Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

Como mudar é difícil de ambiente desktop

Sou usuário Ubuntu há quase 20 anos. Antes usava KDE, antes disso usava Windows. Com o Ubuntu veio o Gnome, com um pequeno período de Unity ali nos anos 2010. Sempre optei pela interface padrão da distribuição.

Resolvi experimentar o KDE, me preparando para a versão recém lançada – mas coloquei no meu notebook reserva, não no computador de trabalho principal. Após um mês, desinstalei. É angustiante ter que procurar o que antes estava na ponta do dedo, o atalho, o caminho, a funcionalidade do aplicativo rotineiro, enfim. E olhe que não é tão diferente assim, ambos no Ubuntu.

Essa semana resolvi me livrar do meu hackintosh. Como gravo (música) tentei usar o Reaper no Linux e roda bem, mas o suporte a plugins mais avançados é limitado – tudo sai para Mac e (quase sempre também) para Windows. É estável, mas como uso de vez em quando toda vez é um parto para me adaptar – fecha do lado esquerdo, na verdade não fecha, mas “esconde/minimiza”, o maximizar é como se fosse uma tela virtual só para o negócio, não acho os arquivos… como pode uma abstração um pouco diferente causar tanto atrito e improdutividade. Vou encarar o desafio de rodar parte dos plugins do Windows e é isso. Cansei.

Sempre respeitei quem tem dificuldade de mudar do Windows para o Linux, mas ultimamente tenho respeitado mais. Ou estou ficando mais apegado ao meu fluxo de trabalho. E então percebo que cada vez testo menos alternativas. Antes procurava, testava, hoje nem procuro mais.

Vocês já passaram / passam por isto? O desgaste de muitas alternativas, que podem até ser melhores, mas o atrito da mudança lhes prende no “antigo”?

22 comentários

22 comentários

  1. Não querendo generalizar, mas toda vez que esse assunto vem, a maioria dos impasses parecem ser solucionados por alternativas que são super conhecidas pra gente que escreve, desenha ou até mesmo que joga. Mas quando se trata de áudio, a situação muda completamente de figura.

    Acredito que, tirando eu, você é a primeira pessoa que vejo reclamando aqui de algum problema relacionado a áudio que te impede de usar Linux. Bitwig é outra DAW que também está disponível pra Linux e mesmo assim ainda não é argumento o suficiente pra mudar. Assim como os puristas de coisas analógicas sempre falam de tons, praticamente ninguém usa só as coisas que já vem na DAW e isso é um fato.

    Mac sempre será uma alternativa fantástica ao Windows para trabalhos de áudio, mas o problema mora no preço e no upgrade. Muita gente usa bibliotecas de áudio com mais de 60GBs, tem bibliotecas passando dos 100GB facilmente e o acesso rápido a essas bibliotecas tem sido algo que não é possível ignorar. Não é só questão de por um cabo num HD externo e pronto.

    Voltando ao Linux, geralmente pessoas que trabalham com áudio, bom… elas trabalham. Elas querem compor, produzir, arranjar e mixar. Isso já é ficar “arrumando coisas” o suficiente, e ai a pessoa ainda vai ter que ficar tentando consertar problemas relacionados a plugins e sistema sendo que muitas vezes o prazo pra entregar trabalhos está super apertado? E mesmo que não seja questão de prazo ou cumprir uma meta, imagina que você esteja gravando algo e toda hora alguém ou algo te interrompe?

    O Windows é, infelizmente, um mau necessário, pelo ao menos até o Linux amadurecer em questão de áudio. Quem sabe com o CLAP (o novo formato de plugins) as coisas não mudem de figura?

    1. Bastante pertinente teu comentário, João.

      Gostaria demais de produzir (artesanalmente, diga-se de passagem) usando um DAW em Linux. Não posso nem comprar plugins, pois raramente eles são compatíveis com Linux. Alguns ótimos gratuitos não sei se vão rodar mesmo usando o Carla, mas vou preferir ter esta limitação ao atrito constante de usar o Mac 2 vezes na semana. É uma encrenca de anos – tenho um MacBook late 2011 que deu conta, mas de um momento para outro ficou absurdamente lento; instalei um Ubuntu e serve para um amigo estudar programação (luxuosamente, pois voa). Então não é um decisão de agora, mas anos tentando (pelo menos 6 ou 7 anos).

      Daqui há algum tempo volto a dar meu relato.

