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Átila Iamarino é “cancelado” por promover a Shell: “ajudando a impulsionar vidas” bsky.app

Ainda está no ar (Instagram).

Essa era uma casca de banana fácil de evitar, mas aproveito o caso para levantar um tema que me ocupa muito a cabeça (e explica em parte o “leiaute limpo” do Manual): dá para separar criador de patrocinadores quando a mesma pessoa veicula os dois tipos de conteúdo?

59 comentários

59 comentários

  1. Entendo não ter o Átila mentido nessa publi, ou ela ser problemática como estão pintando. Nela conta um pouco sobre o petróleo, de forma simples e educativa, e a informação de como a Shell trabalha e pesquisa para extrair de forma segura e confiável, não a afirmação do petróleo ser seguro, limpo, confiável e não causar problemas ambientais. Além de se tratar de um produto realmente vital para nossa sociedade contemporânea, só olhar para a Petrobras, para o ônibus do transporte público, o navio cargueiro que traz seu pedido da shein. Agora, se a publi fosse sobre a Vale (Brumadinho e Mariana), ou sobre a Usina Hidrelétrica de Balbina ou Belo Monte, então seria uma mentira. Acho que estão problematizando demais isso e ignorando o fato da extração e processamento de petróleo ser uma área específica de estudo da ciência.

  2. Como vi sendo repassado por amigas trans no Bluesky: a população trans é o canário de mina das redes. Lá atrás ele soltou um vídeo sobre pessoas trans com umas noções ultrapassadas e até nocivas – surpreendente pra um biólogo, diga-se, o pessoal da comunidade avisou e eu deixei de seguir ele. Agora ele apareceu com essa. Pode contar que o criador que se mete em polêmica com a população trans (e não se retrata) vai falar coisa pior no futuro.

  3. Imagina só quando descobrirem o que a indústria da Fast Fashion e tecnologia faz…
    Os dedos que digitam seus iphones e abotoam os botões de suas camisas Zara, Renner e afins ficariam enojados…

    Acho esses cancelamentos patéticos.

    A biblia diz “O mundo jaz no maligno”..
    Provavelmente qualquer empresa com mais de 50 anos tem as mãos sujas de sangue.

    1. sim, isso chama capitalismo. Vamos nos organizar para destruir este sistema?

      o fato do mundo funcionar assim não quer dizer que um sujeito como átila não possa ser criticado por ter recebido dinheiro para defender práticas condenáveis.

  4. Se ele é conhecedor do assunto, deve saber o que está fazendo.

  5. Acabei de ouvir o comentário do Linck (QnS) sobre isso. Achei pertinente. Tá no meeeeeio da Live (do Caos, com nome certeiro). Como eu gosto do QnS, ligo e vou ouvindo, enquanto trabalho.

  6. Esse é o caminho dos mortais(influenciadores), todos já tem algum “monstrinho” de estimação de onde tiram suas fontes…

  7. Minha grande questao com esse cancelamento, está na hipocrisia. Todos que fazem propaganda de algum produto estao em algum nivel contribuindo para o aquecimento global em algum aspecto. Obviamente que nao se compara o que a Shell fez/faz, mas ai é medir a regra moral (que é imaginaria). Pega por exemplo os influencers de ciencia que fazem que fazem propaganda para aquela marca da roupa que nao amassa. Eu aposto as minhas falanges, que a producao deles nao é 100% limpa, mas nao vejo o tribunal da internet pesando a mao sobre ele.

    Meu ponto aqui é: se vc vai cancelar um por este motivo, todos tem que vir abaixo. Mas é como dizem. Nao existe moral publica sem uma dose de hipocrisia

    1. Viver é uma hipocrisia constante e inescapável, Luis. (Eu prefiro usar o termo “contradição”, porque muitas delas estão além do nosso arbítrio.) O que discordo do seu comentário é nivelar todas as contradições. Existem maiores, menores, e um universo de gradações entre umas e outras.

      A ficha corrida da Shell é extensa, sua contribuição para o aquecimento global é uma das maiores do mundo e ela fez parte do lobby que, por décadas, minou os efeitos climáticos do consumo de combustíveis fósseis. (A Wikipédia inglesa tem um bom resumo.)

