Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

Character IA, saúde mental e idade certa pra usar certos serviços

Então, chegou o sábado, peguei o celularzinho, abri o browser e acessei mastodon, bluesky e instagram, sim, eu tenho feito isso apenas no fim de semana e mesmo assim depois me ressinto que “fiquei tempo demais”.

Esse post passou por mim n vezes e eu tava tentando resistir pq sofrimento certo, mas sucumbi e agora tou aqui errrr… sofrendo e quero carregar mais gente pra esse lugar confuso que se instalou na minha mente #dsclp. Destaco alguns pontos…

1. Em um ponto de artigo é feita uma comparação com processos anteriores citando músicas do Ozzy (poderia ser Alice in Chains, esses dias tava ouvindo e é perfeito pra te deixar pior do que vc já está), jogos violentos, filmes, etc e achei o ponto interessante por que todos esses casos extremos têm em comum uma quantidade muito grande de fatores e é muito difícil atrelar a uma única razão, neste caso em específico era um jovem que na minha opinião já não tava bem, era jovem (o que por si só é um motivo pq o cérebro não tá formado) esse lixo da IA (Character AI) que me embrulha o estômago, arma em casa, etc.

2. Todo o rolê do Google que meio que *kickou* a galera que criou o Character IA (eles saíram pq “não dá pra fazer nada *fun* no Google”) mas voltaram! e um dos caras agora é head no Gemini :this-is-fine:

3. A questão do shifting, ficção e estar fora da realidade mergulhado, escapando a todo custo dessa realidade que vivemos, aqui tenho alguns exemplos que me vêm à mente:

– Esse podcast tem um ep assustador sobre e que eu mal conseguia acreditar no que tava ouvindo.
– Esses dias atrás alguém disse no grupo que só lê ficção e eu já vi psicólogo falando “pra não ler só ficção” se vc está em crise depressiva ou passar tempo demais imerso em filmes ou séries (sabe quando vc fica tão apaixonado por algo que vc vê a série, repete eps, ouve todos os podcasts sobre, vê n entrevistas com atores, ouve a trilha, compra o livro, etc) isso não é exatamente uma paixão pelo assunto, é apenas vc se isolando **mais** (?)
– E por último uma que mal sei descrever o que senti, a idéia de se imaginar um personagem, o PH Santos (que tem um canal sobre crítica de cinema) fez um vídeo sobre como emagreceu e nesse vídeo ele fala de um outro youtuber de produtividade que sugere a idéia de se imaginar um personagem que vc adora (no caso dele é o professor Xavier) pra quando vc tem que fazer algo que te deixa inseguro, ansioso, mal e eu simplesmente não consigo entender essa idéia.

Gostaria de saber o que vcs pensam sobre o artigo ou esses outros conteúdos que citei caso tenham visto e se veem relação também entre eles o/

5 comentários

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  1. Quando a realidade é monótona, dolorosa e triste, tendemos a nos refugiar nesses mundos imaginários, e acho que adolescentes e jovens são particularmente vulneráveis a isso, dado que vivem momentos de muita mudança sem ter muito controle sobre suas escolhas e condições de vida. A questão aqui é que quando existiam apenas obras de ficção para isso, o problema ainda era mais limitado e de pouco dano. Agora isso está escalando de uma forma monstruosa, porque as IAs podem entrar junto com você nesse faz de conta, a ponto de tornar tudo muito realista, e confundindo mais ainda mentes deprimidas e famintas por fugir da realidade.

    A forma como a indústria da tecnologia passou a lançar seus produtos, no estilo *move fast, break things*, só vendo os danos causados depois que o produto toma conta do mercado, é irresponsável e criminosa, e infelizmente esses “efeitos colaterais” continuarão brotando o tempo todo, pois enquanto os acionistas enchem o bolso, as discussões éticas são jogadas de escanteio, gerando no máximo um assunto pra podcasts e documentários da netflix. Eles nunca se importaram se tem gente morrendo. Nenhuma regulação séria tem sido feita, e as big techs continuam soltas pra nos fazer de gado e cobaias do jeito que bem entendem.

  2. Quando li a chamada achei q era um serviço que filtrava idade certa não que é esse o nome da parada que levou o menino ao suicídio.

    Eu ouvi isso do shifting no escafandro, ficou comigo por dias, fiquei incrédula tb

    Falando assim sem me aprofundar muito, acho que é comum a gente buscar algum tipo de fuga, o problema é quando se perde o fio com a realidade; acredito que para um cérebro ainda se formando, isso possa ser mais intenso.

    Porém, não curto não ter nuance nas coisas, sabe? Tipo, diagnosticar tudo, temer as coisas que não entendemos e já julgarmos como ruim… as vezes, não sei, talvez seja essa super preocupação que acabe preocupando? Tipo uma profecia autorrealizável coletiva (?)

    Enfim, uma coisa que acho que temos que pensar tb é a análise sob uma ótica geracional, de ser um impedimento cognitivo a gente conseguir ver toda a cultura de outra geração pq não faz parte dela

  3. Nossa, tem muita coisa pra processar aqui. Vou ler com calma essa matéria.

    Mas me lembrei de outros exemplos absurdos:
    – Quando saiu o primeiro filme de Avatar, teve uma onda notícias sobre jovens (no plural mesmo) que entraram e depressão e acho que alguns chegaram a se matar de fato, por não poderem viver naquele mundo.

    Indo para uma obra muito mais antiga:
    – O romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe gerou uma onda de identificação tão intensa entre jovens europeus do século XVIII que alguns chegaram a cometer suicídio, inspirados pela história do protagonista — esse fenômeno ficou conhecido como “efeito Werther”.

    É um fenômeno bem complexo, eu sinceramente não sei opinar. Sempre tem pessoas que se perdem pelo mundo, mas não significa também que está tudo perdido. A questão agora é a massificação e a facilidade de ferramentas de IA e da internet para, talvez? Não sei afirmar se proporcionalmente a sociedade está mais doente agora.

    Também sei que a ficção muitas vezes tem um papel de cura em pessoas com problemas, tem toda uma área da psicologia chamada psicodrama, não entendo basicamente nada de psicologia, mas já fui atendido por uma psicóloga desta linha.

    As histórias por vezes nos fazem enxergar coisas que não percebemos, ou expressar coisas que não conseguimos expressar. Por isso são muito usadas na comunicação com crianças.

    Até onde entendi, o psicodrama baseia-se mais ou menos na ideia de que o ato de dramatizar situações (reais ou simbólicas) e ajuda a pessoa a se expressar, compreender conflitos internos e encontrar novas formas de lidar com eles. Usa técnicas como encenação, improvisação e papéis sociais para explorar emoções, relações e padrões de comportamento.

    Mas claro, isso é um processo acompanhado por um profissional, e é completamente diferente de “se imaginar como um personagem para resolver seus problemas da vida” ou de fugir para um mundo encantado na sua cabeça.

    1. Nossa, muito bem lembrado Leandro, o efeito Werther. Tempo/sociedade tão diferentes mas as mesmas dores humanas

  4. \correção, Ghedin aqui no meu pycharm tava tudo bonitinho a formatação, a.k.a `na minha máquina funciona` (: