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Brasil e software livre web.archive.org

Na newsletter do Cory Doctorow de hoje, tem um link de 20 anos atrás de um post do Lawrence Lessig sobre o Fórum Social Mundial de 2005, realizado em Porto Alegre, do qual ele fez parte.

À época, Gilberto Gil era o ministro da cultura do primeiro governo Lula e falava sobre os esforços do governo em apoio ao software livre. Lessig fala sobre a discussão entre o ministro e alguns protestantes que demandavam rádio livre.

Eu era criança, então estava brincando e estudando ao invés de acompanhar esses assuntos e comprar imóveis ou bitcoins (pra minha infelicidade financeira), mas lembro de recentemente ler alguma coisa sobre a questão do Brasil ter vivido uma época em que essa discussão era frequentemente levantada (será que foi por aqui?).

Hoje, sendo servidor público e tendo passado por outras experiências profissionais afins, vejo claramente a enorme dependência que temos de licenças e softwares proprietários. O que será que aconteceu?

Conhecendo alguns espaços (porque fui atrás ativamente) onde é incentivado o uso e desenvolvimento de softwares livres, ainda tenho esperança que vamos conseguir diminuir a dependência das big techs, mas será um longo caminho até lá. Digo isso não apenas na esfera pessoal, mas na pública/profissional.

Mesmo acreditando no pote de ouro no fim do arco-íris, fico triste vendo como quase ninguém que já trabalhei tinha curiosidade de tentar usar um LibreOffice, um Linux, etc. Muitas vezes era mais fácil piratear uma licença do que usar outra opção.

O que vocês acham disso tudo? Alguém acompanhou essa história mais de perto?

Obs.: Os elogios à democracia brasileira kk saudades

10 comentários

10 comentários

  1. Eu estava trabalhando no Banco do Brasil nesta época.
    Não me recordo bem se foi por influencia do Gov Federal (acredito fortemente que sim) que o BB, com um parque tecnológico rodando o velho OS/2 Warp – tanto em servidores, ATMs e estações de trabalho – migrou tudo para Linux e BrOffice.
    Infelizmente em meados de 2003 o banco acabou cedendo aos benefícios dos serviços em nuvem, fechou contrato com a Microsoft e migrou quase todas as estações de trabalho para Windows/Office 365. Pouquíssimas estações que dependem de aplicações específicas continuam rodando Linux, além dos ATMs e servidores.

    1. Opa, um ex-colega de BB aqui. Hoje em dia, o BB optou por migrar tudo pra Windows…menos os pcs que rodam aplicativo de caixa, que felizmente continuam rodando Linux.

  2. Existe uma coisa pouco falada. Comprar software final de ano é um ótimo modo de gastar o recurso que sobrou ao longo do ano. Existe a lenda (será lenda mesmo?) de que se sobrou recurso no final do ano, no ano seguinte haverá cortes, então há uma corrida no final do ano para gastar o excedente e a forma mais fácil é comprar equipamentos de informática, fazer upgrades de licenças de softwares como o Microsoft Office etc

  3. Eu vivi isso como funcionário público, mas não houve um incentivo real ao abandono de softwares proprietários, na instituição onde trabalho a coisa meio que ficou restrita à adoção do LibreOffice, que na época era o OpenOffice.
    Em nível de infra, o open source é mais usado.
    O problema é que não existia um plano de adoção, para nós simplesmente foi algo “usa software livre aí” e ponto. É precisa haver uma política, diretrizes e orientações, só “usa aí” não funciona.

    1. Pensando em retrospecto, também percebo a maior adoção em nível de infraestrutura. Talvez por conta dos responsáveis por ela serem mais atentos ao assunto ou simplesmente por terem mais conhecimento técnico e poucos recursos (dependendo do lugar).
      Triste saber que o problema de falta de plano é antigo. Acho que isso ainda vai nos incomodar por muito tempo.

  4. O desenvolvimento de tecnologia nacional foi alvo do neoliberalismo. Nos primeiros governos Lula ainda existia certo combate ao neoliberalismo, mas esse combate foi abandonado no Dilma 2. Hoje, o governo atua para se limitar, impondo um teto de gastos (novo arcabouço fiscal) para garantir nossa dependência de software estrangeiro

  5. Eram tempos que as big techs não tinham a influência que tem hoje. Se no passado tinhamos religião e política juntos, hoje temos big techs e política juntos. Vimos isso na posse do laranja.
    Um exemplo, e apenas citando um de vários, dessa influência das big techs é o quase esquecimento do Moodle, uma plataforma open source de apoio à aprendizagem. Alguém lembra? No meu tempo de faculdade era bastante utilizado e popular em quase todas as universidades aqui da minha região. Mas daí chegaram o Google e a Microsoft oferecendo emails, espaço na nuvem ilimitado e estrutura “de grátis”. As instituições de ensino seduzidas pela excelente oferta migraram do Moodle para as plataformas das big techs. O resultado já conhecemos.
    É difícil lutar contra gigantes mas sempre temos uma esperança. Olha a DeepSeek aí.

    1. Pô, verdade. Usei muito na faculdade. Era jeitosinho e a gente ainda reclamava de barriga cheia.
      Uns exemplos bons também são os sistemas de gestão processos tipo o SEI. São bem feitos por brasileiros e para brasileiros.

    2. Tem o podcast tecnopolitica o apresentador participava de todas essas discussões na época. Não sei ao certo se ele fazia parte da composição do governo.

    3. O Moodle acho que é a base de algumas “escolas virtuais” hoje. O .gov tem um que foi até indicado tempos atrás aqui no Órbita ou no MdU como um todo.