Sei que o grupo do Manual do Usuário curte debater mobilidade e automobilismo.
As medidas são bem obvias, limites de velocidade rigorosos, políticas pró transporte público.
O mais difícil é o motorista aceitar que não precisa dirigir feito o Pateta enfurecido.
Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS
A gente tem uma sociedade muito “carrocêntrica”, muito focada na liberdade de dirigir, mas não nos esqueçamos de que isso também é um trabalho granular de décadas e décadas de lobby da indústria automobilística.
Nenhuma política que tire o carro como pilar fundamental do nosso trânsito, tanto em concepção, quanto em benesses angariadas, vai vingar tendo as montadoras tão fortes no Brasil.
Investir em rede de transporte público? Nem pensar!
Ciclovia? Fora! Vamos fomentar think tanks e agentes políticos para criticar.
Reduzir velocidade? Fora!
Aplicar multas, sensores, radares, automatização? Fora!
O tema me lembra esse video curto interessante sobre a invenção do termo “jay walking” e deixo a indicação de canais interessantes sobre urbanismo e temas corrrelatos:
– Not Just Bikes
– Climate Town
– andrewism
Climate Town é bom demais! Os outros não conheço
Mais fácil você mudar-se do Brasil do que mudar o Brasil. Não é pessimismo, é realidade. Tem muita gente lutando contra a “indústria da multa”, pela liberdade do prazer de dirigir, contra até mesmo veículos elétricos.
Essa semana visitei o Rio brevemente, pela primeira vez, de Uno Mille. É impressionante a quantidade de gente babaca no trânsito. Penso que devem ter visto ao longe que sou turista só por eu dar seta corretamente.
A cidade que eu vivo, Passo Fundo, também está vivendo uma epidemia de imprudentes. As manchetes de acidentes tem causado um alvoroço tremendo. E olha que com meros 200 mil habitantes deveríamos ser uma cidade ideal para implantar fiscalização e punição de maus motoristas… Mas a prefeitura deixou sucatear e vai encerrar as atividades da empresa pública de transporte, deixando o ramo na mão de uma empresa privada.
Uma coisa engraçada da história do “Motor Mania” (o famoso desenho do Pateta no Trânsito) é que ele foi criado para criticar o estereótipo do motorista abusado. Só lembrando que é uma série no final (Motor Mania e “Highway Troubles”, este último um conjunto de dois desenhos feitos exclusivos para educação de trânsito nos USA e que teve tradução por aqui). Disney pensava em veículos autõnomos naquela época (sei que tem uma animação que fazia este exercício “futurista” do mesmo).
A questão do automobilismo já me falaram uma vez que no final foi uma criação cultural. Me recomendaram um filme que até hoje fiquei devendo assistir mas não vi, que falava sobre como a indústria automobilística fez todo uma cultura em prol do egoísmo e velocidade. “Vale o MEU tempo”, “vale o MEU prazer”, tudo em pro do “EU”e não do outro.
O caso de Helsinki foi algo que em São Paulo o Haddad tentou implantar e no final foi cruxificado por isso. A ideia era justamente tanto aprimorar o transporte público quanto melhorar a fiscalização de trânsito e por consequencia punir abusados. Quem mora ou lê sobre a política paulista sabe no final o que deu. Os números de mortes no trânsito já vinha diminuíndo, e quando entrou um cara “acelerado” no poder, os números aumentaram (e depois foram maquiados).
No final não é que é ou não impossível acabar com as mortes no trânsito. Sou também cético com marketing. Mas tipo, se há comprovação de uma enorme redução de acidentes, precisamos é comemorar, vê os acertos e continuar neste ritmo.
Freud explica.
O que ele explicaria, exatamente?
Eu li em algum lugar um pequeno texto que dizia que as pessoa se sentiam parte do veículo e perdiam a humanidade quando entravam nele, mas nunca achei esse texto na internet.