  2. Eu sempre tive facilidade em migrar sistemas, distribuições, ambientes de desktop e aplicações. Acho que pelo fato da migração sempre ser precedida por um “vou ver como essa parada funciona”. E deste modo, as coisa iam bem pois a intenção era justamente saber como, o quê e o porque daqueles recursos. Dentro das possibilidades de uso e do modo de funcionamento desta ferramenta, eu busco criar um fluxo de trabalho que melhor me atende dentro daquele ecossistema com suas próprias características. Atualmente uso Linux Mint com XFCE (e o tema Chicago95) tanto na máquina pessoal quanto no trabalho (a galera do TI instalou só para mim S2) mas consigo trabalhar em qualquer sistema, meio que para mim, no que tange ao uso, não importa muito qual o ecossistema de modo que escolha pelo Mint acaba sendo por uma aproximação e afinidade filosófica em relação ao que projetos livres/abertos propõem.

  3. As minhas migrações sempre foram bem tranquilas. Acabei me acostumando a usar diferentes Sistemas Operacionais no meu dia a dia. Windows 7/10 no Trabalho, Windows 11 e Ubuntu (Gnome) em casa.

    O que torna uma migração angustiante é você querer fazer as mesmas coisas num ambiente totalmente diferente. Nesse caso, tem que ir de cabeça aberta e aceitar as mudanças.

  4. O Windows é um sapato apertado cujo desconforto ignoramos; o Linux um folgado que, às vezes, sai do pé enquanto seu cadarço não é ajustado e amarrado.

    Não acho que devemos nos adaptar ao sistema. É o sistema que deve se adaptar a nós e tal tarefa cabe ao Usuário, que precisa ler o Manual (sacou? hehehe). Nesse sentido, o Linux faz jus ao termo “Personal Computer” (PC).

    Abaixo, meu “testemunho”.

    Fui usuário de Windows por mais de 20 anos e não comecei a usar Linux por querer. Em 2019, danifiquei a placa mãe de meu desktop, em 2022 comprei uma nova e estava satisfeito com o Windows 7 Ultimate. Porém, a Microsoft descontinuou o OneDrive para Windows 7 e 8. Instalei o 10 e não havia suporte para alguns drivers (o PC é de 2012).

    Comecei com Linux Mint, em dual boot. Depois migrei para Pop! OS por causa do seu gerenciador de janelas nativo e removi totalmente o Windows. Ou seja: a Microsft me obrigou a usar Linux.

    O gerenciador de janelas tinha bugs e carecia de algumas opções. Isso me levou ao i3wm, gerenciador de janelas que “se confunde” com ambiente desktop. Foram horas de leitura da documentação, mas valeu a pena.

    Tudo isso para dizer que: não é (só) o sistema Linux que é complexo; nós somos complexos. E, para fazer o sistema se adequar à nosso perfil, dá trabalho. Tanto pela falta de conhecimento quanto pelo ajuste fino até chegar ao que queremos. E, pelo caminho, descobrimos coisas que nem sabíamos da existência, o que desperta desejos de uma personalização inexistente na nossa rotina em outros ambientes e sistemas.

  5. “Como mudar de ambiente desktop é difícil”

    1. O primeiro comentário foi meu:

      “Revisei tudo menos o título, hehe… Ficou parecendo o Yoda”

      1. Estou tão em sintonia com o tema que li do jeito certo e só agora percebi que estava invertido, hahaha

  6. Acho que é uma questão de zona de conforto mesmo. A gente se acostuma tanto com uma determinada coisa que, quando ocorre uma pequena ou então grande mudança vem aquela frustração. Iniciei no Linux em 2002. De lá pra cá usei um pouco de tudo, inclusive me aventurei no mundo Apple, o qual durou pouco. por aqui o Ubuntu foi sem dúvida um divisor de águas após o fim do Conectiva. Comecei na versão 5.04 e usei até quando enfiaram o Unity goela abaixo. Quando vi que não servia mais, saí em busca de algo que fosse simples e objetivo. Experimentei de tudo. Acabei aportando no Debian. No começo escolhi o GNOME devido a simplicidade, hoje, não troco o XFCE por nenhum outro. É um ambiente sólido, objetivo e muito configurável. Requer no início um pouco de paciência para deixá-lo com a cara do usuário, mas após finalizado o refinamento, não tem melhor. Ao menos para meu gosto. O problema que vejo em alguns ambientes é o fato de os desenvolvedores ficarem reinventando a roda e entupindo com coisas desnecessárias. O Plasma é um belo exemplo de beleza e ao mesmo tempo coisas inúteis. Deveriam simplificá-lo. Se um dia chegar nesse nível, talvez seja “o ambiente”. Por fim, toda mudança gera desconforto mesmo, especialmente quando ela atrapalha o fluxo de trabalho.