      Produzir camisetas gera impacto. Viver gera impacto. São medidas muito distintas da de uma Shell. E o argumento de que “todos dependemos do petróleo” é verdadeiro, mas essa dependência não é natural e não aconteceu por acaso, o que deve ser sempre levado em conta.

    2. Concordo que no capitalismo, consumo sustentável não existe. Ao meu ver a linha pode ser traçada entre empresas que gastam recursos para fazer lobby para evitar a transição energética. Até onde sabemos, a marca de camisetas que não amassa não gastou dinheiro para fazer lobby para leis que beneficiem a indústria do petróleo.
      Na eleição de 2018 alguns influenciadores muito queridos por mim fizeram publi de uma loja de fast fashion que estava com uma pegada “LGBTQIA+ friendly”. O problema é que o dono dessa loja fazia abertamente campanha para um candidato homofóbico. Para mim o fato do dono fazer “força” e gastar recursos para ativamente promover ideais LGBTQI-fóbicos minava toda a campanha “arco-íris”. Ao serem informadas da situação, as influenciadoras vieram a público se desculpar, atitude diferente do que vejo o Átila tomar após a repercussão do post dele.

  8. Esse tá bloqueado desde 2020 – sou cancelador raiz. Todo c@g@dor de virtude um dia se lasca.

  9. Pelo menos agora eu vou queimar V-power no fusca um pouco menos arrependido. 🫠

  10. Me veio uma coisa na cabeça.
    Até que ponto o público se importa com propaganda?
    Pelo menos das pessoas que eu conheço, a grande maioria acha um inconveniente.
    Época pré-internet, propaganda no impresso você pulava a página, e na televisão e rádio é a hora de ir no banheiro ou pegar uma água.
    Lembro que F1 tinha uma propaganda desproporcionalmente cara por ter veiculação no meio da corrida e logo ter um alcance maior.
    Hoje em dia, é ad-block ou pular o tempo do vídeo.
    Quantas pessoas que seguem ele (ou qq outro influencer) que vão assistir todo o publi que ele fez? As propagandas, nesse meio, com mais eficácia são tipo merchans/testemunhais, que conseguem bolar um conteúdo quase que por si só a base do produto.

    1. A publicidade não precisa ser consumida na íntegra para ser efetiva. Não precisa nem ser consumida — deve ter muita gente que não assistiu à publi do Átila falando da Shell por causa dela. Em última instância, a mera existência da publicidade presta um serviço a si mesma por normalizá-la, um fim que alcança mesmo para que, usa bloqueador de anúncios. Publicidade é um sistema inescapável, e o fato de muita gente “não ligar” mesmo quando impactada diretamente por ela, o tempo todo, sem cessar, é prova de que ela funciona.

  11. O fato de a emergência climática ser um tipo de hiperobjeto — que não dá para perceber na totalidade de cara, apesar de onipresente — ajuda a nublar esse debate, acho. Se fosse publicidade de um malefício massivo mais perceptível, poucas pessoas defenderiam. Mas, em termos de danos, ecocídio de longo prazo não é diferente.

  12. Entrando apenas no mérito da dúvida levantada (“dá para separar criador de patrocinadores quando a mesma pessoa veicula os dois tipos de conteúdo?”), acredito que não dá ou, ao menos, não deveria. E não só para casos em que é a mesma pessoa, como no caso de influenciadores ou autores de projetos de uma pessoa só, como o MdU. Todo mundo deveria parar de separar Igreja e Estado (pra usar o velho jargão jornalístico que o Gabriel lembrou) e perceber que seu discurso deve vir acompanhado de ações. Tem um doc recente muito bom sobre a Nan Goldin, “All the Beauty and the Bloodshed”, que mostra a luta dela para que museus e galerias abrissem mão de patrocínios ligados à indústria de opioides. Até hoje lembro de um caderno especial da Folha com o Sebastião Salgado na Amazônia em que havia uma publicidade de SUV com o próprio de garoto-propaganda. Ora, tanto para o Sebastião Salgado, quanto para a Folha, de que adianta alardear a importância da Amazônia e meio ambiente numa página e vender SUV na página seguinte (aliás fica a sugestão do Tecnocracia sobre SUVs, para quem não ouviu)? Enfim, o mundo tá pegando fogo, literalmente, e cada um tem seu percentual de responsabilidade. Daí vai do caráter de cada um de fazer o que está ao seu alcance ou se vender por um chequinho (ou melhor, pixizinho) polpudo.

