Interessante a reportagem focar em Barcelona. Olha, é realmente complicado o nível de ruído nessa cidade. E se estende para além das ruas. É muita obra o tempo inteiro, e mesmo quando você desce pro metrô, o barulho dos trens é indescritível. No verão, o ruído das ventoinhas do AC do metrô é bastante perturbador. E tem ainda os barulhos dos alto falantes dentro dos trens pra avisar que a porta vai abrir/fechar/próxima estação, etc. Quando o trem faz curva, o atrito com os trilhos causa um barulho que literalmente impede qualquer conversa dentro do metrô. E todo mundo parece achar tudo muito tranquilo.
O trânsito é indigesto, e eu ainda não entendi se é por design ou incompetência, mas os sinais (semáforos) não têm qualquer inteligência, sensor de nada. Então você sai de um sinal que acabou de abrir pra parar no próximo, e assim vai às vezes por 4 ou 5 sinais seguidos. E muito frequentemente a espera é pra nada, pois não tem pedestre nem veículo passando na sua frente. E como há muitas motos pequenas na cidade, quando abre o sinal é um inferno (bem, no Rio e SP não é diferente). Em ruas com subida então… Não ter fone de ouvido com cancelamento de ruído em Barcelona é um teste de sanidade.
E o diabo é que tem como resolver isso. Se você vai pro Japão ou Coreia do Sul, por exemplo, vê metrópoles gigantescas com uma densidade populacional brutal e um silêncio que você literalmente escuta passarinhos cantando em pleno centro da cidade — não é exagero! Aliás, nesse tema recomendo o excelente e recente vídeo do Global Cycling Network: https://www.youtube.com/watch?v=CVq7XOXkg1U
têm como resolver isso de forma efetiva, mas que politico vai arriscar a propria popularidade para multar os cidadãos? vai ser uma nova “industria da multa”
Hmmm, e multar seria “efetivo”? Vai acabar igual à ideia de jerico que tiveram em Curitiba, de multar quem solta rojão barulhento. O objetivo é ótimo, mas como fiscalizar isso? Acho que a solução efetiva passa pela conscientização e mudanças sistêmicas (onde, sim, nossos representantes são essenciais).
Que tal ambos? As leis já existem, falta realmente mais fiscalização E conscientização…. Por que todo mundo sabe que barulho é ruim,.oras.
É que é inviável fiscalizar esse tipo de coisa, Rafael. Imagine a virada de ano, ou quando um time de futebol local é campeão. Teria que colocar um policial em cada esquina — e, ainda assim, não daria conta de fiscalizar tudo.
Não Rodrigo, sejamos coerentes, alguns eventos esporádicos estão fora do controle. Volta pro assunto do artigo: barulhos do dia a dia. Aqueles veículos barulhentos, os vizinhos festeiros, o som alto na rua, moto com escapamento aberto…Isso possui legislação e precisa de fiscalização.
Vou seguir a lógica do Rafael e por um ponto político sobre isso.
Fiscalizar tem seus custos. Teriamos que ter um bom número de fiscais – policial se não me engano já mudaram a função e creio que nem eles se põe como competência para fiscalizações específicas, mais servindo como auxiliares e proteção aos fiscais.
O ponto é que atitudes de fiscalização contra este tipo de pessoa também tem um peso político. E na boa, sendo bem franco? Geralmente o cara do som alto ou do escapamento aberto é o que vende facilmente o voto, é o contato do político na reigão. Admito que é uma generalização. Mas pela minha experiência de vida, já notei este padrão.
Onde resido, a política local vivia botando anúncio de “Noite Tranquila” nas redes sociais. Tipo, a GCM e fiscais da prefeitura iam em algum bar com som alto e relatavam no texto que “multaram o bar, lacracram, etc..” Minutos, senão segundos depois, nos comentários a população ia lá e reclamava: “Ah, mas só esse bar? E o da rua de cima? Mas este bar já voltou a ter som alto e ninguém fez nada depois. Etc… Etc…”.
Não é que fiscalização é fácil ou difícil per si só, mas sim que há um peso político também. O que se faz contra um tem que se fazer contra quase todos, e isso atingiria aliados políticos também.
Em tempos onde estamos meio confusos quanto a questão de autoridade e “liberdade”, me pergunto se as pessoas vão começar a respeitar uns aos outros quando por todos nós mesmos como autoridades per si.
