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Bolsonaro se alia a bigtechs e arma exército digital para 2026 brasil247.com

Fortaleza, 30 de maio de 2025. No Centro de Eventos do Ceará, um auditório lotado por jovens ativistas de direita, assessores parlamentares, influenciadores e profissionais de marketing digital testemunhou […] Waldemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, 75 anos, envolvido em escândalos históricos e visivelmente desconfortável […]. Em uma fala desconexa, tropeçou ao tentar usar expressões como “flopou” e “stalkear”, gaguejou, repetiu sílabas até formar palavras mínimas, tentou invocar uma linguagem que claramente não dominava.

“Se alguém não entende o que eu falei, está no lugar certo para aprender.”

A frase, que arrancou risos nervosos da plateia, revelou mais do que o esforço de um cacique partidário em parecer atualizado. Revelou que o PL não é o protagonista da sua própria festa, o partido havia cedido o palco, o tom e a pauta às corporações que realmente conduziam o espetáculo, Meta, Google e CapCut.

Representantes oficiais da Meta, Google e CapCut dominaram a programação. Enquanto parlamentares tiveram falas cronometradas de 3 a 5 minutos, Ricardo Vilella (Google), Felipe Ventura (Meta) e um trio técnico vinculado ao CapCut (Jhon Henrique, Vitor Reels e Dan Maker) ocuparam o palco com desenvoltura, autoridade e espaço privilegiado.

Apresentaram tutoriais práticos sobre como automatizar vídeos, alimentar inteligências artificiais com conteúdo político enviesado, impulsionar mensagens via WhatsApp Business e até gerar podcasts inteiros com voz sintética, tudo isso com foco explícito em mobilização política, ataque a adversários e formação de militância digital.

As plataformas de tecnologia, que historicamente se vendem como neutras, mostraram, de forma pública e escancarada, que estão operando lado a lado com uma articulação política autoritária, antidemocrática e negacionista.

(Texto na íntegra no link acima.)


Estou totalmente chocado com a falta de pudor desse pessoal e do risco real dessa aliança.

16 comentários

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  1. O braço popular do governo é a economia e da forma que vem sendo conduzida, certamente será a maior causadora de uma possível derrota.

    1. Não vão nem precisar de fake news, a maior propaganda para a extrema-direita é a forma que o governo está gerindo a economia

  2. Já vi que vão meter essa na próxima eleição. Que a direita vai voltar por causa de IAs e bigtechs e não pelas cagadas feitas pela atual gestão.
    Ninguém faz mea-culpa e ve onde errou, sempre a culpa é dos outros.
    O novo padrão daqui vai ser um cara de direita maluco, ai vem um de esquerda com discurso de reconstruir o pais, mas faz um governo de merda, ai volta alguém de direita maluco e por ai vai

    1. Tipo, parte da esquerda meio que o que mais faz é auto analise, meia culpa e textão. Só mais a turma do Lula mesmo (o partido em si) que tem suas guerras internas e não sabe construir novos nomes para tentar competir.

      Não sei se ou já sugeri ou já viu, posso recomendar nomes como o Orlando “Anarcofino” Calheiros, que faz bons pontos sobre justamente esta questão. É um cara progressista e que já ajudou até em matérias sobre gente “virando a casaca” em eleições.

      1. Mas o que eu vejo, sinceramente, tanto no Lula quanto no Bolsonaro é a preocupação consigo próprio e não em fortalecer seus próprios campos ideológicos. Lula sempre fez questão de apagar o brilho de qq pessoa que se destacava no campo progressista e o Bolsonaro aprendeu legal e faz o mesmo dentre a galera conservadora.

        1. Pior que tipo, não sei se concordo 100% contigo, pq no caso do Lula pelo que leio, não é exatamente (só) o Lula que tira o brilho, mas sim o PT mesmo, que como falei vive brigando consigo mesmo.