    1. Bom ponto. No caso do Sebastião Salgado, acho que ele cabe no mesmo nível do Atila: ele “SOA” progressista, mas é bem mais classista do que aparenta.

      Geralmente pessoal que fica no meio de uma roda social e tem relevância nela, eles podem soar alguém progressista, “de esquerda”, etc… mas aí investiga um pouco e descobre que a pessoa vive em algum bairro chique, no limite de todas as contas, ganha dinheiro de algum empresário com um pé no ilícito (trabalhando direto ou indireto ao mesmo) e não é uma pessoa que realmente ajuda os pobres (raramente ou nunca faz algo como trabalho coletivo, apoio a entidade, voluntáriado, etc… ).

      Tinha um termo pejorativo antigo usado que é o “esquerda ‘Vila Madalena'” (Vila Madalena é um bairro atualmente boemio e de classe média alta de São Paulo), que faz referência a este tipo de pessoa que puxa voto para um partido progressista, mas não ajuda pessoas da periferia. Se diz defensor de pobre mas se afasta ao ver alguém da periferia.

      Já que puxei nisso, fica a sugestão para o pessoal ler um texto recente do Intercept sobre um lider comunitário que antes era de um lado progressita e hoje apoia o candidato a reeleição em São Paulo

      1. Acho que essa coisa de “Esquerda Vila Madalena”, “Socialista de iPhone” etc. pode cair num julgamento perigoso de achar que só quem tá lá na periferia subindo uma laje pode ter um discurso de esquerda autêntico. Já vi influenciador de trabalho com morador de rua (ou seja, não fica só no barzinho da Vila Madalena, ele arregassa a manga etc.) declarar que anularia na última eleição presidencial, porque Lula e Bolsonaro seriam iguais. Ou seja, não é porque atua na base que tem consciência crítica. Minha opinião é que cada um, dentro dos seus limites e atuação, pode contribuir com a superação de problemas. Sebastião Salgado, para seguir no exemplo, ao não emprestar sua autoridade de fotógrafo de natureza e comunidades indígenas para uma marca de carro; Átila, como cientista, ao não vender sua credibilidade para uma petroleira com um discurso entusiasmado, sem qualquer problematização em relação à crise climática.

        1. Isso, boa essa questão e não a toa usei a terminologia. Não existe também uma vertente política perfeita, tudo é recheado de nuances, e o progressismo deveria se basear nisso ao julgar tanto os outros quanto a si mesma. Mas seria engraçado se daqui a pouco começasse a usarem o termo “esquerda da quebrada”.

          Só que vamos nos ater ao seguinte ponto: se a filosofia política deveria ser de apoio mutuo baseado simplesmente em fazer parte da comunidade (o que creio que defina o socialismo), então é assim que deveria o ser. Se a filosofia política é usar um valor para trocar todo o tipo de atividade, então sejamos francos conosco mesmo e vamos admitir que o dinheiro e o poder regem a sociedade.

          Mas enfim, o ponto da “problematização” é assim: se “na terra dos sapos, é para sermos um deles”, claro que um pato agir como um sapo na terra dos sapos ele vai ser notado. Ele pode coachar, pular e comer um inseto. Mas não é um sapo, é um pato.

          Se eu sou um dono de um canal de vídeo que falo sobre mobilidade urbana (ônibus, trens, etc…) e ganho patrocínio da BYD (que é uma fabricante de diversos tipos de veículos eletricos e hibridos), mas para fazer propaganda de um carro deles para venda a particulares, existe uma incoerência aí. O certo é fazer uma propaganda de um ônibus, de uma tecnologia de trens (ambos a BYD trabalha). Mas se eu estou falando de mobilidade urbana e faço propaganda de carro, estou indo contrário a um princípio de quem defende mobilidade urbana – pois se defende que todos usem a mobilidade, dado que automóveis particulares prejudicam a sociedade.