O mundo ainda não está preparado para adotar em massa os veículos elétricos, os desafios ainda são imensos, mas imagina a redução de ruídos do trânsito. Imagina não ter aquela moto sem silenciador passando na sua frente, rasgando o espectro sonoro, ê beleza
podíamos pautar também a redução forçada do transporte particular.
menos carros nas ruas, mais metrô, VLT silencioso, carros de aplicativo elétricos, etc
meio que isso está acontecendo, qualquer carro “popular” zero começa praticamente custando 100 mil reais, rs.
Nem tanto. O ponto é que “planificou” o acesso, porque desde a pandemia temos um problema de custos maiores. Carros andam mais sem manutenção, o que é pior ainda. Fora a cultura automotiva que incentiva crimes de trânsito – alta velocidade, modificações que geram poluição visual, sonora e ambiental, etc…
Já faz um tempo que se tenta campanhas para facilitar o acesso ao transporte público – Tarifa Zero, integrações… mas são pontuais e em poucas cidades. Teria que ser uma campanha maior. Mas bem, galera vota errado. Dono de empresa de ônibus vira político e vice versa. Transporte é caro ainda. Para muitos, ter um automóvel individual pode ser “caro”, mas compensa pela individualidade, de não ter que dividir cadeira com alguém e sofrer com assédio ou incômodo. Fora óbvio que carro próprio você tem seu som, não precisa de um fone de ouvido. É uma cultura complicada.
Não por mal mas penso nessas horas se uma urbanização horizontal e distanciada (tipo casa de condomínio – algo que já foi alvo de discussão) não seria uma forma de reduzir este problema. Cidades densas habitacionalmente tem este problema de som, seja por questões culturais ou design da cidade mesmo, que permite reverberar sons.
Onde resido, tenho problema com um vizinho que tem um bar. E a região que moro é um morro, estou no meio dele em parte média, e é fácil escutar reverberação de som de outros pontos da região.
a urbanização espraiada é um pesadelo urbanístico: ambientalmente agressiva (vide espécies de animais silvestres que têm cada vez mais aparecido em condomínios fechados de cidades do interior pela destruição de seus habitats naturais), infraestruturalmente cara (é preciso levar água, saneamento, energia, dados e outros cabos pra cada vez mais longe) e problemática do ponto de vista de mobilidade (depende-se de transporte motorizado individual pra tudo).
o condomínio fechado é um crime ambiental, social e urbano
Sim, eu imaginava que vocë iria comentar algo assim.
Discordo respeitosamente em partes, pois apesar de concordar que condomínios em si são prejudiciais socialmente, ao menos residências distantes entre si deveriam ser uma forma de urbanização que ajude a criar uma comunidade saudavel, pois isola-se alguns tipos de grupos sociais que teriam problemas com outros grupos (soa eugenico, mas calma ae). Explicando melhor: Residências horizontais tem mais espaços entre vizinhos, o que acaba servindo como isolamento que evita conflitos. E ok existir um layout assim. Não tou falando de fazer um condomínio fechado como a solução definitiva, em outros comentários sobre o assunto até concordei contigo sobre a questão de condomínios (caso eu tenha comentado, pois as vezes comento só que perco o comentário e desisto de refaze-lo). Falo de um adensamento mais estilo “bairro de classe média”, como a Vila Madalena antes da gentrificação e verticalização do mesmo, ou talvez a Freguesia do Ó tenha um perfil que eu imagine seja razoável.
O problema maior é o superadensamento também, creio que você como urbanista entende que isso também gera problemas. Muitas pessoas em um lugar confinado significa mais conflitos entre seus pares, gerando um certo caos social pois as pessoas acabam brigando por silêncio, por manutenção alheia, etc… e no caso do tema de som, quanto mais perto uma casa da outra, mais fácil ouvir a vizinhança com som incômodo. E não que em um condomínio fechado não tenha este problema – as vezes tem pior e creio que deve ter lido a história que deixei no link, neste caso um supercondomínio vertical.
Enfim, propus uma ideia. E ok a convicção ao contrário. Entendo suas posições e concordo uns 90% com elas (distância, custos, isolamento, etc…). Não vou concordar sobre 10% (mais conforto social a quem deseja isolamento e espaço). Se eu tivesse dinheiro, queria até mudar de onde estou para ir para outro lugar, só por causa do vizinho colado a mim que tem um bar e incomoda (E não tem político ou policia que faça algo).
