8 comentários

  1. Que artigo mais suspeito. Ele parte do princípio que as coisas são como são e não há como ser melhor. Repare que o autor não propõe solução melhor para o cenário problemático que vivemos no momento onde o Google usa seu poder para se manter soberano. É basicamente o mesmo argumento a favor do capitalismo moderno — ‘é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo’.

    A verdade é que tanto Apple quanto Mozilla se acomodaram nesse cenário, e em uma outra conjuntura a humanide (sim) iria encontrar uma solução para a continuar desenvolvendo um browser. Aliás, já está acontecendo, como são os casos do Ladybird e, melhor ainda, do Servo, que já é usável em vários sites.

    Eu iria além e diria que parte do problema da web hoje ser tão lenta e bloated é culpa justamente do fato de quem controla seu desenvolvimento serem empresas (em especial Google com a engine Blink, e a Meta com o ecosistema React), e não uma comunidade decentralizada, como é o caso de tanta coisa crítica e complexa, como o kernel do Linux, FFmpeg, Python e até o Wikipedia. Sim, esses exemplos têm participação de corporações (vivemos no capitalismo, afinal de contas), mas em tese não dependem de nenhuma corporação especificamente. E, mais do que isso, não são guiados por nenhuma delas.

    Por fim, o fato de o mecanismo de busca do Google ser hoje tão ruim (comparado ao que já foi) não é mero acidente, mas uma direção inexorável do sistema de ‘enshittification’ capitalista. E essas corporações ‘too big to fail’ se valem de seu poder para se manterem no topo mesmo quando o que oferecem é uma bela porcaria. Além de toda a questão da mineração dos dados pessoais dos usuários, o que deixa o assunto ainda mais espinhoso. Por mim o Google já vai tarde. Aliás, que big tech já não vai tarde, não é mesmo?

    1. Concordo com a sua avaliação sobre a confiabilidade do artigo. Postei aqui pelo valor dos fatos mencionados, principalmente a questão da Mozilla, e sua dependência parasítica com o Google. O artigo colocou nas entrelinhas que essa ação poderia acabar sendo algo negativo, mas você resumiu bem: “já vai tarde”.

      Dito isso, discordo um pouco do seu paralelo com a ideia do Fukuyama porque, de fato, isso pode reduzir muito o avanço de browsers. Certamente não vai parar, mas, diferente do que acontece com os exemplos mencionados por você, o desenvolvimento dos principais browsers é feito majoritariamente por empresas.

      A depender do que for decidido, eu consigo ver uma situação bem ruim para pessoas com menos conhecimento técnico ficando mais vulneráveis porque o Chrome não é atualizado com tanta frequência. Mas eu torço muito para estar errado.

      1. consigo ver uma situação bem ruim para pessoas com menos conhecimento técnico ficando mais vulneráveis porque o Chrome não é atualizado com tanta frequência.

        Interessante você dizer isso. Admito que nunca fui atrás dos números, mas diria que a esmagadora maioria dos ataques online não se vale de browser desatualizado, embora muuuita gente use velharia que você não acredita (sei bem porque trabalho com isso).

        Existe essa lenda de que atualizações frequentes são necessárias por questões de segurança. Do ponto de vista dos servidores pode até ser. Mas para usuário comum eu gostaria de ver números (em vez de casos cherry-pick).

        Pela minha experiência diria que daria para usar tranquilamente o Windows XP hoje em dia sem antivírus, nem firewall e com o Windows Update desligado (afinal, a única forma minimamente razoável de usar Windows).

        Sabe quem ganha com atualização frequente? As big techs, que cada dia inventam uma nova forma de nos empurrar ads mais aprimorados. Aliás, você não acha que a Alphabet deveria ter sido punida severamente quando vazou que criaram o Chrome como uma forma de minerar melhor os dados pessoais dos usuários? Achei isso absurdamente escandaloso, mas parece que tá tudo tão normalizado que a empresa segue como se nada tivesse acontecido.

        1. Ah, bom, com certeza bom senso é o melhor antivírus que existe hahahaha não digo que seja uma ameaça existencial ao uso da internet, até porque, como você já bem mencionou, o próprio Google já criava e explorava seus próprios “backdoors”, então, de forma prática só vai mudar quem está olhando pela fechadura.

          Mas é aí que entra a minha percepção: todos os forks do Firefox ainda recebem atualizações de segurança do repositório upstream, controlado pela Mozilla, então, nesse cenário em que não exista um time dedicado ao desenvolvimento, todas essas correções seriam feitas pelos contribuidores independentes. Menos gente “tapando as fechaduras”.

          Talvez eu esteja sendo demasiadamente pessimista, mas eu não vejo os grandes Browsers caindo em pé. Teríamos um obscurantismo dos navegadores hahahaha

      2. isso pode reduzir muito o avanço de browsers

        Sem sacanagem: e daí?
        Se empresas controlam os avanços dos navegadores, esses avanços só tem por objetivo lucro. Alguma vantagem até pode respingar na gente, mas não é feito pra nos beneficiar. Se for pra ser mais lento, pensando na gente e não no lucro bilionário dessas empresas, parece uma boa ideia.

        1. Ah, sim. Deixando claro, eu não sou ingênuo: nenhum dos avanços dos grandes Browsers vêm porque as empresas estão preocupadas com o usuário. O fato de uma parcela tão grande do faturamento delas vir da Google já prova que a preocupação está no como, não no “quem” usa. Só pensar na demora da Mozilla pra implementar abas verticais, algo que a comunidade pedia há muitos anos.

          Dito isso, eu não acho que hoje os avanços têm por objetivo o lucro, porque o lucro do Deus Google já está garantido. Eu acho que tem gente muito boa trabalhando nessas empresas e fazendo mudanças positivas, mas que não necessariamente continuará apoiando o projeto depois dessas mudanças (e uma possível demissão).

          E é aí que está o cerne da minha preocupação: não existir gente suficiente interessada no desenvolvimento para dar sequência nos projetos. De novo, tudo isso é minha percepção (bem pessimista, diga-se de passagem), pode ser que eu esteja errado, mas, o fato de que grande parte (se não todas) das atualizações de segurança e acessibilidade dos forks do Firefox que eu conheço, venham de upstream, me diz que essas áreas são justamente as que mais podem sofrer.

          De fato, desenvolvimento lento e focado na comunidade é uma ideia que eu apoio totalmente, não é coincidência que eu uso Debian no meu pc pessoal hahhahaa mas a minha preocupação é mesmo esse desenvolvimento lento não acontecer à um ritmo aceitável. Principalmente numa época em que a internet se torna cada vez mais Bloatware. Como exemplo do que isso poderia significar: imagine que a quantidade de gente trabalhando no uBlock origin diminua e como isso afetaria o uso de AdBlockers (principalmente em casos tipo o Youtube, que é um verdadeiro jogo de gato e rato).

          1. Você tá se dizendo pessimista e ao mesmo tempo citando exemplos materiais de que funciona.

            O ritmo do desenvolvimento do debian que cê falou não é aceitável?
            O ublock tem alguma empresa bancando desenvolvimento pra manter um ritmo aceitável? Já funciona pra outros softwares.

          2. O meu medo é justamente que esses browsers não tenham uma comunidade forte o suficiente, diferente desses exemplos. Desculpe se não consegui ser claro!