          Ou pegando até um exemplo criticado tempos atrás: o Felipe Neto criticava bets mas tinha patrocínio de uma. Depois de uma enxurrada, pulou fora do patrocínio e ficou se lamuriando. Beleza, “admitiu o erro”, e até fica falando sobre o erro e tal (para tentar ganhar audiência com isso, diga-se). Só que Felipe, bem, é influencer, etc… galera já sabe e tem post sobre.

          Sebastião Salgado, pelo pouco que sei, tem seus projetos, tem a fazenda dele que ele cuida, etc… Mas ele é um “bon vivant”. E pessoas desconfiam de “bons vivants”.

          Não a toa há também a desconfiança com a Globo por exemplo, pois sempre faz propagandas “pro natureza”, “pró equidade”, etc etc… mas é sabido dos problemas dela, da defesa de empresários do “agro” (não a toa as piadas com o catchphrase que a Globo vive usando em suas propagandas pro agro), fora N outros podres que são expostos aos poucos.

          Para superar os problemas, não é só falar deles. Mas agir mesmo, ser exemplo e não sair desta linha de exemplo. Não vou citar nomes nem marcas, mas tem sites e comunicadores digitais que via algo sobre eles e depois via incoerência sobre a atitude e propaganda. Seja em transporte, tecnologia, cultura, etc…

          Desculpe ter ficado tão grande a resposta e não sei se fui bem claro, mas tipo, a tal “problematização” que tu diz na verdade já é um problema real. Se não agimos com uma mínima coerência, ou a gente assume que não tem muito o que fazer e deixa rolar ou vamos ficar só num ciclo de criticar até a hora que ocorrer algo pior. Aí não é mais culpa de ninguém, tudo já foi banalizado mesmo.

          1. “o Felipe Neto criticava bets mas tinha patrocínio de uma. Depois de uma enxurrada, pulou fora do patrocínio e ficou se lamuriando.”
            Não é bem isso. O dito cujo ai falava que cassino online era renda extra. Isso é quase um discurso criminoso, ainda mais se tratando da pouca capacidade cognitiva que a base dele tem. O backslash que ele sofreu foi por conta disso.

  13. Horrível isso, aquelas publis da insider, teste de genética, alura são cansativas e chatas mas faz parte de quem é influencer né.
    Mas tem que ter um limite, explicar do petróleo, ver as “coisas boas” até entenderia… Agora uma publi e com a Shell, puta merda. Ok, como disseram, tem filho pra alimentar mas vai viver pra crescer em qual mundo, sabe? Igual a outra isentona lá, que fez propaganda da Mucilon depois que virou mãe. Cejura né.

  14. O lance que ele, nesse mundo onde se importa mais quem é, do que o que se faz, ele tá meio sozinho e isso pode dar ruim pra ele, pois ele não é acolhido nem pelos bolsonaristas e nem pelos “progressistas”.
    Essas horas que é ruim não abaixar a cabeça e seguir uma turminha como a maioria faz (seja de que lado for), e não ter ninguém pra passar pano para ti.
    Além disso, o cara tem contas pra pagar e deve ter calculado que a galera que ia chiar, já não era o público dele mesmo, logo, o impacto negativo, seria pouco.

    1. Se ele fez esse cálculo aí, fez mal demais. O público dele é muito mais “progressista” do que bolsonarista, pela atuação dele na pandemia. Só ver as reações decepcionadas nas redes.

      1. Mas assim…Eu tenho a tese que a grandessíssima maioria das pessoas tão cagando pra essas coisas de cancelamento e talz. Quem faz muito barulho tanto na esquerda quanto na direita, são uma pequena minoria. E na grande maioria das vezes não é consumidor do produto, serviço ou pessoa.

    2. Esse é o mal de ser um “centrista iluminado”, você sempre está tentando remendar um sistema que foi feito pra não funcionar para os pobres. Se você tem opiniões fortes sobre os temas mais controversos – bets, petróleo, makita – você marca a sua posição e se blinda até mesmo de propostas dessas marcas. O centrismo é a luta incansável pra vender que “dá pra viver no capitalismo, só precisa de mais uma reforma”. E nisso, o centrista alimenta o monstro que o mata.

