PSA: se virar uma flamewar Ghedin, pode apagar isso aqui hahaha
Ontem eu tava vendo um post no The Verge sobre o Tapestry, um app de “timelines”. Isso não é interessante, o Windows Phone e o Blackberry tinham isso nativamente nos anos 2000. O interessante foi nos comentários, onde muita gente (muita mesmo) reclamava ativamente que a maioria dos jornalistas de tecnologia só cobre Apple e iOS. Nos EUA isso provavelmente é pior do que aqui (eu acho). Mas mesmo aqui, mesmo no MDU, o que você vê é uma profusão de aplicativos e dicas que servem apenas para o iOS.
E um adendo, o MDU tem o grande descontos do Ghedin tocar ele sozinho e usar o ecossistema Apple e, mesmo assim, estar sempre falando de Linux).
Mas pensando no Verge, o que você sempre vê? Novos apps maravilhosos que foram lançados apenas no iOS ou macOS. Gosto muito do Horse Browser e o criador diz que ele só “se ligou” do Windows quando a namorada dele falou (e por isso tem a versão do Windows). Mas isso é ainda pior quando se trata de iOS x Android, mesmo mundialmente sendo um sistema muito mais usado, o foco ocidental é sempre no iOS. Novos apps, novas funcionalidades (que noralmente já existiam em aparelhos mais antigos, Androids ou não), novos modelos e modos de se fazer isso.
Não é uma crítica vazia, é apenas uma tentativa de entender o motivo. Assim como eu acho que os reviews no YouTube que são feitos por youtubers focam demasiadamente em coisas como poder de edição de vídeo e fotos, qualidade das gravações da câmera e outras coisas que, no universo deles é 90% da atratatividade do produtos, os jornalistas de tecnologia tendem a ficar presos em uma bolha/câmara onde todo mundo usa iOS e acabam expandindo isso para as analises e materias.
Deixei no link a minha postagem no Mastodon (EN) e aqui o link pra matéria sobre o Tapestry no Verge. Nos comentários é onde o pessoal discute sobre isso.
31 comentáriosUm segndo adendo, a lista do Nexo, Apetrechos, sofreu disso tamnbém. Até que um leitor enviou um e-mail pro Sérgio e ele, depois disso, sempre tenta colocar alterantivas pro Android ou aplicações que rodem via web.
O Sergio Spagnollo tem se esforçado para trazer algumas coisas de Android. A questão é que, como disse o Gabriel Arruda, muita gente usa, pouca gente se importa.
Tem outro ponto que é o fato de boa parte dos jornalistas de tecnologia usar somente o ecossistema Apple. Nesse caso, fica muito mais fácil cobrir somente isso, pois eles mesmos são usuários.
Tu tá embasado em mídia norte americana, por isso eles focam no mercado de lá…
Aqui não é exatamente muito diferente não.
Eu inclusive citei o episódio da newsletter do Sergio Spagnollo.
Isso me leva a iniciar uma campanha pela volta do Winajuda!
:)
não resisti! ehehehe
Hahahaha! Alguém por favor traga de volta o WinAjuda!
Deixaram o domínio expirar e agora está sendo usando para fazer spam de poker online. Triste fim 🥲
Acho que boa parte dos comentários já falou dos principais motivos, mas isso me lembrou de um artigo que saiu um tempo atrás no blog da iA (estúdio de design/desenvolvedores de apps) que falava sobre a dificuldade de se desenvolver para Android.
Além da fragmentação da plataforma – eles alegam que mais de 12 mil (!) tipos diferentes de dispositivos Android rodam o app deles, que está longe de ser dos mais populares –, a intransigência do Google para a aprovação do uso de APIs, como a do Google Drive no caso deles, acaba por transformar a Play Store num gatekeeper tão cruel quanto a App Store.
Por fim, outra dificuldade que acho que não foi citada nos comentários: a pirataria desenfreada, diminuindo o retorno do esforço de desenvolvimento.
Fragmentação da plataforma não parece mais ser algo plausível.
O resto OK, eu não tenho suprote para falar.
Mas fragmentação? Não gaz sentido nenhum hoje em dia.
Desculpe, mas não entendi como não pode ser um problema mais. Sei que a fragmentação de APIs igual existia lá no começo dos anos 2010 é um problema bem menos relevante, mas o post não é sobre isso.
Em 2017 eram 12 mil dispositivos diferentes — mesmo que hipoteticamente rodassem o mesmo software, são incontáveis combinações com bugs espúrios que, sei lá, só aparecem no modo noturno em uma GPU específica. Aí jogando para a realidade tem as n versões do Android, que podem ou não estar com os patches de segurança aplicados, que podem ou não ter sido modificadas por operadoras, etc etc etc. Eles citam no post: tinham que comprar o dispositivo físico exato para tentar solucionar os bugs…
É um buraco sem fundo de suporte que uma empresa pequena tem dificuldade de sobrepor
Acho que a resposta está na pergunta: a cobertura de tecnologia é feita por entusiasta para entusiasta, que é um recorte muito diferente do uso geral da população. Algumas coisas acabam meio que virando paisagem: muita gente usa, pouca gente se importa.
O Windows sempre foi meio assim, MacOS e Linux mesmo com menos de 10% do mercado, sempre tiveram muito mais cobertura/conteúdo que a fatia de usuários. O Chrome OS tem mais usuário que Linux, mas por ser focado em usuários básicos e crianças, ninguém fala sobre: nem bem, nem mal.
O Android tinha um apelo muito maior com entusiastas, quando era muito mais poderoso e flexível, com vários fabricantes disputando. Agora a Samsung saiu vencedora no Ocidente e Android/iOS convergiram para soluções similares, virou paisagem fora da China.
Além da produção de conteúdo, isso se reflete na produção de software: quantos programadores gostam de Windows?
Se me permite, ChromeOS é um sistema que usa o kernel Linux. Então não há porque dizer que é mais usado que o Linux, que, aliás, é apenas um kernel e não um sistema operacional.
Eu sei disso e imagino que você sabe o que eu quis dizer, mas acho que podemos definir então como “sistemas baseados em Linux para uso em computadores pessoais, exceto Chrome OS e Android…mas pode incluir BSDs que não sejam MacOS”.
Não é correta, agradeço se tiver um jeito menor, mas o suficiente para delimitar melhor o que estou falando.
Basicamente é isso, sistemas baseados em Linux ou distribuições Linux. Entendi sua colocação. Pessoalmente já falei muito “Linux”, mas hoje me policio, mais em função de esclarecimento, para não confundir e desinformar quem está chegando. Outro dia mesmo, num grupo de discussão do Debian, tratávamos sobre isso. Não se baixa uma “imagem do Linux” pra instalar e sim uma distribuição que entrega um conjunto de pacotes de softwares que vão possibilitar a instalação e uso. É um universo bastante complexo, penso que estimulando a usar os termos certos, essa complexidade vai sendo eliminada com o tempo.
Sentia um pouco isso desde que assistia Olhar Digital pela tv aberta. Na época talvez se achasse mesmo que era o suprassumo perseguir macbooks mais finos que uma moeda. Acredito que o poder de difusão midiatico da apple, junto com sua imagem nos EUA, e, certas categorias no Brasil, simplesmente transplantarem para cá coisas de lá sem muito critério sejam parte da raiz disso.
Tem gente que vê os aparelhos da marca como investimento, pensando em revenda. Não sei se é possível ficar pior que isso. Nem com veículos eu acho legal dirigir seus gastos pensando em uma outra pessoa hipotética futura, de uma venda que pode ou não ocorrer em alguns anos.
Também associei com a venda de veículos, comprar o produto da maçã, esperando uma desvalorização miníma pra revenda no futuro, e pior que muitas vezes depois de anos de uso, é surreal.
O The Verge é notório nisso, sou inscrito na newsletter Installer, similar aos links da semana, com várias recomendações dos leitores e dicas do próprio jornalista, ela tem o mesmo problema. Várias recomendações só para IOS sem que isso fique claro no texto, o jornalista nem se dá o trabalho de colocar entre parênteses que o app é IOS ou Mac.
Tem melhorado ultimamente depois do público apontar isso, mas é engraçado.
O Verge é o pior, provavelmente, mas isso meio que vale pra todos os meios de tecnologia, principalmente dos EUA. É a câmara de eco, provavelmente. Se você usa iPad, iPhone e Macbook, porque você vai saber o que tem de novo/bom em Android, Linux e Windows?
Talvez seja consequência dos meus usos e escolhas, mas eu sinto uma escassez tremenda de aplicativos legais, inovadoras e/ou interessantes para Android. (E para Windows, também.) O iOS tem a grande vantagem de ser usado (e adorado) por desenvolvedores criativos e que têm condições e disposição de lançarem coisas diferentes.
Aproveitando o gancho, alguém sabe o porquê disso? A maioria dos apps exclusivos para iOS tem equivalentes no Android, porém é raro algum do Android ser melhor acabado, suportado ou mesmo mais agradável que sua contraparte da Apple…
(E, sim, sei que isso é super subjetivo, então quem acha os do Android mais agradáveis, apenas releve a minha pergunta 😌)
Acho que dá pra apontar uma das causas sobre a qualidade dos apps: o ecossistema Android é terrível, tem várias maneiras de fazer a mesma coisa, vários kits de interfaces, programação via Java/Kotlin, jetpack compose e não sei mais o quê.
Parece que no IOS as duas linguagens principais são melhores pra desenvolver apps nativos e ricos com as APIS que a Apple fornece.
Existe um bom motivo para que o desenvolvimento no macOS e iOS seja mais “profissional”.
Primeiro: você precisa ter um hardware da Apple (caro).
Segundo: você precisa pagar uma licença de desenvolvedor da Apple (caro, mas nem tanto).
Terceiro: você só pode (tirando a UE) distribuir os seus aplicativos via App Store, e para isso você precisa ter seu app aceito, o que normalmente demora.
Pode ser um motivo, mas será que… é? O que eu sinto, dos desenvolvedores indie que acompanho mais de perto, é que o investimento no ecossistema da Apple precede as escolhas profissionais, ou seja, que antes de encarar a compra de um MacBook e os gastos e vantagens do ecossistema Apple, eles apenas preferem o hardware e software da Apple. (O que é compreensível, porque embora não sejam perfeitos, são muito bons.)
