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Como descobri que não tinha amigos homens e o que aprendi com as mulheres para mudar isso bbc.com

Homens deste fórum de internet (e mulheres também; falem de homens com quem convivem), vocês enfrentam esse problema?

11 comentários

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  1. Honestamente, eu tendo a olhar com ceticismo essas matérias da BBC sobre Johns e Maries com “estudos de Havard”. O ocidente da BBC é completamente descolado do nosso. Um homem brasileiro de meia idade pode não ter amigos aqui e, provavelmente, serão por motivos completamente diferentes dos motivos de um homem britânico.

  2. Realmente é verdade. No meu caso, 31 anos com 2 filhos, não tenho nenhum amigo, além de familiares. Esses últimos não tenho nenhuma intimidade, somente nos encontramos em eventos da família e sempre superficial.

  3. O tema é muito interessante mas penso que existe muita coisa pertinente que o artigo não focou ou nem mesmo abordou. Eu sinceramente vejo que o recorte por gênero é o menos relevante dentro desse tema. Claro, não nego que o problema atinja mais os homens, mas as mulheres estão muito longe de estarem bem nessa questão.

    Em nenhum momento foi falado que a questão da solidão é uma tendência de décadas, sendo resultado da mudança do campo para a cidade e do inchaço das metrópoles, onde as pessoas levam uma rotina cada vez mais individualizada.

    Além disso, há um contínuo declínio de instituições conhecidas por fomentar socialização, como igrejas e associações de bairro. E com a chegada dos smartphones e redes sociais a coisa foi ladeira abaixo, afetando absolutamente todos nós. Fora outras coisas menores, mas que também comprometem a socialização em algum grau, como caixas automáticos e serviços self-service.

    Outra coisa que o artigo até tentou mas falhou miseravelmente foi fazer um recorte por cultura. Já morei fora do continente e tenho amigos que moram em países asiáticos, e há um contraste evidente quando comparamos a socialização dessas culturas com o Brasil. Os brasileiros têm muita sorte de serem um povo no geral muito caloroso e aberto, coisa que não ocorre em países anglo-saxões e asiáticos, pois nesses lugares as pessoas têm uma relação complicada com afeto e emoção, e a repressão é algo crítico. Basta procurar observar demonstrações de afeto em público, para citar somente um exemplo evidente. Na intimidade a coisa é ainda mais dramática.

    Eu gostei muito dessa parte aqui, quando o autor tenta explicar por que temos dificuldade de socializar:

    Acho que é porque não somos ensinados a fazer aquele trabalho social, aquele trabalho de nos comunicar com as pessoas, de organizar reuniões, de enviar postais, todos os pequenos esforços que são necessários para manter e criar vínculos.

    Esses movimentos são exatamente o que a tecnologia está nos roubando, pois acabamos ficando na conveniência de casa assistindo a algum streaming, jogando, escrolando timelines, pedindo comida, etc. Sair de casa já parece algo trabalhoso demais e que requer muitos movimentos que, em muitos casos, não são recompensados da mesma forma que simplesmente ficar em casa. Recomendo muito esse vídeo do MrWhoseTheBoss: https://www.youtube.com/watch?v=FZvee3-PEzo

    Já essa parte aqui:

    Uma coisa muito simples que fiz, por exemplo, foi organizar um grupo que jogasse futebol toda semana e depois de jogar íamos beber em um pub. Foi uma coisa muito simples que fez uma grande diferença.

    Bem, o sujeito comemorou ao fazer precisamente o que os homens são conhecidos por fazerem há décadas, e que inclusive o próprio artigo critica: realizar encontros em grupos através de eventos/hobbies, dando zero espaço para sentimentos e afeto. Esse trecho soou tão mal no texto que eu imagino que houve algum problema de revisão (curiosamente também aparece na versão original em inglês).

    No final, o artigo sugere procurarmos atividades/intereresses em comum. OK, pode até ser um gatilho, mas não é isso que efetivamente conecta as pessoas. Por exemplo, pode ser que você tenha um hobbie específico em comum com alguém, mas que o alinhamento o intelectualmente seja totalmente diferente. Não por acaso esses apps tipo Meetup podem ser tão frustrantes. Encontrar uma pessoa que tem o mesmo hobbie que você não garante que vocês vão querer ser amigos, pois o afeto não está atrelado a atividades, mas a afinidade moral e emocional.

    1. Ah, sim. Outro recorte muito relevante que faltou no texto foi o de faixa etária. Ser adulto e com filhos muda drasticamente a dinâmica de socialização, adicionando mais uma camada de complicação, atingindo inclusive homens e mulheres em graus muito semelhantes.

      Curiosamente, no final do artigo aparece um texto relacionado a isso: https://www.bbc.com/portuguese/geral-60286091

  4. Já foi para mim mas hj em dia creio que não é. De certa forma, está piorando novamente. É preciso gastar energia para ter essas amizades e isso pode não ser interessante de imediato, mas creio que é muito importante mesmo.

  5. Estou indo pros 40 anos e nos últimos anos perdi os 3 amigos que tinha, pois descobri que cada um deles só se interessava pelo que podiam usufruir de mim, materialmente falando. Quando “fechei a torneira”, desapareceram. Fiz uma cirurgia recentemente e ninguém sequer ligou.
    Minha única amiga é minha esposa, que é introvertida e também não tem amigos. Ela não liga e vive feliz assim mas eu me sinto bem deprimido com isso.

  6. Exatamente como relata a matéria, não chega a ser um problema ainda para mim, mas pode ser quando eu me aposentar.
    Vejo minha mulher conversando com várias amigas diferentes, com muita desenvoltura, enquanto eu não consigui fazer um amigo em mais de 15 anos.
    Até meus 30 e poucos tinha muitos amigos, mas fomos nos distanciando, deixando de ter coisas em comum para conversar. A amizade masculina, como diz o texto, depende muito de uma atividade em comum e menos sobre cada um. Mas não pretendo, tomar uma providência. Não tenho mais paciência para ficar fazendo amigos.

  7. Vejo acontecer tanto o relatado pela matéria quanto o relatado pelo Guilherme abaixo.
    No meu caso sempre tive mais amigas que amigos, e mais intimidade com elas também, mas tenho um bom número de amigos também, então creio que tá ok.

  8. Eu sempre tive muito mais facilidade pra ter amizades com mulheres. Sempre tive pouquíssimos amigos homens. Mas como a mentalidade aqui não é essa, antigamente me chamavam de Sepé (uma marca de arroz)kkkk.

  9. Hm, minha percepção é o contrário sobre o Brasil (embora sem qualquer lastro científico). Mulheres tendem a concentrar sua energia em relacionamentos amorosos com homens e pouco nas suas amizades, enquanto homens só têm amigos homens (muitas vezes vários) e fazem diversas atividades com seus amigos homens. E isso, pelo o que já estudei e li sobre, vem da forma de socialização, sociedade machista/patriarcal etc. (aquela história de que homens são homoafetivos). A gente pode falar sobre a natureza dessas relações, muitas vezes essas amizades entre homens não são muito profundas, mas não acho que chegue no nível descrito na matéria, geral tem uma lista de amigos pra ser padrinho. Mas, é isso, essa é a minha percepção sobre o ambiente em que vivo e que observo.

    1. ah, obviamente falei de relacionamentos heterossexuais, considerando que esse é o comportamento hegemônico. não noto a mesma situação em relação a amigos lgbt.