Interessante a reportagem focar em Barcelona. Olha, é realmente complicado o nível de ruído nessa cidade. E se estende para além das ruas. É muita obra o tempo inteiro, e mesmo quando você desce pro metrô, o barulho dos trens é indescritível. No verão, o ruído das ventoinhas do AC do metrô é bastante perturbador. E tem ainda os barulhos dos alto falantes dentro dos trens pra avisar que a porta vai abrir/fechar/próxima estação, etc. Quando o trem faz curva, o atrito com os trilhos causa um barulho que literalmente impede qualquer conversa dentro do metrô. E todo mundo parece achar tudo muito tranquilo.
O trânsito é indigesto, e eu ainda não entendi se é por design ou incompetência, mas os sinais (semáforos) não têm qualquer inteligência, sensor de nada. Então você sai de um sinal que acabou de abrir pra parar no próximo, e assim vai às vezes por 4 ou 5 sinais seguidos. E muito frequentemente a espera é pra nada, pois não tem pedestre nem veículo passando na sua frente. E como há muitas motos pequenas na cidade, quando abre o sinal é um inferno (bem, no Rio e SP não é diferente). Em ruas com subida então… Não ter fone de ouvido com cancelamento de ruído em Barcelona é um teste de sanidade.
E o diabo é que tem como resolver isso. Se você vai pro Japão ou Coreia do Sul, por exemplo, vê metrópoles gigantescas com uma densidade populacional brutal e um silêncio que você literalmente escuta passarinhos cantando em pleno centro da cidade — não é exagero! Aliás, nesse tema recomendo o excelente e recente vídeo do Global Cycling Network: https://www.youtube.com/watch?v=CVq7XOXkg1U
têm como resolver isso de forma efetiva, mas que politico vai arriscar a propria popularidade para multar os cidadãos? vai ser uma nova “industria da multa”
Hmmm, e multar seria “efetivo”? Vai acabar igual à ideia de jerico que tiveram em Curitiba, de multar quem solta rojão barulhento. O objetivo é ótimo, mas como fiscalizar isso? Acho que a solução efetiva passa pela conscientização e mudanças sistêmicas (onde, sim, nossos representantes são essenciais).
Que tal ambos? As leis já existem, falta realmente mais fiscalização E conscientização…. Por que todo mundo sabe que barulho é ruim,.oras.
É que é inviável fiscalizar esse tipo de coisa, Rafael. Imagine a virada de ano, ou quando um time de futebol local é campeão. Teria que colocar um policial em cada esquina — e, ainda assim, não daria conta de fiscalizar tudo.
Não Rodrigo, sejamos coerentes, alguns eventos esporádicos estão fora do controle. Volta pro assunto do artigo: barulhos do dia a dia. Aqueles veículos barulhentos, os vizinhos festeiros, o som alto na rua, moto com escapamento aberto…Isso possui legislação e precisa de fiscalização.
Vou seguir a lógica do Rafael e por um ponto político sobre isso.
Fiscalizar tem seus custos. Teriamos que ter um bom número de fiscais – policial se não me engano já mudaram a função e creio que nem eles se põe como competência para fiscalizações específicas, mais servindo como auxiliares e proteção aos fiscais.
O ponto é que atitudes de fiscalização contra este tipo de pessoa também tem um peso político. E na boa, sendo bem franco? Geralmente o cara do som alto ou do escapamento aberto é o que vende facilmente o voto, é o contato do político na reigão. Admito que é uma generalização. Mas pela minha experiência de vida, já notei este padrão.
Onde resido, a política local vivia botando anúncio de “Noite Tranquila” nas redes sociais. Tipo, a GCM e fiscais da prefeitura iam em algum bar com som alto e relatavam no texto que “multaram o bar, lacracram, etc..” Minutos, senão segundos depois, nos comentários a população ia lá e reclamava: “Ah, mas só esse bar? E o da rua de cima? Mas este bar já voltou a ter som alto e ninguém fez nada depois. Etc… Etc…”.
Não é que fiscalização é fácil ou difícil per si só, mas sim que há um peso político também. O que se faz contra um tem que se fazer contra quase todos, e isso atingiria aliados políticos também.
Em tempos onde estamos meio confusos quanto a questão de autoridade e “liberdade”, me pergunto se as pessoas vão começar a respeitar uns aos outros quando por todos nós mesmos como autoridades per si.