Ainda nesse sentido, desenvolvedores e pequenos estúdios bem sucedidos têm margem (= dinheiro) para comprar o melhor que os ecossistemas Android e Windows oferecem e pagar quaisquer taxas para ingressarem neles, e ainda assim poucos optam por esse caminho.
Como evidência, temos a lembrança do Henrique S. do episódio estúdio iA, que teve sérios problemas com a integração do Google Drive no Android.
Sim, paradoxo de tostines (mostrei a minha idade agora). Acho que é uma junção grande de fatores que, no meio web/produtividade, cria isso.
POr outro lado, estúdios indie de games sempre reclamam de fazer jogos para macOS (por causa das licenças e das imposições, que não em pra Android e Windows) e tudo isso por uma fração de menos de 1% (estou falando do mercado de jogos no macOS) do faturamento. Ele até lançou um vídeo de tanto que o pessoal perguntava (link pro YouTube).
Talvex aplicativos como iA Writer e outros simplesmente não tenham interesse em desenvolver pra fora do ecossistema Apple porque i) eles não usam e ii) não vale o investimento (pelo retorno).
Mas daí entra a segunda questão: porque a mídia cobre quase que exclusivamente Apps de iOS/macOS?
Tem bastante app bom e bem acabado para o Android. O Todo One que acabaram de postar no Orbita é um deles (melhor que a maioria dos apps de todo do iOS). O Moshidon é um app para Mastodon que é melhor e mais bem feito do que o Ivory do iOS.
Eu ainda estou migrando a minha base de aplicações do iOS pro Android, então a maioria do que eu uso atualmente é multiplataforma. Mas eu me arrisco a dizer que você está na câmara de eco também hahahaha
Maneiro esse Todo One! Não conhecia mesmo.
O Moshidon já usei no meu Android de testes. (É feito por um brasileiro, e parece ser alguém bem jovem.) É, na real, um fork do app oficial do Mastodon para Android, um dos raros casos de app multiplataforma em que a versão do Android é (muito) melhor que a do iOS.
Os aplicativos nativos da Samsung, em geral, são bem melhores que os do iOS, o navegador da Samsung, por exemplo, é muito melhor que o Safari. O gravador de voz nativo também. Há ainda apps que não existem similares no iOS como o Tasker e o SKEdit.
Um dos motivos dos apps existirem primeiro, e as vezes exclusivamente, no iOS é que a base de usuários é menor e assim a correção de um erro ou a implementação de uma funcionalidade são menos caóticas. Dito de um desenvolvedor 🤷🏾
Outro motivo: a variedade de aparelhos android.
O Daniel Tolentino mencionou que “várias maneiras de fazer a mesma coisa” como uma desvantagem, não acho que seja assim. Ao contrário, quem desenvolve pode escolher com o que quer programar.
É menor, mas está longe de ser pequena, não? A Apple tem 2,35 bilhões de dispositivos ativos, e considerando que o iPhone é (de longe) seu produto mais popular e que já em 2021 havia 1 bilhão de iPhones ativos… Apesar disso, concordo que a uniformidade do hardware e o baixo número de dispositivos com que os desenvolvedores têm que se preocupar devem contar pontos, sim.
É a vantagfem da Apple: controle total.
Mesmo em relação aos desenvolvedores, você só cria algo conforme a Apple quer/manda. E os usuários tendem a pagar bem mais por software na Apple.
Minha teoria (com base em vozes da minha cabeça) é que o desenvolvimento p/ mac envolve um custo inicial maior, então quem entra já vai com a mentalidade de “é mais sério”
Outra coisa é que a Apple possui um guia mais completo e detalhado de design. De android, quando pesquisei isso, achei bem mais ou menos (sem contar que o próprio google vira e mexe quebra suas próprias diretrizes nos seus apps)
O único caminho na minha opinião nessas questões é aumentar a representatividade. A gente tende mesmo a seguir no mesmo fluxo que tem a menos que traga mais gente diferente nele.
Outro mistério (e uma dúvida genuína): considerando que Android e Windows têm muito mais usuários, onde estão os blogs, jornalistas, youtubers e influenciadores focados nesses sistemas? Seria de esperar, apenas pelos números brutos mesmo, que eles fossem mais numerosos que os que se dedicam às bugigangas da Apple.
Entenda a dúvida, também, como um pedido por indicações. Estou sempre atento a novas fontes de informação de sistemas e plataformas distintas das que uso. Até agora, só tive sucesso com Linux — muita gente, e gente boa, soltando coisas legais e cobrindo bem o sistema. Com Android e Windows…
Eu só acompanho por cima o Android authority.
Mas uma coisa que me peguei pensando enquanto lia os comentários é que acho que além da questão do mercado americano ter muito Apple, as pessoas que buscam mídia especializada para Android talvez queiram algo mais aprofundado, e isso também implica num custo maior para a empresa. Uma matéria mais rasa de iOS suspeito que renda mais cliques que uma rasa de Android