  7. Comecei a sair do Windows ainda na época do windows xp… mas como não tinha computador “bom” ainda sofria muito com compatibilidade de hardware. Mas me aventurava em gnome 2.xx, KDE 3.xx…
    Os ambientes linux vinham mais prontos pra uso do que o Windows… Na maior parte das distros eu não precisava me preocupar com instalação de suite de texto, torrent, navegador, players, descompactadores… tava tudo lá funcionando. Alem das facilidades de poder imprimir em PDF nativamente, alterar volume e brilho só com a roda do mouse, rolar o conteudo da janela sem precisar seleciona-la (pode parecer besta, mas é um granho de produtividade enorme)…
    Depois que comprei esse notebook que escrevo agora (uns 10 anos atras) passei a usar exclusivamente linux…Só usava windows no trabalho, ali passei do 7, 8, 8.1… Windows 10 eu só usei a versão LTSC que tem no PC aqui da esposa e nem cogito usar windows 11 ou posteriores….
    Como mencionou o colega, a invasão de privacidade é absurda e o sistema consome muito recurso pra tão pouco que preciso….Alias, eu acho muito legal que a Microsoft adotou alguns recursos dos ambientes linux.

  8. Coloquei o Windows 11 e o Zorin OS em dual-boot no computador aqui de casa. Eu Faco assim, um dia uso o Windows e no outro uso o Zorin.

    Instalei uma interface XFCE no Zorin e, assim, o bichinho voa. Não trava, o áudio não fica picotando enquanto uso navegadores Chromium.

    (lembrando que o PC que tenho é um Core i3 de 4a geração ainda e tive que colocar um pente de 8 GB de RAM)

    Ainda preciso pegar um pouco mais de prática no mundo Linux. Quando a alguns programas que não tem uma versão, como o Photoshop, estou montando uma combinação de pequenos programas para funções que eu mais costumo usar. Office já tem algumas alternativas como o WPS, OnlyOffice, LibreOffice e tbm o próprio Office 365 (versão free pra fazer um uso mais básico).

  9. Sair da zona de conforto é difícil, sempre a gente acha algo que não gostamos e usamos como desculpa pra voltar ao conforto.

  10. Faz quase 2 anos que mudei de SO no desktop, no meu caso do Windows para o macOS, uma transição mais tranquila do que para ambientes Linux creio eu.
    No meu caso foram mais de 2o anos usando somente o Windows, passando desde o 98, pulando o Vista, até o 11.
    Eu sempre quis mexer num Mac, na época do Windows 7 buscava temas para deixa-lo como o Snow Leopard kk. Quando a Apple anunciou a transição para ARM e os reviews da galera eram só elogios eu concluí ali que seria o momento de mudar.
    O começo foi doloroso, passei semanas pesquisando como fazer as tarefas básicas no SO até acostumar, hoje a memória muscular reina e já sei fazer de tudo sem nem ver. Todos os programas que eu utilizava também já tinham versões para Mac, nesse sentido fez a transição ser muito mais tranquila pois ja eram a interface e recursos que eu estava acostumado.
    É o sistema que melhor me atende, tem todos os apps que preciso para minha produtividade, é compatível com a mesa digitalizadora da Wacom que uso pra trabalho (que não oferece driver para Linux), é mais seguro e privado que o Windows.
    Não penso em mudar mais de SO, Windows tratando como nunca o usuário como produto colocando anúncios no menu iniciar (inclusive lançados hoje na atualização KB5036980) e o Linux não sendo compatível com hardware nem softwares que utilizo no trabalho. No futuro quero aprender programação como forma de hobbie e com isso começar a me aprofundar nas distros, mas sempre usando o macOS como principal.

  11. isso é verdade, e eu sempre levanto esse ponto quando alguém fala que “Windows é (muito) mais fácil que Linux”

    não é que Windows seja mais “fácil” de maneira geral, mas se é o que o cara conhece, então para ele vai ser de fato o mais “fácil”

    eu me lembro dos dos tempos do Windows 7: de dia eu usava Windows 7 no serviço, de noite eu usava o Gnome em casa (já o Gnome 3) … pra mim pelo menos a diferença era gritante, o u Windows tinha uma interface jurássica … mas é o que todo mundo usava e achava “fácil”

    (lembrando que o pessoal antigamente usava Word … em DOS)

  12. As vezes o esforço da mudança compensa, mas isso só é descoberto quando a mudança é concretizada.

  13. Eu uso o sistema que me atende.
    Na adolescência eu tinha tempo para ficar testando e mudando de SO. Hoje, não mais. Tenho resultados para entregar e o sistema que me ajudar a fazer isso com mais eficiência é o eleito.
    Já tentei Linux, mas eu passava mais tempo tentando ajeitar as coisas do que efetivamente usando-o.
    Hoje é o Windows quem me atende.