O mundo ainda não está preparado para adotar em massa os veículos elétricos, os desafios ainda são imensos, mas imagina a redução de ruídos do trânsito. Imagina não ter aquela moto sem silenciador passando na sua frente, rasgando o espectro sonoro, ê beleza
podíamos pautar também a redução forçada do transporte particular.
menos carros nas ruas, mais metrô, VLT silencioso, carros de aplicativo elétricos, etc
meio que isso está acontecendo, qualquer carro “popular” zero começa praticamente custando 100 mil reais, rs.
Nem tanto. O ponto é que “planificou” o acesso, porque desde a pandemia temos um problema de custos maiores. Carros andam mais sem manutenção, o que é pior ainda. Fora a cultura automotiva que incentiva crimes de trânsito – alta velocidade, modificações que geram poluição visual, sonora e ambiental, etc…
Já faz um tempo que se tenta campanhas para facilitar o acesso ao transporte público – Tarifa Zero, integrações… mas são pontuais e em poucas cidades. Teria que ser uma campanha maior. Mas bem, galera vota errado. Dono de empresa de ônibus vira político e vice versa. Transporte é caro ainda. Para muitos, ter um automóvel individual pode ser “caro”, mas compensa pela individualidade, de não ter que dividir cadeira com alguém e sofrer com assédio ou incômodo. Fora óbvio que carro próprio você tem seu som, não precisa de um fone de ouvido. É uma cultura complicada.
Não por mal mas penso nessas horas se uma urbanização horizontal e distanciada (tipo casa de condomínio – algo que já foi alvo de discussão) não seria uma forma de reduzir este problema. Cidades densas habitacionalmente tem este problema de som, seja por questões culturais ou design da cidade mesmo, que permite reverberar sons.
Onde resido, tenho problema com um vizinho que tem um bar. E a região que moro é um morro, estou no meio dele em parte média, e é fácil escutar reverberação de som de outros pontos da região.
(Isso me lembrou que tem gente que gosta de bagunça e som e incentiva isso.
a urbanização espraiada é um pesadelo urbanístico: ambientalmente agressiva (vide espécies de animais silvestres que têm cada vez mais aparecido em condomínios fechados de cidades do interior pela destruição de seus habitats naturais), infraestruturalmente cara (é preciso levar água, saneamento, energia, dados e outros cabos pra cada vez mais longe) e problemática do ponto de vista de mobilidade (depende-se de transporte motorizado individual pra tudo).
o condomínio fechado é um crime ambiental, social e urbano
Sim, eu imaginava que vocë iria comentar algo assim.
Discordo respeitosamente em partes, pois apesar de concordar que condomínios em si são prejudiciais socialmente, ao menos residências distantes entre si deveriam ser uma forma de urbanização que ajude a criar uma comunidade saudavel, pois isola-se alguns tipos de grupos sociais que teriam problemas com outros grupos (soa eugenico, mas calma ae). Explicando melhor: Residências horizontais tem mais espaços entre vizinhos, o que acaba servindo como isolamento que evita conflitos. E ok existir um layout assim. Não tou falando de fazer um condomínio fechado como a solução definitiva, em outros comentários sobre o assunto até concordei contigo sobre a questão de condomínios (caso eu tenha comentado, pois as vezes comento só que perco o comentário e desisto de refaze-lo). Falo de um adensamento mais estilo “bairro de classe média”, como a Vila Madalena antes da gentrificação e verticalização do mesmo, ou talvez a Freguesia do Ó tenha um perfil que eu imagine seja razoável.
O problema maior é o superadensamento também, creio que você como urbanista entende que isso também gera problemas. Muitas pessoas em um lugar confinado significa mais conflitos entre seus pares, gerando um certo caos social pois as pessoas acabam brigando por silêncio, por manutenção alheia, etc… e no caso do tema de som, quanto mais perto uma casa da outra, mais fácil ouvir a vizinhança com som incômodo. E não que em um condomínio fechado não tenha este problema – as vezes tem pior e creio que deve ter lido a história que deixei no link, neste caso um supercondomínio vertical.
Enfim, propus uma ideia. E ok a convicção ao contrário. Entendo suas posições e concordo uns 90% com elas (distância, custos, isolamento, etc…). Não vou concordar sobre 10% (mais conforto social a quem deseja isolamento e espaço). Se eu tivesse dinheiro, queria até mudar de onde estou para ir para outro lugar, só por causa do vizinho colado a mim que tem um bar e incomoda (E não tem político ou policia que faça algo).