          Vide o caso do Boulos em SP: o PT era para ter ajudado mais ainda em divulgação. Só que Tatto, uma das lideranças partidárias do PT em SP, em uma entrevista para o Intercept, falou que “melhor ser ‘de centro’ e apoiar Nunes”. Até hoje é difícil cravar pq Boulos não pegou um ministério, se foi do ego dele ou do PT ou sei lá – salvo engano o Lula tinha convidado para ministério. Errado ele não tá de ser deputado, o ponto é que ele “não brilha”. E acho Boulos um bom nome para substituir Lula.

          Do Bolsonaro é mais simples: ele só faz por ego mesmo, e não faz pq aprendeu com Lula. É diferente. É porque justamente houve um movimento político que viu nele um potencial para liderar a direita, ou ao menos ser um símbolo. É bem diferente Lula e Bolsonaro pq um foi sindicalista e sempre teve uma atuação política aberta, sob escrutínio total mesmo tentando fazer algo positivo para a população, como projetos de renda minima por exemplo.

          Bolsonaro tentou defender direitos dos militares, mas já começou errando quando fez o plano de bomba no exército. Aí o cara é posto para fora por causa disso, tenta a carreira política e acaba por 15 anos como um político de baixo clero e caricato devido as declarações até então absurdas. Mas de tanto repetir, quem concordava com ele começou a espalhar. E quem tinha ideias próximas tentou aglutinar. O “poder” (empresariado e “zelite”) resolveu patrocinar e botar um louco no poder, dado que loucos como bolsonaro são também de certa forma manipuláveis. Só largaram ele porque viu que a loucura dele acabaria com até eles mesmos.

          1. Gente, política é uma das coisas menos voluntaristas que existe. O congresso e o senado são os piores possíveis. Ainda que Lula seja “progressista” lá do jeito dele, esse não é um governo progressista, é só um governo que freiou, ou adiou, um golpe cívico-militar.

            Querer mais que isso me parece irreal. É um governo fraco e ruim, e, ainda assim… que bom?

          2. Pior que tenho que concordar, Edson. Lula é “progressista” só de fachada mesmo. Um motivo que me lembro que é sempre exposto por progressistas reais é que FHC, por mais que era alguém “da elite” (teoricamente, mas de fato é de uma linhagem familiar), queria acabar com o formato atual do exército. Enquanto que Lula no final aumentou investimentos nas forças armadas (e foi traído por elas).

            Ao mesmo tempo, entendo que é um erro triplo: Lula nunca incentivou de forma incisiva que tenham mais pessoas no senado que façam parte da “situação”. Os políticos em geral que ficam no “baixo clero” (deputados, senadores, vereadores) acabam fazendo de tudo para ficar no poder. E a população vive a vender voto ou trocar por algo. Cansa. Digo porque já lidei com político e vi por cima como é.

            Pior que não tem nomes políticos que falem “pô, parem de agir tal como àqueles que vocês põe no congresso!” Não adianta criar leis se ninguém segue e quando é pego paga propina para não ser preso, multado ou punido.

            Quanto a golpe, sei lá. Não sou um sociólogo (espécie desmerecida por muitos, diga-se) ou historiador. Não sei se ainda há risco de golpe – as ações do STF servem como parte de um freio, mas a sensação é que tem algo pior e ninguém resolve. Ou melhor dizendo, quando se tenta mudar uma cultura de enriquecimento (muitas vezes ilícito), sempre vão tentar “cortar o barato”. Mas já me estendi demais.

          3. O governo Lula está atuando dentro de uma hegemonia neoliberal – o golpe na Dilma foi para implantar o projeto Ponte para o Futuro, da elite liberal brasileira, e conseguiu passar muitas coisas com o Temer. Bolsonaro foi a versão ultraliberal na economia com o Guedes e no campo político, por conta do pensamento militar, quis minar a democracia. Lula entrou nesse contexto. Teve que já sair negociando para ter orçamento do bolsa família e substituir o teto de gatos do Temer por um novo teto. Ou seja, já começou engessado. O governo, para isso, teve que construir uma frente ampla, com muita gente de vários espectros ideológicos. Ainda assim, temos visto crescimento do país, desemprego diminuindo e aumento da renda média. Muito aquém do país que desejamos, mas muito melhor que o governo Bolsonaro.

