opinião é basicamente usado pra explorar nosso trabalho, mas acredito de verdade que se a gente não consegue enxergar benefício naquilo que a gente faz a gente vai ficar procurando justificativas o tempo todo pra continuar.

  3. Oi Vinícius. Primeiramente, obrigada por compartilhar seu relato conosco e meus sentimentos. E como a maioria do pessoal falou aqui, dê tempo ao tempo e cure-se. Tudo nessa experiência incrível que é viver está na experiência e no aprendizado. E você está fazendo isso, aprendendo e experienciando. Se deu certo, tudo bem, se não deu certo, tudo bem também. Não é o fim falhar, é o processo, uma jornada. Veja o quão longe você chegou e quão linda é a sua caminhada. E, como diria o poeta, a chegada é também a partida. E você seguirá e todos estarão torcendo por você, inclusive as pessoas tão queridas para você e que hoje seguem outras jornadas. Nada se perde, tudo se transforma. Ubuntu, meu amigo: eu sou porque somos. Você é porque nós somos. Cuide-se, cure-se e siga em frente! Sucesso!

  4. Acho que estou ficando repetitivo, mas uma coisa a dizer: o tempo também diz muito.

    A sua experiência de vida lhe trouxe até aqui. E de fato, viver é sempre estes conflitos, desilusões e desânimos.

    Pegue uns dias para você e faça algo um pouco diferente. Tente “sair da rotina”. Sim, é uma dica besta, mas pode talvez funcionar. Porque talvez o anseio é também porque assim como qualquer um de nós, talvez você já anseia o resultado do doutorado e da tese. TALVEZ. Posso estar errado.

    Deixe-me aproveitar e pesquisar o que significa “amor”. Achei interessante o resultado do “Priberam” :

    Aquilo que é objecto desse entusiasmo ou interesse (ex.: os livros electrónicos são o meu amor mais recente). = PAIXÃO
    Aquilo que é considerado muito positivo ou agradável (ex.: a decoração do quarto dos meninos está um amor).
    Ligação intensa de carácter filosófico, religioso ou transcendente (ex.: amor a Deus). ≠ DESRESPEITO
    Grande dedicação ou cuidado (ex.: amor ao trabalho). = ZELO ≠ DESCUIDO, NEGLIGÊNCIA

    Não existe uma “fórmula do amor” para recuperar o ânimo – senão psicólogos e principalmente marqueteiros estariam fazendo rios de dinheiro com isso.

    O que ocorreu talvez é que somado tudo o que passou, você chegou a um apice. Só o fato de desejar voltar a fazer diz algo. Guarde um tempo para você tentar descobrir coisas novas e “aliviar a mente”. Procure ver se dá para segurar um pouco a tese, para você ir com tudo na hora que se sentir bem – sei, por muito que li nas comunidades online, que faculdade e tese sempre pegam bem no psicológico, pois o intuito é sair com uma tese que te abra portas ou ao menos garanta que você consiga seu título. E cada comunidade acadêmica tem suas formas de tratar seus alunos. Só espero que a sua trate-o bem.

    E meus senitmentos quanto aos familiares. Pense da seguinte forma sobre eles: eles sempre estarão torcendo positivamente por ti assim como você tem este sentimento positivo sobre tais. :) É uma forma de enxergar a vida para seguir em frente depois de tudo.

    Peço desculpas se falei algo indevido e torço muito por você, e também por qualquer outra pessoa que leu e se identificou com o texto. :)

    Como já dito, terapia é uma das formas, que bom que está buscando. Estar aqui é também uma das formas de buscar respostas, e somo meus desejos a ti também aos desejados por outros: fique bem e torcemos por você.

  5. Olha, eu me desinteresso pelas coisas e aprendi a me desapegar dessa coisa de “precisa terminar ou vai ser um fracasso”. Acho que as coisas de fora apenas refletem nossas vontades do interior e acho que isso importa mais, sabe? Ver por detrás das camadas… Por exemplo, por trás do seu desencanto pode ter algo relacionado a um medo de não conseguir ser o melhor, ser “sucesso” e externalizar pode te ajudar a botar as coisas em perspectiva, o chamado “reframe”.

