Eu nunca tinha ouvido um livro, o mais próximo disso foi uma vez que ouvi alguns áudios de Cid Moreira recitando passagens da bíblia em um CD na casa de uma tia muito católica, mas nunca tinha tido essa experiência, até ontem… Acabei de terminar de ouvir um audiobook de cinco horas e meia (sim isso mesmo) do livro “Nas Montanhas da Loucura” de H.P Lovecraft, e sinceramente só não terminei ontem mesmo porque precisava dormir.
Dois detalhes interessantes:
1 – Eu nem gosto de Lovecraft.
2 – Eu tenho verdadeiro pavor de aceleração de mídias, sejam elas áudios ou vídeos, então ouvi cada minuto na velocidade natural da leitura do narrador.
Estou com a sensação de ter lido o livro inteiro, sabe aquela sensação da “leitura profunda” onde seu cérebro parece que ficou tão absorvido pelo tema que produz uma sensação boa de relaxamento?
Agora fica minha dúvida, eu posso dizer que li o livro que ouvi? hahahahah
20 comentários
Curiosamente esse mês foi o mês da minha descoberta dos áudiobooks também.
Eu já tinha tentado algumas vezes mas com produtos menos estruturados, com narração robótica e tal. Não tinha funcionado.
Uns meses atrás eu assinei a audible e só esse mês resolvi dar uma chance. Peguei um livro que eu já conhecia e queria “reler” e está sendo ótimo.
Na verdade eu li em 1 mês mais do que ano passado inteiro, “li” 3 livros em 1 mês.
Tenho ouvido ao trabalhar com tarefas repetitivas, lavando louça, no trânsito, na academia, etc. Onde antes eu ouvia podcast estou audiolendo haha. E já coloquei na lista a compra de alguns áudiobooks que não fazem parte da audible. Estou adorando.
O que vocês usam pra ouvir os livros? Assinam algum serviço igual ao Audible? Ou é só no Audible mesmo?
Cara, eu ouvi no Youtube, tem MUITA coisa desse tipo por lá, exise alguns com vozes robóticas e não curti, mas com narração real de alguém lendo de verdade é outra coisa. Eu não conhecia os serviços que o Christopher mencionou.
Eu já assinei o UBook, acho que foi em 2021 e que paguei 120 reais por um ano na promoção de Black Friday.
Queria ler um livro que eles traduziram e editaram: 500 dias no mar: a volta ao mundo em um 12 pés, do Serge Testa. Eles tinham o livro em duas versões, e-book e audio. Ouvia ao áudio, mas, quando tinha dúvidas com alguns nomes de lugares e termos técnicos, recorria ao e-book.
Não me adaptei muito aos títulos do catálogo, havia uma biblioteca mediana de audiobooks e um pouco melhor de e-books. Até que usei bastante o conteúdo de jornais e notícias lidos diariamente. Por 10 reais ao mês era uma boa oferta.
Para quem quer livros mais populares, acho que além do Audible, só tem as lojas do Google e Apple no esquema de compra individual.
Também já usei o Librivox, que tem leituras voluntárias de livros em domínio público, além de seguir alguns podcasts com leituras de contos de sci-fi. Para o Librivox há um app: https://play.google.com/store/apps/details?id=app.librivox.android&pli=1 era suficiente.
Para os podcasts de ficção científica, usava um app do F-DROID: https://f-droid.org/en/packages/de.ph1b.audiobook/
Muito obrigado pelas informações. Esse é um tema que sempre ensaio em começar, mas sempre deixo pra depois.
Vou dar uma olhada nos serviços que você mencionou.
O Christopher Moura começou a resposta com a mesma frase que imaginei, rs! E também comentou muito bem (obrigado pelas dicas) sobre neuro divergência e leitura. Me restou dizer que sempre estimulo meus estudantes a lerem, mas como sei das dificuldades de alguns, lembro que leitura não é só texto, mas também áudio e vídeo, então, minha opinião (baseada apenas na minha experiência pessoal e de sala de aula), você leu sim!
Sinto mesmo como se tivesse lido o livro todo, sensação boa cara hahahaha
E só acrescentando, não é o tipo de livro que eu pegaria em uma estante para devorar, como fiz, então foi uma experiência muito boa de aproveitar algo novo.
Legal!
Minha companheira está nessa de áudiolivros. De fora, parecem com podcasts gigantescos (+10 horas). Acho que funcionaria em alguns cenários, mas acabo preferindo ler com os olhos porque, nessa lógica de podcasts, esse momento não seria de foco total, mas dividindo a audição com outra atividade mecânica (musculação, lavar louça etc.).
Ghedin, eu fiquei muito frustrado nas minhas primeiras experiências com audiolivros (quando ainda não os comprava em conjunto com e-books ou com livros físicos) e achava que era por causa do estilo da escrita, narrativa, ou por causa da pessoa que estava a narrar. Porém acabei descobrindo que era porque eu fazendo outra atividade ao mesmo tempo, tal qual como eu fazia com podcasts.