          4. Que de fato está melhor que o governo do salnorabo isso está. Mas a sensação é de “vôo de galinha” – as pessoas querem ter um poder de compra melhor, e de fato a inflação pós-pandemia já tinha comido bastante este poder de compra. Não adianta aumento se é pouco. E o “desemprego diminuindo” na verdade é um monte de emprego subremunerado ou galera indo para trabalhar para apps.

            Entendo que o erro maior é um congresso que trava pautas e não sabe fazer leis para ajudar a população, pelo contrário, as leis favorecem mais parte deles mesmos (que são oriundos de linhagens diversas de poder) do que a população (que ganha pouca lei os defendendo).

          5. Eu concordo com os seus pontos de crítica, sei que a nossa realidade social e econômica é muito precária ainda. Mas também acho que a comunicação do governo não chega até as pessoas e o que chega de fato esta ajudando a piorar a percepção, na minha opinião. Vou deixar uma coluna do Perdo Carfado que saiu no Valor que acho que vale a leitura.

            Não consegui quebrar o link, mas recebi no whatsapp

            https://valor.globo.com/brasil/coluna/coisas-que-acontecem-num-certo-pais-infeliz.ghtml

            Valor Econômico

            Coluna – Pedro Cafardo

            Coisas que acontecem num certo país infeliz

            O debate econômico se dá basicamente em torno de problemas fiscais, que podem ter impacto nos próximos anos, mas não afetam hoje o humor e o dia a dia das pessoas.

            Num certo país infeliz, espalha-se um enorme pessimismo sobre a economia e, aparentemente, resultados bastante positivos para a vida real de pobres e ricos são quase ignorados nas análises.

            Nesse país infeliz, argumenta-se que a inflação está incontrolável, mas ela atingiu em média 4,73% ao ano nos dois últimos anos. Nos quatro anos anteriores, havia alcançado 6,17% ao ano. E a inflação média atual está abaixo da média dos últimos trinta anos (6,5% ao ano), desde que foi criada a atual moeda em circulação.

            Nesse país, propala-se que o descontentamento advém das classes mais pobres, que estariam sendo fulminadas por uma inusual inflação dos produtos alimentícios. Mas os alimentos subiram 8% no ano passado, menos que a renda das famílias em geral, que cresceu 10%, e muito menos que a renda das famílias mais pobres, que aumentou 19%.

            Nesse país mal-humorado, a taxa de desemprego vem recuando e estava em 6,6% da força de trabalho no primeiro trimestre, em nível próximo do mais baixo da série histórica para o período. A previsão atual é de que caia para 5,9% até dezembro. A informalidade no trabalho recuou para 37,9%, taxa situada entre as menores da série histórica iniciada em 2015.

            A desigualdade de renda nesse país infeliz, medida pelo Índice de Gini, foi a mais baixa da história no ano passado. E a renda per capita domiciliar mensal, a maior desde o início da série histórica, em 2012.

            Nesse país, segundo o Relatório das Nações Unidas sobre Estado de Insegurança Alimentar no Mundo, o número de pessoas em situação de fome diminuiu de 17,2 milhões em 2022 para 2,5 milhões em 2023. Portanto, cerca de 14,7 milhões de pessoas deixaram de passar fome de um ano para outro nesse país infeliz.

            O PIB desse país surpreendeu novamente os pessimistas e cresceu 1,4% no primeiro trimestre, índice superior ao dos países da OCDE e do G7 – ambos os grupos avançaram minguado 0,1%. O crescimento se dá a despeito da imposição de uma assombrosa taxa básica de juros, de 14,75% ao ano, nove pontos percentuais acima da inflação, que desincentiva investimentos.

            Essas surpresas do PIB ocorrem desde 2020 nesse país infeliz, quando se projetava recessão de 6,5% e ela foi de 3,3%. Em 2021, a expansão prevista era de 3,4% e a efetivada foi 4,8%. Em 2022, estimava-se 0,3% e deu 3%. Em 2023, o esperado era 1,4% e deu 2,9%. Em 2024, previa-se 1,6% e deu 3,4%.