    Já quanto ao luto, além de lamentar pela sua perda, achei interessante que vc citou como uma segunda coisa, quando, só meu ver, é a principal. O luto não é linear, desestabiliza, é vivenciar a perda de várias maneiras na vida. Ter conseguido realizar um sonho tb é a morte dele, de certa forma, né?

    Que bom que vc está buscando ajuda profissional e espero que vc alcance serenidade no caminho e paz diante das suas escolhas.

    Abraço

  6. Vinicius, nem sempre dá para forçar uma coisa que não faz sentido para a gente. Ano passado eu abandonei meu doutorado pq achei que não era mais o caminho que eu queria e não daria tempo para mudar tudo. Não sou docente e meu trabalho é outro, por isso acredito que não me cobraria tanto para terminar por causa da formalidade em obter o título e seus desdobramentos.

    O que me ajudou realmente para tomar essa decisão (que levou alguns meses) foi tanto as sessões de análise que faço quanto dois livros muito bons que li. O primeiro é “As Virtudes do Fracasso” de Jacques Pépin e o segundo, “Sobre Desistir” de Adam Phillips.

    Lhe desejo sorte nessa resolução tão difícil. E que sua decisão faça sentido para você, acho que isso é o mais importante.

    1. Nesse ponto, desistir não é uma escolha, mas vou fazer aquilo que estiver ao meu alcance

  7. Oi, pessoal! Boa tarde!

    Li os comentários de vocês e senti muito carinho nas palavras. Sobre terapia e psiquiatria: estou em processo de troca de terapeuta e comecei recentemente a me consultar com um psiquiatra. Estamos testando a medicação para ver como me adapto.

  8. Não tente retomar o interesse/amor, apenas faça.

    Você pode (e deve) procurar ajuda com psicólogo, psiquiatra e amigos — como outras pessoas já recomendaram –, mas acima de tudo você deve relembrar os motivos para ter iniciado essa formação, e em como ela irá te beneficiar quando concluída. Acredito mais em fazer as coisas por disciplina que por “motivação”.

    1. De fato, é um caminho. Conseguir terminar logo para iniciar uma nova fase

  9. Rapaz, a primeira coisa é procurar ajuda psicológica e psiquiátrica, para dar uma geral na máquina sabe, ver se está tudo ok, se nada está desalinhado ou faltando uma “graxa” nas engrenagens, com isso você vai tendo mecanismos para, aos poucos, ir se encontrando novamente.

  10. Um amigo passou por uma situação parecida: desânimo e ansiedade com o doutorado, acabou num burnout sem terminar o doutorado. Uns 10 anos depois, com sintomas avançando para outras áreas da vida, procurou ajuda médica e psicológica e descobriu que era depressão. Pode não ser o seu caso, mas seria bom descartar.

  11. Vinicius, não sei te responder. Apenas queria te chamar pra tomar um café (ou comer uma pizza) e conversar sobre temas variados.

    Inclusive, essa pode ser uma boa ideia. Chame um ou mais amigos. Converse sobre qualquer coisa. Eles vão te ajudar a lembrar quem é você. :)

    1. É uma ótima ideia mesmo. Inclusive toparia super o café!

  12. Que barra, Vinicius! Embora eu nunca tenha passado por uma situação similar, às vezes me desencanto com as poucas coisas que me empolgam — incluindo este Manual. O que me ajuda é distanciar-me um pouco. Esse espaço ajuda a oxigenar os meus interesses e a afastar a fadiga e até certas paranoias. Por óbvio, essa “dica” não serve para a perda dos seus familiares (meus pêsames 😔), mas talvez ajude com o doutorado…?

    Em paralelo, e correndo o risco de soltar um clichê ou dizer algo que você já saiba, procurar ajuda profissional, de um psicólogo e/ou psiquiatra. O primeiro te ajudará a entender as fontes do que te aflige, e entender-se é, se não o primeiro, um passo importante. O psiquiatra pode ajudar com uma intervenção mais direta e imediata, o que pode ser o impulso que falta para sair da bad.

    Fique bem!

    1. Obrigado pelos votos, Ghedin. Estou com ajuda especializada, espero que surta efeito logo.