Minhas impressões sobre a biografia de Elon Musk e uma digressão sobre “a vingança dos nerds”.
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Minhas impressões sobre a biografia de Elon Musk e uma digressão sobre “a vingança dos nerds”.
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Biografias sempre serão um “terreno menor” da literatura, principalmente aquelas feitas como o Isaacson faz – conversando com os biografados – porque são, em pormenores, grandes reportagens sobre a vida de um pessoa que outras julgam notória. Isso por si só é um “culto à personalidade” que raramente casa com o que se espera da literatura.
Mas lendo a sua resenha, não tem como não pensar que o Musk, provavelmente, é um fruto dos abusos do pai dele e que, atualmente, ele reproduz esses absusos com os filhos e funcionários. Essa questão de saúde mental e formação do masculino precisa ser debatida e questionada (apesar de que com a ascenção teocrática nos EUA e Brasil, eu duvido que isso ocorra) porque ela gera pessoas como o Musk (ele é apenas proeminente no mundo, como ele tem milhões de homens quebrados que reproduzem aquilo que passaram na infância e adolescência).
Sobre op Isaacson em si, eu li a biografia do Steve Jobs e ela foi responsável pela minha ojeriza ao sujeito (mesmo o Isaacson fazendo, como fez com o Musk, um grande trabalho de limpeza da imagem do Jobs e escrevendo como se estivesse diante de um semi-deus). Depois tentei ler as biografias “mortas” que ele fez. A do Einstein é, no mínimo, parva porque ele ignora, se bem lembro, toda a problemática dele ao redor da realtividade, a queda brusca de qualidade e de produção que ele teve depois de separar da primeira mulher (o que cria a ideia de que era ela quem criava a maioria dos teoremas e publicava através dele ou em parceria com ele).
Quase comprei da Jennifer Doudna, mas respirei e me lembrei que ele escreveu um livro chamado “Inovadores” onde colocou o Steje Jobs e o Bill Gates do lada da Ada e do Turing.
Estou considerando ler a do Jobs, mas dá certa preguiça, já sabendo de antemão como será mais ou menos.
Sim, algumas pessoas íntimas do Musk falam no livro que ele acabou se transformando no pai cruel, explosivo e insensível.
Eu até gosto de biografias. Leio como se fosse reportagem. As do Fernando Morais são ótimas.
Bacana seu relato! A minha impressão após a leitura da biografia, porém, foi oposta — aumentou a ojeriza ao sujeito. A parte biográfica mesmo é questionável pela fraqueza de posicionamento do Isaacson. Passagens explicitamente equivocadas põem em xeque os demais relatos, como o do bullying na infância, o relacionamento com seu pai, a origem da riqueza (ou falta de) pregressa da família. Até a justificativa dada pelo Musk pelo trato horrível para com funcionários e sócios é fajuta — ele “acha” que é autista, sem nunca ter sido avaliado; soa como um álibi barato, uma desculpa para ser um grande babaca inconsequente.
O livro funciona melhor quando aborda eventos contemporâneos, em especial a aquisição do Twitter. É quase um livro-reportagem, e ali as falhas de Musk ficam mais evidentes. A passagem da migração de servidores do Twitter para economizar, arrancando as máquinas do chão, chega a ser cômica.
Ah, e sobre A vingança dos nerds: você reviu o filme depois de velho? É bizarro. (Alerta de spoiler.) Parte da “vingança” consiste em um estupro, literal. Fiquei horrorizado da última vez que assisti ao filme. De um modo meio triste, faz sentido que ele seja constituinte do caráter dos tech bros — que prefiro definir como “hetero tops da tecnologia”.
Não, nunca mais revi o filme. Não lembrava desse lance.
É verdade: como biografia, é um pouco fajuta, porque o biógrafo compra demais as versões do Musk. Mas como reportagem do mundo tech, é uma boa crônica.