            Nesse país, observa-se que os empresários estariam insatisfeitos, mas os lucros das empresas no primeiro trimestre foram excepcionais e superaram as expectativas do mercado. O lucro líquido das 387 companhias abertas não financeiras subiu 30,3% no trimestre, para R$ 57 bilhões, e as receitas cresceram 13,9%, para R$ 976,7 bilhões.

            Na área financeira, os lucros dos quatro maiores bancos no primeiro trimestre cresceram em média 7,3% e somaram R$ 28,2 bilhões. Um bancão aumentou seu resultado em 39% na comparação com o mesmo período do ano passado.

            Nesse país pessimista, atingido há décadas pelo vírus da desindustrialização, a indústria voltou a crescer: 3,1% no ano passado. Em março, avançou 1,2% sobre fevereiro e 3,1% sobre março de 2024.

            Por que, afinal, a bruma pessimista continua a embaçar toda a economia desse país infeliz? Se prevalecesse a “lei Carville” (É a economia, estúpido!), cunhada na campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992, essa neblina não faria sentido.

            Resumindo: nesse país infeliz, a inflação está abaixo da média nacional dos últimos 30 anos; a renda dos mais pobres cresce mais que a inflação de alimentos, principal item de consumo nessa faixa de rendimento; o nível de desemprego é o mais baixo da história; o número de pessoas em situação de fome caiu 85% em um ano; a desigualdade de renda é a mais baixa da história, e a renda per capita, a mais alta; o crescimento da produção surpreende positivamente há cinco anos; a safra de alimentos bate recorde; o lucro das empresas financeiras e não financeiras aumenta muito mais que a inflação; a bolsa de valores quebra recordes e rentistas/investidores das classes média e alta ampliam seus patrimônios com os juros de dois dígitos.

            Nesse país infeliz, um partido de oposição pôs no ar uma peça publicitária engraçadinha dizendo ter saudade de um ex-presidente porque está tudo “caro”, fazendo rima com o nome do ex. Mas, nos quatro anos desse governo “saudoso”, a inflação média anual foi de 6,17%, índice bem maior que o dos dois primeiros anos do governo atual desse país (4,73%). Os alimentos estariam subindo mais, argumenta-se. Falso. Nos quatro anos “saudosos”, os alimentos subiram em média 8,24% ao ano. Nos dois do atual mandato, 4,36% ao ano.

            A peça publicitária foi contestada? Que se saiba, não. O debate econômico se dá basicamente em torno de problemas fiscais, que podem ter impacto nos próximos anos, mas não afetam hoje o humor e o dia a dia das pessoas. Ou esse país infeliz tem graves falhas na comunicação ou talvez sua infelicidade e seu pessimismo não venham da economia, estúpido.

            Pedro Cafardo é jornalista da equipe que criou o Valor Econômico e escreve quinzenalmente às terças-feiras

  3. Eu estou achando que a briga Trump x Musk vai naufragar os planos da Direita aqui.

    Olha o raciocínio. Musk e outros donos de big techs vão meter o porrete nas críticas no Trump. Trump larga a mão nos processos que defendem as big techs e deixa o STF sem punições e livre para regular as redes e meter o peso da lei nos candidatos de direita.

    Olhe o que vai acontecer. Vai ter muito bolsonarista decepcionado com o Trump em breve…

    1. A briga é mais com Musk do que com os outros donos de “big techs”. Não acho que os demais vão dar mais razão ao Musk (que aparentemente tem tido mais problemas sociais e psicológicos do que imaginamos) do que ao Trump, pelo contrário – vão largar mão do Musk e deixa-lo à deriva.

      E não que as “big techs” não tenham seus interesses e medos com Trump e as políticas atuais dele, mas sim que entre alguém louco sem poder e alguém louco com poder na mão, óbviamente vão pegar na mão de quem está com poder. Até porque em algum momento talvez até os próprios donos das empresas já com Musk fora do páreo, podem tentar influenciar no lugar.

  4. É difícil fazer qualquer comentário que não seja: a situação é assustadora! Se a gente não fizer nada, vão passar o rolo compressor. Com direito a marcha ré.