  14. Por isso que nenhum sistema maduro muda sua interface consideralmente. O Frankenstein 11 que o diga: mesmo ignorando a existencia do 8 eles estão tentando e falhando mizeravelmente uma alteração a uns 10 anos.

    Mas tem alguns users – os mais avançados muitas vezes e justamente que urubuzeiam Linux – que não se importam tanto.
    O que me quebra na real está em 2 pontos:
    . exatamente o que o outro sistema oferece que compensa mudar para ele?
    . tenho de abrir mão de algo nessa mudança? Não fazer diferente, tenho de deixar de fazer algo?

    E esses 2 pontos são terríveis na prática :/

  15. Senti bastante quando passei uma semana no KDE Plasma. Mesmo os recursos que existem são um tiquinho diferente e, às vezes, esse tiquinho faz toda a diferença.

    Já estou meio conformado em, no médio prazo, continuar refém da Apple 🥲

    1. Ghedin, é com um certo espanto que leio que você desistiu do penguim pra continuar na maçã. Sabe o que seria legal? Se você postasse um relato mais detalhado do porquê tomou essa decisão. Não tenho a intenção de refutar nem convencê-lo de nada; é mais curiosidade mesmo. :)

      1. Ainda acompanho com muito interesse tudo que diz respeito ao Linux, fulalas. E sigo rodando uma instalação do Debian stable no meu servidor doméstico :)

        Desisti porque o macOS me permite trabalhar melhor. Não sei se “melhor” é a palavra correta… talvez os aplicativos e soluções melhor projetadas encurtem caminhos e me ajudem no dia a dia. O que notei naquela semana com o KDE Plasma foi que, mesmo com toda a flexibilidade desse ambiente gráfico, muita coisa ali ainda tem arestas grossas que atrasam ou apenas são menos prazeirosas que no macOS.

        Os estadunidenses têm uma expressão para definir situações do tipo: “death by a thousand cuts”, ou seja, o diabo mora nos detalhes. Alguns sutis (fluxos de e-mail, que no Mail da Apple são quase perfeitos, acabam sendo desengonçados ou complexos no Thunderbird ou Evolution). Outros, brutais (é difícil lidar com o Krita ou GIMP depois de acostumar-se ao Pixelmator Pro).

        Conseguiria me virar com o Plasma ou Gnome? Sem dúvida. Seria uma experiência tão fluída quanto a que tenho hoje no macOS? Suspeito que não.

        No mais, tem outro fator crítico aí: meu MacBook acabou de fazer um ano. Tem o Asahi Linux, só que ainda é experimental, e preciso de algo confiável para o dia a dia. Comprar um ThinkPad equivalente está fora de cogitação (pois caro). A migração ficou para um dia… 🥲

  16. (Revisei tudo menos o título, hehe… Ficou parecendo o Yoda)

    1. Sempre usei Windows, pelas facilidades e pelos jogos. Na época da pandemia levei pra casa o dell do trabalho que rodava windows 10 liso, com 8GB de ram, 2 placas de vídeo dedicadas e HDD. Passou 1 ano e uma placa de vídeo morreu, passou outro ano e a outra de vídeo tb morreu, fiquei só com as onboard e ficou impraticável trabalhar nele.
      Instalei o Ubuntu, o desempenho voltou a ficar muito bom, consegui trabalhar normalmente mas senti falta de algumas coisinhas: instalei o xampp no windows e next next finish, precisei colocar o icone do painei no desktop, botao direito, novo e tá lá. Fui fazer o mesmo no linux, muito bem com um comando instalei, agora pra colocar o ícone no desktop, me deu uma puta trabalheira.
      Hoje mudei de trabalho e voltei pro Windows, muitos dizem que pra programar é melhor linux, mas consigo fazer tudo no windows sem problema algum.
      Mac não posso opinar pois nunca usei por mais que alguns minutos.
      Um dia penso em ter um unicamente pra conseguir desenvolver app para iphone.
      Enfim é isso, sigo no bom e velho Windows (hoje no 11).