      1. Mas todo sistema, na prática, sempre tem a elite que se dá bem e a massa que se ferra.
        E o que a pobre da makita fez pra ser controversa? kkk

        1. “E o que a pobre da makita fez pra ser controversa?”
          – Barulho
          – poda árvores
          – mutila (se a pessoa não souber mexer)

          1. Esses dias vi um vídeo de uma médica de PS dizendo que a Makita era o principal motivo de atendimento por lá. Principalmente homens na faixa da terceira idade.

        1. Era só uma brincadeira mesmo.
          Mas aqui no condomínio que eu moro ela sempre é objeto de discussões pelo barulho que, dizem, é muito mais alto do que de outras ferramentas iguais/semelhantes.

  15. a gente sabe que contas não se pagam sozinhas e patrocínios e publis são necessárias para quem atua nesse meio

    ok

    mas acho que certos limites éticos — por mais que capitalismo “ético” seja uma ilusão — são necessários e bem vindos, até mesmo em respeito ao público: átila errou feio.

    na velha mídia havia a famosa separação entre igreja e estado nas redações: quem efetivamente produzia o conteúdo dos velhos jornais não tinha qualquer ingerência na política comercial das publicações, para o bem ou para o mal.

    neste cenário de precarização e profissionalização da vida pública, tudo é uma armadilha, mas certas armadilhas deviam ser ativamente evitadas

    um bom exemplo me parece o do próprio MdU: responsável, ético e transparente.

    1. Eu entendo a ideia de que todo mundo tem contas para pagar. Mas o Átila tem dinheiro sobrando pra pagar as suas contas. Não é, claro, uma pessoa capaz de não trabalhar ou de ter posses, mas ele não precisa desse tipo de dinheiro.

      Mas ele é humano, acima de tudo, e ele é incoerente como todos nós. O pós-doc dele foi patrocinado pela Gilead Sciences (a industria farmacêutica) nos EUA, criadora do Remdesivir. E ele defendeu que ela cobrasse o absurdo que cobra pelo remédio porque “investe muito em ciência” (a fonte é a entrevista dele no Xadrez Verbal). Então, ele é essa pessoal, um liberal-progressista que enxerga na visão progressista uma maneira de remendar o sistema pra ele ser menos caótico para os pobres.

  16. vi muito pouca coisa dele, mas sempre me pareceu isentão e oportunista: pelo pouco que vi, na época da pandemia, ele emitia opiniões responsáveis, mas evitava dar nome aos bois (bolsonarismo)

    e aparentemente no youtube ele faz vídeos sobre tudo

    1. isso faz parte da ideologia da ciência com cê maiúsculo: uma aparente isenção sobre assuntos políticos, como se eles não tivessem a ver com ciência, e uma autoridade a priori para falar de forma supostamente objetiva sobre qualquer assunto

      no fundo, é pura ideologia

      1. Mas ele nem precisava dar nome aos bois para ser crítico, né? Todos entendiam.

        1. o que vi mais dele foram postagens no Twitter

          baseado no que vi, minha opinião continua a mesma

    2. Não tive essa impressão não. Ele criticava bastante o bolsonarismo, tanto que os eleitores do mito viviam atacando-o

  17. Sempre achei esse cara um farsante vendido, a novidade é que saiu do armário.
    Não verdade ele nunca se escondeu, só disfarçava mal.

  18. Não entendi qual é exatamente o problema de um cientista explicar a origem do petróleo e fazer publicidade para uma empresa que explora algo que todos nós precisamos usar todos os dias. Fiquei até um pouco chocado com as críticas (até de famosos) nos comentários.
    Perdi algo?

    1. A parte final do vídeo do Átila, em que ele diz que a Shell faz exploração de petróleo de maneira responsável e ajuda a impulsionar vidas, quando na real é uma das maiores poluidoras do planeta, o que arruina incontáveis vidas?

      Sugiro ler o fio no Bluesky. (Odeio o formato “fio”, mas é o que tem e esse explica em detalhes o que há de errado em promover petrolíferas como se fossem empresas “do bem”.)

      1. Obrigado pelo esclarecimento, Ghedin.

        Parece que no caso dele ser influencer ta pagando melhor que ser cientista.

  19. Entendo a necessidade de se ganhar dinheiro, mas nesse caso acho que ele não pensou muito nas consequências de soar incoerente e jogou sua própria credibilidade no lixo. Se nos vídeos ele fala uma coisa e na propaganda outra, que moral ele tem para questionar um negacionista? Errou feio, errou rude.