Antes de começar a “audioler” o livro enquanto lia a versão digital/impressa, comecei a fazer como as pessoas neurotípicas (pessoas que tem um neurodesenvolvimento considerado regular): reservar um tempo exclusivamente para ler. Isso não resolveu, mas ajudou um pouco (uma vez que eu não conseguia me manter concentrado/focado por muito tempo).
Esse “momento de foco total”, como você mencionou, faz toda a diferença no consumo de podcasts e audiolivros.
Ghedin, eu tinha a mesma impressão sobre parecerem podcasts gigantescos, mas isso mudou, talvez pela ótima narração do livro, não sei, porém a imersão foi muito boa. Eu ouvi enquanto limpava a casa, depois à noite passeando com meus cachorros e terminei hoje de manhã no trabalho. Percebi que no trabalho foi bem mais complicado aproveitar o final, tive que voltar algumas vezes, e nem foi por falta de tempo ou por estar atarefado, na verdade eu estava bem tranquilo, mas senti que o ambiente não favoreceu.
Vou tentar me aventurar em outro livro, vamos ver.
Oi Rick!
Bem vindo ao mundo dos audiolivros! 😁
Fora os livros técnicos, sempre que posso eu compro o audiolivro em complemento ao e-book. Acredito que já mencionei em alguma outra conversa aqui no Órbita, mas não custa repetir: sempre tive muita dificuldade em me manter concentrado e só fui diagnosticado com TDAH aos 27 anos. E apesar do tratamento, demorei anos para encontrar a solução: ouvir o audiolivro enquanto leio o livro. Dessa forma, com dois sentidos sendo estimulados ao mesmo tempo, não há como perder o foco. E a parte da solução está na Amazon: na hora de comprar um e-book aparece a opção “Add an audiobook with Audible narration for $”. O valor é mais baixo do que comprar só o audiolivro e além disso, existe a sincronia entre o audiobook e o audiolivro, além de ver o trecho sendo narrado em destaque e as páginas virando automaticamente.
Não é uma solução barata, mas é uma solução que vale a pena. 🙂
E sobre a sua dúvida (“eu posso dizer que li o livro que ouvi?”), já vi pessoas dizendo que “audioleram”. 😉
Abraço e boas (audio)leituras! 🎧📚
Ótimo relato o seu Christopher, eu tbem sou neurodivergente (TEA + TDAH), e sempre precisei de estímulos auditivos para conseguir me concentrar em leituras profundas, então coloco fones e ouço música, não tentei ainda da forma como mencionou o uso de audibook + livro, vou seguir essa sua dica, acho que vai dar bom!
Nossa… Precisa de algum setup pra essa sincronia funcionar? Rola com kindle ou só em tablets e smartphones?
Oi, Rick.
Na minha breve experiência com audiobooks, reparei que autores mais antigos, em geral têm textos mais orais, que foram escritos para serem declamados e ficam ótimos como audiobooks. E, pelo pouco que entendo de teoria literária, essa diferença entre épocas e oralidade faz muito sentido.
Para mim, romances com um estilo mais contemporâneo, tipo pós 1930, ou obras de não ficção não funcionaram tão bem como audiobooks. Tanto que desisti de assinar o Ubook / Audimo e fiquei só com o Librivox que tem livros em domínio público.
Oi Capivaresco, que interessante essa questão de estilo de época, faz bastante sentido isso. Eu não conhecia esses serviços de audiobook, obrigado pela indicação, vou procurar.
Eu senti que a cadência do narrado durante a leitura do livro que citei fez toda a diferença na minha imersão e aproveitamento, tanto que ainda estou com várias imagens mentais vívidas das ambientações criadas durante o processo. Foi uma experiência muito boa, nova.
Se for assinar, eu paguei bem mais barato na blackfriday em 2021, tipo metade do valor.
No YouTube há muitos audiolivros também.
Sua descrição me fez pensar de imediato em Dickens e no Machado de Assis, autores da virada do século XIX para o XX que devem funcionar muito bem em audiobook.
Oi, Paulo.
Se não me engano foi justamente no realismo se intensificou essa transição do texto oral ao mais voltado à leitura silenciosa do impresso.
Imagino que ainda seja uma prosa interessante para se ouvir, mas que não fique melhor do que lida silenciosamente.
Não ouvi nenhum autor brasileiro dessa época, pois há uns 7 anos o librivox era praticamente de língua inglesa.
Escutei um tanto de Wilkie Collins, contemporâneo e amigo do Dickens, era bom, mas preferia o ler os ebooks; já os audiobooks de obras do Mark Twain eram excelentes, acho que pelas tiradas espirituosas do autor e a narrativa coloquial regional.
Minha dica seria a de tentar o que der vontade, mas sem insistir em narrações que não agradem.