9 comentários

  1. Outra vez, vi uma analogia interessante a questão do trânsito (infelizmente não vou saber a fonte): “ninguém combate o problema da obesidade dando mais comida para as pessoas”. Que é basicamente o que acontece com o problema dos congestionamentos. Você não está resolvendo a raiz do problema, e sim criando mais demanda para utilização pelos carros (como já disseram em outros comentários).

    Claro que uma infraestrutura é necessária até certo nível. No entanto, tal qual o problema da obesidade, que exige soluções fora da “zona de conforto”, o problema dos congestionamentos também exige medidas “saudáveis”, mas impopulares, para desestimular o uso individual de automóveis e estimular o uso de transportes alternativos/coletivos.

  2. Por si só essa notícia já é surreal, mas fico ainda mais surpreso “ou não” do sobrenome do primeiro ministro… Mais carros é sempre a solução, confia!

  3. O pior de tudo é que, pra contornar o problema, o primeiro ministro planeja construir mais faixas, desse vez debaixo da terra — no estilo Elon Musk ‘projeto de cidade’ :\

    A lógica do automóvel é mesmo insana, mas no fundo é apenas um reflexo desse sistema capitalista tosco que temos.

    Quem tem a sorte de viver em uma cidade feita para pessoas, com metrô conectando todos os bairros, VLT, trens, ônibus de qualidade, ciclovias, etc., sabe o quanto isso muda totalmente a vida das pessoas, e pra muito melhor.

    Em Barcelona, por exemplo, tá todo mundo caminhando pra fazer as coisas mais ou menos próximas de casa, como compras de supermercado, padaria, farmácia, escola, creche, etc, usando transporte ativo ou de massa pra médias e longas distâncias. Automóvel é reservado para as férias, para ir a cidades vizinhas — e é mais comum que aluguem, em vez de comprarem. A classe média, nesse caso, não tem vergonha de não possuir uma SUV para exibir aos vizinhos, e de dividir o mesmo metrô que a faxineira e o garçon. Pelo contrário, ficam felizes por essa condição.

    Há inúmeras consequências positivas oriundas desse design de cidade: as pessoas vivem realmente a cidade, em vez de se isolarem num pedaço de metal misantrópico que só serve para ir (mal) do lugar A ao B. Com transporte ativo e/ou de massa você vê pessoas, descobre lugares, interage; há mais mistura, mais democracia. E ainda com o bônus de ser muito mais barato, rápido e mais saudável. Em Barcelona, novamente, mal se vê obesos, e não é por acaso.

    Não há absolutamente nenhum motivo para um design de cidade orientado a automóvel que não seja perpetuar esse sistema de lucro infinito e ensandecido que as pessoas acreditam ser a solução definitiva para a humanidade.

    1. Tirando a piada, eu sigo o Reddit canadense e direto tem algum post de alguém reclamando pq não fazem uma linha de trem de alta velocidade ligando todas as grandes cidades canadenses (que concentra quase toda a população canadense em uma linha reta entre Quebec e Toronto)

        1. Engraçado pensar que há uns 40-50 anos atrás ainda teve alguma coisa, pena que abandonados depois dos anos 90… :'(

  4. É aquele clássico que ninguém segue: infraestrutura gera demanda.
    As pessoas só passam a atravessar um rio a partir da construção de uma ponte. Você não vê gente se lançando a nado pra ir de uma margem a outra.

  5. Esses caras não podem ser tão burros… Ou podem?

    Era meio óbvio que aconteceria… O problema são os carros, eles apenas aumentaram o espaço pro problema proliferar.