  20. Isso me lembrou o caso das atletas (volei e judô) que estão na propaganda de alguma casa de aposta.

    As contas chegam, mas de alguma forma vejo que essa galera, com a projeção que tem/ganha, pode fazer mais sem precisar se envolver com temas tão problemáticos nos dias atuais.

  21. o rapaz teve filho recentemente, todos tem contas a pagar, espero que tenha ganhado um bom dinheiro

    1. As pessoas esquecem que todo mundo tem que pagar as contas e ser influenciador ou divulgador científico é um trabalho como qualquer outro. Aposto que o que ele recebeu da Shell deve pagar uns bons anos de monetização do YT.

      Duvido que esse pessoal que tá reclamando desliga o adblock pra ver o conteúdo dele.

      1. Ninguém está implicando por ele ganhar dinheiro. O problema é a incoerência de se dizer defensor da ciência e combater negacionistas da covid-19 e, ao mesmo tempo, ignorar a ciência e fazer o papel de negacionista climático. As duas coisas ao mesmo tempo é difícil de engolir, até de compreender.

        1. Acho um enorme exagero.

          Todo mundo metendo o pau nele enquanto consome diariamente produtos de empresas que destroem o planeta.

          1. Convenhamos que não se escolhe consumir petróleo e derivados, né? A menos que você decida viver no meio do mato e do que a natureza dá, você consome, mesmo que indiretamente.

            Cory Doctorow costuma falar desse paradoxo em suas colunas, no contexto da big tech. Abordou na mais recente, que mencionei no texto desta sexta na newsletter/site. Recomendo a leitura.

          2. As pessoas podem, pelo menos, optar por reduzir o consumo de petroleo e derivados.
            Duvido que a maioria dos que criticam estariam dispostos a trocar carro/jatinho por ônibus, por exemplo.

            Sem demanda, não teria oferta.

          3. @xyz cuidado, esse é exatamente o discurso que as grandes empresas culpadas pelo caos que estamos passando (como a própria shell) usam para se eximir da culpa e colocá-la no indivíduo.

          4. @JoaoM, você tem razão.

            Não me expressei bem. Vou tentar melhorar:

            Não somos apenas espectadores dos acontecimentos. Também somos agentes.
            Daí, também temos responsabilidades.

            Não podemos culpar totalmente as empresas para nos eximir de culta. Mas, obviamente, as empresas/acionistas tem muita culpa.

  22. Lamentável essa propaganda. É tipo torrar sua credibilidade pra vender jogo do tigrinho sabendo do estrago imenso que traz.

    1. Imagina se toda essa cobrança em cima dos influenciadores fosse direcionada para os políticos e legisladores que realmente são responsáveis por esses problemas?

  23. Com certeza não foi a primeira vez que ele se manifestou de forma enviesada.

  24. Infelizmente o dinheiro não está com os progressistas, mas com os neoliberais. O que tem que se tomar cuidado é tipo: fazer um conteúdo falando contra algo e ser patrocinado por aquele algo isso falando de ter uma mídia e “pagar os boletos”.

    Não acompanho totalmente o Átila, mas sei que ele tem posições com um pé no liberalismo (galera explica lá no fio do prof. Alexandre), então é mezzo coerente este patrocínio dado o histórico. Átila teve sua relevância na pandemia, tal como a Pastenark e N outros. Mas ambos tem seus problemas, e não a toa também tem sua perda de audiência (ou ganho, dependendo).

    Ninguém é Deus e todos pagam boletos no Brasil. É de onde vem o dinheiro que paga os boletos que a gente tem que pensar. (Tem horas que me pergunto se o trabalho que estou vale o esforço).

    Se por exemplo tu (Rodrigo) quiser ter um espaço de patrocínio no site, ele é seu e tu que sabe o que é melhor e mais coerente para patrocinar. Muitos de nós como leitores sabemos que no final na vida tudo é pagar boletos, contas e promissórias. Acho que não a toa a audiência aqui no Manual ela é estável – quem está aqui conhece as pessoas por trás do site (e até quem comenta se bobear) e sabe o caráter, e quem tem condições, pagará a assinatura. Se vier patrocínio não coerente, obviamente a resposta será vista na audiência, nos comentários.